Berços do liberalismo político e econômico desenvolvido no final do século XVIII, França e Inglaterra situam-se como precursores do processo de interdição da atividade sindical estabelecido naquele contexto, como já exposto no capítulo 1 deste trabalho. Ao mesmo tempo, por estarem no centro da atividade industrial incipiente, também protagonizaram os principais episódios demarcadores das fases evolutivas do sindicalismo, inclusive a de seu reconhecimento e institucionalização. Por essas razões, seus modelos são paradigmáticos e essenciais na compreensão de qualquer análise contextual da questão da liberdade sindical. No entanto, no decorrer do tempo cada um dos sistemas foi assumindo características muito diferentes, seja no plano institucional, seja no desenvolvimento das relações interpessoais correspondentes. Especificamente, no caso inglês, a desconstrução promovida a partir dos governos de Margareth Tatcher alteraram completamente o panorama da organização sindical daquele país, de modo que, dentro dos propósitos deste trabalho, entendemos ser desnecessário qualquer estudo a respeito.
Na França por outro turno, o modelo sindical hoje vigente tem suas raízes no período imediatamente posterior à Segunda Guerra, mais especificamente com a libertação do país do domínio parcial exercido pelos nazistas, durante o denominado Regime de Vichy212. Nesse período
excepcional, várias das liberdades individuais e coletivas foram interditadas e, especialmente, a
212 A França declarou guerra à Alemanha nazista em setembro e 1939 e, em meados de 1940, ela foi ocupada pelos
alemães. O país foi dividido em duas partes, sendo que o norte, incluindo Paris, estava sob controle alemão e o sul, com capital na cidade de Vichy, era governado por franceses pró-nazistas, dentre eles Henri Philippe Pétain, que foi o Primeiro Ministro a assinar tratado de rendição à Alemanha. A Terceira República Francesa foi extinta por votação pela Assembleia Nacional Francesa em 10/07/40, e o Regime de Vichy foi estabelecido no dia seguinte, tendo Pétain como seu chefe de Estado. Esse regime durou até a libertação da França em 1944.
atividade sindical foi duramente reprimida213. Portanto, com a revogação dos instrumentos repressivos do período de exceção, o sindicalismo francês conheceu uma das suas fases mais profícuas, que se estendeu até os anos 1970. Aquela que é, por muitos, chamada de “a era de ouro do sindicalismo”, foi marcada pelo fomento da atividade sindical, motivada, sobretudo, pelos movimentos políticos ocorridos em diversas partes do mundo, devidamente alimentada pela acentuação ideológica decorrente da Guerra Fria214. Foi nesse contexto que surgiu a lei de 11/02/1950, que tratava dos conflitos coletivos de trabalho e da contratação coletiva, tendo, inclusive, liberado as negociações salariais, que foram suspensas desde 1939. Normativamente, essa lei demarca um novo período regulatório das relações coletivas na França, o que foi objeto de outras modificações de caráter pontual, de acordo com as conformações políticas de cada ocasião215, até desembocar na alteração mais recente, ocorrida em agosto de 2008216.
O fato é que, apesar de ter passado por reformas contínuas, o sistema de organização sindical francês preservou algumas das suas características substanciais, e tem como ponto de partida a liberdade associativa, consagrada desde o Preâmbulo de sua Constituição de 1946217 e ratificada pela de 1958218. Sendo signatária das Convenções 87 e 98 da OIT219, os preceitos da
213 Segundo explicam AUBIN e BOUVERESSE, houve intervenção na atividade sindical mediante a imposição da
unicidade organizativa, sendo que, em 1940, foi aprovada uma lei que permitia a dissolução das confederações operárias e de empregadores. Ao lado dessa unicidade impositiva, as atribuições sindicais foram esvazaidas com a criação de Comitês Sociais controlados pelo Estado que tinham a incumbência de deliberar sobre salários e sobre as negociações coletivas. No entanto, em função do movimento de Resistência, aos quais os sindicatos também aderiram, efetivamente foram poucas as disposições normativas efetivas nesse período. (AUBIN, Gérard; BOUVERESSE, Jacques. Introduction historique ao droit du travail. Paris: Presses Universitaires de France, 1995. pp. 288-290).
214 Nesse sentido, v. MOURIAX, René. Le syndicalisme en France depuis 1945. Paris: La Découvert, 2004. pp. 98-
100.
215 Cabe consignar que a República Francesa adota o regime parlamentarista... explicar (características) Houve casos de
convivência de um presidente conservador e um primeiro ministro socialista, ou não.
