KAMUSAL ALANDA SANAT
2.2. KAMUSAL ALAN SANAT TÜRLERİNDEN “HEYKEL”
2.2.1. Kamusal Açık Alan Heykel Tarih
O ano de 1978 se revelou portador de um reordenamento da autocracia-burguesa institucional. Na cúpula governista a contenda surgida há certo tempo entre os remanescentes de a linha dura militar, capitaneada pelo então ministro do Exército Silvio Frota e o então presidente da República Ernesto Geisel, tinham terminado com a vitória deste último.
Assim, a luta pela sucessão presidencial poderia prosseguir de acordo com o cronograma político-eleitoral estabelecido pelo governo militar. Neste ponto, merece destaque
a questão de que para autores como (STUMPF; PEREIRA FILHO, 1979) a sucessão estava decidida desde o momento da sucessão de Médici ocorrida em 1973.
O PCdoB avaliou que a ditadura militar se encaminhava para um progressivo isolamento, mediante a diminuição de sua base de legitimação social. Assim, a possibilidade da abertura sinalizada para o caminho da democratização não foi resultado simplesmente de decisão da cúpula dirigente militar em continuar a ditadura, mas porque além disso acontecia um esgotamento do modelo político, no qual a simples repressão já não conseguia conter a crescente insatisfação popular e econômica– em que o resultado proveniente do II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) demonstrou visível esgotamento na sua capacidade de atender às demandas do país -, no qual estava alicerçado.
O governo Geisel vinha se defrontando com um quadro econômico nada animador. O desemprego, a inflação e a dívida externa aumentam de forma considerável, ao mesmo tempo em que diminua também o poder de compra de setores da população, que apenas vendiam a sua força de trabalho. No último ano do governo Geisel, a dívida externa atingia o patamar de quarenta e três bilhões de dólares e a inflação chegava a um índice de quarenta por cento ao ano. Por outro lado, o governo tentava acalmar o descontentamento da população, tentando convencê-la de que a causa da crise era advinda das incertezas do panorama internacional.
O projeto de distensão do governo Geisel esteve ancorado em fazer o sucessor, realizar o processo de reformas institucionais, com o objetivo de reordenar a autocracia burguesa de bonapartista para institucional66 mantendo a essencialidade do sistema baseado em fundamentos autoritários, ao mesmo tempo procurando através de todos os meios enfraquecer a oposição política. Quanto à questão da sucessão, o governo Geisel tinha logrado êxito mediante a escolha do general Figueiredo para sucedê-lo. Quanto à auto-reforma, ela significava a passagem lenta, gradual e segura do período de distensão para a abertura.
O projeto de reformas políticas foi aprovado na íntegra em Setembro de 1978 pelo Congresso Nacional, sendo incorporado à constituição federal. Dentre os componentes das reformas estava o fim do AI-5, o estabelecimento de mecanismos como a “salvaguarda do Estado”, que dentre os seus dispositivos contavam o “estado de emergência” e o “estado de sítio”, e no mês seguinte conseguiu aprovar a nova Lei de Segurança Nacional (LSN). E por
66 A autocracia burguesa institucionalizada se constitui na forma como se objetiva a dominação burguesa em período em paz. Já o aspecto bonapartista vem à tona quando a burguesia se encontra em período de guerra. Para
maiores detalhes recomendamos a leitura da obra de CHASIN, José. A miséria brasileira: 1964-1994 – do golpe militar à crise social. São Paulo: Ad Hominem, 2000. p.128 e segs.
fim, o governo fez aprovar mudanças na legislação partidária, que entraria em vigor em Janeiro de 1979.
As cizânias no interior da ditadura militar não estavam totalmente dissipadas, pois surgiram novas fricções internas. Em virtude da escolha do General Figueiredo como sucessor de Ernesto Geisel, num processo de escolha que desagradou a muitos generais67, a cisão partiu do general Euler Bentes de Monteiro, que até então era chefe do gabinete militar do Gal. Geisel. Observando que a escolha de Figueiredo era irreversível, Gal. Euler Bentes de Monteiro – que desde o início era contra a candidatura de Figueiredo - renunciou ao cargo. No âmbito civil, o governo Geisel inicialmente enfrentou a possibilidade da candidatura do senador Magalhães Pinto, que logo declinou do intento.
O campo político oposicionista não perdeu tempo e se aproximou do general Euler Bentes para que se formasse uma aliança antiditatorial. Assim, mediante a aceitação do general Euler Bentes, foi formada uma chapa oposicionista encabeçada por este mesmo general para a presidência da República, tendo como candidato a vice-presidência o senador Paulo Brossard68. No dia 15 de Outubro de 1978, o candidato da situação, General Figueiredo, pelo PDS consagrou-se vencedor, com uma obtenção de 355 votos contra 226 votos pela chapa oposicionista capitaneada pelo General Euler Bentes lançado pelo MDB.
