Como o artigo de Hazy foi publicado no ano de 2007 e o estudo mais recente citado por ele foi do ano de 2005, decidiu-se investigar, na literatura, outros estudos similares que pudessem contribuir com a presente pesquisa.
15 Além de Black e Oliver (2005), Hazy (2007) cita o trabalho de Black, King e Oliver (2005).
Entretanto, até o momento não foi possível recuperar este trabalho, tendo o mesmo sido excluído do quadro e da análise.
Utilizando bases de dados científicas como Scopus (www.scopus.com), ISI (www.isiknowledge.com) e Google Acadêmico (scholar.google.com.br), foram pesquisadas as combinações de termos tratando de liderança e modelagem baseada em agentes, tanto em inglês quanto em português, a partir do ano de 2006.
O Quadro 33 apresenta uma síntese dos estudos encontrados, agrupados por autores.
Pesquisador
(es) Modelagem Análise Black et al.
(2006) MBA Analisam como as interações dinâmicas entre líderes e liderados afetam a aprendizagem dos grupos.
Black, Oliver
e King
(2008)
MBA Examinam como as habilidades do líder, as características dos liderados e o poder de posição afetam a aprendizagem dos grupos. Black, Oliver
e Paris
(2009)
MBA Investigam o impacto da liderança na
aprendizagem de um grupo e as habilidades dos agentes em esquecerem lições aprendidas. Schreiber (2006) MBA e análise de redes dinâmicas
Examina os riscos relacionados às pessoas críticas e propõe uma teoria de liderança para organizações em rede. Schreiber e Carley (2006) MBA e análise de redes dinâmicas
Investigam os efeitos do estilo de liderança como habilitador das funções complexas nas organizações.
Forno e
Merlone (2006)
MBA Analisam as interações que promovem a
emergência de indivíduos como líder.
Forno e Merlone (2009) MBA e análise de redes dinâmicas
Examinam a influência dos líderes na formação de equipes.
Panzer
(2009) MBA Investiga a liderança em equipes como função das tensões de adaptação decorrentes das interações entre os membros, dos conflitos, e das tarefas e restrições do ambiente.
Dionne et al. (2010)
MBA Analisam o papel dos líderes em influenciar, desenvolver ou promover o compartilhamento de modelos mentais para melhorar o desempenho de uma equipe.
Pesquisador
(es) Modelagem Análise Quera,
Beltran e Dolad (2010)
MBA Examinam como os líderes emergem em um grupo como consequência das interações entre seus membros.
Quadro 33 – Outros Simuladores sobre Liderança Fonte: elaborado pelo autor
A análise do Quadro 33 sugere que Black e Oliver são os pesquisadores que mais têm se dedicado a estudar liderança utilizando a MBA. Hazy (2007) já havia identificado dois estudos envolvendo estes autores (BLACK e OLIVER, 2005; BLACK, KING e OLIVER, 2005) e nesta nova análise três outros estudos foram identificados (BLACK et al., 2006; BLACK, OLIVER e KING, 2008; BLACK, OLIVER e PARIS, 2009). O contexto comum específico dos estudos destes autores é relacionar as habilidades do líder e a liderança, com a aprendizagem organizacional.
Em Black et al. (2006) os autores utilizaram o modelo de competências de Quinn et al. (2003) como base para modelar as competências dos agentes e o Contexto-para-Aprendizagem (Context- for-Learning) (BLACK e BOAL, 1997) para modelar a aprendizagem organizacional. A combinação destes modelos foi utilizada para verificar como é a interação dos agentes com diferentes características. Entre suas conclusões, eles identificaram estilos de liderança mais ou menos produtivos para promover a aprendizagem organizacional.
