4. BULGULAR VE YORUMLAR 64
4.6. Kanunlara ve Yasal Düzenlemelere Uyum 81
Os primeiros estudos sistemáticos sobre cidades médias foram desenvolvidos a partir dos anos 50 e 60 na Europa Ocidental, especialmente na França (AMORIM FILHO, 2007, p.69). A constatação de fortes desequilíbrios inter-regionais e intra- redes urbanas nesses locais fizeram com que os estudos de redes urbanas e o planejamento urbano e regional – denominado na França de “aménagement du
territoire”9 – ganhassem grande força. Nesse contexto, multiplicaram-se os
estudos e pesquisas sobre o assunto, e as cidades médias passaram a ser objetos privilegiados das políticas de planejamento (AMORIM FILHO, 2007). Desde os primeiros estudos, a dificuldade na definição do conceito de cidades médias ficou clara. Até hoje não existe um consenso na literatura científica e os critérios variam de acordo com os objetivos e interesses dos pesquisadores. Pela sua simplicidade e comodidade, o critério de definição mais usado é o tamanho demográfico, usado muitas vezes como proxy do tamanho do mercado local, como um indicador do nível de infra estrutura e do grau de concentração das atividades (AMORIM FILHO & SERRA, 2001, p.3). Entretanto, existe a dificuldade em se estabelecer os limiares máximos e mínimos de população, com o agravante de que eles tendem a crescer com o passar do tempo. Além disso, esse critério deve ser relativizado no espaço e no tempo, pois “os níveis populacionais que balizam as cidades médias devem pertencer às categorias intermediárias no conjunto total das cidades da região de que fazem parte” (AMORIM FILHO, 2007, p.69).
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Essa forma de planificação “resulta de uma reflexão sobre a procura de uma distribuição mais equilibrada das atividades, das riquezas e dos homens sobre o espaço nacional e regional” (AMORIM FILHO E SERRA, 2001). Suas diretrizes básicas são a descentralização e desconcentração espacial da população e das atividades econômicas.
A partir da década de 1970, a noção de cidades médias em termos populacionais passou a perder espaço para uma concepção baseada na função de intermediação ou conexão dentro do sistema regional ou nacional de cidades (AMORIM FILHO & SERRA, 2001, p.19). As cidades médias passaram a ser caracterizadas como centros dinâmicos, núcleos estratégicos promotores de uma maior articulação entre os centros urbanos de nível superior (metrópoles) e as pequenas cidades e o meio rural.
Na reestruturação produtiva iniciada na década de 70 no Brasil, quando se iniciou um processo de relativa desconcentração das atividades econômicas, particularmente as industriais, as políticas econômicas e o Estado tiveram grande importância (DINIZ, 1993). Ocorreu uma política de valorização do sistema urbano em detrimento da política intraurbana e, para as políticas de descentralização, que buscavam preservar as escalas de produção e as economias de aglomeração, as cidades médias apareceram como uma alternativa interessante, como postos avançados de expansão e difusão do sistema socioeconômico nacional:
“A elevação da participação das cidades médias na distribuição do produto nacional pode ser interpretada como uma possível combinação entre as necessidades de distribuir espacialmente a riqueza nacional e as de buscar níveis de produtividade compatíveis com as exigências de competitividade impostas pela crescente globalização da economia” (AMORIM FILHO e SERRA, 2001, p.18).
Deve-se ressaltar que as políticas governamentais deste período não tiveram o objetivo explícito de diminuir as desigualdades regionais, pois desde cedo foi reconhecida a incompatibilidade da manutenção de um ritmo acelerado de crescimento econômico com as políticas redistributivas de desenvolvimento regional ou, em outras palavras, o conflito entre eficiência econômica e equidade na distribuição regional da riqueza (AMORIM FILHO e SERRA, 2001). Fica evidente neste período a ideia da “desconcentração concentrada”, já que a intenção dos planejadores era claramente “desconcentrar dentro de um certo limite espacial, para não colocar em xeque os níveis de produtividade alcançados nos grandes centros urbanos do país” (AMORIM FILHO e SERRA, 2001, p.14).
