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KAMUSAL ALAN TARTIġMALARI VE BAġÖRTÜSÜ YASAĞI

2. KURULUġUNDAN 28 ġUBAT’A ĠMAM HATĠP LĠSELERĠ

3.4. KAMUSAL ALAN TARTIġMALARI VE BAġÖRTÜSÜ YASAĞI

Como exposto, as barbáries decorrentes do nazismo e da II Guerra Mundial como um todo propiciaram a reunião e colaboração dos países em torno da proteção à pessoa. Como expressão do compromisso das nações em defender o ser humano e eleger cada indivíduo como ente dotado do mais amplo respeito, consideração e merecedor da proteção não somente de seu Estado, mas também de toda comunidade internacional, foi projetada a Declaração Universal dos Direitos do Homem em 10 de dezembro de 1948, considerada como “[...] marco maior do processo de reconstrução dos direitos humanos.”37

Aprovada por quarenta e oito países na Assembleia Geral das Nações Unidas,38 esta declaração serviu como guia ao desenvolvimento da comunidade internacional, considerando esta comunidade como aquela formada por “indivíduos livres e iguais”.39

Norberto Bobbio acrescenta que:

[...] a Declaração Universal representa um fato novo na história, na medida em que, pela primeira vez, um sistema de princípios fundamentais da conduta humana foi livre e expressamente aceito, através de seus respectivos governos, pela maioria dos homens que vive na Terra. Com esta declaração, um sistema de valores é – pela primeira vez na história – universal, não em princípio, mas de fato, na medida em que o consenso sobre sua validade e sua capacidade para reger os destinos da comunidade futura de todos os homens foi explicitamente declarado.40

37 Expressão em: PIOVESAN, Flávia. Introdução ao sistema interamericano de proteção dos direitos humanos: a

Convenção Americana de Direitos Humanos. In: GOMES, Luiz Flávio; PIOVESAN, Flávia. (Coord.). O

sistema interamericano de proteção dos direitos humanos e o direito brasileiro. São Paulo: Ed. Revista

dos Tribunais, 2000. p. 18.

38 Através da Resolução 217 A (III) do encontro em Paris. Em: UNITED NATIONS. The Universal Declaration of Human Rights. 1948. Disponível em: <http://www.un.org/en/documents/udhr/history.shtml>.

Acesso em: 23 dez. 2013.

39 BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

p. 27.

O mote principal que regeu toda a elaboração e implantação da Declaração Universal dos Direitos Humanos fundamentou-se na universalidade de direitos, obrigações e proteção, interdependência, indivisibilidade, não discriminação e igualdade.41

Baseados nestes princípios, os países se comprometeram a “[...] promover, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal e observação dos direitos humanos e liberdades fundamentais.”42

Forma-se, assim, um consenso mundial de preservação da espécie humana e garantia da sua vida com dignidade. Foram escolhidos direitos considerados imprescindíveis para a manutenção da “liberdade, justiça e paz no mundo”43 e consignados neste documento que viria a ser um modelo de direitos a serem garantidos nas Constituições dos Estados.

Com a Declaração Universal dos Direitos do Homem há, portanto, uma universalização e um compartilhamento de responsabilidade pela garantia dos direitos, pois cabe ao Estado assegurar o pleno gozo dos direitos inalienáveis do ser humano, assim como toda comunidade internacional.44

Apesar da Declaração de 1948 figurar como núcleo irradiador de direitos da pessoa humana, deve-se destacar que ela não compreende a totalidade de direitos considerados fundamentais a vida digna humana. Desta forma, ao longo dos anos, a ONU promulgou diversos outros documentos e seu conjunto forma o direito internacional geral de proteção aos direitos humanos.

Assim, pode-se considerar a Declaração Universal dos Direitos do Homem como ponto de partida para o sistema geral de proteção, do qual emanam outros Tratados e Pactos que visam incrementar o cuidado com todos os “membros da família humana”.45 O sistema global de proteção aos direitos humanos perfaz-se da união das normas internacionais de

41 UNITED NATIONS. The Universal Declaration of Human Rights. 1948. Disponível em: <http://www.un.org/

en/documents/udhr/hr_law.shtml>. Acesso em: 23 dez. 2013.

