O procedimento persecutório policial das ações da 2a Vara de Entorpecentes em geral se iniciam por uma dentre três maneiras: denúncia anônima, abordagem de rotina ou delação premiada. Tendo em vista que as hipóteses de delação premiada pressupõem que o delator já responde um procedimento penal que foi iniciado por um dos outros dois meios, daremos ênfase aqui à denunciação anônima e às abordagens de rotina.
O art. 5o, § 3o, do CPP dispõe que qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito. A delação anônima, termo correto para o que corriqueiramente se chama denúncia anônima, consiste na comunicação, sem a identificação do locutor, de que estaria supostamente sendo praticado fato previsto como delituoso. Dessa forma, consiste na modalidade provocada da notitia criminis, podendo ser endereçada à autoridade policial, ao Ministério Público ou ao magistrado, formulada por qualquer do povo, mediante expediente apócrifo de cognição mediata (BRITO, 2011). O tráfico de drogas é uma atividade que promove grande movimento no local em que é realizado, atraindo atenção de vizinhos e transeuntes, que se sentem incomodados, mas nada fazem por temerem repreensão dos traficantes. Eis que a denúncia anônima se mostra como uma alternativa para que a população auxilie as investigações policiais.
O magistrado da 2a Vara tem deixado implícito que a denunciação anônima seria um indício forte da mercancia das substâncias entorpecentes, vez que o denunciante provavelmente teria conhecimento de movimentação de pessoas suspeitas, da notoriedade do lugar como comércio ilícito ou, em alguns casos, da própria exibição pública da droga.
Em sentença de novembro de 2011, o magistrado colacionou em relatório a denúncia oferecida pelo Ministério Público, a qual transcrevemos abaixo em parte:
Os elementos informativos colacionados no inquisitório em anexo noticiam que, no dia 17 de dezembro de 2009, por volta das 07h30min, agentes da DENARC, com o apoio dos policiais militares Gilberto e Lima, dirigiram-se ao imóvel de no 849, situado na rua Santiago da Barra, no bairro Barra do Ceará, com o desiderato de averiguar inúmeras denúncias anônimas que davam conta que a traficante conhecida por [...], estava guardando em sua residência, mais precisamente em um fundo falso, uma grande quantidade de droga.
Assim é que, chegando ao reportado endereço, os policiais efetuaram um cerco e cientificaram a moradora, no caso, a denunciada, das denúncias contra ela existentes, tempo em que solicitaram que abrisse a porta da residência, no que tiveram a entrada franqueada, azo em que a denunciada logo negou que estivesse traficando.
A diligência que se iniciara como averiguação de delatio criminis logrou encontrar quantidade razoável de maconha e cocaína, oito balanças de precisão, rádios de comunicação, celulares, certa quantidade de dinheiro e uma motoneta que seria utilizada para a entrega das drogas. Diante dos fatos, o magistrado condenou a ré no art. 33 da Lei 11.343/06.
Em caso semelhante, delação anônima informou o endereço e o responsável por ponto de venda de maconha, relatando inclusive que o traficante guardaria a droga “na „raiz de uma árvore‟, de frente à sua residência”. A peça acusatória informa que ao avistar os policiais, o suposto traficante empreendeu fuga, sendo alcançado, e constatada a veracidade dos fatos comunicados anteriormente. Visto o fato ter ocorrido antes da entrada em vigor da lei 11.343/06, o acusado foi condenado pelo art. 12 da Lei 6.368/76 (Ação Penal Pública n. 2004.01.02922-0. 2ª Vara de Delitos sobre Tráfico de Substâncias Entorpecentes. Julgado em 30 nov. 2010).
Questão polêmica que se tem levantado a respeito da delação anônima é a de poder ela ser fundamento inicial da ação penal. O Superior Tribunal de Justiça veda o embasamento de ação penal exclusivamente em denúncia anônima no intuito de resguardar o interesse público de preservar a imagem dos cidadãos e a própria vida democrática. O Tribunal apenas não veda a coleta de provas dos fatos narrados em informação obtida sem identificação do locutor. O Supremo Tribunal Federal também tem entendido que comunicação apócrifa não poderá iniciar ação penal, pois o art. 5o, IV, da Constituição
Federal veta a manifestação anônima. Com tal entendimento pretende-se resguardar a segurança jurídica que também o legislador infraconstitucional intentou ao punir a denunciação caluniosa no art. 329 do Código Penal, instituindo no § 1o do artigo, aumento de pena no caso de anonimato. No entanto, tem-se admitido que se verifique a veracidade das informações de forma cautelosa e resguardando os supostos envolvidos a fim de obter provas suficientes para se iniciar a ação penal. Corrobora o art. 6o, caput, do CPP, ao determinar que a autoridade policial tome as providências elencadas nos incisos assim que tiver conhecimento da prática de infração penal. Esse inclusive é o fundamento de iniciativas como os “disque-denúncia”.
