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5. STRATEJİ GELİŞTİRME

5.2. Hedef Kartları

A Psicologia da Religião se faz de baixo para cima. O psicólogo bem sabe disso: é no trabalho empírico com a angústia, com a ansiedade e com a depressão que a vida se sacraliza. Por esse viés, o sagrado não surge de uma imposição moral. Tanto o espírito quanto o corpo podem expressar o Self. De certa maneira, todas as imagens são sagradas, pois a vida é sagrada, quando estamos em sintonia com ela. Os taoístas, por exemplo, nos falaram do Tao e da necessidade de nos harmonizarmos com ele. Indicam-nos modos de harmonizarmos nosso corpo e nossa psique em um ponto de equilíbrio, no qual nos sentimos mais leves e integrados com a natureza. Podemos considerar o Tao uma psicologia milenar chinesa. Mas o psicólogo da religião não se baseia em uma religião específica para o entendimento da psique. Pelo contrário, ele parte da psique para o entendimento da religião.

Em carta ao Pastor Jahn, escrita em 1935, Jung explicita, mais uma vez, a natureza da sua pesquisa, da qual minha tese é uma confirmação:

Sou, em primeiro lugar, um empírico que chegou à questão da mística ocidental e oriental somente através da empiria. Eu não me baseio de forma nenhuma, por exemplo, no Tao ou em qualquer técnica de ioga, mas descobri que a filosofia taoísta, bem como a ioga, têm muitos paralelos com os processos psíquicos que podemos observar nas pessoas ocidentais. Eu, por exemplo, não forço ninguém a desenhar ou contemplar figuras de mandalas, como faz a ioga, mas acontece que as pessoas, na medida em que forem isentas de preconceitos, lançam mão naturalmente desses meios auxiliares para orientar-se no caso dos processos inconscientes que querem vir à luz.

Um ponto que os teólogos muitas vezes desconsideram é a questão da realidade de Deus. Quando falo de Deus, faço-o sempre como psicólogo, e enfatizo isso expressamente em muitas passagens de meus livros. Para o psicólogo, a imagem de Deus é um fato psicológico. Sobre a realidade metafísica de Deus ele nada sabe dizer, pois isto ultrapassaria de longe os limites epistemológicos. Como empírico, só conheço as imagens que surgem originalmente no inconsciente, imagens que a pessoa se faz da divindade ou, melhor, que são feitas a respeito da divindade no inconsciente; e essas imagens são, sem dúvida, muito relativas [...].

Tenho a impressão de que é difícil para o teólogo penetrar na ideia de um empírico. O que para o teólogo são realidades espirituais, para o empírico são expressões da natureza psíquica, que, no fundo, é essencialmente desconhecida. O empírico não pensa de cima para baixo, a partir de pressupostos metafísicos, mas ele vem de baixo, do mundo dos fenômenos, e precisa, com sua limitação da mente consciente, contentar-se em entender os processos psíquicos por imitação. É nisso que se baseia também a minha terapia. Eu trato, sobretudo, com pessoas nas quais não posso implantar valores ou convicções de cima para baixo. São geralmente pessoas que eu só posso levar a fazer suas experiências e a ordená-las de tal forma que lhes permita uma existência suportável. O pastor de almas não está, em geral, nessa situação, mas trata com pessoas que procuram expressamente uma orientação espiritual de cima para baixo. [...] [O empírico] nunca dirá aos seus pacientes: “tua psique é Deus”, ou “o teu inconsciente é Deus”. Pois isso seria justamente aquilo de que o paciente fugiu enfastiado; mas devemos partir do processo psíquico da experiência dos conteúdos inconscientes, pelo qual o paciente chegará à condição de experimentar suas realidades psíquicas e, a partir daí, tirar suas conclusões. (JUNG, 2002a, p. 208).

