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1. LĐDERLĐKLE ĐLGĐLĐ KAVRAMSAL ÇERÇEVE

1.5. M ODERN L ĐDERLĐK T ÜRLERĐ

1.5.1. Karizmatik Lider

Presente em praticamente todos os segmentos da sociedade, a música tende a ser, a cada dia, mais valorizada, na medida em que cientistas têm pesquisado o seu poder na

humanidade; o que está alertando várias pessoas a redescobrir essa fonte inesgotável de recursos para uma vida melhor.

O papel desempenhado pela música na religião, na cultura, em ações coletivas como festas, revoluções e guerras, e suas aplicações modernas na medicina, na educação e na indústria, têm mostrado o efeito que exercem os sons sobre os seres.

Desde os tempos antigos, a música tem sido utilizada para melhorar o bem-estar físico, emocional e mental. Os xamãs - médicos primitivos da sociedade há milênios já faziam uso dos sons no intuito de tratar o corpo e a alma. Nas sociedades primitivas, os cantos mágicos eram considerados mais importantes do que as ervas medicinais (GRACIANO, 2003).

Os grandes filósofos gregos atribuíam importante papel terapêutico à música. Platão entendia que a música trazia serenidade. Aristóteles valorizava a música por considerá-la

capaz de facilitar uma catarse emocional. Pitágoras descrevia a música como “a medicina da alma”, por considerar a possibilidade de a música restabelecer a harmonia espiritual (TORO,

2000).

Na medicina, a música foi utilizada por duas enfermeiras musicistas dos EUA – Isa Maud Ilsen e Harriet Ayer Seymor – como recurso terapêutico para alívio da dor emocional e física dos convalescentes de guerra. Esse relato se deu em 1859, e constitui a primeira utilização da música como forma de humanização e cuidado à saúde (DOBBRO et al., 2000).

A influência dos sons musicais é exercida sobre cada fração do corpo humano, afetando-o direta e indiretamente. De forma direta, atua sobre as células e os órgãos que o constituem e, de modo indireto, age sobre as emoções, influenciando inúmeros processos corporais, resultando em relaxamento e bem-estar (BACKES et al., 2003).

Para Valenti (1998), a influência da música nas sociedades é marcada por uma série de acontecimentos registrados na história humana. Pitágoras entendia que as duas principais fontes de limpeza do corpo e da alma eram a alimentação equilibrada e a música. A cura de doentes era praticada pela Igreja cristã através do cântico de orações. A queda dos muros de Jericó, ao toque de trombetas, indica como a música ocupava papel relevante entre os judeus.

Usada com diferentes propósitos durante o curso da história humana, uma das funções da música era aliviar a monotonia do trabalho pela sincronização dos movimentos dos trabalhadores, o que originou várias canções folclóricas. Intimamente ligada às emoções, a música pode favorecer a liberação de medos, paixões, inseguranças e tantos outros sentimentos reprimidos por falta de espaço para expressão, interferindo na formação da personalidade e do comportamento (BACCHIOCCHI, 2000).

Estudos recentes têm comprovado a eficácia da música no desenvolvimento intelectual, sendo adotada em escolas brasileiras em forma de atividades que complementam a formação global do estudante. Uma experiência vivenciada em sala de aula foi realizada por Hatch (2007), que utilizou o jazz (forma musical geralmente improvisada) como metáfora no ensino de graduação e em cursos para executivos. Com isso, visou promover a liderança, o trabalho em equipe e discussões que abordassem o processo organizativo como um evento simultaneamente estruturado e improvisado.

Nessa mesma perspectiva, Fischer (2007), trabalhando a interdisciplinaridade no processo de ensino-aprendizagem, utilizou uma banda de jazz tocando na sala de aula, ao ministrar a disciplina “Organizações Contemporâneas”, no curso de MBA da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia. Buscou demonstrar que as organizações modernas trabalham predominantemente como aquela banda, caracterizada pela flexibilidade e criatividade, com espaço para improvisação, desconstrução e reconstrução de estruturas organizacionais.

Com o objetivo de melhorar a aprendizagem de estudantes de Contabilidade, Racette (2007) realizou duas experiências distintas, utilizando a música clássica: a primeira foi direcionada aos estudantes inscritos no curso preparatório para realização do exame da ordem profissional dos contadores do Quebec. A segunda foi realizada com estudantes do curso de Contabilidade III, oferecido a distância.

