O Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) foi criado em 1995 pelo governo federal, por meio do Programa de Modernização do Setor de Saneamento (PMSS), e se configura hoje como o maior e mais importante banco de dados do setor de saneamento brasileiro, que contém informações de caráter operacional, gerencial, financeiro e de qualidade, sobre a prestação de serviços de água e de esgotos e sobre os serviços de manejo de resíduos sólidos urbanos. No
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caso dos serviços de água e de esgotos, os dados são atualizados anualmente para uma amostra de prestadores de serviços do Brasil, desde o ano-base de 1995.
Os dados do SNIS são apresentados de forma agregada, por prestadores de serviços, e desagregada, por informações por municípios. Dessa forma fica mais fácil de fazer um diagnóstico mais preciso sobre a situação dos serviços de água e esgoto nos municípios brasileiros. Contudo, o SNIS depende das informações enviadas pelos prestadores de serviços, que muitas vezes não enviam ou o fazem de forma errada.
Nozaki (2007) destaca que, apesar de todo o trabalho técnico desenvolvido por elaboradores e planejadores, com investimentos em tecnologia para a obtenção dos dados, com programas de informática modernos e técnicas de tabulações, as amostras do SNIS não são 100% confiáveis, assim devemos analisar os dados com cuidado.
Isso se deve ao fato de que as informações são obtidas por meio de respostas dos prestadores de serviços, ou seja, a empresa recebe o questionário e deve respondê-lo, enviando posteriormente para o SNIS, sem visitas ou mesmo inspeções sobre a veracidade das informações, podendo ocorrer divergência da realidade de alguns indicadores.
Isto pode ocorrer por vários motivos, dentre os quais pode-se citar a forma errônea na obtenção dos dados, incapacidade técnica e operacional para a mensuração dos indicadores, falta de compromisso do prestador de serviços sobre as informações, interesse do prestador de serviços em manipular as informações em seus benefícios e, ainda, a falta de dados (NOZAKI, 2007, p.68).
O autor argumenta ainda que um prestador de serviço pode utilizar uma forma não muito correta na obtenção das informações, ou seja, utilizar uma técnica que não mede com precisão os dados por ele informado, causando divergência entre o verdadeiro valor e o informado, o que pode não ocorrer por má fé, mas por problemas na obtenção dos indicadores. Como exemplo a incapacidade técnica e operacional dos prestadores, principalmente dos pequenos, pode comprometer o cálculo de perdas, que além dos equipamentos necessita de pessoal habilitado para realizar o dimensionamento do melhor medidor, um medidor dimensionado de forma errada indica valores divergentes do real.
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“(...) pequenos prestadores de serviços, que não possuem recursos para investimentos nessa área, e que não possuam pessoal qualificado tecnicamente, podem apurar valores incorretos e informá-lo no SNIS
como sendo os verdadeiros, prejudicando a amostra” (NOZAKI, 2007, p.
68).
Os indicadores fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Esta tística (IBGE), no que se refere ao saneamento, são encontrados nos censos demográficos, nas Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios (PNAD) e na Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB). A PNAD apresenta uma periodicidade anual, enquanto a PNSB não é periódica.
A crítica em relação à PNAD é que ela utiliza os domicílios como unidade de coleta de informação, tendo sua preocupação centrada na situação sanitária da habitação e não na presença, ou ausência, de um serviço vinculado a um determinado modelo. Fiszon (1998) esclarece que um problema decorrente da utilização do domicílio como fonte de informação consiste na impossibilidade de identificar aqueles que estão, ou não, usufruindo um serviço de abastecimento de água e de esgotamento sanitário. A limitação desse indicador de saneamento é que ele não permite desagregar os dados por municípios, nem por faixa populacional, o que acaba limitando as análises.
A PNSB investiga as condições de saneamento básico nos municípios brasileiros, por meio das atuações dos órgãos públicos e empresas privadas, concentrando interesse na oferta e qualidade dos serviços prestados. A limitação em relação a esse indicador de saneamento é que ele dispõe de variáveis sanitárias, mas não de financeiras, o que dificulta a associação entre o investimento e os resultados diretos.
