A concentração de atividades comerciais em um shopping center provoca um alto volume de tráfego, o qual requer nos estacionamentos um projeto mais sofisticado, que contemple uma capacidade suficiente para acomodar a demanda por estacionamento, em equilíbrio e harmonia com os componentes de projeto. Por tanto, os elementos de projeto deveram ser projetados de forma segura e eficientemente.
Segundo GERN (1975), são fatores que influenciam a localização de acessos:
O volume de tráfego gerado pelo empreendimento; O volume de tráfego das vias adjacentes;
A distribuição de viagens de entrada e saída do empreendimento; Os movimentos nos acessos;
Necessidades de uso do solo adjacente para o shopping center; e
A localização e geometria das vias adjacentes ao empreendimento e o relacionamento com
a distância de interseções.
O fator mais importante em determinar o número de acessos requerido para o estacionamento é o volume de tráfego gerado pelo shopping center, que depende do tamanho e composição do empreendimento. A quantidade de tráfego que pode ser acomodada em um único acesso varia consideravelmente e depende principalmente do projeto de estacionamento, da distribuição direcional de veículos entrando e saindo, e do tipo de controle de tráfego utilizado (GERN, 1975).
Para DICK24 apud CONCEIÇÃO (1984, p.110), o projeto de acesso deve ser acessível em todas as dimensões e deverá no mínimo existir dois pontos de acesso ao shopping center, para que seja mantida uma via de escoamento caso a rua ou rodovia apresente um
24 DICK, A. C. (1971). Transportation Aspects of New Shopping Development. Traffic Engineering &
bloqueio. Isso, se o volume de tráfego para um acesso exceder de 500 a 800 veículos por hora, caso de shopping regional.
Segundo CONCEIÇÃO (1984), para determinar o projeto de escoamento do shopping center por direção de acesso, torna-se necessário definir a extensão da área de influência e estabelecer os fluxos de entrada e saída do shopping center durante a hora pico de entrada e saída e a hora pico das ruas e/ou rodovias adjacentes. O fluxo de tráfego gerado pelo shopping center no pico de entrada e saída é usado para o dimensionamento de acessos e dimensionamento do estacionamento. O fluxo combinado da hora pico das ruas e/ou rodovias com a hora de movimento do shopping center é usado para o projeto de ruas e/ou rodovias.
De acordo com GONÇALVES (1990), para que o sistema operacional nos acessos funcione adequadamente é necessário providenciar:
Áreas de acumulação para os veículos; Canalização das entradas e saídas; e
Previsão de tráfego por hora e em cada dia da semana, o que depende do seu potencial de
comércio, grau de acessibilidade e competidores.
A circulação interna nos estacionamentos compreende uma via de circulação principal e vias secundárias. A via principal consiste num circuito que deverá permitir um movimento livre desde o acesso até qualquer parte do estacionamento e vice-versa, permitindo também o acesso a vias secundárias. As vias secundárias são de menor tráfego, e devem permitir a distribuição de veículos nas áreas de estacionamento de maneira rápida e segura.
Segundo CONCEIÇÃO (1984), a circulação ou anel de circulação dentro do estacionamento, usual em Regional Shopping, deve ser adequadamente planejada de modo a facilitar o acesso a toda a área de estacionamento do shopping center, tendo ainda a função de disciplinar o trânsito de veículos dentro da área de estacionamento, bem como o fluxo de entrada e saída de veículos.
Segundo ELLSON25 apud GONÇALVES (1990, p.27), as vias de circulação são hierarquizadas para cumprirem harmoniosamente as funções de coleta e distribuição do tráfego, e de acessos e manobras às vagas. Dessa forma, procura-se minimizar os possíveis conflitos e separar os movimentos de naturezas e necessidades diferentes, tais como: fluxo de veículos entrando e saindo, tráfego veicular e de pedestres, transporte de passageiros e de carga, fluxo de automóveis, táxis e coletivos.
25 op. citada.
Assim, a circulação interna deverá garantir uma distribuição uniforme dos veículos nos espaços disponíveis para estacionamento, evitando congestionamentos desnecessários. Para tal, as áreas dos acessos ao estacionamento deverão ser destinadas exclusivamente para circulação, garantindo trânsito livre nos acessos e evitando retenções e congestionamentos nas vias de circulação.
A disposição das vagas deve ser concebida com o objetivo de reduzir os conflitos entre veículos, minimizar retenções, facilitar manobras operacionais e ainda obter um melhor aproveitamento da área. Deve ainda ser concebida de modo a minimizar a distância de caminhada, desde o veículo estacionado até as lojas, facilitando o carregamento dos produtos adquiridos. Segundo CHODASH26 apud GONÇALVES (1990, p.19), deve-se procurar o equilíbrio entre a maximização da capacidade estática do estacionamento, as facilidades de manobrar os veículos e a circulação do tráfego de pedestres e veículos no estacionamento.
As dimensões das vagas e das vias de circulação são influenciadas pelo ângulo de estacionamento e pelo veículo-padrão adotado. Considerar vagas com dimensões diferentes não é usualmente aceita em função das dificuldades operacionais. Adota-se como padrão as seguintes dimensões: 2,40m de largura, 5,00m de comprimento e 6,00m de largura da via de circulação, consideradas para veículos grandes e utilitários (CET-SP, 1986).
Uma análise desenvolvida por CHODASH27 apud GONÇALVES (1990, p.26)
revelou que o ângulo de 90 graus é o que produz maior número de vagas em 67% dos casos pesquisados; entretanto, são restringidas as operações em mão dupla. Na prática, em shopping centers no Brasil, têm-se assumido que o ângulo de 90 graus é o mais eficiente, sendo constatado o seu uso em praticamente todos os shopping centers no país.
As áreas imediatamente em frente às entradas do shopping center devem ser restritas ao trânsito de pedestres. Esta restrição pode ser obtida através de sinalização, obstruindo o acesso de veículos a estes pontos, mas possibilitando o livre acesso de pedestres. Um apropriado sistema de informação, controle e sinalização, é necessário para a segurança e proteção de pedestres.
O dimensionamento adequado do número de vagas de estacionamento para um shopping center significa fornecer boas condições de compras para os clientes e atratividade para novos consumidores. Assim, a estimativa da demanda por estacionamento constitui um fator fundamental para atender às necessidades dos usuários. Definida a demanda por vagas, é
26 op. citada
fundamental distribuir e organizar adequadamente essas vagas e assegurar a adequada harmonia entre os diferentes componentes do estacionamento.
Apesar da importância que envolve o projeto de estacionamento em shopping centers, os estudos a respeito são escassos no Brasil.