2. YAPI SİSTEMLERİNİN DOĞRUSAL OLMAYAN TEORİYE GÖRE
4.2 Los Angeles Bölgesi’ ndeki Yüksek Binaların Sismik Analizi ve Tasarımı için
4.2.2 Metodoloji 111
4.2.3.1 Kapasite tasarımı 115
O
Comitê Popular dos Atingindos pela Copa, de Belo Horizonte, foi organi- zado ainda em 2011 em consonância com os demais comitês formados nas cidades sede dos jogos. Articulado a diversos movimentos sociais na ci- dade, e aos eventos relacionados à Copa no Brasil, o Copac BH organizou ações, atos e resistências numa perspectiva de apoio aos atingidos pelo megaevento.Entre tantas atrocidades cometidas em função da Copa, talvez tenha sido mais visível para a população de uma maneira geral, ainda mais do que os gastos e superfaturamentos, mais até do que o concreto substituto das árvo- res nos arredores do Mineirão, a ausência dos barraqueiros.
Dos removidos pelas obras, dos novos formatos do “Padrão FIFA”, da mu- dança na legislação nacional, da troca de mãos pela qual passou a administra- ção da (a partir daquela obra) “Arena”, do nepotismo do prefeito, nada chamou mais a atenção do que o im do tropeiro e da cerveja nas cercanias do estádio.
Os barraqueiros do Mineirão são uma instituição para os torcedores fre- quentes no campo. Segundo a Associação de Barraqueiros do Entorno do Mineirão (ABAEM)5, são cento e cinquenta barraqueiras e barraqueiros impe-
5 “O Campeonato Brasileiro começou e aos barraqueiros e às barraqueiras do Mineirão, ao contrário do que foi novamente acordado com a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e com Governo do Estado de Minas Gerais, ainda NÃO foi permitido retomar o trabalho histórico no entorno do Estádio Mineirão! Mais uma vez, não há previsão real de retomada do nosso trabalho digno, construído e conquistado ao longo de 50 anos de história junto às paredes do Mineirão. Nós, barraqueiras e barra- queiros do Mineirão, muitos de nós já idosos, precisamos de apoio na cobrança aos gestores públicos que, irresponsavelmente de dentro de seus gabinetes, vêm nos causando tanta dor e prejuízo mate- rial e imaterial.” Em https://www.facebook.com/permalink
didos de trabalhar desde o início das obras em 2010.6 Desde 1964, o tropeiro
faz parte do Mineirão, é um ritual, ou foi.
Seguindo a prática da gestão municipal, os barraqueiros e barraqueiras pouco foram ouvidos pela administração pública. Desde 2010, diversos atos foram chamados e pressão foi feita para que a situação das famílias, histo- ricamente envolvidas com o comércio nos arredores do estádio, fosse resol- vida. E ainda hoje, novembro de 2014, depois da Copa, depois do estado de exceção, depois das eleições, nada foi feito a respeito.
“Ei polícia, a praia é uma delícia!”
D
iversos são os atores e movimentos mais recentes responsáveis pelo en- contro em Belo Horizonte. Mas nesse meu emaranhado de lembranças, é a cultura quem une as pontas dessa teia, ou quem a tece. São de fundamental importância a Praia da Estação, o Duelo de MC’s, o carnaval de rua, as #Ocupa- ções, a Família de Rua, o Espanca, o Baixo Baía, Nelson Bordelo, os coletivos de cultura em suas diversidades organizativas, a presença das dinâmicas de autogestão, as rádios comunitárias, reprimidas pelo cassetete a mando do comércio do jabá, no inal da década de 1990 e início do século XXI.Em alguma medida, são todos dedos de uma mesma mão. Têm compri- mentos diferentes, durações diferentes. Apontam ora para o mesmo lugar, ora para diversas direções. Trabalham juntos ou em separado de acordo com o objetivo. E encontram-se na base.
A Praia da Estação nasceu do entendimento e da força gestadas ao longo dessas últimas décadas na cidade. Depois de um decreto municipal de 2009, proibindo eventos na Praça da Estação, organizou-se a Praia.7
Um chamado anônimo mobilizou e organizou a ocupação, ou reocupação, desse espaço pú-
6 https://www.facebook.com/pages/Associa%C3%A7%C3%A3o-dos-Barraqueiros-do-Entorno-do- -Mineir%C3%A3o-ABAEM/448013221968020
blico. A partir de 2010, aos sábados, a Praça da Estação converte-se na praia mineira. Essa brincadeira é um ato político.
Ao desaiar abertamente a prefeitura, parodiando a ausência do litoral em Minas, as pessoas que banham-se na “Praia” reivindicam com seus corpos o uso do espaço público. Ressigniicando a cidade naquele ponto, local de fun- dação e inauguração da capital republicana, planejada e organizada, onde há um monumento à Terra Mineira, os banhistas despem-se, molham-se, feste- jam. Aos sábados, a norma desaparece porque perde o sentido.
Assim, todo o conjunto arquitetônico é ressigniicado, reocupado, reuti- lizado. Da Praça da Estação, seguindo o caminho da rua Aarão Reis (enge- nheiro responsável pela deinição do local da nova capital, no inal do século XIX), até a porta da Serraria Souza Pinto, embaixo do viaduto Santa Tereza, a “Praia” promove luxo vital à urbes.
Tendo como um dos locais de encontro a “Praia”, os blocos de carnaval de rua retomaram ensaios, encontros. A festa popular havia sido suprimida da região central da cidade. A sujeira, o barulho e a vontade política empur- raram o carnaval belorizontino para longe da região centro-sul. Houve uma tentativa de matar a tradição carnavalesca na cidade.