Segundo os próprios autores, o estudo de Black, Oliver e King (2008) é uma continuação do estudo de Black, King e Oliver (2005). Nestes estudos eles também usam o Contexto-para-Aprendizagem como base para modelar os agentes. O modelo permitiu analisar 19 hipóteses. Uma de suas principais conclusões foi observar que, se os liderados têm competência elevada, o impacto do líder é pequeno. Em Black, Oliver e Paris (2009) os autores combinam o Contexto-para-Aprendizagem com o modelo de estilos de liderança de Dionne e Dionne (2009). Este é o primeiro artigo em que os autores fazem relação do modelo com uma teoria de liderança – a LMX (Leader-Member-Exchange) – também utilizada como base para construir o modelo. Neste estudo eles analisam nove hipóteses e também identificam relações entre estilos de liderança e aprendizagem.
Schreiber e Carley são outros pesquisadores com estudos analisado por Hazy (2007) e também na presente pesquisa (SCHREIBER, 2006; SCHREIBER e CARLEY, 2006). A linha de
pesquisa dos autores é combinar a MBA com a análise de redes dinâmicas. Em sua tese de doutorado Schreiber (2006) usa o modelo de simulação para propor uma grounded theory sobre liderança em organizações em rede. Outro destaque é que ambos os estudos (SCHREIBER, 2006; SCHREIBER e CARLEY, 2006) têm como base teórica a TLC, abordada na seção 3.2.2 e de especial interesse neste estudo. A tese de doutorado de Panzer (2009) igualmente utiliza a MBA para propor uma grounded theory sobre liderança em equipes com base na abordagem da Complexidade.
Forno e Melrone (2006) utilizaram dados coletados em investigações quantitativas e qualitativas para construir a MBA. Com base em suas observações eles modelaram três tipos de agentes líderes (justos, heurísticos e competitivos) e dois tipos de agentes seguidores (obedientes e livres). Além das próprias conclusões apresentadas, a construção do modelo com base em observações de um grupo é uma das principais contribuições do estudo.
Em seu outro estudo, Forno e Melrone (2009) usam outra abordagem. O estudo compara observações do mundo real com as modeladas com base no simulador. O simulador foi construído com a combinação de duas técnicas (MBA e análise de redes dinâmicas) e utilizou os fundamentos da Teoria dos Jogos. A abordagem também gerou uma grounded theory. Nenhum dos estudos de Forno e Melrone estão vinculados diretamente a qualquer teoria de Liderança, apesar de em Forno e Melrone (2006) eles citarem o estudo de Schneider e Somers (2006) sobre a abordagem da liderança com base na Complexidade.
Dionne et al. (2010) usaram a MBA para comparar a liderança participativa com a LMX quanto ao compartilhamento de modelos mentais. Eles concluíram que a liderança participativa é mais eficiente que a LMX neste processo de compartilhamento, mas com algumas restrições. No estudo destes autores destaca-se o uso efetivo de teorias de Liderança.
O estudo de Quera, Beltran e Dolado (2010) procura identificar dois tipos de situações: o grau em que os grupos se movem de forma coordenada, sem necessidade de líder (comportamento do grupo), e o grau em que o grupo precisa de um líder (comportamento hierárquico). Os autores fizeram várias simulações e concluíram que, mesmo em grupos não hierárquicos, alguns agentes tendem a se manter como líderes informais por algum tempo. Os autores não vinculam seu estudo às teorias de liderança.
4.3.3 Considerações Gerais
A análise conjunta dos simuladores identificados na investigação de Hazy (2007) e na presente pesquisa permite verificar que o uso de MBA para o estudo de liderança ainda é um campo a ser explorado. Além do pequeno número de publicações, poucos autores vinculam suas pesquisas à teorias de Liderança específicas. De qualquer modo, diversas abordagens e observações são possíveis, permitindo relacionar temas de diferentes modelos e teorias. Além disso, em geral os simuladores têm sido utilizados para entender ou explicar fenômenos. Nenhum deles foi utilizado em um contexto educacional, voltado à aprendizagem.
Os simuladores analisados podem constituir-se como modelos para o framework, devendo seu uso ser ajustado para poder ser aplicado no contexto de um JEE.
Com base nas discussões desta seção, são estabelecidos alguns pressupostos para este estudo.
Pressuposto 42: É possível desenvolver simuladores efetivos