O mais ilustrativo a respeito da possibilidade ou não de haver persecução criminal decorrente de delação anônima é a conclusão do voto do ministro Celso de Mello em sede de habeas corpus que enfrentou a questão:
É certo, no entanto, tal como tive o ensejo de decidir nesta Suprema Corte (HC 100.042-MC/RO, Rel. Min. CELSO DE MELLO), que essa diretriz jurisprudencial – para não comprometer a apuração de comportamentos ilícitos e, ao mesmo tempo, para resguardar a exigência constitucional de publicidade - há de ser interpretada em termos que, segundo entendo, assim podem ser resumidos:
(a) os escritos anônimos não podem justificar, só por si, desde que isoladamente considerados, a imediata instauração da persecutio criminis, eis que peças apócrifas não podem ser incorporadas, formalmente, ao processo, salvo quando tais documentos forem produzidos pelo acusado, ou, ainda, quando constituírem, eles próprios, o corpo de delito (como sucede com bilhetes de resgate no delito de extorsão mediante seqüestro, ou como ocorre com cartas que evidenciem a prática de crimes contra a honra, ou que corporifiquem o delito de ameaça ou que materializem o crimen falsi, p. ex.);
(b) nada impede, contudo, que o Poder Público, provocado por delação anônima („disque-denúncia‟, p. ex.), adote medidas informais destinadas a apurar, previamente, em averiguação sumária, „com prudência e discrição‟, a possível ocorrência de eventual situação de ilicitude penal, desde que o faça com o objetivo de conferir a verossimilhança dos fatos nela denunciados, em ordem a promover, então, em caso positivo, a formal instauração da persecutio criminis, mantendo-se, assim, completa desvinculação desse procedimento estatal em relação às peças apócrifas; e
(c) o Ministério Público, de outro lado, independentemente da prévia instauração de inquérito policial, também pode formar a sua opinio delicti com apoio em outros elementos de convicção que evidenciem a materialidade do fato delituoso e a existência de indícios suficientes de sua autoria, desde que os dados informativos que dão suporte à acusação penal não tenham, como único fundamento causal, documentos ou escritos anônimos. (Inq. n. 1957/PR. STF. Rel. Min. Carlos Veloso. Informativo 387 do STF).
Dessa forma, vários são os julgados a demonstrar tal posicionamento:
CRIMINAL. RHC. NOTITIA CRIMINIS ANÔNIMA. INQUÉRITO POLICIAL.VALIDADE.
1. A delatio criminis anônima não constitui causa da ação penal que surgirá, em sendo o caso, da investigação policial decorrente. Se colhidos elementos suficientes,
haverá, então, ensejo para a denúncia. É bem verdade que a Constituição Federal (art. 5º, IV) veda o anonimato na manifestação do pensamento, nada impedindo, entretanto, mas, pelo contrário, sendo dever da autoridade policial proceder à investigação, cercando-se, naturalmente, de cautela.
2. Recurso ordinário improvido.
(RHC n. 7.329/GO. STJ. Sexta Turma. Rel. Min. Fernando Gonçalves. Julgado em 16 abr. 1998)
CONSTITITUCIONAL E PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. POSSIBILIDADE DE DENÚNCIA ANÔNIMA, DESDE QUE ACOMPANHADA DE DEMAIS ELEMENTOS COLHIDOS A PARTIR DELA. INEXISTÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL.
1. O precedente referido pelo impetrante na inicial (HC n. 84.827/TO, Relator o Ministro Marco Aurélio, DJ de 23/11/07), de fato, assentou o entendimento de que é vedada a persecução penal iniciada com base, exclusivamente, em denúncia anônima. Formou-se a orientação de que a autoridade policial, ao receber uma denúncia anônima, deve antes realizar diligências preliminares para averiguar se os fatos narrados nessa „denúncia‟ são materialmente verdadeiros, para, só então, iniciar as investigações.
2. No caso concreto, ainda sem instaurar inquérito policial, policiais civis diligenciaram no sentido de apurar a eventual existência de irregularidades cartorárias que pudessem conferir indícios de verossimilhança aos fatos. Portanto, o procedimento tomado pelos policiais está em perfeita consonância com o entendimento firmado no precedente supracitado, no que tange à realização de diligências preliminares para apurar a veracidade das informações obtidas anonimamente e, então, instaurar o procedimento investigatório propriamente dito. 3. Ordem denegada.
