ÖNERİLER
B) KARAKTER EĞİTİMİ NEDİR NE DEĞİLDİR?
4.4.1 Fase exploratória
Nessa fase foram realizadas reuniões (previamente agendadas) com cada uma das equipes da ESF para apresentação do projeto de pesquisa, levantamento e discussão de casos (que eles tenham atendido e/ou discutido nas reuniões de equipe relacionados à questão do uso de drogas) e seleção de um membro de cada equipe para participar do estudo.
As reuniões sempre se iniciaram com a apresentação do projeto de pesquisa. Nessa apresentação a pesquisadora problematizava a questão do atendimento aos usuários de álcool e outras drogas na AB a partir da sua experiência pessoal de atuação neste nível de atenção. Era solicitado então que os membros das
equipes apresentassem, discutissem e analisassem alguns casos e demandas relacionadas ao consumo de drogas lícitas ou ilícitas que eles atenderam ou que acompanharam nos últimos meses.
Em algumas equipes foi possível desenvolver uma reflexão sobre alguns fatores imbricados no atendimento da população usuária de drogas na AB, mas essa reflexão não aconteceu de forma homogênea, pois em algumas equipes o tempo para a reunião e a disponibilidade dos trabalhadores em discutir o tema eram bem reduzidos. Essa indisponibilidade dos trabalhadores de algumas equipes tornou mais precária a discussão dos casos vivenciados e/ou discutidos pela equipe. Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) lembravam diversos casos de pessoas usuárias de drogas nas suas áreas de atuação, mas eram poucos os que estavam realmente vinculados à equipe.
Ao término dessas reuniões definia-se entre os membros da equipe aquele que seria entrevistado. Essas entrevistas com os trabalhadores da ESF eram então agendadas, conforme a disponibilidade do trabalhador.
Nessas reuniões foi possível identificar alguns trabalhadores que apresentavam maior afinidade e preocupação com a temática em relação a outros que, apesar de reconhecerem a existência destas demandas no território onde atuam, consideravam-nas irrelevantes diante das outras demandas do serviço.
Com os trabalhadores da prefeitura a abordagem foi direta (sem reuniões) e no momento do agendamento da entrevista a pesquisadora fazia a apresentação e contextualização da pesquisa.
Havia a proposta de realização de uma reunião com todos os trabalhadores do NASF para apresentação do projeto de pesquisa e seleção do trabalhador que seria entrevistado. Porém, desde o início da coleta de dados a pesquisadora tentou agendar essa reunião, sem sucesso. A reunião foi agendada por duas vezes pela coordenadora do NASF e desmarcada na última hora por conta de problemas com a agenda dos profissionais. Numa outra tentativa foi
agendada uma reunião com uma das psicólogas da equipe. Esta exigiu o parecer do comitê de ética da PMSP e mesmo após a leitura do mesmo ela se sentiu insegura para realizar a entrevista. Ao final foi possível realizar apenas a entrevista com a assistente social da equipe.
4.4.2 Fase de coleta de dados
Os dados foram coletados a partir de entrevistas semi- estruturadas, que, segundo Triviños (1987, p.146) “partem de alguns questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses que interessam à pesquisa, e que, em seguida oferecem amplo campo de interrogativas”. Estas entrevistas foram realizadas utilizando-se um roteiro (Apêndice A) elaborado a partir do referencial teórico e pressupostos que embasaram o estudo, além do conhecimento prévio da pesquisadora acerca do objeto do estudo. Este roteiro serviu para orientar a conversa e obter um aprofundamento das questões relacionadas ao objeto.
O roteiro de entrevistas foi dividido em três partes:
1) Apresentação: Neste tópico foi solicitado que o entrevistado descrevesse sua trajetória profissional para identificação da relação que este trabalhador estabelece com a AB, além da descrição de sua formação na área de drogas com o intuito de identificar aspectos relevantes sobre essa formação que influenciam as práticas direcionadas aos usuários de drogas desenvolvidas por estes trabalhadores.
2) Demandas: Neste tópico foi solicitado que o entrevistado descrevesse como as demandas relacionadas ao consumo de drogas chegam ao serviço de AB para identificar a relevância das mesmas na AB, bem como as formas que estas chegam e aspectos que podem interferir no acesso dessas demandas como preconceitos,
estigmas e discriminação por parte dos trabalhadores e do próprio equipamento de saúde. Optou-se por questionar sobre as demandas relacionadas aos usuários de drogas, pois, diferentemente das necessidades de saúde, estas são melhor compreendidas pelos trabalhadores e tem relação com a procura de cuidados de saúde a partir de um carecimento (que é diferente de necessidade). Parte-se do pressuposto que não há, por parte do trabalhador da AB, um conhecimento sobre as necessidades de saúde dessa população específica e que estes sujeitos só são reconhecidos quando buscam ativamente por algum tipo de intervenção. Do contrário, o grupo de pessoas que consomem drogas não é contemplado em suas necessidades pelos serviços de saúde de maneira geral (Schraiber, Mendes-Gonçalves, 1996). Portanto, estabeleceu-se com os trabalhadores uma análise sobre as demandas relacionadas ao consumo de drogas que chegam à UBS.
3) Atendimento: Neste tópico foi desenvolvida análise junto aos trabalhadores sobre como estes atendem e respondem em seu cotidiano de trabalho às demandas que chegam ao serviço e que são relacionadas ao consumo de drogas. Para tanto, buscou-se apreender qual objeto é tomado pelo trabalhador no processo de trabalho em que atua, quando a demanda chega por um usuário de drogas ou por seu familiar. Também foi intuito das questões deste tópico analisar a percepção dos trabalhadores sobre as práticas que estes executam e que são direcionadas aos usuários de drogas e seus familiares.
As entrevistas foram conduzidas pela própria pesquisadora e foram gravadas, mediante consentimento do entrevistado e assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE).
Após a realização das entrevistas estas foram transcritas na íntegra para a realização da análise. Em todas as etapas da coleta de dados a pesquisadora participou ativamente, o que possibilitou uma ampla aproximação com os sujeitos da pesquisa e com os dados obtidos, iniciando o processo de análise já no momento da coleta e transcrição das entrevistas.