• Sonuç bulunamadı

KARŞILAŞTIRMA, DEĞERLENDİRME VE SONUÇ

A implantação desses trechos viários estava prevista como metas da segunda fase do PRODETUR/RN II (2005-2010), mas, segundo a Secretária Municipal de Nísia Floresta, Solange Portela, as obras foram inviabilizadas devido à crise financeira mundial de 2008 que impactou o orçamento inicial do projeto.

Segundo dados oficiais (BANCO DO NORDESTE, 2008), o objetivo da implantação dos trechos viários é otimizar a atividade turística do município, disciplinar o uso do solo e minimizar os impactos negativos existentes quanto à ocupação e ao tráfego, além de possibilitar a ampliação ordenada do fluxo turístico, aproveitando-se do potencial paisagístico das lagoas de Nísia Floresta.

Os referidos trechos, apesar de ainda serem de estradas carroçáveis, já possibilitam diversos fluxos turísticos como os que se dão através dos passeios de buggy; pelos que se destinam às segundas residências no entorno de lagoas como Boágua e Carcará e, também pelos ônibus de excursão. Além disto, estes trechos possuem relevância para a comunidade nativa e, também, para os que os utilizam em caminhadas, trilhas, esporte de aventura, cavalgadas, motocroos, etc.

A respeito da implementação de obras voltadas para aumentar a fluidez do território, Cruz (2006) entende que corresponde a um tipo de ação estratégica emanada do Estado (sobretudo poderes públicos federais e estaduais) no sentido de desenvolver o turismo, tendo como objetivo maior tornar o território atrativo para o capital privado. Logo, pensando deste modo, pode-se inferir que a realização das obras que configuram o “Circuito das Lagoas” resultará em novas transformações no uso do território.

Pelo exposto, pode-se dizer que a inserção de Arituba, Boágua e Carcará na rota do turismo potiguar, está diretamente ligada às políticas públicas de infra- estrutura urbana para o desenvolvimento do turismo na porção sul do litoral oriental potiguar e neste contexto, as rodovias BR-101 e a Rota do Sol-RN-06315 (ver mapa 2), assumem a função de permitir fluxos de pessoas, mercadorias, informação e de capital, contemplando diretamente a área da pesquisa, uma vez que são os principais acessos viários às referidas lagoas.

15 Segundo os dados dos arquivos do DER, na década de 1980, a RN-063 se estendia até Pirangi do

Sul, enquanto o trecho Nísia Floresta-Tabatinga, denominava-se RN-02. Na década de 1990 a RN- 063 passa a se chamar Rota do Sol e se estende por 52 km, partindo do complexo viário de Ponta Negra no entroncamento da BR-101 com a Av. Engenheiro Roberto Freire (Natal) até a sede municipal de Nísia Floresta, próximo ao entroncamento com a BR-101.

A relevância destes fixos é abordada por Fonseca (2005) para quem, estas duas rodovias são estruturantes para a realização do turismo potiguar no litoral sul, pois servem de “corredor turístico” aos dois principais pólos turísticos do estado, onde se localizam diversos atrativos do turismo sol e mar (praias, dunas, lagoas, etc), concentram-se os principais serviços (meios de hospedagem, alimentação, entretenimento, etc.) e existe a infra-estrutura urbana necessária (acessos viários, telefonia, etc.) para o desenvolvimento da atividade.

Visando uma melhor explicação, Fonseca (2005) aponta que o primeiro pólo, compreende Natal e municípios vizinhos: Ceará - Mirim, Extremoz, Nísia Floresta e Parnamirim; e o segundo, situa-se em Tibau do Sul, onde se localiza a praia de Pipa, o “paraíso turístico”, como é tratado por Araujo (2002).

Cabe ainda comentar que a BR-101 é uma rodovia federal que acompanha toda a costa oriental potiguar servindo ao tráfego interestadual, pela qual se estabelecem diversos fluxos, inclusive de excursionistas entre as lagoas em estudo e outros estados do nordeste, como Paraíba e Pernambuco, já mencionado anteriormente.

Para Cruz (2007), ao tratar da importância desta rodovia federal, o processo de “rodoviarização” do país, intensificado no país na década de 1970, e, especificamente, seus traçados litorâneos, como no caso da BR-101, objetivava, promover a integração nacional, melhorar e aumentar a fluidez das mercadorias, além de criar as condições materiais adequadas para a reprodução ampliada do capital. A autora destaca ainda que estas infra-estruturas viárias motivaram a urbanização turística de extensos trechos ao longo do litoral brasileiro, obras que foram complementadas por outras rodovias em estados litorâneos.