(HC 98.345/RJ. STF. Primeira Turma. Rel. Min. Dias Toffoli. Julgado em 16 jun. 2010)
ANINIMATO. NOTÍCIA DE PRÁTICA CRIMINOSA. PERSECUÇÃO CRIMINAL. IMPROPRIEDADE. Não serve à persecução criminal notícia de prática criminosa sem identificação da autoria, consideradas a vedação constitucional do anonimato e a necessidade de haver parâmetros próprios à responsabilidade, nos campos cíveis e penal, de quem a implemente.
(HC 84.827/TO. STF. Primeira Turma. Rel. Min. Marco Aurélio. Julgado em 07 ago. 2007)
EMENTA: HABEAS CORPUS. „DENÚNCIA ANÔNIMA‟ SEGUIDA DE INVESTIGAÇÕES EM INQUÉRITO POLICIAL. INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS E AÇÕES PENAIS NÃO DECORRENTES DE „DENÚNCIA ANÔNIMA‟. LICITUDE DA PROVA COLHIDA E DAS AÇÕES PENAIS INICIADAS. ORDEM DENEGADA. Segundo precedentes do Supremo Tribunal Federal, nada impede a deflagração da persecução penal pela chamada „denúncia anônima‟, desde que esta seja seguida de diligências realizadas para averiguar os fatos nela noticiados (86.082, rel. min. Ellen Gracie, DJe de 22.08.2008; 90.178, rel. min. Cezar Peluso, DJe de 26.03.2010; e HC 95.244, rel. min. Dias Toffoli, DJe de 30.04.2010). No caso, tanto as interceptações telefônicas, quanto as ações penais que se pretende trancar decorreram não da alegada „notícia anônima‟, mas de investigações levadas a efeito pela autoridade policial. A alegação de que o deferimento da interceptação telefônica teria violado o disposto no art. 2º, I e II, da Lei 9.296/1996 não se sustenta, uma vez que a decisão da magistrada de primeiro grau refere-se à existência de indícios razoáveis de autoria e à imprescindibilidade do monitoramento telefônico. Ordem denegada.
(HC 99.490/SP. STF. Segunda Turma. Rel. Min. Joaquim Barbosa. Julgado em 23 nov. 2010)
EMENTA: PERSECUÇÃO PENAL E DELAÇÃO ANÔNIMA. DOUTRINA. PRECEDENTES. PRETENDIDA EXTINÇÃO DO PROCEDIMENTO PENAL. DESCARACTERIZAÇÃO, NA ESPÉCIE, DA PLAUSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO. MEDIDA CAUTELAR INDEFERIDA.
- As autoridades públicas não podem iniciar qualquer medida de persecução (penal ou disciplinar), apoiando-se, unicamente, para tal fim, em peças apócrifas ou em escritos anônimos. É por essa razão que o escrito anônimo não autoriza, desde que
isoladamente considerado, a imediata instauração de persecutio criminis.
- Peças apócrifas não podem ser formalmente incorporadas a procedimentos instaurados pelo Estado, salvo quando forem produzidas pelo acusado ou, ainda, quando constituírem, elas próprias, o corpo de delito (como sucede com bilhetes de resgate no crime de extorsão mediante seqüestro, ou como ocorre com cartas que evidenciem a prática de crimes contra a honra, ou que corporifiquem o delito de ameaça ou que materializem o crimen falsi, p. ex.).
- Nada impede, contudo, que o Poder Público, provocado por delação anônima („disque-denúncia‟, p. ex.), adote medidas informais destinadas a apurar, previamente, em averiguação sumária, „com prudência e discrição‟, a possível ocorrência de eventual situação de ilicitude penal, desde que o faça com o objetivo de conferir a verossimilhança dos fatos nela denunciados, em ordem a promover, então, em caso positivo, a formal instauração da persecutio criminis, mantendo-se, assim, completa desvinculação desse procedimento estatal em relação às peças apócrifas.
- Diligências prévias que, promovidas pelo Departamento de Polícia Federal, revelariam a preocupação da Polícia Judiciária em observar, com cautela e discrição, as diretrizes jurisprudenciais estabelecidas, em tema de delação anônima, pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça. (HC 106664 MC / SP. STF. Rel. Min. Celso de Mello. Julgado em 19 mai. 2011).
Diferentemente das diligências decorrentes de delações anônimas, as abordagens de rotina são direcionadas a vários indivíduos indeterminados. A experiência policial identifica características peculiares a “mulas” e traficantes, e, estando elas presentes, passa-se à averiguação. Costumeiramente, as abordagens desse tipo se dão em aeroportos e rodoviárias, visando coibir o tráfico interestadual e internacional.
