Os países da América do Sul tiveram uma evolução muito distinta no desenvolvimento de suas relações produtivas, mormente pelo fato de que estiveram durante largo período de sua história sob regime colonial e em um processo de franca exploração de seus recursos naturais. Além disso, em todos eles a industrialização ocorreu de forma tardia, sendo que alguns ainda se encontram em fases ainda muito incipientes, sobretudo quando comparados aos demais. Um traço comum da maioria, no entanto, foi o fato de que, entre o final dos anos 1960 e início dos anos 1970, as principais nações estiveram sob regimes de exceção, oriundos de golpes de Estado conduzidos por militares, fato que, naturalmente, interditou o exercício pleno das liberdades individuais e coletivas, inclusive a sindical.
No caso argentino, sempre houve muita instabilidade política e institucional, com diversos períodos de exercício democrático tendo sido interrompidos por golpes militares. Nesse contexto, o país vivenciou uma experiência que muito se aproximava do corporativismo: o chamado
peronismo481 teve seu início quando o coronel nacionalista Juán Domingo Perón assumiu o
Ministério do Trabalho, em 1943, após um golpe de Estado. A Argentina era a nação mais rica e industrializada da América Latina, e Perón aproveitou-se do momento econômico para criar uma legislação trabalhista, estimular a sindicalização e promover melhorias salariais. Com isso, conquistou apoio dos trabalhadores e da população mais pobre em geral, a quem se referia como
480 Nesse sentido, SARCEDO, Cristiana Lapa Wanderley. Representatividade sindical e negociação coletiva. São
Paulo: LTr, 2011. pp. 83-85, que narra os principais fundamentos de tese contrária ao modelo vigente, e os argumentos usados para a sua superação.
481 O peronismo é também conhecido como justicialismo, designação oficial dessa linha ideológica que, inclusive,
descamisados. Assim, assimilando um discurso populista e nacionalista, foi eleito em 1946,
inaugurando um longevo ciclo na história dos argentinos482.
Esse vetor ideológico tinha vários pontos de identificação com o corporativismo, como a concentração de poder nas mãos do Estado e a sua centralização, além do fortalecimento institucional dos sindicatos, cuja criação era oficialmente fomentada483. Ao lado disso, a intensificação na adoção de medidas de proteção social também tinha a função de interditar os conflitos e garantir a estabilidade do sistema, o que também era assegurado pela forte repressão aos protestos e aos adversários políticos, com a implantação de um sistema unipartidário. Apesar disso – e, na realidade, como corolário desse fato – , foi a partir daí que sociedade argentina conheceu uma legislação de cunho protetivo aos direitos sociais e trabalhistas, temática que, até então, era completamente apartada da regulação normativa.
Nesse sentido, cabe destacar um fenômeno curioso ocorrido com a Constituição argentina. O texto hoje vigente é de 1853, e sofreu apenas cinco reformas (em 1860, em 1866, em 1898, em 1957 e em 1994), o que denota uma impressão de estabilidade constitucional um tanto incomum para um país que vivenciou tantas oscilações no plano político durante do século XX. Mas o fato é que essa Constituição fora substituída por outra, em 1949, exatamente no auge da implantação das medidas típicas do peronismo. Na realidade, a Constituição de 1853, assim como suas contemporâneas, era influenciada sobremaneira pelo liberalismo, de modo que sua preocupação fundamental era no sentido de garantir as liberdades individuais e o regime republicano484. Não havia, com isso, qualquer conotação protetiva de cunho social ou trabalhista, o que motivou o governo justicialista a
482 Em 1951, Perón foi reeleito, mas foi deposto cerca de quatro anos depois, por mais um golpe militar, ficando exilado
na Espanha até 1973, quando a Argentina já havia recuperado parcialmente as instituições democráticas. A partir de uma manobra política do então presidente Hector Câmpora, Perón foi novamente eleito, mas morreu em 1974, sendo o governo assumido pela Vice-Presidente Isabel (Isabelita), que era sua esposa. Em 1976, novo golpe militar depôs Isabel e implantou uma ditadura das mais violentas conhecidas em toda a América, que durou até o dia 10/12/1983, quando o país foi redemocratizado. A influência do peronismo é tão intensa que, mesmo décadas após a morte de Perón, continuou a produzir herdeiros políticos, a ponto de eleger todos os presidentes argentinos desde 1989 (Carlos Menem, de 1989 a 1999; Eduardo Duhalde, entre 2002 e 2003; Néstor Kirchner, entre 2003 e 2007 e Cristina Kirchner, desde 2007 até o presente).
