BÖLÜM 1: KARĐYER GELĐŞTĐRME
1.9. Kariyer Yönetimi
Para Cassirer, uma filosofia da cultura deve ter como pressuposto que o conjunto da cultura não é um simples agregado de fatos desconectados, mas deve-se procurar compreender esses fatos como partes de um conjunto sistemático. Não interessa apenas
10 Nartop. Allgemeire Psychologie nach Kritischer Methode. Tubinga, 1912. (citado por Cassirer na
registrar os diferentes dados da cultura humana, mas sim entender como esses dados se relacionam com a totalidade da vida humana. Daí que para o autor de Ensaio sobre o homem, em uma análise filosófica da cultura:
Seu ponto de partida e sua hipótese de trabalho estão corporificados na convicção de que os raios variados e aparentemente dispersos podem ser concentrados e levados a um foco comum. Os fatos estão aqui reduzidos a formas, e supõe-se que essas próprias formas possuam uma unidade interna. (1994, p. 361)
Mas isso é possível de ser provado? Cassirer comenta que sua exposição pode favorecer justamente a tese contrária, quando explicita o caráter específico de cada forma simbólica. Por outro lado, o seu enfoque não está numa unidade substancial do homem, mas sim numa unidade funcional.
A unidade do homem é concebida como uma unidade funcional. Tal unidade não pressupõe uma homogeneidade dos vários elementos de que consiste. Nem tampouco simplesmente admite, ou sequer pede, uma multiplicidade e multiformidade de suas partes constituintes. Trata-se de uma unidade dialética, uma coexistência de contrários. (1994, p.362)
Dessa forma, para Cassirer: “As várias formas da cultura humana não são mantidas juntas por uma identidade em sua natureza, mas por uma conformidade em sua tarefa fundamental” (1994, p.363). Essa tarefa fundamental é aquela que foi explicitada em outra passagem, ou seja, a tarefa fundamental de interpretar a realidade e isso se faz por diferentes perspectivas. Mas nessas diferentes concepções, apesar do conflito inerente as visões opostas, guardam, no seu conjunto, uma “harmonia oculta”.
Desse modo, a definição do homem como “animal social” não é satisfatoriamente abrangente. Aristóteles ao fazê-la não destacou a diferença específica, mas sim um conceito geral. A sociabilidade pode ser também observada entre abelhas e formigas, por exemplo, mas no homem encontramos uma sociabilidade mais complexa, que envolve, além da sociedade de ação, pensamento e sentimento.11
A linguagem, o mito, a arte, a religião e a ciência são os elementos e as condições constitutivas dessa forma mais elevada de sociedade. São os meios pelos quais as
11 Na verdade, o que Cassirer diz não está em contradição com as afirmações de Aristóteles no seu
texto Política. Neste texto Aristóteles valoriza a existência da linguagem como condição para existência da política e da sociedade humana.
formas de vida social que encontramos na natureza orgânica se desenvolvem para um novo estado, o da consciência social.[...] O homem, como os animais, submete- se às regras da sociedade, mas, além disso, tem uma participação ativa na criação e um poder ativo de mudança das formas de vida social. Nos estágios rudimentares da sociedade humana, essa atividade é dificilmente perceptível; parece estar reduzida a um mínimo. Quanto mais avançamos, contudo, mais explícita e significativa fica essa característica. Esse lento desenvolvimento pode ser acompanhado em quase todas as fomas da cultua humana. (1994, p.364)
Segundo John Michael Krois, a Filosofia das Formas Simbólicas de Cassirer permite duas interpretações diferentes de vida histórica. Uma que interpreta num sentido ideal de cultura, “[...] mostra como mito, linguagem e tecnologia são as formas culturais básicas das quais religião, lei escrita, história, arte e ciência se desenvolvem” (1987, p.172), demonstrando a transição da fase mimética e analógica até atingir a fase simbólica. E outra perspectiva, que se soma a esta, demonstra como a Filosofia das Formas Simbólicas serve como uma teoria dos conflitos entre as forças sociais, entre as formas simbólicas. Na realidade, essas duas perspectivas estão intrinsecamente relacionadas. Conforme foi exposto,12 as formas simbólicas são autônomas, auto-suficientes e irredutíveis umas às outras. Cada qual, enquanto visão totalizante da realidade, também postula a si mesma como válida universalmente, decorrendo desses fatores às antinomias da cultura, ou seja, cada uma, ao se afirmar como verdadeira, o faz combatendo as demais, podendo dividir as pessoas e provocar conflitos sociais. Krois chama a atenção que, devido a essa relação conflituosa entre as formas simbólicas, Cassirer denomina que a cultura possui um equilíbrio dinâmico e conflituoso. Nas palavras de Cassirer no seu Ensaio sobre o Homem:
Se existe um equilíbrio na cultura humana, só pode ser descrito como dinâmico, e não estático; resulta de uma luta entre forças opostas. Essa luta não exclui a “harmonia oculta” que, segundo Heráclito, “é melhor que aquela que é obvia”. (1994, p.363)
Essas forças opostas são as várias formas simbólicas, mito, religião, ciência etc., que na sua auto-afirmação produzem esse equilíbrio conflituoso.