É importante destacar que, tirando as limitações aqui pontuadas, não tivemos problemas para acessar a base de dados do IBGE (PNAD e PNSB) e do SNIS, que se encontram disponíveis e acessíveis na internet.
Como se sabe, os dados primários dizem respeito a informações mais detalhadas da realidade estudada, no caso, os municípios da RMB. No caso de documentos referentes à prestação dos serviços de água e esgoto na RMB, a maioria deles encontra-se no interior das empresas prestadoras dos serviços e não são disponibilizados em bibliotecas públicas, internet e publicações especializadas, o que já representa um problema, devido à burocracia existente para se ter acesso a esses dados.
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O Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (IDESP) é uma instituição pública estadual que trabalha com a divulgação de dados estatísticos do Pará. No que concerne ao saneamento básico, o IDESP tem como fonte o IBGE (PNAD e PNSB) e carrega as mesmas limitações citadas acima.
O banco de dados mais completo do governo do estado, no que se refere aos serviços de água e esgoto, está ligado à estrutura da COSANPA, no setor de planejamento e gestão, sendo que estes dados não estão disponíveis à consulta pública. Para se ter acesso a esses dados, é necessário entrar com ofício de solicitação, junto ao presidente da COSANPA, pedindo permissão para consultar os documentos. No caso da Região Metropolitana de Belém, a COSANPA só possui dados referentes à Belém, Ananindeua e Marituba, municípios pelos quais é responsável, o que representa uma limitação em termos de análise metropolitana - dos 143 municípios do Pará, a COSANPA atua em 58.
No caso das prefeituras, a situação é muito mais precária, não existem entidades públicas com atribuições específicas para a produção de dados estatísticos, nem mesmo Belém, a capital do estado, apresenta uma instituição para esse fim.
Em relação a informações sobre água e esgoto, a prefeitura municipal de Belém conta com o banco de dados do SAAEB. Nesse caso já existe uma grande limitação nessas informações, uma vez que o SAAEB só apresenta dados referentes aos Distritos pelos quais é responsável no território de Belém – dos 08 Distritos, só atua em 04 –, sendo que em alguns deles a atuação do prestador fica restrita a algumas áreas, como veremos no capítulo 4 desta tese. Em resumo, as informações do SAAEB não possibilitam uma leitura geral da situação dos serviços de água e esgoto no município de Belém.
Vale a pena destacar que o SAAEB só disponibiliza as informações básicas sobre os serviços de água e esgoto em Belém, por meio do Anuário Estatístico do Município de Belém. Para se ter acesso a informações sobre o índice de inadimplência ou tipo de cliente do prestador, por exemplo, é preciso entrar com pedido oficial junto ao presidente do SAAEB para a liberação do material, que nem sempre é atendido.
No caso dos municípios de Ananindeua e Marituba, as informações sobre os serviços de água e esgoto estão disponíveis no banco de dados produzido pela COSANPA, que é responsável pelos serviços nessas cidades. Não existe também
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nesses municípios nenhuma entidade pública com atribuições específicas para a produção de dados estatísticos.
A pior situação encontrada em relação a dados sobre serviços de água e esgoto foi nos municípios de Benevides e Santa Bárbara. Até mesmo no SNIS não existe uma regularidade nas informações, existem lacunas nas informações sobre água e esgoto, por exemplo, nos anos de 2005 não constam informações sobre os serviços desses municípios, em 2007 o município de Santa Bárbara não enviou informações novamente. Isso acaba afetando a análise sobre a evolução dos serviços nesses municípios.
Fazer pesquisa sobre saneamento num cenário de inconsistência e imprecisão de informações, e até mesmo de falta delas, não é uma tarefa fácil para nenhum pesquisador, trata-se de um desafio. Contudo, o que mais preocupa é o fato de que sem essas informações fica difícil regular e fiscalizar a prestação dos serviços de água e esgoto nos municípios, além de orientar investimentos, custos e tarifas.
Os dois itens que seguem, o saneamento básico e a regulação dos serviços públicos, auxiliarão no embasamento básico necessário para o entendimento da proposta de pesquisa apresentada. Sem a pretensão de realizar um estudo aprofundado no campo das ciências sociais, políticas ou econômicas.