A primeira experiência demonstrou que a estudante que ouviu música, conforme recomendado, durante o período de quatro meses de estudo intensivo que antecedeu o exame, foi aprovada, a despeito da reprovação de vários estudantes naquele ano, para surpresa da pesquisadora. Outros dois melhores estudantes do grupo tinham sido aprovados, mas não se submeteram à escuta musical. Ressalte-se que a estudante que ouviu música tinha resultados médios mais fracos que os estudantes que foram reprovados, o que leva a crer que a música tenha contribuído para o processo de aprendizagem da referida estudante.

A segunda experiência objetivou auxiliar aos estudantes, num contexto de tele- aprendizagem, utilizando a música durante as atividades de aprendizagem, em que músicas adequadas à escolha do estudante eram ouvidas, de modo a contribuir para redução do estresse e para o aumento da motivação para o estudo. O concerto passivo, que constitui método de aprendizagem cujo objetivo é a memorização, foi experimentado ao final do processo de aprendizagem. Trata-se de ouvir a síntese de uma disciplina com um fundo musical. Uma das músicas escolhidas foi a Sonata nº 10 em Si Bemol Maior, K378, do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart.

Ainda que não se tenha constatado o aumento e a melhoria da memorização, a partir dessa síntese com fundo musical, os resultados apontaram para maior motivação e diminuição do estresse, com relatos de melhoria na concentração e calma. Na concepção dos sujeitos da pesquisa, para ser ouvidas durante a aprendizagem, as músicas devem ser pouco ritmadas e sem palavras compreensíveis, à exceção das atividades de redação.

No campo da intervenção social, um trabalho desenvolvido em Belo Horizonte/MG,

que empregou a música contra a rebeldia através do Projeto “Música nas Escolas”, “mostrou

ser possível socializar crianças e conseguir que tenham melhor rendimento escolar através de um trabalho pedagógico musical”, afirmando que a música está inserida na atividade básica, social e cultural do homem, preenchendo os espaços vazios e tendo função terapêutica na vida das pessoas (SAPORETTI, 2000, p. 8).

Desse modo, percebe-se que a música tem exercido influência relevante no comportamento dos seres humanos. Supõe-se, então, que a música produziria um efeito estimulador nas pessoas, gerando clima de alegria e sentimento de coletividade. Mas, quais seriam os limites dessa influência? Estariam relacionados ao gosto pela música, a aspectos culturais, estéticos, políticos, sociais, ou diriam respeito a questões associadas a efeitos mentais e físicos, ligadas mais à sensação e menos à audição? Estas e outras questões são abordadas mais adiante, através de relatos de estudos científicos relacionados a essa temática.

Estudo bibliográfico desenvolvido por Ferreira, Remedi e Lima (2006), no período de 1994 a 2004, com o objetivo de analisar a produção bibliográfica da enfermagem pediátrica quanto à utilização da música como recurso terapêutico no espaço hospitalar, concluiu que a intervenção musical proporciona benefícios fisiológicos e psicológicos para indivíduos de qualquer faixa etária, bem como para a criança hospitalizada, seus familiares e equipe de saúde, constituindo-se em intervenção de baixo custo, nãofarmacológica e nãoinvasiva.

Miranda e Godeli (2003) desenvolveram estudo bibliográfico sobre a associação entre música e atividade física praticada por idosos. Na literatura disponível, evidenciaram que a utilização da música para beneficiar os estados psicológicos de idosos apoia-se na premissa de que a sua inserção no ambiente de atividade física, desde que estruturado de modo adequado, poderá favorecer a motivação para realização de tarefas, bem como para permanecer na atividade por mais tempo.

Verificaram, ainda, que estudos sobre essa temática sugerem que a percepção subjetiva de esforço é influenciada pela audição musical. Tal influência é justificada pela possível interferência da música na focalização da atenção durante a atividade física, possibilitando afastar sinais desagradáveis provenientes da fadiga.

Tais estudos indicam ser a música capaz de beneficiar a atividade física. Entre eles, destacaram os desenvolvidos por Gfeller (1988), Steptoe e Cox (1988), e Copeland e Frank (1991) que associaram a audição musical com a percepção subjetiva do esforço, podendo trazer benefícios, tanto por favorecer o desenvolvimento de capacidades físicas, como resistência e força, quanto por contribuir para uma atitude mental positiva, em função da motivação para a atividade e do desvio da atenção no desconforto que, não raro, acompanha o esforço físico.