No caso do Rio Grande do Norte é a rodovia estadual RN-063, conhecida como Rota do Sol, que se insere neste contexto. Esta rodovia vem sendo alvo de investimentos, desde meados do século XX, ao longo de vários governos estaduais, com a construção, ampliação e manutenção de trechos viários.

Segundo dados do DER, no início da década de 1960 existia apenas o trecho Natal-Ponta Negra, o qual foi ampliado pelo governo estadual de Aluízio Alves (gestão 1961-1966), através da construção do trecho viário Ponta Negra-Pirangi do Norte, ligando a capital potiguar ao litoral de Nísia Floresta (fotografias 6 e 7).

Fotografias 6 e 7 – Vista parcial do trecho viário Natal-Pirangi do Norte da RN-063, na década de 1960: município de Parnamirim (6), município de Nísia Floresta (7).

Fonte: Acervo fotográfico do DER.

Naquela década, esta rodovia servia à base militar da Barreira do Inferno, localizada no litoral do município de Parnamirim; e também, às populações nativas desta faixa do litoral, estabelecendo o fluxo de pessoas e mercadorias. Conforme o estudo realizado por Pontes et al (1993), sobre o litoral de Nísia Floresta, esta rodovia seguia, da praia de Búzios em direção à Natal, e por ela era transportado areia e cascalho, material que seria utilizado na construção civil. Estes momentos foram relembrados pelo entrevistado Luís16, cujo pai trafegava pela referida rodovia em um caminhão carregado de areia, água, carvão para comercializar em Natal; ou com pessoas nativas de Pirangi do Sul e do entorno que iam semanalmente à capital “comprar na feira” como disse o entrevistado.

Mas, é na década de 1980 que esta rodovia passa a ter relevância para atividade turística, com a construção do trecho Pirangi do Sul-Búzios–Tabatinga, obra realizada entre 1983-1986, durante o governo estadual de José Agripino Maia. A partir desta obra o fluxo de pessoas aumenta nesta parte sul do litoral oriental potiguar, cuja paisagem passa a ser marcada pela construção das segundas residências. A fotografia 8 ilustra de modo parcial a praia de Búzios e o principal trecho viário de acesso ao sul do litoral oriental potiguar: RN-063.

16 Luís Antônio C. Campos é nativo da praia de Pirangi do Sul e filho do Sr. Manoelzinho o qual

desde a década de 1960 passou a realizar transporte de mercadorias e de pessoas no trecho Nísia Floresta-Natal. Atualmente, Luís é um dos responsáveis pela Empresa de Transportes Auto Viação Campos a qual possui concessão de transporte coletivo abrangendo a parte litorânea dos municípios de Nísia Floresta e Parnamirim. Entrevista em 30 de jan. 2010, Pirangi do Sul/Nísia Floresta/RN.

Fotografia 8 – Vista parcial do trecho viário Pirangi do Sul-Búzios- Tabatinga- na altura da praia de Búzios, litoral de Nísia Floresta/RN. Fonte: Encarte de divulgação turística do Governo de Radir Pereira, ano de 1986. Acervo documental do DER.

Ainda nos anos de 1980, outros investimentos foram realizados nesta RN, contemplando o trecho Tabatinga-sede de Nísia Floresta, em sentido à BR-101, pelo qual se têm acesso às lagoas de Boágua e Carcará. As obras foram realizadas ao longo dos governos de José Agripino e Geraldo Melo e num período aproximado de dez anos, este trecho viário passou de estrada carroçável a asfalto.

Conforme percebido na pesquisa de campo, pode-se dizer que os investimentos realizados nestas rodovias (BR-101 e RN-063) quer na implantação ou nas melhorias de trechos viários, ao longo das últimas décadas, tornaram-se fator de atração do mercado, cujos agentes passaram a apropriar-se das lagoas como espaço propício à reprodução do capital, principalmente através dos produtos e serviços que podem ser oferecidos aos diversos turistas que se apropriam deste espaço até os dias atuais (venda de terras, construção de segundas residências, alimentação, brinquedos aquáticos, passeio de buggy, entre outros).

