KAMUSAL ALAN HEYKELİ OLARAK GÜNEŞ SAATİ UYGULAMAS
3.2. KAMUSAL ALANDA GÜNEŞ SAATİ HEYKELİ
A luta pela instauração da Assembléia Constituinte se organizou numa das bandeiras dos comunistas desde o Golpe Militar de 1964. Vimos que logo após o encerramento da Guerrilha do Araguaia no início de 1975, com o documento “Mensagem aos Brasileiros”, cuja defesa da convocação da Assembléia Constituinte teve maior ímpeto. Sendo assim, neste ponto examinaremos a atuação do PCdoB durante os trabalhos da Constituinte.
A primeira batalha do PCdoB juntamente com outras forças oposicionistas, foi pela mudança do Regimento Interno, que continha uma cláusula sobre o poder soberano da Constituinte. Ao se defrontar com forças políticas que apresentavam resistências quanto à soberania da Constituinte, o PCdoB com o apoio de trinta parlamentares de outras agremiações partidárias, apresentou à mesa diretora uma Proposta de Decisão Constitucional com a finalidade de retirar do texto da Constituição vigente todas as prerrogativas reservadas às Forças Armadas, como as Medidas de Emergência que poderiam servir de trava aos trabalhos dos parlamentares. Contudo, essa intenção se revelou de difícil concretização, pois a alta oficialidade militar constantemente os parlamentares, tentando demovê-lo desta ação. Esse primeiro round tinha sido perdido, segundo sugere (LIMA, 1988, p. 402):
Essa primeira batalha foi perdida. A maioria dos constituintes aprovou um Regimento Interno que não reafirmava claramente a soberania da Constituinte! A fórmula adotada previa a possibilidade da Constituinte apenas ‘sobrestar medidas que possam ameaçar os seus trabalhos’. A Constituinte deixou de limpar o ‘entulho autoritário’ que permaneceu intocado e que é uma ameaça latente a sua soberania.
Os comunistas tinham consciência que as próximas batalhas seriam tão difíceis quanto esta que foi perdida, pois além dos parlamentares que resistiam às mudanças propostas pelos comunistas, estava em cena também a constante presença do Executivo federal que exercia pressão constantemente, pois segundo (LIMA, 1988-2000, p. 403):
A maior pressão sobre a Constituinte veio em Maio de 1987, pelas palavras do próprio presidente da República, José Sarney, que ocupou uma cadeia de rádio e televisão para ‘comunicar’ que já havia decidido permanecer no poder até 1990 e que não abriria-mão da aprovação do sistema presidencialista de governo. A intervenção na Constituinte era aberta e deslavada.
Mesmo assim, os comunistas não enconomizaram esforços no sentido de tentar influenciar no cotidiano da Constituinte e apresentaram 34 sugestões que foram encaminhadas
oficialmente à Mesa Diretora. A bancada do PCdoB esteve envolvida em todos os trabalhos parlamentares, indo desde as subcomissões temáticas até a Comissão de Sistematização.
Ao final das votações, os comunistas conseguiram aprovar onze dispositivos constitucionais, que no entender de Lima (1988-2000, p. 404) foram:
O que estabelece a casa como asilo inviolável do cidadão; o que permite a qualque cidadão poder propor ação popular; o que define o piso salarial proporcional à complexidade do trabalho realizado; o que fixa a jornada de 6 horas para turnos ininterruptos de trabalho realizado; o que assegura a liberdade e a unicidade sindical; o que amplia o número de vereadores nos municípios com até cinco milhões de habitantes; o que garante a revisão da remuneração dos servidores públicos civis e militares será feita na mesma época e com os mesmos índices; o que dá direito de voto aos maiores de 16 anos; o que afirma direito de greve para os trabalhadores; o que estabelece normas para a reforma urbana; e o que define o conceito de empresa brasileira de capital nacional.
Portanto, percebemos que os comunistas – apesar dos obstáculos encontrados -- consideraram uma importante vitória para a sociedade a inclusão de dispositivos que possibilitariam o avanço do processo da democratização.