483 Nesse momento é que surgem as primeiras linhas do modelo de “sindicalismo promocional”, do que trataremos a
seguir.
484 ARESE, César (relator). Relato Nacional de Argentina. Tema 2 – La representación colectiva de los trabajadores:
evolución de los regímenes legales desde la perspectiva de la autonomía colectiva y la libertad sindical. Guayaquil : Sociedad Ecuatoriana de Derecho del Trabajo y de la Seguridad Social, 2013. p. 221.
iniciar o processo de reforma da Constituição, a fim de ajustá-la aos parâmetros vigentes no mundo naquela ocasião485. Dessa forma, foi sancionado o texto que
Específicamente lo relacionado com los derechos de los trabajadores, fue continuador de la Declaración de los Derechos del Trabajador. El artículo 37 del capítulo sobre derechos sociales previó la dignificación de trabajo, declarando lis derechos especiales em la materia486.
Todavia, o golpe militar de setembro de 1955, que depôs Juan Perón, suprimiu incontáveis garantias individuais e direitos sociais conferidos no governo anterior, tendo promovido, em abril de 1956, o restabelecimento do texto constitucional de 1853, com as reformas realizadas até então. Dessa maneira, a Constituição que hoje se encontra vigente é aquela feita no final do século XIX, que havia sido revogada em 1949, mas que foi repristinada em 1956. Portanto, o fato que poderia denotar uma aparente estabilidade constitucional revela, na realidade, uma singular situação de restabelecimento de uma ordem jurídica já derrogada, o que não deixa de ser uma anomalia constitucional. De qualquer sorte – e, relacionando-se este fato com o objeto específico deste estudo – tem-se que a liberdade sindical passa a ser consagrada na Constituição exatamente a partir da reforma feita em 1957, promovida logo após o seu restabelecimento. Pelo Decreto 3.838/57, foi convocada uma Convenção Constituinte que promoveu a reforma constitucional e, nesse contexto, inseriu o artigo 14bis na Constituição argentina, dando aos direitos trabalhistas o caráter de fundamentalidade487, e disciplinando-os em três planos: individuais do trabalhador; das organizações sindicais e da seguridade social488. É assim que se inicia o trato constitucional da
485 Isso se iniciou em 1945, exatamente na mesma época em que o chamado constitucionalismo social começou a ser
disseminado por diversas partes do mundo.
486 ARESE, César (relator). Relato Nacional de Argentina. Tema 2 – La representación colectiva de los trabajadores:
evolución de los regímenes legales desde la perspectiva de la autonomía colectiva y la libertad sindical. Guayaquil : Sociedad Ecuatoriana de Derecho del Trabajo y de la Seguridad Social, 2013. p. 222. Além desse dispositivo, o art. 68 da Constituição previa que o Congresso Nacional promoveria a elaboração de diversos códigos, dentre eleso de Direitos Sociais.
487 Isso se denota porque os direitos trabalhistas estão relacionados na Primeira Parte, Capítulo Primeiro, o qual trata das
“Declaraciones, derechos y garantias”.
488 Art. 14 bis, da Constituição argentina “El trabajo en sus diversas formas gozará de la protección de las leyes, las
que asegurarán al trabajador: condiciones dignas y equitativas de labor, jornada limitada; descanso y vacaciones pagados; retribución justa; salario mínimo vital móvil; igual remuneración por igual tarea; participación en las ganancias de las empresas, con control de la producción y colaboración en la dirección; protección contra el despido arbitrario; estabilidad del empleado público; organización sindical libre y democrática, reconocida por la simple inscripción en un registro especial.
Queda garantizado a los gremios: concertar convenios colectivos de trabajo; recurrir a la conciliación y al arbitraje; el derecho de huelga. Los representantes gremiales gozarán de las garantías necesarias para el cumplimiento de su gestión sindical y las relacionadas con la estabilidad de su empleo.
liberdade sindical no sistema argentino: de forma simples e direta, o legislador assegura aos trabalhadores uma organização sindical livre e democrática, reconhecida pela simples inscrição em um registro especial.