No mundo animal, em geral, permanece uma regularidade determinada por fatores biológicos. Somente nos animais superiores foram observadas certas individualizações e invenções. Mas isso também perde a importância já que essas aquisições, além de não
evoluírem de modo crescente, não são transmitidas hereditariamente. Nesse ponto, o ser humano também não transmite suas aquisições geneticamente. Mas o homem aprendeu a resolver esse problema por meio de sua expressão simbólica, que possibilita uma certa estabilidade e permanência em suas obras. Por outro lado, toda essa produção simbólica enfrenta uma polaridade entre as forças de conservação e de evolução.
De acordo com Cassirer, além do conflito existente entre as formas simbólicas, as antinomias da cultura, existe também dentro de cada forma simbólica uma tensão entre estabilidade e evolução. O homem encontra-se dentro dessas tendências, entre as forças da preservação e as forças da mudança. Como o homem é um ser dinâmico e criativo e também o próprio agente dessas forças, quando uma força se torna preponderante e rompe com a antiga tem-se a configuração de uma nova forma particular. Nas palavras de Cassirer,
O homem fica dividido entre essas duas tendências, uma das quais procura preservar as formas antigas, enquanto a outra esforça-se para produzir novas formas. Há uma luta incessante entre a tradição e a inovação, entre forças reprodutivas e criativas. Esse dualismo e encontrado em todos os domínios da vida cultural. O que varia é a proporção dos fatores opostos. Ora um fator, ora outro, parece preponderar. Essa preponderância determina em alto grau o caráter das formas isoladas e confere a cada uma delas a sua fisionomia particular. (1994, p.365, grifos nossos)
Essa passagem busca explicar o processo pelo qual se configura uma nova forma simbólica, já que o conflito existe não só entre as formas simbólicas, mas também dentro de cada uma manifestando-se através de forças de conservação e mudança. Quando as forças da mudança se tornam preponderantes, dialeticamente se desprendem do seu núcleo original configurando sua própria fisionomia e autonomia, ocorre uma mudança na visão de mundo dessa nova forma que já não a torna possível conviver com a qual pertencia.
No entanto, no mito e na religião primitiva as forças de conservação são preponderantes e superam a tendência oposta. Não há espaço para o pensamento autônomo, as regras são rígidas e não devem ser contestadas. Dessa forma, qualquer mudança radical implica uma contradição interna com seus princípios o que colocaria em cheque sua própria existência. Por outro lado, em uma perspectiva histórica as forças de evolução ganham gradativamente terreno.
O interdito sob o qual a vida humana fora posta pelo pensamento mítico e religioso primitivo é gradualmente afrouxado, e finalmente dá mostras de ter perdido a sua
força coesiva. Surge uma nova forma dinâmica de religião que abre uma nova perspectiva de vida moral e religiosa. (CASSIRER, 1994, p.366)
No âmbito da linguagem, encontra-se também essa polaridade dinâmica. Por um lado, a conservação serve para garantir a intersubjetividade da comunicação e por outro lado, a mudança revela sua dinâmica inerente ao seu desenvolvimento. A língua se mantém viva pela sua transmissão de geração a geração, mas essa não é uma simples transmissão de um código fixo e de forma passiva, envolve também uma atitude criativa.
A transferência da língua de uma geração a outra, portanto, nunca pode ser comparada a uma simples transferência de propriedade através da qual uma coisa material, sem alterar sua natureza, apenas muda de dono. (CASSIRER, 1994, p.368)