Assim, infere-se que a partir destas rodovias são mobilizados diferentes fluxos de pessoas, de capital e de informação. Tal inferência se baseia na discussão realizada por Cruz (2007, p.56) que argumenta:

A produção do espaço para o turismo passa, necessariamente, pelo aumento da fluidez do território e pela produção, conseqüentemente, de melhores condições de circulação. [...]. Mas, essas infra-estruturas não conferem maior mobilidade apenas a turistas e residentes. São, também e principalmente, um meio de assegurar maior mobilidade ao capital privado

que, [...], aproveita-se da valorização desses espaços para implementar seus empreendimentos.

Por todo o exposto, considerando-se as intervenções do Estado, cujas obras em infra-estrutura possibilitou o aumento da fluidez no espaço, é possível afirmar que o processo de produção do espaço turístico das lagoas se deu em dois momentos: o primeiro, na década de 1980, caracteriza-se pela chegada das segundas residências e o segundo, a partir dos anos de 1990, marcado pela chegada do turismo de massa, quando o espaço passou a ser apropriado por outros agentes de mercado e por uma nova demanda turística onde se insere, também, o excursionista, como será discutido daqui em diante.

3.3 A APROPRIAÇÃO DO ESPAÇO: AGENTES DE MERCADO, TURISTAS E PODER PÚBLICO LOCAL

A partir dos primeiros anos da década de 1980, pode-se dizer que o entorno das lagoas de Arituba, Boágua e Carcará, passa por uma outra fase do processo de produção do espaço, o qual, até então, era apropriado por nativos, cujo uso voltava- se predominantemente para agricultura e pesca de subsistência, bem como, ao banho de pessoas e animais.

Esta década é marcada pela chegada dos empreendedores imobiliários, os quis lotearam terrenos às margens e no entorno das lagoas, dando novas funções às formas existentes. Neste período o espaço passa a ser apropriado pelas segundas residências, propriedades de uma “elite”, em sua maioria oriunda de Natal, representada por médicos, políticos, juízes, entre outros, conforme relato de alguns moradores antigos podendo-se dizer que neste período se registra a chegada dos primeiros turistas, os proprietários das segundas residências, os quais sazonalmente utilizam estes imóveis, imprimindo a estas lagoas, deste período em diante, a função de espaços para o lazer turístico.

Segundo Tulik (2001, p.9), a segunda residência é uma forma de alojamento turístico e recebe denominações diversas:

Casa de temporada, de praia, chalé, cabana, rancho, sítio, ou chácara de lazer são alguns termos comumente aplicados às propriedades utilizadas temporariamente, nos períodos do tempo livre, por pessoas que tem sua residência permanente em outro lugar.

No contexto desta pesquisa as segundas residências são denominadas de “casas de praia”, como em Arituba, localizada na praia de Tabatinga; e por “granjas, no caso das segundas residências mais ao interior do município, no entorno das lagoas de Boágua e Carcará.

Um tipo de apropriação do espaço que Segundo Lopes Junior (2000, p.41), está presente na paisagem do litoral sul de Natal, desde a década de 1980, compreendendo uma “franja de casas de veraneio” estendendo-se inclusive pelas praias de Nísia Floresta (Pirangi do Norte, Búzios e Tabatinga).

Este momento é relatado por Eugênio, ex-veranista da praia de Tabatinga e atualmente comerciante local na lagoa de Arituba, que relembra a paisagem existente quando “a beira da lagoa era só junco”, referindo-se à mata ciliar que existia às margens da lagoas, retiradas por nativos para a confecção de produtos artesanais. Segundo o entrevistado no início da década de 1980: “Arituba era vendida como o paraíso”.

Mas, pode-se dizer que foi a partir da década de 1990 que a função turística do espaço intensificou-se, e a área da pesquisa se consolidou na rota do turismo potiguar com a chegada do turismo de massa.

Um processo de turistificação da lagoa que é relembrado por Sr. Antônio, morador nativo da comunidade de Timbó e que começou a trabalhar como barraqueiro em Carcará no início da década de 1990,

[...] há vinte anos era só mato, só chegava aqui por uma vereda, era tudo fechado [...], aí os bugueiro foram chegando [...] traziam gringo, gente famosa (Romário jogador de futebol). [...] aí foi quando o povo daqui começou a se interessar [...].

Segundo os comerciantes locais o principal fator de atração para turistas nacionais e estrangeiros, que chegavam às lagoas através do passeio de buggy, já nos primeiros anos da década de 1990, era a paisagem mais “nativa”. Com a

presença destes turistas na área surge o interesse de pessoas nativas pela demanda com a qual passaram a estabelecer relações comerciais através das barracas instaladas nas margens das lagoas.