A religião institucionalizada fala ao fiel de cima para baixo, frequentemente em um esforço para suprimir o corpo (e sua sabedoria) e enaltecer o espírito. Dessa maneira, polariza ainda mais o grande embate do espírito com a matéria. Como psicólogo, concentro-me na ascese que advém do conflito dos opostos, que é mediado pelos símbolos no decorrer do processo de individuação e não no ideal religioso da repressão do corpo em nome do espírito.

No próximo capítulo, desenvolverei uma análise mais detalhada da relação ego-Self para deixar ainda mais clara a hipótese arquetípica do desenvolvimento da Consciência. No capítulo posterior, já com essa hipótese bem estruturada,

aprofundarei a problemática do narcisismo defensivo, que só reforça uma mentalidade onipotente, inflada, manipuladora e manipulável. Desejo salientar a importância do autoconhecimento e da transcendência do egoísmo defensivo e da ganância adquirida e reforçada culturalmente. Afinal, a Consciência Religiosa não nega a morte e reconhece a precariedade humana, tanto psíquica quanto física. Essa Consciência assume-se dependente de algo maior do que ela. Sacraliza a vida e o outro, ao suplantar o narcisismo ou qualquer ideal que distancie o homem do seu corpo, da sua alma e do seu espírito.

3 O Self e o ego, Deus e o homem

Embora suas bases sejam, em si mesmas, relativamente desconhecidas e inconscientes, o ego é, por excelência, um fator consciente. É, inclusive, adquirido, em termos empíricos, ao longo da vida. Parece surgir, em primeiro lugar, da colisão entre o fator somático e o meio ambiente, e, depois de estabelecido como sujeito, prossegue desenvolvendo-se a partir de outras colisões com o mundo exterior e o interior.

Apesar da ilimitada extensão de suas bases, o ego nunca é mais e nunca é menos que a consciência como um todo.

[...] A personalidade como um fenômeno total não coincide com o ego, quer dizer, com a personalidade consciente, mas forma uma entidade que precisa ser distinguida do ego. Sem dúvida, a necessidade dessa distinção só recai sobre uma Psicologia que admite o fator do inconsciente e, para ela, essa distinção é da mais lapidar importância.

Sugeri que se chamasse a personalidade total, que, embora presente, não possa ser plenamente conhecida, de Self (si-mesmo). Por definição, o ego está subordinado ao Self e mantém com ele uma relação de parte para o todo. (JUNG, 1986a, p. 3).

Ao usar o termo “colisão”, Jung imprime ao desenvolvimento do ego as ideias de trauma e conflito como requisitos fundantes no desenvolvimento da personalidade e da própria Consciência. Tais colisões são multifatoriais, ou seja, envolvem as relações da criança com o seu mundo interior e com o mundo exterior. Ou, mais precisamente, é na relação entre ambos que se formam o ego e suas características. As colisões das demandas internas com os objetos externos promovem as feridas narcísicas que irão influenciar a formação da identidade e as defesas do ego. Assim como é verdade que o ego se forma com suas características primárias no decorrer dos primeiros anos, também é verdade que, na adolescência e na vida adulta, as colisões continuam interferindo na estrutura e na desestruturação do ego. Dependendo da intensidade do choque, surgem sequelas afetivas, por vezes irreparáveis. Pela visão psicodinâmica, algumas psicopatologias mais graves são atribuídas às colisões primárias, isto é, ocorridas no início da formação do ego. Assim, a evolução da Consciência se faz não apenas pela satisfação das necessidades somáticas e afetivas, mas também pelas frustrações narcísicas.

O Self, segundo o autor, é o conjunto das partes conscientes e inconscientes da personalidade, ou a “personalidade total”. Nele, portanto, também estão

englobados o corpo e o espírito. A matriz organizadora da qual surge o ego e todas as partes conflitantes que envolvem a personalidade como um todo é o Arquétipo Central. Ele é a força que organiza todas as potências arquetípicas da psique. Jung (1991) também o denomina Self. Assim, o conceito de Self, para Jung se presta a duas finalidades teóricas. O conceito define a totalidade do ser e também o centro organizador da psique.