Ao nosso juízo, os pecedobistas defendiam que caberia a sociedade exercer maior pressão sobre os parlamentares. Mesmo com esta ponderação feita pelo PCdoB, os seus integrantes observaram que a participação exercida pela população ainda se revelava insuficiente. Contudo, os comunistas admitiam que mesmo de forma limitada, a sociedade estava participando e conseguiu que fossem apresentadas:
[...] 122 emendas populares subscritas por 12.277.433 de brasileiros, num processo da história republicana. Ao mesmo tempo, o movimento popular soube reagir com altivez à articulação direitista e reacionária denominada ‘Centrão’, denunciando os constituintes que votaram contra os interesses populares, contribuindo, dessa maneira, para ajudar na desarticulação desse agrupamento. (LIMA, 1988-2000, p. 406).
A participação popular conforme podemos depreender foi muito mais considerável que o processo de democratização da sociedade e instituições políticas da sociedade requeria. Afinal de contas, as organizações representativas da sociedade, como sindicatos, associações de moradores, etc, estavam passando por profunda reorganização e redefinições nas suas atuações.
Os comunistas também contribuíram, mas não somente, para a aprovação de dispositivos do texto constitucional que trata dos direitos e garantias individuais, como a condenação do racismo como crime inafiançável e a tortura como crime inafiançável, a instituição do mandado de injunção para possibilitar o cumprimento dos direitos e liberdades
constitucionais. Nos direitos sociais os comunistas conseguiram que fosse inserida na Constituição a jornada de trabalho de 40 horas semanais e a estabilidade no emprego, o pagamento de férias de 1/3 a mais, licença maternidade de 120 dias, liberdade e unicidade sindical, direito de greve e a sindicalização dos servidores públicos.
Na parte que trata dos Direitos Políticos, os comunistas conquistaram a liberdade de organização político-partidária, a manutenção do voto proporcional e o voto aos maiores de 16 anos. Quanto a este último ponto, alguns setores da sociedade questionaram o fato de que, se o adolescente que tem mais de 16 anos poderia votar, ou seja, eleger os seus representantes para as casas legislativas sem sofrer detenção, caso incorressem em alguma infração ao Código Penal.
Quanto à estrutura parlamentar proposta pelos comunistas, defenderam o fim do Senado com a implantação do unicameralismo, que não obteve êxito. Já as questões contidas na Ordem Econômica manteve-se a reserva de mercado para empresas brasileiras consideradas estratégicas para o desenvolvimento do país. E o controvertido assunto da exploração das jazidas minerais em território brasileiro.
O tema que consumiu grande parte do tempo durante os trabalhos da Constituinte foi a Reforma Agrária, ocorrendo intensa polarização durante as discussões. A principal força política que esteve sempre no Congresso foi a União Democrática Ruralista (UDR), criada em 1985, para servir de contraponto ao Movimento dos Agricultores e Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MASTER), surgida pelos anos de 1984/85.
Os integrantes da UDR montaram um grande lobby (grupo de pressão), para desbaratar qualquer tentativa de implantação da Reforma Agrária. O embate ficou norteado em torno de dois pontos: a propriedade produtiva poderia ser insuscestivel de ser desapropriada, ainda que não cumprisse função social, ou poderia ser objeto de reforma agrária. E, discutir a função social de uma propriedade situada pela satisfação de um ou todos os quatros critérios estabelecidos, finalizou em superficiais conquistas para os trabalhadores rurais, e assim a UDR ainda existia.
Terminados os trabalhos da Constituinte, os comunistas fizeram um balanço que no geral se apresentou como positivo, possibilitando servir como ensinamento não só para o próprio PCdoB, bem como para outras forças políticas que fizeram composição com os comunistas em torno da Articulação Progressista. Os comunistas entenderam que, em muitas situações, a burguesia nem sempre se mostrou uniforme em todas as votações, favorecendo – no juízo do PCdoB -, a possibilidade de explorar as divisões intraburguesas. E também a necessidade de que a sociedade pressionasse por baixo pelas mudanças, mesmo que os
comunistas concebessem a arena parlamentar como limitada em si mesma, de possibilitar transformações de maior envergadura.