Este período é, também, relatado por um dos bugueiros entrevistados, quando diz: “o que mais agradava aos turistas que visitavam estas lagoas era a paisagem natural, o banho em águas claras, a mata virgem, andar entre dunas [...] e depois voltar para o hotel onde estavam hospedados”. O passeio entre as lagoas, denominado “Passeio das Águas” ou “Roteiro Doce”, pelos bugueiros, ainda é realizado tendo como clientela os turistas que se hospedam em qualquer dos dois pólos turísticos mencionados anteriormente (Natal e Tibau do Sul).

Com base nos dados da pesquisa, pode-se dizer que a categoria profissional dos bugueiros teve papel relevante na transformação das lagoas em destinos turísticos, uma vez que a prestação deste serviço possibilitou a destinação de vários turistas às áreas das lagoas, situação que é favorecida pelo fato do buggy ser um veículo adequado para trafegar em dunas e em estradas carroçáveis, infra-estrutura até hoje existente. Para um outro membro desta categoria: “foram os bugueiros que descobriram as lagoas de Nísia Floresta”.

Fonseca (2005), em seu estudo sobre competitividade turística, reconhece que as lagoas estão dentre os atrativos turísticos mais visitados do município de Nísia Floresta17. Para a Secretária Municipal de Turismo e Meio-Ambiente, Solange

Portela, o que ocorre neste município é o “turismo de passagem” onde as lagoas são mais uma opção de lazer aos que visitam o destino Natal, chegando a estas lagoas pelas rodovias já mencionadas anteriormente, principalmente, pela Rota do Sol.

Conforme Furtado e Melo (2001),

Entende-se como turismo de passagem o fluxo de pessoas que circulam e consome mercadorias e serviços, sem que haja permanências significativa, ou seja, o número de pessoas que passam é maior do que o número de pessoas que ficam.

17 Dentre os atrativos turísticos de Nísia Floresta/RN se destacam: as praias, falésias, dunas, a

árvore centenária Baobá, o Túmulo da filha ilustre Nísia Floresta e o camarão, oferecido como o melhor do destino potiguar.

Para estas autoras diante de investimentos realizados nesta rodovia (asfalto, duplicação), o fluxo de veículos e de pessoas vem aumentando significativamente, provocando transformações espaciais relevantes. Com base nisto, entendendo esta RN-063 como rodovia relevante no processo de transformação das lagoas, observou-se nesta pesquisa sobre o fluxo de pessoas, as mercadorias e serviços oferecidos nas lagoas.

É então deste espaço que agentes sociais distintos se apropriam, dentre eles o Estado, através de suas políticas públicas; os turistas, de origem internacional, nacional, local e excursionistas; e agentes de mercado do setor formal e informal da economia: bugueiros, barraqueiros, vendedores ambulantes, proprietários das empresas de ônibus que servem às excursões, entre outros.

É válido ressaltar que as análises apresentadas neste estudo contemplam as três lagoas enfatizando o que há de comum no processo de produção do espaço, porém, não se pretende ignorar as particularidades dos objetos presentes e das ações dos agentes sociais que as tornam diferentes.

Os estabelecimentos comerciais, de um modo geral, estão em funcionamento nestas lagoas há quase vintes anos, o que remonta os primeiros anos da década de 1990. As fotografias 9, 10 e 11, referem-se às imagens das lagoas nos anos 2000, através das quais se percebe a apropriação do espaço por comerciantes locais e turistas.

Fotografias 9, 10 e 11 – Estabelecimentos comerciais instalados na margem da lagoa de Arituba (9), Boágua (10) e Carcará (11), ano 2001.

Fonte: Jornal Diário de Natal, 18 jul 2001.

Conforme demonstram as ilustrações, a instalação física das barracas ou do parque aquático nas margens das lagoas destoam da paisagem “natural” que inicialmente atraiam os turistas. Atualmente a paisagem é marcada pela concentração de vinte e quatro comerciantes que atuam na área das lagoas, alguns na prestação de serviço de alimentação (bar, restaurante) e outros na área de entretenimento (parque aquático e/ou casa de show), conforme descrito no quadro 2.