216 Lei 789, de 20/08/2008.
217 Preâmbulo da Constituição francesa de 1946 – “6. Tout homme peut défendre ses droits et ses intérêts par l'action
syndicale et adhérer au syndicat de son choix.” Texto obtido em <http://www.legifrance.gouv.fr/Droit-
francais/Constitution/Preambule-de-la-Constitution-du-27-octobre-1946>. Acesso em 25/11/2013.
218 Preâmbulo da Constituição francesa de 1958 - “Le Peuple français proclame solennellement son attachement aux
Droits de l'Homme et aux principes de la souveraineté nationale tels qu'ils sont définis par la Déclaration de 1789, confirmée et complétée par le préambule de la Constitution de 1946, ainsi qu'aux droits et devoirs définis dans la Charte de l'environnement de 2004.En vertu de ces principes et de celui de la libre détermination des peuples, la République offre aux territoires d'outre-mer qui manifestent la volonté d'y adhérer des institutions nouvelles fondées sur l'idéal commun de liberté, d'égalité et de fraternité et conçues en vue de leur évolution démocratique.” Disponível
em <http://www.legifrance.gouv.fr/affichTexte.do?cidTexte=LEGITEXT000006071194>. Acesso em 25/11/2013. A Constituição de 1958 é o texto fundador da V República francesa, aprovada por referendo em 28/09/1958. Seu preâmbulo refere-se direta e explicitamente a três outros textos fundamentais: à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, ao preâmbulo da Constituição de 1946 (Constituição da IV República) e à Carta de do Meio Ambiente de 2004, que são incorporados ao texto.
liberdade e da autonomia da organização sindical coordenam todo o complexo normativo vigente no Estado francês. Nesse sentido, o principal instrumento legal de regulação da atividade sindical é o Código do Trabalho que, em sua segunda parte, é dedicado às relações coletivas de trabalho220. Por isso é que Jean-Claude Javillier considera que o sistema francês é composto por um arranjo entre a liberdade sindical e a participação dos trabalhadores nas empresas:
A Constituição proclama o direito de cada indivíduo de ’defender seus direitos e sues interesses através da ação sindical” e de “aderir ao sindicato de sua escolha’. Igualmente, todo trabalhador tem o direito de participar, ’por intermédio dos seus delegados, da determinação coletiva das condições de trabalho e de gestão das empresas’. São estes os dois ’pilares’ das liberdades e da participação que se deve estudar sucessivamente: liberdade sindical (...), em seguida representações (eleitas) do pessoal dentro da empresa221.
(grifos do autor).
A primeira característica que se sobressai nesse sistema é a adoção incondicional do pluralismo, mas não apenas no sentido organizativo propriamente dito, mas também com a admissibilidade de que mais de uma entidade sindical possa obter o credenciamento de representatividade para promover a negociação coletiva. Dito de outro modo, o modelo francês admite que haja uma multiplicidade de organizações em cada segmento, de acordo com a vontade dos interessados – como é característico dos países que adotam as diretrizes internacionais relativas à liberdade sindical – mas, além disso, estende esse pluralismo para a negociação coletiva, reconhecendo “diversas organizações sindicais representativas para participarem da negociação coletiva ao mesmo tempo, por meio de negociação, sem a exclusividade de nenhum sindicato (representatividade pluralista)”222.
Outra característica da organização sindical francesa, e que irá interferir diretamente na estruturação dos seus níveis de associação, diz respeito à forma como lá se desenvolve a negociação coletiva. Na França, é menos comum a ocorrência de negociações exclusivas com as empresas, sendo mais recorrente que os processos negociais sejam articulados em diversos níveis (nacional,
220 Artigos 2111-1 a 2623-19. Todas as transcrições do Código do Trabalho Francês. Disponível em
<http://www.legifrance.gouv.fr/affichCode.do?cidTexte=LEGITEXT000006072050&dateTexte=20131217>. Acesso em 25/11/2013.
221 JAVILLIER, Jean-Claude. Manual de direito do trabalho. Trad. Rita Asdine Bozaciyan. São Paulo: LTr, 1988. p.
147.
222 SARCEDO, Cristiana Lapa Wanderley. Representatividade sindical e negociação coletiva. São Paulo: LTr, 2011. p.
regional ou local), o que é conduzido pelas entidades de grau superior, sobretudo pelas confederações nacionais interprofissionais223. Por esse motivo, há plena liberdade de associação a entidades de outros níveis a partir da identidade político-ideológica de cada sindicato, pois essas entidades é que darão as diretrizes do movimento sindical.