Ao se refletir sobre os possíveis benefícios proporcionados pela audição de música na atividade física, entende-se que benefícios semelhantes possam ser evidenciados no ambiente de trabalho industrial que, não raro, envolve esforço físico e mental. Assim, pretende-se investigar a inserção do estímulo musical durante a atividade laboral, no intuito de associá-lo ao bem-estar dos trabalhadores que, por seu turno, produziriam mais e melhor, trazendo benefícios também à organização.

Para Miranda e Godeli (2003), o reconhecimento de que o estado afetivo-emocional é influenciado pela música já remete há algum tempo. A partir de sentimentos e de sensações, o indivíduo pode fazer associações extramusicais, agradáveis e desagradáveis. Contudo, a relação entre música e afeto envolve complexidade, e os estudos nesse campo revelam variabilidade de resultados.

Já para Rosenfeld (1985), a base das respostas emocionais associadas à música é formada por meio da sucessão de expectativas, atendidas e frustradas, bem como da tensão e relaxamento resultantes. Ao ouvir música, os indivíduos possuem expectativas, baseadas na aprendizagem cultural, de como as coisas irão ocorrer. Ao tender a essas expectativas, a música propicia relaxamento. Caso ela se desvie, provoca tensão.

As respostas afetivas mais comuns associadas à escuta musical se referem aos estados de ânimo refletidos pelos padrões musicais, mediados pelo contexto cultural e pelo fator aprendizagem, que envolve experiências anteriores com música. Outras respostas estariam associadas às lembranças de experiências associadas à música, através de associações extramusical, que permitiriam ao indivíduo reviver momentos significantes de sua vida. Podem ocorrer, ainda, associações intrassubjetivas, em que estórias e cenas imaginadas seriam evocadas (RADOCY; BOYLE, 1979).

As alterações nos estados subjetivos são provocadas não somente por características inerentes à música propriamente dita. Outras variáveis, como significado das palavras – letra de música, dinâmica da música, tempo de exposição à música e, ainda, a experiência prévia do indivíduo com música, podem provocar tais alterações (MIRANDA; GODELI, 2003).

Tal afirmação vai ao encontro da concepção do estudo ora proposto, já que foram considerados aspectos como tempo de exposição à música, andamento rítmico e volume, que, ao produzir efeitos sobre o comportamento humano, afetaria também a sua Qualidade de Vida no Trabalho - QVT.

Todos esses usos e recursos da música discutidos até aqui foram representados no Quadro 3, a seguir, no intuito de sistematizar o papel desempenhado pela utilização da música em diversas atividades e segmentos da sociedade.

Quadro 3 – O papel da música nas atividades e segmentos sociais

ATIVIDADES E SEGMENTOS PAPEL DA MÚSICA AUTORES

Sociedades Primitivas  Bem-estar físico, emocional e mental

 Tratar corpo e alma

Graciano (2003)

Filósofos Gregos  Serenidade

 Medicina da alma Toro (2000)

Medicina

 Alívio da dor  Liberar medos  Bem-estar

 Benefícios fisiológicos e psicológicos  Relaxamento Dobbro et al.(2000) Bacchiocchi(2000) Ferreira, Remedi e Lima(2006) Rosenfeld (1985) Igreja Cristã  Cura através do cântico de oração Valenti (1998)

Sociedade  Socialização

 Sentido de coletividade Saporetti (2000)

Atividade Física

 Motivação para realizar tarefas  Percepção subjetiva do esforço  Resistência e força

 Atitude mental positiva

Miranda e Godeli (2003); Gfeller (1988); Steptoe e Cox (1988); Copeland e Frank (1991) Ensino-Aprendizagem

 Metáforas no processo organizacional  Interdisciplinaridade

 Melhora na aprendizagem e concentração  Redução do estresse

Hatch(2007) Fischer(2007) Racette (2007)

Trabalho  Aliviar a monotonia

 Dar ritmo às atividades laborais

Bacchiocchi (2000)

Fonte: Elaboração do autor.

Conforme se pôde observar, várias foram as funções desempenhadas pela música nos mais diversos segmentos e atividades. No tópico seguinte são abordados outros usos e recursos da música, com ênfase nos seus efeitos sobre o comportamento humano.

Benzer Belgeler