A candidatura de Euler Bentes69 Monteiro foi apoiada pelo General Hugo de Abreu que comandou a brigada para-quedista, que teve a missão de interceptar, combater e aniquilar a Guerra do Araguaia. Fato que chama atenção, é que, quando é de interesse da direção do PCdoB em legitimar suas ações e deliberações, busca fazê-los, através de alguns fatos que lhes são convenientes, como alguns exemplos, a própria Guerrilha do Araguaia tornada pela direção nacional como ‘jornada gloriosa de luta’ e a sua fundação enquanto partido em 1962, dentre outras. Possibilitando-nos entender, que a direção do PCdoB, incorreu no caminho do oportunismo, prática esta que – em muitas ocasiões -, atravessa a sua história enquanto partido político. A este respeito, durante o período, foram acalentadas várias saídas para a ditadura, e uma delas – que foi a que se configurou acima -, entendeu Fernandes
67 Antes da escolha do General Figueiredo tinha três estrelas, mas sob influência direta do Planalto, Figueiredo foi promovido a general-de-exército, tendo assim passado à frente de outros generais que se encontravam na “fila de espera” em busca da tão almejada promoção.
68 O que nos chama a atenção é o fato que ambos os nomes escolhidos sempre apoiaram os governos militares. Paulo Brossard defendeu ardorosamente o golpe militar-bonapartista de 1964.
69 Até na contemporaneidade, o PCdoB reafirma, que mesmo em 1978 estando na cladestinidade, apoiou a candidatura do General Euler Bentes patrocinada pela Frente Nacional de Redemocratização (FNR). Se o PCdoB observasse com mais cuidado, era o fato que o General Euler construiu boa parte da sua carreira militar durante a ditadura e, sua precupação não foi em prol da defendida redemocratização e sim, pelo seu candidato na disputa pela sucessão de Geisel ter sido preterido. A respeito do apoio a candidatuea do General Euler Bentes, recomendamos ver o site: <http://vermelho.org.br/pcdob/80anos/cadaanourl/q78.asp>.
(1982) que o processo da ‘redemocratização’ poderia ser obtida pela ocorrência de uma dissidência militar que poderia propiciar um esgarçamento no stablishment militar, permitindo ‘encurralar’ e colocar na progressiva defensiva a linha dura militar.
O embate político-eleitoral se deu entre a Arena e o MDB. Nestas eleições apesar das manobras coordenadas pelo governo para enfraquecer o MDB e fortalecer a ARENA, segundo (MAZZEO, 1999, p. 164-65):
[...] em termos numéricos e qualitativos o MDB superou a ARENA. Na votação direta para senadores a oposição alcançou uma diferença de 4,4 milhões de votos, além de ter vencido nos estados mais importantes do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Paraíba.
O PCdoB nutria esperanças de que a vitória do MDB nas eleições possibilitasse a galvanização de um movimento político oposicionista, que além de empolgar crescentes setores da população a se engajar na luta contra a ditadura, permitisse o seu crescente isolamento.
Passada a fase sucessória, o general Figueiredo tomou posse na Presidência da República em 15 de Março de 1979. O seu governo seria marcado pela pior crise da história até então registrada, bem como pelo recrudescimento da oposição política, na qual os comunistas se empenharam profundamente, onde prosseguiram com sua estratégia nacional- democrática de cariz etapista.
Por esta mesma época, o PCdoB, voltou a sofrer sinais de descontemamento em alguns Comitês Regionais, no qual, o motivo girou em torno da experiência do Araguaia. Nessa linha de raciocínio, segundo Oliveira (2006, p. 26):
Mas o rompimento que se iniciava por volta do ano de 1979, mobilizando diversos Comitês Regionais pelo país, apresentava-se como uma fratura irreversível, calcada toda ela na necessidade de um debate que não acontecia, de um Congresso que não se convocava, por diversas questões proteladas e silenciadas pela direção do partido.
O eixo central da insatisfação foi a respeito da falta de maior profundidade a respeito da experiência da Guerrilha do Araguaia. A direção nacional, ao que tudo indica, preferiu não rememorar sobre um assunto que já estava considerada como ‘gloriosa jornada de lutas’. Logo mais, os descontentes terminam por saírem do PCdoB e fundam o Partido Revolucionário Comunista (PRC), e, posteriormente seus aderentes adentram no PT. Com relação a três cisões ocorridas no PCdoB, todas elas continham inicialmente um forte discurso à esquerda da direção nacional pecedobista e, com o tempo, terminaram por se acomodar à direita do próprio PCdoB.