Por fim, a terceira característica substancial é a de que o modelo francês, apesar de regulatório – porquanto disciplina diversos aspectos relativos à conformação das entidades sindicais – não o faz com o sentido restritivo, senão apenas estabelece, de maneira ordenada, os parâmetros que devem ser respeitados para que trabalhadores e empregadores possam se associar em sindicatos. Assim, trata-se de um modelo intervencionista, mas com objetivo ordenador e garantidor da liberdade sindical, e não com um vetor restritivo224. Nota-se que a preocupação substancial do Código do Trabalho é de assegurar o direito de associação sindical, qualificando os sindicatos, disciplinando a aquisição da sua personalidade civil e estabelecendo a possibilidade de associação em níveis superiores, por exemplo. No entanto, possui poucas disposições relativas à organização interna dos sindicatos, deixando a maior parte das questões a cargo dos estatutos elaborados pelos próprios associados225.
A legislação francesa não traz qualquer definição de sindicato, tanto assim que o disposto no art. 2131-1 do Código do Trabalho assinala uma configuração que pode ser devidamente ajustada a
223 Como explica Cristiana Sarcedo, “os três principais níves de negociação coletiva no sistema francês são (a) por setor
econômico/ramo de atividade (branche), (b) por empresa e (c) nacional/interprofissional”, sendo que o primeiro modelo é o que mais se destaca. No entanto, informa a autora que “nos últimos anos, as negociações coleivas por empresa têm obtido mais espaço em decorrência de novas disposições legais (...), especialmente no que diz respeito à regulamentação da jornada de trabalho”. Por outro lado, as negociações interprofissionais são mais escassas, mas sua importância deriva do fato de serem gerais e de “possuírem natureza regulamentadora, além de influenciarem diretamente na atividade legislativa (...)” (SARCEDO, Cristiana Lapa Wanderley. Representatividade sindical e
negociação coletiva. São Paulo: LTr, 2011. p. 125).
224 Nesse sentido, URIARTE, Oscar Ermida. Intervenção e autonomia no direito coletivo de trabalho. In:
NICOLADELI, Sandro Lunard et alii (orgs.). O Direito Coletivo, a Liberdade Sindical e as Normas Internacionais. São Paulo: LTr, 2013. p. 14. Vol. I.
p. 14. Essa percepção se acentua quando se observa disposições específicas de proteção ao exercício do Direito Sindical, vazada nos artigos 2141-1 a 2141-4, do Código.
225 Jean-Claude Javillier, cita, p.ex., que “o Código do Trabalho não trata da ‘disciplina’ sindical” nem tampouco da
“democracia sindical”, referindo-se à eleição dos órgãos dirigentes do sindicato (JAVILLIER, Jean-Claude. Manual de
direito do trabalho. Trad. Rita Asdine Bozaciyan. São Paulo: LTr, 1988. p. 151). Limita-se a assinalar questões
relacionadas à capacidade civil e eleitoral dos administradores, sendo que a Lei 789/2008 tornou mais rigoroso o controle financeiro dos sindicatos, com a determinação de publicidade das suas contas bancárias. (Cf. SARCEDO, Cristiana Lapa Wanderley. Representatividade sindical e negociação coletiva. São Paulo: LTr, 2011. p. 100).
qualquer entidade associativa, porquanto são os próprios estatutos da entidade que irão determinar seu objeto226. Porém, quando se observa o constante do artigo seguinte, verifica-se uma clara delimitação subjetiva dessa modalidade de associação: é livre a associação profissional ou sindical de pessoas que exerçam a mesma profissão, tenham ofícios similares ou conexos, as que concorrem com o estabelecimento de produtos determinados ou que exercem a mesma profissão liberal227. Desse conceito, extrai-se, em primeiro lugar, que a legislação francesa não distingue o tipo de pessoa que pode se associar (natural ou jurídica), o que abre ampla possibilidade para a sindicalização de empregadores228. De outra parte, significa que a designação de associação sindical tem como pressuposto o exercício de uma profissão ou atividade econômica não se admitindo sindicatos formados por pessoas que obtém sua renda sem qualquer relação com o exercício profissional229. Há que se destacar, no entanto, que o próprio texto legal ressalva a possibilidade de associação sindical de trabalhadores domésticos, a despeito de, neste caso, não existir qualquer atividade econômica, mas que se justifica em função do caráter de alheamento do trabalho230. Por fim, extrai-se que o critério substancial adotado pelos franceses é o da organização por profissão, seja ela idêntica, similar ou conexa, o que abrange não somente os trabalhadores por conta alheia, mas também os profissionais liberais231. Não se pode deixar de se considerar, outrossim, que as
226 Art. 2131-1 do CT – “Les syndicats professionnels ont exclusivement pour objet l'étude et la défense des droits ainsi
que des intérêts matériels et moraux, tant collectifs qu'individuels, des personnes mentionnées dans leurs statuts.” Em
redação anterior, o código adotava um paradigma fundado no “princípio da especialidade”, ou seja, direcionava o conceito de sindicato para entidades com fins por ele determinados, relacionados aos interesses profissionais. Essa tendência foi superada na redação atual do código, sendo certo que parte da doutrina a considerava interventiva em excesso, justamente por delimitar o objeto da atuação sindical.
