3. MATERYAL VE YÖNTEM
3.2 Yöntem
3.2.1 Kapal ı alan denemeleri
Conforme já mencionado, o perfil aqui descrito diz respeito ao conjunto de leitoras que foram entrevistadas na pesquisa. Não se pretende, porém, generalizar e traduzir todo o público a partir dos dados sintetizados. Uma vez examinada a relação entre os dados, foi possível construir algumas variáveis que permitem dar concretude ao público participante.
Com respeito à faixa etária, que variou entre 18 a 41 anos, prevaleceu o grupo composto por mulheres de 25 a 29 anos (12 leitoras), em seguida do grupo de 30 a 39 (6 leitoras).
Gráfico 1 - Faixa etária das leitoras
Fonte: dados da pesquisa de campo.
A quantidade das leitoras entre 25 a 39 anos coincide com dados do relatório das Estatísticas do Registro Civil de 2012, que indicou uma concetração de maternidade nessa
154 faixa etária, principalmente entre mulheres dos centros urbanos. Entre as leitoras entrevistadas na pesquisa, a maioria não tinha filhos, mas a faixa etária do grupo que prevalece indica que é a partir dessa fase que as preocupações com a conjugalidade surgem mais frequentemente. A partir dos 30 anos, a questão da maternidade aparece de maneira mais acentuada nas falas das entrevistadas.
Com relação à origem regional, foram entrevistadas leitoras de 4 regiões do Brasil, abrangendo 11 estados da federação. As regiões Nordeste e Sudeste se equiparam na proporção, porém, na relação por estados, São Paulo lidera o número de entrevistas. Abaixo, os gráficos apresentam as duas exposições, por regiões e por estados.
Gráfico 2 - Localização das leitoras segundo região do país
Fonte: dados da pesquisa de campo.
Gráfico 3 - Origem regional das leitoras (por estados da federação)
155 Com relação à escolaridade, observou-se que havia um número considerável de leitoras no ensino superior, compreendendo os graus incompleto e completo, além de um número notável de pós-graduandas (curso concluído ou não). Apenas três concluíram seus estudos até o ensino médio. No gráfico abaixo, a classificação compreende as faixas de escolarização especificando os níveis completos ou incompletos, de acordo com os dados apresentados pelas leitoras.
Gráfico 4 - Escolaridade das leitoras
Fonte: dados da pesquisa de campo.
Entre as profissões das leitoras, foi possível observar ingressos em carreiras profissionais, algumas no campo da psicologia, entre estudantes e psicólogas em atuação. A categoria ―estudante‖ foi incluída para os casos em que a leitora estivesse se dedicando exclusivamente aos estudos. Entre as profissões indicadas pelas leitoras, 7 estavam apenas estudando (graduação e pós-graduação), 6 atuando em ocupações que não demandavam formação superior (auxiliares administrativas, 1 assistente de produção – edição –, 1 sommelier, 1 operadora de telemarketing, 1 serviços de limpeza), 9 em profissões que exigem formação superior (psicologia, jornalismo, professoras, turismóloga, gestora de alimentos, enfermagem) e apenas uma que estava sem trabalhar e havia trancado a faculdade, em função da maternidade. Entre as 6 que estavam em ocupações que não demandam formação superior, 2 cursavam faculdade. Prevalece, nesse sentido, o grupo de mulheres associado a profissões de formação superior, constituído por 16 entrevistadas.
Foram verificados dados sobre escolaridade e profissão dos pais com o intuito de configurar origem social para além do critério da situação de renda. No quadro das profissões e escolaridade dos pais, foi possível estabelecer um breve recorte de gênero, em dois aspectos: a) as profissões dos pais eram mais diversificadas em relação às mães, que se constituem, em
156 sua maioria, de trabalhadoras do lar; b) as mães estão mais concentradas no nível fundamental de escolarização em relação aos pais. Entre os pais, foram mencionados 14 tipos de profissões, enquanto para as mães apareceram 6 profissões, prevalecendo o grupo de trabalhadoras do lar.
Gráfico 5 - Escolaridade dos pais (%)
Fonte: dados da pesquisa de campo.
Gráfico 6 - Escolaridade das mães (%)
Fonte: dados da pesquisa de campo.
Contrastando a escolaridade das leitoras em relação aos pais, verifica-se que houve uma notável progressão, o que se reflete também na diversificação das profissões das leitoras e mais ingresso em carreiras profissionais. Comparando a escolaridade das leitoras com suas mães, observa-se que há uma inversão, pois entre as leitoras a maior concentração se dá no ensino superior (87% somando ensino superior incompleto, completo e pós-graduação) e a menor entre aquelas que concluíram até o ensino médio (apenas 13%). Esse é um aspecto importante para se observar porque, em várias entrevistas, a figura da mãe dedicada aos trabalhos domésticos aparece como aquela de quem as leitoras buscam se diferenciar, mencionando exemplos de posições de gênero em suas próprias experiências cotidianas. Os números indicam também a progressão de escolaridade entre as gerações de mulheres, ficando
157 notável que entre as mães delas prevalecem a menor escolaridade e o maior número de trabalhadoras do lar; enquanto que entre as leitoras há maior escolaridade, maior diversidade de profissões e apenas uma leitora dedicada somente à maternidade (em caráter temporário).
Em relação aos demais itens: a) a maioria se declarou heterossexual (apenas uma afirmou ser bissexual); b) do ponto de vista do critério racial, 10 se classificaram como brancas, 10 entre pardas/pretas, 1 indígena e duas sem classificação; c) estado civil: 14 afirmaram estar solteiras, 7 em relacionamento afetivo, 2 em situação casada/união estável; d) do critério de classe segundo situação de renda, prevaleceu a classe C e apenas duas pertencentes à classe B; e) apenas duas possuíam filhos.
Os dados mencionados acima também dialogam com os números das Estatísticas do Registro Civil de 2012 no que se refere às faixas etárias médias de nupcialidade e maternidade, que indicam mudanças no comportamento reprodutivo, com o aumento de maternidade nas faixas etárias de 30 anos a 34 anos e a redução da fecundidade no país. Segundo dados do mesmo documento, cresceu o adiamento da maternidade, sobretudo entre mulheres com maior escolaridade, geralmente residentes dos centros urbanos. O fato de a maioria das entrevistadas seguir em um padrão de relacionamento heterossexual as situa na problemática das emoções desenvolvida por Illouz, que analisa as diferenças de gênero presentes nas experiências afetivas contemporâneas que se enquadram nesse modelo.