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Em termos práticos, pode-se dizer que a “a saúde é administrada pelo SUS – Sistema Único de Saúde, vinculado ao Ministério da Saúde.”48 O SUS nada mais é do que a maior política pública na área da saúde.49 Tal sistema constitui-se verdadeira garantia institucional fundamental, dado que é por meio dele que a dimensão objetiva do direito à saúde concretiza-se. Sendo assim, a proteção desse instituto é a mesma conferida às demais normas fundamentais da Carta Magna, inclusive no que tange aos limites materiais de reforma da Constituição, imunizando-o também quanto às medidas de cunho retrocessivo.50

No artigo 198, caput e incisos, da CF/88, constam os princípios informadores do sistema, quais sejam: unidade, descentralização, regionalização, hierarquização, integralidade e participação da comunidade. A despeito de se chamar sistema único, as ações desse sistema

&NomeGD=Outras%20Despesas%20Correntes&CodigoED=91&NomeED=Senten%E7as%20Judiciais&Valor ED=42103082995&CodigoOS=36000&NomeOS=MINISTERIO%20DA%20SAUDE&ValorOS=1528430929> Acesso em: 31 out. 2011.

46 Sítio eletrônico do Portal da Transparência do Governo Federal. Disponível em: <http://www.portaltransparencia.gov.br/PortalComprasDiretasEDOrgao.asp?Ano=2011&Valor=&CodigoGD=3 &NomeGD=Outras%20Despesas%20Correntes&CodigoED=91&NomeED=Senten%E7as%20Judiciais&Valor ED=26823452117&CodigoOS=36000&NomeOS=MINISTERIO%20DA%20SAUDE&ValorOS=1364280912> Acesso em: 31 out. 2011

47 FERRAZ, Octávio Luiz Motta; VIEIRA, Fabíola Sulpino. Op. Cit., p.230

48 KERTZMAN, Ivan. Curso prático de Direito Previdenciário. 7. ed. Salvador: JusPodivm, 2010, p.24. 49 Portaria GM/MS n. 399, de 22 de fevereiro de 2006 – Pacto pela Saúde, Anexo I.

50 SARLET, Ingo Wolfgang; FIGUEIREDO, Mariana Filchtiner. Proteção e promoção da saúde aos 20 anos da CF/88. Revista de Direito do Consumidor. Ano 17. n. 67.jul.-set./2008, p. 140.

são descentralizadas, através de uma rede regionalizada e hierarquizada, priorizando-se as ações de caráter preventivo.

A unidade significa que o sistema possui uma direção única, responsável por planejar a harmonização dos níveis nacional, regional, estadual e municipal. A descentralização refere-se à distribuição solidária das responsabilidades e objetiva levar um atendimento tanto preventivo quanto recuperativo, aproximando mais a sociedade de decisões políticas. É com base nos postulados da descentralização e regionalização que as competências são distribuídas.

Quanto à hierarquização, trata-se de “termo técnico do setor sanitário, que indica a execução da assistência à saúde em níveis crescentes de complexidade”.51 Destarte, de acordo com a complexidade do serviço de saúde a ser prestado, distribui-se a incumbência de operacionalizá-lo ao ente que mais qualificado. Assim, aqueles serviços mais simples ficam a cargo dos Municípios, e os mais complexos são deslocados para os grandes centros.

A integralidade, por sua vez, traduz a ideia de que a cobertura deve ser a mais ampla possível. A participação da comunidade perfaz-se através Conferências de Saúde e Conselhos de Saúde, conforme dispõe o artigo 1º da Lei 8.142/90 sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde e sobre as transferências intergovernamentais das verbas nesta área. Por fim, há também a Lei 8.080/90, que trata das condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes.