227 Art. 2131-2 do CT, primeira parte – “Les syndicats ou associations professionnels de personnes exerçant la même
profession, des métiers similaires ou des métiers connexes concourant à l'établissement de produits déterminés ou la même profession libérale peuvent se constituer librement.”
228 Como veremos adiante, em outros sistemas europeus não há disciplina normativa sobre a sindicalização de
empregadores, sendo que estes se organizam em associações civis, quando assim desejam. Nesse sentido, Joseph Frossard apud Sarcedo (2011, p. 98), porém, a autora informa que “nem todas as associações profissionais patronais se constituem na forma de sindicatos, sendo a maior parte delas constituída meramente como associação, já que, de acordo com o Código do Trabalho francês, as associações patronais também podem participar das negociações coletivas, não sendo obrigatória sua constituição na forma de sindicatos”. (SARCEDO, Cristiana Lapa Wanderley. Representatividade
sindical e negociação coletiva. São Paulo: LTr, 2011). De qualquer sorte, em vários dispositivos do Código do Trabalho
há expressa menção a “sindicatos de empregadores”, como, p. ex., o art. 2135-3 e o art. 2135-5.
229 Por esse conceito, não se admitiria, por exemplo, a organização sindical de proprietários de imóveis que auferem
renda de locações imobiliárias, pois o elemento profissional não estaria presente na sua condição subjetiva.
230 Art. 2131-2 do CT, segunda parte: “Par dérogation à ces dispositions, les particuliers occupant des employés de
maison peuvent se grouper en syndicat pour la défense des intérêts qu'ils ont en commun en tant qu'employeur de ces salariés”.
231 Ao contrário do que ocorre em outros países europeus, nos quais a regulamentação sindical não contempla a
disposições do código são também aplicáveis aos servidores públicos admitidos nas condições dos contratos celebrados com pessoas jurídicas de direito privado232.
Não há dúvidas de que a determinação da identidade profissional como pressuposto da sindicalização constitui um elemento limitador da organização sindical francesa, mas isso não se revela abusivo, porquanto o conceito de ofício ou de profissão não é tão restrito como ocorre em outros sistemas. Do contrário, conforme preceitua significativa parte da doutrina233, trata-se de um conceito amplo, que pode tanto estar relacionado a um ofício (syndicalisme de métier) como a uma atividade econômica (syndicalisme d’industrie). Bem por esse motivo, a despeito da assinalação feita pelo texto normativo, é fato que não existe previsão para que seja rejeitado o depósito dos estatutos do sindicato em função de eventual inadequação da situação de representação apresentada nos estatutos com essas diretrizes. A propósito, o exame sistemático do Código revela que, ao tratar da representatividade sindical (Capítulo III, Título II, Livro I, Segunda parte), são apresentadas quatro formas de sua aferição: ao nível da empresa ou do estabelecimento (Seção 1); ao nível do grupo (Seção 1); ao nível de ramo de atividade (Seção 3) e em nível nacional e interprofissional (Seção 4). Esse fato, associado à circunstância de que as negociações coletivas são tradicionalmente realizadas por ramo de atividade, legitima que a organização sindical seja feita preferencialmente por esse critério234.