Em outro sentido, na reforma constitucional de 1994, foi incorporado o inciso 22 ao art. 75 da Constituição, referindo-se às atribuições do Congresso Nacional Argentino. Ali, resta consignado que pelo menos dez tratados internacionais são assimilados pelo ordenamento com hierarquia constitucional, dentre os quais a Declaração Universal de Direitos Humanos, a Convenção Americana sobre Direitos Humanos e os Pactos Internacionais de 1966489, todos os instrumentos que fazem referência específica à liberdade sindical, como visto no capítulo 1. Assim, pelo constante na Constituição argentina, as disposições dessas normas internacionais têm a mesma força normativa das próprias disposições constitucionais, o que torna imperativa a sua observância por todo o sistema jurídico nacional.
Ao lado disso, tem-se que a Argentina ratificou as duas principais convenções internacionais que versam sobre a liberdade sindical490, além de ter ratificado outras a ela relacionadas ou que a
El Estado otorgará los beneficios de la seguridad social, que tendrá carácter de integral e irrenunciable. En especial, la ley establecerá: el seguro social obligatorio, que estará a cargo de entidades nacionales o provinciales con autonomía financiera y económica, administradas por los interesados con participación del Estado, sin que pueda existir superposición de aportes; jubilaciones y pensiones móviles; la protección integral de la familia; la defensa del bien de familia; la compensación económica familiar y el acceso a una vivienda digna.” Todas as transcrições da
Constituição argentina foram obtidas em <http://infoleg.mecon.gov.ar/infolegInternet/anexos/0-4999/804/norma.htm>. Acesso em 18/11/2013.
489 O texto completo do artigo 75, inc. 22 – “22. Aprobar o desechar tratados concluidos con las demás naciones y con
las organizaciones internacionales y los concordatos con la Santa Sede. Los tratados y concordatos tienen jerarquía superior a las leyes. La Declaración Americana de los Derechos y Deberes del Hombre; la Declaración Universal de Derechos Humanos; la Convención Americana sobre Derechos Humanos; el Pacto Internacional de Derechos Económicos, Sociales y Culturales; el Pacto Internacional de Derechos Civiles y Políticos y su Protocolo Facultativo; la Convención sobre la Prevención y la Sanción del Delito de Genocidio; la Convención Internacional sobre la Eliminación de todas las Formas de Discriminación Racial; la Convención sobre la Eliminación de todas las Formas de Discriminación contra la Mujer; la Convención contra la Tortura y otros Tratos o Penas Crueles, Inhumanos o Degradantes; la Convención sobre los Derechos del Niño; en las condiciones de su vigencia, tienen jerarquía constitucional, no derogan artículo alguno de la primera parte de esta Constitución y deben entenderse complementarios de los derechos y garantías por ella reconocidos. Sólo podrán ser denunciados, en su caso, por el Poder Ejecutivo Nacional, previa aprobación de las dos terceras partes de la totalidad de los miembros de cada Cámara. Los demás tratados y convenciones sobre derechos humanos, luego de ser aprobados por el Congreso, requerirán del voto de las dos terceras partes de la totalidad de los miembros de cada Cámara para gozar de la jerarquía constitucional”.
têm como pressuposto491. O fato relevante é que, “según las disposiciones de la legislación
Argentina, una vez ratificados por el Congreso Nacional, adquieren vigencia de carácter supra legal, es decir, superior a las leyes pero de rango inferior a las disposiciones constitucionales”492.
Com isso, e tendo em conta que o direito argentino adota a teoria monista de incorporação das normas internacionais ao direito interno, entende-se que “la aplicación de muchos convenios debe
realizarse forzosamente a través de medidas legislativas, pero existem ciertas cláusulas que son autoejecutivas, lo cual hace posible su práctica directa sin intervención legislativa o administrava previa”493.
Por esse complexo, tem-se como pertinente uma conclusão no sentido de que o instrumental constitucional, associado às normas internacionais plenamente vigentes em solo argentino (com caráter supralegal ou constitucional), seria suficiente para disciplinar o exercício da liberdade sindical. No entanto, uma das características históricas das relações sindicais na Argentina é o “regulamentarismo”, “presente em las anteriores experiencias legislativas y por el cuál se
determinan los tipos, formas, afiliación, inscripción, personería, régimen electoral, económico y disciplinario, representación em la empresa, tutela, prácticas desleales y competencia (entre otros)”494. Bem por isso, a lei 23.551, de 1988, chamada Ley de Asociaciones Sindicales (LAS) é
quem disciplina atualmente a liberdade sindical e as condições de seu exercício, juntamente com o decreto regulamentador no. 467/88, e o faz de modo intensamente intervencionista, o que permite assim classificar o modelo argentino495.