A intervenção da autoridade policial requer obediência ao disposto no art. 244 do Código de Processo Penal. O dispositivo determina que a busca pessoal somente independerá de mandado no caso de prisão ou fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar. Eis que o legislador empregou a expressão “fundada suspeita” como forma de delimitar a ação, sendo ela discricionária, mas devendo ter relevante motivação. Não há que se olvidar das garantias constitucionais da presunção de inocência e da inviolabilidade da intimidade e da vida privada, constantes nos incisos X e LVII do art. 5o da Constituição Federal. Assim, a autoridade que pretender realizar a chamada “revista” não utilizará critérios subjetivos e buscará causar o mínimo de dano à imagem do alvo de suas suspeitas, visto ser o procedimento realizado na maioria das vezes em locais públicos. Os excessos e ilegalidades da conduta policial nas revistas poderão ser enquadrados como abuso de autoridade, conforme a Lei 4.898/65.
O STF decidiu em conformidade com esse posicionamento:
Por ausência de justa causa, a Turma deferiu habeas corpus para determinar o arquivamento do termo circunstanciado de ocorrência por meio do qual se autuara o paciente pela prática do crime de desobediência (CP, art. 330), em razão de o mesmo
haver se recusado a ser revistado por policial militar quando chegava à sua casa. Considerou-se que a motivação policial para a revista - consistente no fato de o paciente trajar „blusão‟ passível de encobrir algum tipo de arma - não seria apta, por si só, a justificar a fundada suspeita de porte ilegal de arma, porquanto baseada em critérios subjetivos e discricionários (CPP, art. 244: „A busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida [...]‟). (HC 81.305/GO. STF. Primeira Turma. Rel. Min. Ilmar Galvão, Julgado em 13 nov. 2001).
A abordagem e busca policial são atos administrativos e como tais caracterizam-se pela imperatividade, pela coercibilidade e pela autoexecutoriedade, todas visando à segurança da sociedade (MONTEIRO, 2009). A revista pessoal não possui finalidade preventiva criminal, buscando indícios de conduta ilícita, motivo pelo qual consta do título “Das Provas” do Código de Processo Penal.
Há ainda as ações em vias públicas, muitas vezes implicando em revistas pessoais. Nas rondas diárias, os policiais se deparam com pessoas em atitudes suspeitas. Em busca de armas ou produto de roubos, por vezes são encontradas drogas as quais poderão tanto ser para consumo pessoal como para a comercialização. Por existir essa dúvida é que a abordagem rotineira tem menos força probatória de que a droga se destina ao tráfico do que a obtida por meio de denúncia anônima.
Dessa forma, na ação penal de número 2002.01.10139-4, desclassificou-se acusação de tráfico para a de mero uso por não haverem indícios precisos de que a droga apreendida seria comercializada:
O que se verifica da prova colhida em audiência é que, inobstante a quantidade razoável de maconha apreendida, não há outros elementos probatório nos autos que comprove a efetiva traficância denunciada, verifica-se que o acusado desde a flagrância mantém a negativa de tal prática delitiva, o que asseverou também em Juízo, tendo os policiais lhe abordado em ronda rotineira e não via diligência
atinente a denúncia anônima de tráfico de drogas. Ao meu sentir, pois, a prova é por demais duvidosa, não apontando com a certeza devida a tese do tráfico.
RAZÃO PORQUE O PRÓPRIO DOMINUS LITIS ROGOU PELA DESCLASSIFICAÇÃO. (Ação Penal Pública n. 2002.01.10139-4. 2ª Vara de Delitos sobre Tráfico de Substâncias Entorpecentes. Julgado em 30 set. 2010). Em decisão que absolveu acusado de tráfico por falta de lastro probatório suficiente, o juiz da 2a Vara de Entorpecentes assim se manifestou:
Denota-se da exordial acusatória que a diligência policial em relevo originou-se de uma ronda de saturação na comunidade Garibaldi na data e horário mencionados na inicial, quando constatou-se situação suspeita na residência de no 62, na travessa Santo Antônio, já que um indivíduo teria sinalizado para outras pessoas que saíram incontinenti da citada residência, o que ocasionou a atividade policial naquela residência quando abordaram o acusado e, após vistoria no imóvel, houve apreensão das drogas e demais objetos supramencionados.
[...]
Ressalte-se, por oportuno, que a diligência policial não partiu de denúncia anônima apontando a pessoa do acusado como traficante, aliás, pessoa que os policiais NÃO CONHECIAM ANTERIORMENTE E QUE NÃO TINHAM NENHUMA INFORMAÇÃO SOBRE O MESMO. (Ação Penal Pública n. 41483- 53.2009.8.06.0001/0. 2ª Vara de Delitos sobre Tráfico de Substâncias Entorpecentes. Julgado em 17 dez. 2010).