Esse quadro é um corolário direto do fato de a legislação francesa não estipular requisitos formais para a criação de um sindicato. A diretriz expressa no art. 2131-2 é plenamente consonante com as disposições do Direito Internacional do Trabalho, que determinam que não se pode exigir qualquer autorização prévia para a criação de um sindicato. Por isso, segundo o Código do Trabalho, basta que os interessados se reúnam, aprovem um estatuto em assembleia e promovam o
232 Art. 2111-1 do Código do Trabalho.
233 Ao estabelecer o conceito de profession constante do Código do Trabalho, Joseph Frossard aponta que “la
profession se caractérise par une activité habituelle, procurant des moyens de subsistence er mettant son auteur em relation avec um environement socio-économique” (apud SARCEDO, Cristiana Lapa Wanderley. Representatividade sindical e negociação coletiva. São Paulo: LTr, 2011., p. 98).
234 Cf. SARCEDO, Cristiana Lapa Wanderley. Representatividade sindical e negociação coletiva. São Paulo: LTr,
respectivo depósito no órgão administrativo municipal correspondente235. O texto apresenta poucas exigências para os estatutos, os quais apenas deverão conter a denominação e os objetivos da entidade, a abrangência associativa e os ocupantes dos seus cargos de administração ou direção236, não havendo nenhuma determinação quanto a número mínimo de associados necessários para a fundação de um sindicato. Há plena liberdade aos associados para que estabeleçam o conteúdo dos estatutos, apenas assegurando a observância do direito dos filiados de concorrer aos cargos de administração237.
Fundamentalmente, esse depósito – que deverá ser renovado a cada modificação dos estatutos ou da direção – tem a função de dar publicidade à existência do sindicato238, sendo certo que, com sua ocorrência, a entidade passa a ter existência formal e, portanto, personalidade jurídica239. Tal condição o qualifica para o exercício das prerrogativas constantes do Código240, especialmente a participação na negociação coletiva241; a de atuar em juízo, inclusive para a defesa dos interesses dos seus associados242 e a instituição de práticas assistenciais a seus membros243. Ao lado dessas, destaca-se também a previsão de impenhorabilidade de bens móveis e imóveis destinados à realização de seus objetivos essenciais, proteção fundamental para o exercício da atividade sindical244. De outra parte, a valorização da liberdade sindical se exprime na disposição
235 JAVILLIER, Jean-Claude. Manual de direito do trabalho. Trad. Rita Asdine Bozaciyan. São Paulo: LTr, 1988. p.
150. O artigo 2131-1 da parte regulamentar do Código do Trabalho (R2131-1) determina também que o depósito dos estatutos deve ser comunicado ao Procurador da República. (“Les statuts du syndicat sont déposés à la mairie de la
localité où le syndicat est établi. Le maire communique ces statuts au procureur de la République.”)
236 Art. 2131-3 do Código do Trabalho: “Les fondateurs de tout syndicat professionnel déposent les statuts et les noms
de ceux qui, à un titre quelconque, sont chargés de l'administration ou de la direction. Ce dépôt est renouvelé en cas de changement de la direction ou des statuts”.
237 Art. 2131-4 do Código do Trabalho: “Tout adhérent d'un syndicat professionnel peut, s'il remplit les conditions
fixées par l'article L. 2131-5, accéder aux fonctions d'administration ou de direction de ce syndicat.” Essa garantia
também é estendida aos estrangeiros, em razão de alteração realizada em 1975. (Art. 2131-5 do Código do Trabalho, segunda parte: “Sous les mêmes conditions, tout ressortissant étranger âgé de dix-huit ans accomplis adhérent à un
syndicat peut accéder aux fonctions d'administration ou de direction de ce syndicat”.)
238 LYON-CAEN, Gérard et alii. Droit du travail, 19a. ed. Paris: Dalloz, 1998. p. 545.
239 Art. 2132-1 do Código do Trabalho – “Les syndicats professionnels sont dotés de la personnalité civile”. 240 Capítulo II do Título III, Livro I, Segunda Parte.
241 Art. 2132-2 do Código do Trabalho: “Les organisations de salariés constituées en syndicats professionnels sont
seules admises à négocier les conventions et accords collectifs de travail. Tout accord ou convention visant les conditions collectives du travail est conclu dans les conditions déterminées par le livre II”.
242 Art. 2132-3 do Código do Trabalho: “Les syndicats professionnels ont le droit d'agir en justice. Ils peuvent, devant
toutes les juridictions, exercer tous les droits réservés à la partie civile concernant les faits portant un préjudice direct ou indirect à l'intérêt collectif de la profession qu'ils représentent”.
243 Art. 2132-5 e Art. 2132-6, do Código do Trabalho.
244 Art. 2132-4 do Código do Trabalho: “Les meubles et immeubles nécessaires aux syndicats professionnels pour leurs