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Karbondioksit (CO 2 ) Molekülü Kütle Spektrometrisi

5. DENEYSEL SONUÇLAR

5.2. Karbondioksit (CO 2 ) Molekülü Kütle Spektrometrisi

Diversos estudos têm-se debruçado sobre as questões da oralidade nas sociedades sem escrita, e sobre os fatores de modificação quando se deu a introdução da escrita nas sociedades. Os principais pontos do debate foram fornecidos, na década de 60 por: Havelock, em Prefácio a Platão, editado em 1963; Mc Luhan, em A Galáxia de Gutemberg, de 1962; Levi-Strauss, em O Pensamento selvagem de 1963; Jack Goody e Ian Watt, em Cultura escrita en las sociedades tradicionales, de 1963, o que favoreceu, na década de 60 e 70, a emergência de uma reflexão profunda nas Ciências Humanas.

Os autores Mc Luhan (1972), Levi-Strauss (1989) e Havelock (1995) refletiram sobre as mudanças nos sistemas comunicacionais, sendo que os dois últimos relacionavam essas mudanças com o pensamento humano. Seguindo Levi-Strauss, Jack Goody avança ainda mais quando relaciona a influência dos sistemas comunicacionais à organização social das sociedades.

Em A domesticação do pensamento selvagem, Jack Goody (1977) retoma a problemática lançada por Levi-Strauss, em O Pensamento Selvagem, abrindo, no entanto, novos horizontes quando insiste que os instrumentos culturais de comunicação (a fala e a escrita) de que uma sociedade dispõe incidem não somente

sobre os modos de pensamento, mas também sobre a própria organização das sociedades.

O termo oralidade tem diversos sentidos. Primeiramente se referiu aos estudos realizados acerca da oralidade nas obras clássicas de Homero, na época em que os gregos ainda não possuíam nem o alfabeto, nem a escrita. Havelock irá analisar que, embora tendo sido escritas por Homero, a Ilíada e a Odisséia, por exemplo, no original, carregam as características rítmicas de um texto oral, feito para ser recitado. Deste modo, ele analisa a mudança que acontece entre os gregos de uma fase cuja dinâmica básica da vida social era oral para uma época em que acontece a aquisição de uma nova dinâmica. Havelock sinaliza que, no período de Platão, a questão socrática do vigor da oralidade é suplantada por uma sociedade que possui a escrita.

Um segundo sentido para o termo oralidade é o de que este é usado para indicar um tipo de linguagem presente na comunicação oral.

Um terceiro sentido é aquele em que o termo oralidade é usado para caracterizar sociedades inteiras que se têm embasado na comunicação oral sem utilizar a escrita.

Por fim, esse termo pode ser também usado para identificar um determinado tipo de consciência, que se supõe seja criada pela oralidade, ou que emerge nela.

O significado aqui adotado é o referente às sociedades que se embasam fundamentalmente pela comunicação oral, o que, por isso mesmo, leva os sujeitos sociais a adotarem modos de vida e consciência diferenciados daqueles que vivem em sociedades embasadas na escrita.

A equação oral-escrita levantada por esses autores já citados foi influenciada por precursores da década de 50, que acreditavam que, nos povoados pequenos, em que os meios de comunicação de massa eram menos influentes, a comunicação entre as pessoas era mais pessoal e econômica, sem pressa, em certo grau, reflexiva. Isto devido à consideração de que os meios massivos de comunicação não eram considerados como possíveis de proporcionar uma reflexão mais aprofundada e demorada, além do fato de também provocarem um estado mental degradante

(INNIS, H., 1951 apud HAVELOCK, 1995, p.29). Ou ainda que o diálogo oral, quando é tabulado segundo a forma de um discurso instruído, perde seu vigor e retórica (ONG, 1958 apud HAVELOCK, 1995).