Contudo, ainda há muito o que melhorar, como reconhece o próprio Governo federal, senão vejamos:

O SUS institui uma política pública de saúde que visa à integralidade, à universalidade, ao aumento da eqüidade e à incorporação de novas tecnologias e especialização dos saberes. Apesar dos avanços acumulados no que se refere aos seus princípios norteadores e à descentralização da atenção e da gestão, o SUS hoje ainda enfrenta: 1) Fragmentação do processo de trabalho e das relações entre os diferentes profissionais; 2) Fragmentação da rede assistencial dificultando a complementaridade entre a rede básica e o sistema de referência; 3) Precária interação nas equipes e despreparo para lidar com a dimensão subjetiva nas práticas de atenção; 4) Sistema público de saúde burocratizado e verticalizado; 5) Baixo investimento na qualificação dos trabalhadores, especialmente no que se refere à gestão participativa e ao trabalho em equipe; 6) Poucos dispositivos de fomento à co-gestão e à valorização e inclusão dos gestores, trabalhadores e usuários no processo de produção de saúde; 7) Desrespeito aos direitos dos usuários; 8)

Formação dos profissionais de saúde distante do debate e da formulação da política pública de saúde; 9) Controle social frágil dos processos de atenção e gestão do SUS; 10) Modelo de atenção centrado na relação queixa-conduta.52

Ademais, o SUS é financiado, além de outras fontes, com recursos provenientes do orçamentos da seguridade social da União, dos Estados, Distrito Federal e Municípios (CF/88, art. 198, §1º).53

3.3.1 Outras políticas públicas54

Tendo analisado, mesmo que brevemente, todas essas questões, cumpre neste momento fazer um breve apanhado das principais políticas públicas de saúde existentes hoje no Brasil.

Como já visto acima, o “carro chefe” das políticas públicas de saúde no Brasil é o Sistema Único de Saúde. Contudo, há outras de menor porte. Umas mais e outra menos conhecidas.

Primeiramente há a Política Nacional de Humanização. Quem já precisou utilizar os serviços da rede pública de saúde sabe o modo como corriqueiramente os profissionais da saúde tratam os pacientes. Essa política visa à combater exatamente isso. Tem por escopo, como o próprio nome já diz, promover a humanização do atendimento e gestão do SUS, atingindo não somente profissionais, mas também a população.

Uma outra política interessante e bastante conhecida pela população em geral é a “Brasil Unido Contra a Dengue”. De incontestável necessidade, é uma política mais visível e que envolve de maneira mais explícita as três esferas dos entes federativos.

Há também o “Programa Farmácia Popular” que objetiva promover o acesso da população a medicamentos para as doenças mais freqüentes entre os cidadãos. Tal ação se dá também em parceria com farmácias particulares.

52 Sítio eletrônico do Ministério da Saúde do Brasil. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/saude/area.cfm?id_area=390> Acesso em: 22 out. 2011.

53 KERTZMAN, Ivan. op.cit. p.24.

54 Sítio do Ministério da Saúde do Brasil. <http://portal.saude.gov.br/portal/saude/area.cfm?id_area=360> Acesso em 22.10.2011

Outra é a “Campanha Nacional de Incentivo à Doação de Órgãos”, cujo início foi em 2008, mas que ainda está sendo realizada. Frequentemente podem ser vistas na mídia televisiva ‘chamadas’ dessa campanha.

No que tange ao tratamento em si das doenças, há o “Programa de Saúde da Família”, que foi criado em 1993, mas que só ganhou força de uns anos pra cá. Goza hoje de grande relevância para o Governo e tem como objetivo principal descentralizar a ação dos hospitais. No que tange especificamente à saúde bucal há a Política Nacional de Saúde Bucal, “Programa Brasil Sorridente”.

Por derradeiro, no que atine à urgência e emergência, há a Política Nacional de Urgência e Emergência, a qual se desdobra no Serviço de Atendimento Móvel às Urgências (SAMU 192) e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24hs).

No dia 08.11.2011, a Presidenta Dilma Roussef, em pronunciamento nacional, lançou o Programa “S.O.S. Emergências” e o “Melhor em Casa”. O primeiro foca sua atenção nos setores de atendimento a emergência do sistema, prevendo inclusive a formação de parceiras com hospitais privados para melhorar o atendimento em emergência da população. A julgar pela atual situação das emergências, o programa é muito bem-vindo e necessário. Contudo, não se pode deixar de lembrar que o investimento maior deve ser na prevenção do problema, e não no problema já instalado. Já o programa “Melhor em Casa” promoverá o atendimento domiciliar a pacientes crônicos, idosos, em recuperação de cirurgias bem como os aqueles com necessidade de reabilitação motora, prevendo inclusive a possibilidade de fornecimento de equipamentos. 55

Finalmente, insta destacar que as ações e serviços de saúde são de relevância pública. Sendo assim, incumbe ao Poder Público regulamentar, fiscalizar e controlar. Tal é o teor do artigo 197 da CF/88.