Concomitantemente à consolidação da Praia da Estação, ano após ano, sem a permissão da prefeitura, blocos de carnaval de rua multiplicam-se na cidade. Estabelecem seu próprio calendário, cuidam de suas baterias, dos concursos, arranjam repertórios e fabricam marchinhas que tornam-se hinos políticos.
Canções como “Baile do Pó Royal”8 e a “Marchinha Pula Catraca”9, ambas
de 2014, são cantadas em atos e festas. A emblemática “Coxinha da Madrasta”, marchinha de 2012 do compositor Flávio Henrique, ridicularizando a relação promíscua do presidente da Câmara de vereadores de Belo Horizonte com a empresa responsável pelo fornecimento de alimento aos mesmos. As marchi-
8 https://www.youtube.com/watch?v=2YMOKVIgkgk 9 https://www.youtube.com/watch?v=AsSPuN5KdZQ
nhas são replicadas pelos blocos, espalham-se pela cidade, vão ao concurso municipal, agitam os foliões e incomodam os políticos.
A potência desse movimento pôde ser sentida quando a prefeitura, para o carnaval de 2014, a reboque das ruas, organizou uma “Comissão Especial” para o evento. Aos poucos e aos solavancos, o poder público foi obrigado a resgatar a festa que havia empurrado para as margens da cidade. O desile das Escolas de Samba já havia voltado para a área central e os blocos cari- catos retomaram seu espaço dentro do desile oicial mas, saborosamente, blocos não oiciais como o “Pula Catraca”, “BloComum”, “Tico Tico Serra Copo”, “Filhos de Tchatcha”, continuam ocupando as ruas no pré-carnaval, durante o feriado e ao longo do ano.
“Rosa Leão, Esperança e Vitória!”
E
m outra ponta do processo de resistência, as ocupações urbanas por mo- radia irmavam pé na disputa pela terra. Dentro da mesma lógica mer- cantilista que age hoje sobre as metrópoles brasileiras e em outros países, a expulsão das populações de menor renda das áreas centrais retomou ve- locidade em função do intenso processo de especulação imobiliária a partir do intenso aquecimento do mercado nos últimos 10 anos, dada a facilidade de crédito e, sobretudo, aos déicits históricos de habitação. Devastador pro- cesso, responsável direto pela segregação espacial urbana, consequente- mente, pelos favorecimentos e atenção de políticas públicas sobre regiões ricas em detrimento de localizações pobres.A distribuição do equipamento urbano, delimitado pela política pública que legitima e legaliza a expulsão, permanece atendendo aos interesses das empresas ligadas a esse comércio. Muitas delas, inanciadoras de campa- nhas eleitorais e presentes tanto na câmara municipal quanto em conselhos urbanos, onde estão representados a sociedade civil, o “notório saber” e os empresários. Importante ressaltar o lugar dos sindicatos patronais e setor empresarial nessa divisão, sendo parte separada da sociedade civil, consti-
tuindo um grupo com representação própria e espaço privilegiado de fala. Outro ponto que merece atenção é a forma como o poder público lida com as populações ocupantes. A interlocução entre a prefeitura e essas popula- ções acontece a duras penas, pois é prática local, não sendo exclusividade de Belo Horizonte, a criminalização das pessoas em situação de precariedade. O uso da força para a remoção, o terrorismo psicológico e de Estado, o descaso, a violência são recursos usados cotidianamente.
Das diversas ocupações e das diversas situações em que se encontram opto por citar as da região do Isidoro – Rosa Leão, Esperança e Vitória, como também a ocupação do Cafezal, na zona sul da cidade, Dandara10
no bairro Céu Azul, William Rosa e Guarani Kaiowá em Contagem, na região metropo- litana. Existem outras tantas, resistentes na cidade e em constante ameaça de desocupação.
Ao trazer a discussão, desde 2009, para o âmbito da função social da pro- priedade e da forma como se ocupa essa terra, Dandara conigura um espaço privilegiado de aglutinação e difusão da luta pelo espaço na cidade e em seus limites. Indo além de colocações simplistas acerca do acesso à terra, os modos de apropriação, uso e ocupação são tratados. O empoderamento da população do Dandara é nítido, assim como sua autonomia e conscientização.
Consequentemente, a participação dos moradores de ocupações nos mo- vimentos de junho de 2013, por vezes em conjunto com o MST, deu-se em di-
10 Batizada de Dandara, em homenagem à companheira de Zumbi dos Palmares, a ação foi realizada conjuntamente pelo Fórum de Moradia do Barreiro, as Brigadas Populares e o MST. A ação fez parte do Abril Vermelho, em que se reforçam as lutas sociais pela função social da propriedade (previsto no inciso 23 do artigo 5º da Constituição Brasileira) e inaugura em Minas Gerais a aliança entre os atores da Reforma Agrária e da Reforma Urbana. Neste sentido, a Dandara traz dois diferenciais. O primeiro é o peril rururbano da ação, que reivindica um terreno de 40 mil metros quadrados no bairro Céu Azul, na periferia de Belo Horizonte. A idéia é pedir a divisão em lotes que ajudem a solucionar o passivo de moradia de Belo Horizonte, hoje avaliado em 100 mil unidades, das quais 80% são de famílias com ganhos abaixo de três salários mínimos. E também contribuir na geração de renda e na segurança alimentar, ao adotar-se um sistema de agricultura periurbana, em que cada lote destine uma área de terra possível de se tirar subsistência ou complemento de renda e alimentação saudável. Em http:// ocupacaodandara.blogspot.com.br/2009/04/um-mar-de-barracos-de-lona-o-que.html
mensão organizativa. Mais do que coadjuvantes ou número para as grandes marchas, as ocupações estiveram presentes na constituição da Assembleia Po- pular Horizontal, dos fóruns e debates orgânicos daquele grande movimento.