491 É o caso das convenções 11, 100, 111, 135, 151 e 154, todas ratificadas pela Argentina.
492 ARESE, César (relator). Relato Nacional de Argentina. Tema 2 – La representación colectiva de los trabajadores:
evolución de los regímenes legales desde la perspectiva de la autonomía colectiva y la libertad sindical. Guayaquil : Sociedad Ecuatoriana de Derecho del Trabajo y de la Seguridad Social, 2013. p. 225.
493 ARESE, César (relator). Relato Nacional de Argentina. Tema 2 – La representación colectiva de los trabajadores:
evolución de los regímenes legales desde la perspectiva de la autonomía colectiva y la libertad sindical. Guayaquil : Sociedad Ecuatoriana de Derecho del Trabajo y de la Seguridad Social, 2013. p 226.
494 Idem, ibidem. p 229.
495 Como, a rigor, são os sistemas da América Latina, à exceção do caso do Uruguai, que examinaremos adiante. O
problema fundamental, nesse caso, não é a regulamentação si, mas a forma como ela se desenvolve: “em geral, a regulamentação europeia é preponderantemente ordenadora e garantidora de exercício da liberdade sindical, enquanto a regulamentação latino-americana contém mais elementos limitativos da liberdade sindical e de controle do sindicato (...)”. (URIARTE, Oscar Ermida. Intervenção e autonomia no direito coletivo de trabalho. In: NICOLADELI, Sandro Lunard et alii (orgs.). O Direito Coletivo, a Liberdade Sindical e as Normas Internacionais. São Paulo: LTr, 2013. p. 14. Vol. I).
A forma como a lei argentina regulamentou a atividade sindical denota claramente esse cunho interventivo, e desvela outra característica do modelo: trata-se da “unidad de representación
de los intereses colectivos”, também qualificado como “modelo promocional excluyente resctrictivo” ou “unidad promocionada”. Por tal sistema, há um fomento à atividade sindical
mediante o reconhecimento de algumas prerrogativas exclusivas ao sindicato mais representativo mediante a outorga da “personería gremial” o que, naturalmente, suscita controvérsias quanto à sua legitimidade. Por outro turno, o modelo também adota a concentração sindical, visando dotar as entidades sindicais de maior força e homogeneidade, o fazendo pela definição dos critérios de agregação sindical, além de estipular uma estrutura piramidal de organização, fixando os níveis de associação em três graus. Por fim, adota-se também o sistema de representação de duplo canal, reconhecendo-se a representação dos trabalhadores no âmbito da empresa.
Analisando-se especificamente a disciplina normativa, tem-se que o artigo primeiro repercute o sentido de fundamentalidade da liberdade sindical já afirmada nos outros instrumentos, ao evocar que ela será garantida por todas as normas que se referem à organização e ação das associações sindicais. Já os dois artigos seguintes conferem nítidos limites para o alcance da lei, pois afirmam que ela regulará as associações que tenham por objeto a defesa dos interesses dos trabalhadores, assim considerado tudo o quanto se relacione com suas condições de vida e de trabalho496. Disso resultam três constatações importantes. A primeira, de que “La Argentina no
tiene una asociación gremial de empleadores, las que existieron durante cierto tiempo hasta que fue derogada la norma que las autorizaba”497. Por isso, a lei faz referência específica ao exercício
da liberdade sindical e aos seus atributos com relação às organizações de empregados, não a disciplinando para os empregadores. A segunda constatação decorre da regulamentação desse
496 Art. 2° da Ley 23.551/88 — “Las asociaciones que tengan por objeto la defensa de los intereses de los trabajadores
se regirán por esta Ley.” Todos os dispositivos da Ley 23.551/88 foram extraídos de
<http://www.infoleg.gov.ar/infolegInternet/anexos/20000-24999/20993/texact.htm>. Acesso em 15/11/2013.
Art. 3° da Ley 23.551/88 — “Entiéndese por interés de los trabajadores todo cuanto se relacione con sus condiciones
de vida y de trabajo. La acción sindical contribuirá a remover los obstáculos que dificulten la realización plena del trabajador”.