Na década de 1980, ocorreu um arrefecimento das políticas de desenvolvimento regional. A crise econômica e a inflação levaram o governo a priorizar as políticas macroeconômicas (com o objetivo de alcançar a estabilidade monetária), a crise fiscal diminuiu a disponibilidade de recursos governamentais e houve uma diminuição dos fluxos migratórios inter-regionais, que tanto contribuíam para o “inchaço” das grandes metrópoles nacionais (AMORIM FILHO e SERRA, 2001, p.21). Segundo Amorim Filho e Serra (2001), o grande crescimento destas cidades a partir de meados do século passado impôs uma função às cidades médias no que diz respeito especificamente às migrações: sua capacidade de absorver parte dos fluxos populacionais oriundos de cidades menores ou da zona rural por meio da oferta de oportunidades de trabalho poderia evitar a ampliação dos problemas sociais das grandes cidades. Este atributo seria uma das razões pelas quais a preocupação com as cidades médias tenha adquirido tanta amplitude nos anos 70, já que o sistema urbano nacional era marcado pela insuficiência e má distribuição espacial de centros urbanos intermediários dinâmicos, o que dificultava uma efetiva interiorização e difusão do desenvolvimento (AMORIM e SERRA, 2001). Segundo Corrêa (2007, p.27),
“No Brasil, a partir de meados da década de 1960, no âmbito do recém-criado sistema de planejamento que pretendia incluir a dimensão espacial nas políticas governamentais, estabeleceu-se a noção de ‘cidade de porte médio’, barreiras receptoras contra as correntes migratórias em direção aos centros metropolitanos” (CORRÊA, 2007, p.27).
Araújo et al. (2011, p.74) criticam essa visão das cidades médias como meros núcleos de contenção de demandas e fluxos migratórios com destino às grandes cidades. Esses autores defendem que seja fortalecido seu “papel de apoio, de polo de serviços para as aglomerações menores, auxiliando na melhoria das condições de vida dos cidadãos que residem em outros núcleos urbanos de menor porte ou mesmo em áreas rurais”. Defendem que sua distribuição na rede urbana e seus papéis devem ser avaliados com base em critérios que levem em conta as dinâmicas intrarregionais, a localização dessas cidades e suas especificidades funcionais.
A partir da década de 1990, houve uma retomada do interesse pelas cidades médias, provocada pelas incertezas geradas por três fenômenos relacionados à
reestruturação do sistema urbano nacional, cujos efeitos são ambíguos no que diz respeito à (des)concentração econômica e populacional: o processo de reestruturação produtiva iniciado na década de 1970, a maior abertura comercial do país e o redimensionamento do Estado (através das políticas de privatizações). Amorim Filho e Serra (2001) resumem bem o sentido do revigoramento desse tema:
“O papel articulador e de intermediação, inerente a qualquer cidade média, tendo em vista suas dimensões, sua posição geográfica sempre estratégica e as funções que lhe são próprias, tem sido encarado como fundamental para a implantação, o desenvolvimento e a expansão de eixos e corredores de transportes e comunicações, de redes de todo tipo que possuam uma base espacial e, por fim, de redes muito especiais, tais como as das tecnópoles” (AMORIM FILHO e SERRA, 2001, p.29).
A reemergência das discussões sobre cidades médias ocorre em função da intensificação da dinâmica de crescimento populacional dessa categoria de cidades e na consequente diversificação dos papéis e funções exercidas por ela dentro da rede urbana brasileira (ARAÚJO et al., 2011). Desde a década de 70, as cidades médias “aumentaram em número, cresceram em termos de sua participação na população nacional e ampliaram seu leque funcional” (ARAÚJO et al., 2011, p.64).
3.2 A construção de um quadro teórico sobre as cidades médias