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5. İYİLEŞTİRİLMİŞ ELEKTROMANYETİK ALGORİTMA İLE

5.3. Karşılaştırma Sonuçları

Segundo Foucault, Nietzsche elaborou em diferentes momentos de sua obra uma genealogia da valorização do conhecimento histórico, este conhecimento buscaria encontrar sentido ou orientação para o ser humano esquadrinhando os arquivos do passado. A partir dessa genealogia se poderia, então, reconhecer que a emergência (Entestehung) do sentido histórico apregoado pela pesquisa tradicional está ligada à própria proveniência (Herkunft) do historiador.

Como vimos acima, o historiador que trabalha com o modelo teleológico da pesquisa histórica tradicional procura negar que suas motivações pessoais interfiram em suas pesquisas, os seus interesses pessoais, religiosos, políticos são alegadamente desconsiderados apesar de exercerem, por vezes inconscientemente, um papel não irrelevante em sua atividade. Para esse historiador, negar a si mesmo no momento em que investiga o passado é uma prova segura da objetividade de sua pesquisa. Já na Segunda intempestiva Nietzsche criticava os “eunucos” do conhecimento, “homens historicamente neutros” representantes da “fraqueza da personalidade moderna” (HL/Co. Ext. II, 5), Foucault argumenta que, para Nietzsche essa negação revelaria a proveniência desse homem do conhecimento historiográfico: “L`historien appartient à la famille des ascètes” (FOUCAULT, [Fr. 1971] 2012, p. 1019), é um indivíduo constituído de parca força e inabilidade para lidar com a vigência do mundo e que para viver busca se apartar dessa vigência se insensibilizando com relação ao que nele próprio possa vinculá-lo ao mundo, dai a dificuldade em emitir juízos de valor, que ele toma como objetividade.

Outra atitude do historiador vinculada a sua “fraqueza de personalidade”, que para Nietzsche também revelaria sua proveniência pouco vigorosa e louvável, está em que ele, pouco seguro dos próprios valores, procura saber de tudo e não desconsiderar nada, ou seja, evita emitir juízos de valor com o qual distinguiria a importância dos elementos constitutivos da história. Agindo assim, num distanciamento impessoal de si mesmo em relação aos dados, procedimento que o colocaria supostamente acima de qualquer suspeita, estaria ele no fundo procurando um saber que, indiferenciando valorativamente os acontecimentos, rebaixa a história, nas palavras de Foucault, “S`il désire tant savoir, et tout savoir, c`est pour surprendre les secrets qui amoindrissent « Basse curiosité. »” (FOUCAULT, [Fr. 1971] 2012, p. 1018 a 1019). Esse indiferenciar os elementos não é outra coisa que nivelar os acontecimentos à baixa atuação das forças que nele operam.

Já a emergência do historiador (Entestehung) se dá na Europa do século XIX, um continente em que indivíduos, povos e Estados lutam para definirem quais são suas identidades, e se voltam para o passado à procura de respostas, não conseguem afirma ou definir a partir deles mesmos. E essa incerteza seria para Nietzsche a prova da decadência dos homens e das instituições europeias desse período. A história ganhou dimensão nesse momento pela utilidade de suas investigações que procurariam mostrar o que foram as grandes épocas para esse homem europeu inseguro de si e curioso, que parece desconhecer que essas épocas em suas grandezas não tinham “curiosidade nem grande respeito” pelo que ocorreu antes. À história então restaria oferecer a esse homem sem identidade definida com pouca ou nenhuma autoafirmação e por isso mesmo entregue à curiosidade, os diferentes cenários e tipos humanos do passado que ele poderá escolher interpretar.

Mas o problema maior surge da confusão que resulta da mistura de raças que habitam a Europa, o europeu não sabe quem ele é ao certo quando procura sua ascendência racial, gostaria de crer descender de uma única raça que lhe proporciona-se uma identidade ao menos racial; mas a genealogia em sua inveterada desconfiança de homogeneidades e sua atenção escrupulosa em destacar as diferenças dos elementos e seus detalhes reconhece que esse europeu moderno é um “homem mistura” de raças, que se um dia teve caracteres fortes e reconhecíveis como especificamente seus a miscigenação os degradou, nas palavras de Foucault,

[...] l`anémie de ses forces, les mélanges qui ont effacé tous ses caracteres produisent le même effet que les macérations de l`ascétisme; l`impossibilite

où il est de créer, son absence d`oeuvre, l`obligation où il se trouve de prendre appui sur ce qui a ét é fait avant et ailleurs le contraignent à la basse curiisité du plébéien. (FOUCAULT, [Fr. 1971] 2012, p. 1020)

A miscigenação dos povos europeus fragilizou a disposição para a vida humana naquele continente, criou uma grande massa de indivíduos intimidados diante do devir e incapazes de reagir a isso de maneira afirmativa, criativamente, à revelia da certeza do passamento absoluto de tudo. Entende-se então por que em geral esse europeu moderno incerto e inseguro precisou cada vez mais recorrer ao conhecimento da história, com o saber histórico pode com sua baixa curiosidade bisbilhotar o passado como procedimento ascético que pode-se aliviar a carência de sua individualidade confusa.

Poder-se-ia objetar, como a valorização moderna da história, tendo como emergência (Entestehung) a pouca disposição para a vida do “homem mistura” de raças na Europa moderna, que em decorrência dessa miscigenação permanece intimidado com a impessoalidade e brutalidade do acaso e da ordem “criação-destruição” do devir, sem conseguir afirmar a si mesmo e assim criar o próprio destino, como pode a história ainda servir ao trabalho de análise da genealogia? Foucault lembra que o próprio da emergência para a genealogia é nos fazer ver que o que surge não advém de uma predestinação, mas “[...] c`est la scène où les forces se risquent et s`affrontent, où il leur atriver de triompher, mis où on peut les confisquer” (FOUCAULT, [Fr. 1971] 2012, p. 1020). A genealogia como pesquisa historiográfica pode se apodera da história voltando-a contra ela mesma, não como o escorpião que encalacra fatalmente a si mesmo, mas, como já comentamos, uma forma de purgativo que anula seus próprios efeitos deletérios: a história esquadrinhada pelo método genealógico pode ser liberta dos absolutos da metafísica e de qualquer espécie de teleológica que a empobreça ao restringir suas possibilidades a uma única rota, com isso se franqueia ao ser humano a possibilidade de participar ativamente e criativamente do seu destino.

Benzer Belgeler