497 RUPRECHT, Alfredo J. Derecho colectivo del trabajo em la Argentina. In: FRANCO FILHO, Georgeonor de Sousa.
Curso de Direito Coletivo do Trabalho – Estudos em homenagem ao Ministro Orlando Teixeira da Costa. São Paulo :
LTr, 1998. p. 573. Segundo César Arese, os setores empresariais podem ser associar conforme o regime comum das associações civis, com um mínimo de intervenção estatal, o que não impede que estruture um singular sistema de relações laborais “contrafigura correspectiva del actor sindical”. (ARESE, César (relator). Relato Nacional de
Argentina. Tema 2 – La representación colectiva de los trabajadores: evolución de los regímenes legales desde la
perspectiva de la autonomía colectiva y la libertad sindical. Guayaquil : Sociedad Ecuatoriana de Derecho del Trabajo y de la Seguridad Social, 2013. p. 255).
dispositivo, feita pelo decreto 467/88, o qual define trabalhador – para os fins da lei – como sendo aquele que desempenha atividade lícita a quem tem a faculdade de dirigi-la498. Dessa sorte, só se admite a organização sindical por parte de quem mantém relação de trabalho subordinado. Por fim, o texto estabelece, ao delimitar o conceito de interesses dos trabalhadores, o princípio da especialidade, segundo o qual “las asociaciones sindicales tienen um objetivo concreto (...), de
forma que uma entidad sindical no podrá constituirse como cualquier entidad civil o simple asociación, para perseguir fines generales”499.
Na primeira parte da lei, em seu Título Preliminar – designado como destinado a regular a tutela da liberdade sindical – encontram-se disciplinados os atributos essenciais do exercício da liberdade sindical, seja no plano individual, seja no coletivo. Ali se confere aos trabalhadores o direito de constituição sindical, sem autorização prévia; o direito de filiação e desfiliação; o direito de reunião e o de petição; e o direito de participação na vida interna das associações500. Por outro lado, garantem-se aos sindicatos o direito de determinar sua identificação nominal, seu objeto, seu âmbito de representação e de atuação territorial; o de adotar o tipo de organização que entender adequada, aprovar estatutos e participar de associações de grau superior, e ainda formular seu programa de ação. Além disso, o texto reprisa a Constituição ao assegurar o direito de negociação coletiva, o direito de greve e adotar outras medidas legítimas de ação sindical501. Ainda no plano da proteção coletiva, assegura a autonomia sindical contra a interferência de poderes públicos ou instituições privadas502 e proíbe o recebimento de subvenção econômica de empregadores ou organizações políticas503. Por fim, contém disposições gerais de proteção contra a discriminação504 e determinações de observância do princípio democrático505.
498 Art. 1° do Decreto 467/88 — “(Artículo 2° de la ley) — A los fines de la ley se entiende por trabajador a quien
desempeña una actividad lícita que se presta en favor de quien tiene facultad de dirigirla.” Os artigos transcritos foram
obtidos em <http://www.infoleg.gob.ar/infolegInternet/anexos/45000-49999/46044/norma.htm>. Acesso em 15/10/2013.
499 ARESE, César (relator). Relato Nacional de Argentina. Tema 2 – La representación colectiva de los trabajadores:
evolución de los regímenes legales desde la perspectiva de la autonomía colectiva y la libertad sindical. Guayaquil : Sociedad Ecuatoriana de Derecho del Trabajo y de la Seguridad Social, 2013. p. 231.
500 Art. 4º da Ley 23.551/88. 501 Art. 5º da Ley 23.551/88.
502 Art. 6º da Ley 23.551/88 — “Los poderes públicos y en especial la autoridad administrativa del trabajo, los
empleadores y sus asociaciones y toda persona física o jurídica deberán abstenerse de limitar la autonomía de las asociaciones sindicales, más allá de lo establecido en la legislación vigente.”
503 Art. 9° da Ley 23.551/88 — “Las asociaciones sindicales no podrán recibir ayuda económica de empleadores, ni
de organismos políticos nacionales o extranjeros. Esta prohibición no alcanza a los aportes que los empleadores efectúen en virtud de normas legales o convencionales.”
Por essas disposições, poderia se concluir que o modelo argentino atenderia perfeitamente os ditames das convenções internacionais sobre a liberdade sindical, dado que, além de amplamente assegurada na Constituição, os preceitos estruturais apresentados pela LAS são consonantes com aquelas determinações. No entanto, a sequência da regulação normativa induz a uma conclusão diversa. Por primeiro, a despeito do constante do art. 5º., c, da LAS, o comando é relativamente contrariado pelo disposto no art. 11 do mesmo texto, que define os graus de organização sindical em