Lagoa de Arituba

1 La moni‟s – Bar e Restaurante

2 Barraca do Galego

3 Bar e Restaurante Brilho do Sol

4 Bar e Restaurante Arituba Point

5 Bar e Restaurante do Ednaldo

6 Barraca Legal

7 Pastelaria e Petiscaria Gosto da Terra

Lagoa de Boágua

1 Crescer Comercial Distribuidora LTDA.- Balneário Boágua (Parque

Aquático, Casa de show (forró)

2 Bar do Vaqueiro

Lagoa de Carcará

11 9

1 Barraca da Eliane

2 Toca do Tito

3 Pastelaria de D. Fátima

4 Barraca da DORE (Maria das Dores)

5 Barraca da Janete

6 Barraca da Josefa

7 Barraca do Cajueiro (Barraca de D. Laura)

8 Toca do Carcará

9 Barraca do Júnior

10 Barraca da Dona Vilma

11 Barraca da Kelly

12 Barraca da D. Ivani

13 Bar Dois Irmãos

14 Barraca do Oziel

15 Palhoção Casa Show

Quadro 2- Estabelecimentos de serviços de alimentação por lagoa, ano 2010.

De um modo geral caracterizam-se por um funcionamento regular ao longo do ano, o que significa a existência de uma demanda turística contínua que justifica tal funcionamento nestas lagoas. A sazonalidade da atividade é percebida, mas não representa algo relevante, pois segundo um entrevistado “o movimento é bom o ano todo”.

De acordo com os dados obtidos na pesquisa, os proprietários atuais, dos referidos estabelecimentos, são de origem local (“nativos”), ex-veranistas, bugueiros, além de alguns proprietários de origem estrangeira que adquiriram alguns estabelecimentos nos anos 2000 (caso particular de Arituba).

Diante da caracterização do comércio local que se desenvolve nas lagoas em função da atividade turística, é importante destacar que a geração de emprego e renda é uma realidade ao longo das duas últimas décadas, seja do tipo formal ou informal, de caráter temporário ou permanente, são empregados inúmeros cozinheiros, garçons, vendedores ambulantes, guias turísticos, entre outros.

Não se pretende aqui fazer apologia à atividade econômica nem à qualidade dos empregos gerados, mas diante da realidade local, cuja população dispõe de poucas alternativas de emprego e renda, os postos de trabalho gerados pelo turismo configuram uma alternativa relevante, uma vez que é esta atividade que impulsiona a economia de Nísia Floresta, conforme argumentado pela Secretária Municipal de Turismo, Solange Portela.

À maioria destes estabelecimentos são cobrados tributos municipais e estaduais como o Imposto Territorial Urbano (IPTU), taxas de alvará de funcionamento, e licenciamentos junto ao Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (IDEMA), além de impostos trabalhistas. Fora deste contexto estão os que se encontram em situação irregular junto ao poder público local, como é o caso de alguns barraqueiros da lagoa do Carcará, uma vez que seus estabelecimentos estão em área de posse, impossibilitando a regularização dos serviços oferecidos junto aos órgãos competentes.

As condições físicas destes estabelecimentos variam entre as lagoas conforme pode ser observado nas fotografias 12,13 e 14.

Fotografias 12, 13 e 14 – Vista parcial das instalações físicas dos estabelecimentos comerciais, em Arituba(12), Boágua(13) e Carcará(14), ano 2010.

Na lagoa de Arituba, década de 1990, foi executado um projeto de urbanização viabilizado pelo poder público municipal, o qual construiu sete estabelecimentos comerciais voltados para a comercialização de alimentos, melhorando as condições sanitárias existentes. Segundo Eugênio (comerciante entrevistado), o projeto visava disciplinar o uso e ocupação das margens das lagoas, tendo como uma das preocupações a não contaminação da água da lagoa pelas

14 13

fossas existentes, o que resultou numa padronização na construção dos estabelecimentos.

Em Boágua e Carcará, por sua vez, inexistem ações neste sentido. A construção dos estabelecimentos não obedece a nenhum projeto de urbanização, são construídos a gosto dos comerciantes, imprimindo formas que destoam da paisagem local. É válido ressaltar a existência de construções visivelmente precárias, cujas instalações sanitárias põem em questão a qualidade dos serviços oferecidos, como no caso de Carcará (figura 13).

Observando as condições físicas dos estabelecimentos e a infra-estrutura existente quanto à rede de saneamento-básico, fornecimento de energia elétrica, telefonia, cobertura de telefonia móvel, por exemplo, aspectos que são relevantes para qualificar e viabilizar a atividade econômica do turismo infere-se que existe, entre as lagoas em estudo certa “hierarquia”, apesar de todas estarem inseridas na

Benzer Belgeler