A oposição entre cultura escrita e oralidade fica assim colocada e tem trazido acirrados debates. Alguns contra-argumentam, principalmente no que diz respeito à inevitável existência de sociedades sem escrita que são oprimidas por aquelas que a possuem (PATTANAYAK, 1995), com inúmeros exemplos na história ocidental. Neumann (2004), embora reconhecendo o vigor do discurso e da memória de uma sociedade em que predomina a oralidade, mostra como, no século XVII, a elite letrada dos índios Guaranis, conseguindo adotar a escrita, acaba por definir outra relação com os dominadores, na definição da fronteira da América Meridional, na chamada “Guerra Guaranítica”. Os índios passam a poder escrever cartas às autoridades, aos parentes e aos jesuítas, reclamando, definindo condições e representando os seus desejos, o que o autor chama de autogoverno.

Ainda outros trabalhos assinalam a complexa relação entre a escrita e a oralidade, no que tange à exclusão daqueles que não são alfabetizados em uma sociedade letrada. 61

Também muitos outros salientam como na Modernidade torna-se difícil falar de sociedades isoladas. Levi-Strauss (1976) retoma um pouco estas questões e reconhece o esforço de Boas (2004)na discussão sobre a difusão cultural.62 Mais recentemente e na área da Antropologia Marítima, essas questões vão valer a reflexão de Adams (2000), que mostra como diversas ordens de construções histórico- sociais sobre o Novo Mundo favoreceram a recriação de mitos de isolamento e de bons selvagens, tanto quanto influenciaram a (re)construção da identidade caiçara, no sudeste do Brasil63.

É o próprio Malinowski(1986), introdutor das bases da moderna pesquisa etnológica, quem reflete, logo nas primeiras páginas de seu livro Argonautas do

61 Entre os vários artigos, conferir o cap. 6 de Souza In Signorini, Inês Investigando a relação oral/escrito e as

teorias do letramento. Campinas,DP: Mercado das letras, 2001.

62 Conferir “As limitações do método comparativo” , 1896.In : Franz Boas – antropologia cultural. Organização

e tradução de Celso Castro. Rio de Janeiro:Jorge Zahar, 2004.

63 Conferir ADAMS, C. As populações caiçaras e o mito do bom selvagem: a necessidade de uma nova

Pacífico, sobre a contradição vivida pela Antropologia, que, na justa medida em que aprende como trabalhar cientificamente com outras culturas, estão estas mesmas já em desaparecimento.64

Deste modo, considera-se muito interessante refletir sobre os efeitos nos sistemas comunicacionais das mudanças de uma sociedade sem escrita para uma sociedade que detém a escrita e ainda faz uso de tecnologias sofisticadas, embora seja importante evitar-se a oposição valorativa de uma sobre a outra, visto que não se chegaria a pontos conclusivos.

Na realidade, não se trata de fazer uma oposição entre escrita e oralidade, mas de estudar suas diferenças e os efeitos, nos sistemas comunicacionais, da introdução do grafismo, da escrita, e finalmente, das novas tecnologias em uma sociedade tradicional. Trata-se também de verificar as transformações tanto no âmbito do trabalho como no da própria organização social, quando há a modificação do padrão oral para aquele com escrita e tecnologia avançada, como aconteceu com os pescadores estudados.

A palavra tecnologia, originalmente vinda do inglês, não distingue as técnicas duras (aquelas que compreendem todos os tipos de ferramentas) das dúcteis, de natureza informacional (SERRES, 2004).

As técnicas dúcteis acompanharam todo o processo de hominização, desde a invenção da escrita e da imprensa. Esse processo de evolução de maneira nenhuma é linear - das técnicas duras às dúcteis -, mas relatam, igualmente, um panorama onde se mostra uma dupla história – a das técnicas duras e a das técnicas dúcteis. Neste momento, estas é que estão em plena ascensão.

Embora Serres (2005) questione o uso dos termos novas tecnologias, que, em sua compreensão mais ampla, indicaria tecnologias muito mais antigas do que o adjetivo sugere, principalmente se inserido no processo histórico de hominização da fala, do grafismo e da escrita, a utilização aqui se deve a uma necessidade de demarcação de momentos distintos e à falta de uma terminologia melhor disponível.

64 “Encontra-se a moderna etnologia em situação tristemente cômica, para não dizer trágica: no exato momento

em que começa a colocar seus laboratórios em ordem, a forjar seus próprios instrumentos e a preparar-se para a tarefa indicada, o objeto de seus estudos desaparece rápida e irremediavelmente” (MALINOWSKI, 1976, p. 15).

Benzer Belgeler