42 Tradução nossa do trecho do preâmbulo: “Whereas Member States have pledged themselves to achieve, in co- operation with the United Nations, the promotion of universal respect for and observance of human rights and fundamental freedoms, […].” Ibid.

43 Ibid.

44 Segundo Antônio Augusto Cançado Trindade, “A ‘desnacionalização’ subseqüente da proteção (a proteção

generalizada dos indivíduos como tais) ampliou sensivelmente o círculo de pessoas protegidas no direito internacional. Os indivíduos passaram a poder exercer direitos emanados diretamente do direito internacional (droit des gens), cuja implementação haveria de inspirar-se e fortalecer-se na noção da garantia coletiva dos direitos consagrados.” TRINDADE, Antônio Augusto Cançado. A proteção internacional dos direitos

humanos: fundamentos jurídicos e instrumentos básicos. São Paulo: Saraiva, 1991. p. 6. 45 UNITED NATIONS, op. cit.

alcance geral, cuja característica elementar toca ao titular desses direitos, que é o ser humano.46 E mais, há uma fusão entre o titular do direito e o destinatário, pois além de ser o titular desses direitos, as regras e princípios são criadas com vistas ao ser humano. É correto afirmar que os Pactos e Tratados ao apresentarem o mesmo destinatário e titular, complementam-se.

A Declaração Universal de 1948 consagrou que a pessoa tem direito a ter um julgamento justo e audiência pública, através de um tribunal independente e imparcial.47 Embora a enunciação verse sobre o direito ao julgamento e delimite requisitos para este julgamento, não nomeia este princípio humano geral como duração razoável do processo.

A primeira vez que houve uma preocupação com a demora na condução do processo em um documento internacional global, prevendo-se a resolução do processo em tempo razoável, deu-se com a aprovação em 16 de dezembro de 1966, por meio da Resolução 2200 A (XXI), do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, em vigor a partir de 23 de março de 1976.48-49

O Pacto em comento também deixou de registrar o princípio da duração razoável do processo da forma ampla que hoje é concebida na Constituição Federal do Brasil, mas efetivou diversas disposições acerca da necessidade de presteza no processo judicial.

46 ANNONI, Danielle. O direito humano de acesso à justiça no Brasil. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris,

2008. p. 85.

47 Artigo 10. Original: “Everyone is entitled in full equality to a fair and public hearing by an independent and impartial tribunal, in the determination of his rights and obligations and of any criminal charge against him.”

UNITED NATIONS. The Universal Declaration of Human Rights. 1948. Disponível em: <http://www.un.org/en/documents/udhr/hr_law.shtml>. Acesso em: 23 dez. 2013.

48 NACIONES UNIDAS. Pacto Internacional de Derechos Civiles y Políticos. 1966. Disponível em:

<http://www2.ohchr.org/spanish/law/ccpr.htm>. Acesso em: 23 dez. 2013.

49 O Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos somente foi ratificado pelo Estado Brasileiro através do

Decreto 592/92. BRASIL. Decreto n. 592, de 6 de julho de 1992. Atos internacionais. Pacto internacional sobre direitos civis e políticos. Promulgação. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 7 jul. 1992. p. 8716. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/D0592.htm>. Acesso em: 3 maio 2013.

Determinou incialmente que o acusado deveria ser notificado dos motivos de sua detenção sem demora. Ademais, prescreveu que a pessoa presa deve ser levada sem demora perante um juiz e terá direito de ser julgada dentro de um prazo razoável.50

Depreende-se da análise do artigo 9 do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos que a ONU começa a levar em consideração a necessidade da presença de um processo com duração razoável a fim de que realmente possa garantir os direitos do ser humano. Conjuga-se, neste contexto, o acautelamento de direitos com um processo que não seja moroso ou, mais propriamente nos dizeres do documento, que haja a maior brevidade possível na análise da legalidade da prisão.

O artigo 10 do mesmo Pacto determina que os menores de idade processados sejam mantidos apartados dos adultos e que sejam levados ao tribunal com a maior celeridade possível para seu julgamento.51

O artigo 14 do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos realiza uma longa exposição dos direitos que a pessoa possui em seu julgamento. O caput trata tanto do processo de natureza penal, quanto das ações civis. Contudo, prevê as garantias ligadas ao tempo, como ser informado em língua que compreenda os motivos da acusação, de ter prazo suficiente para elaborar sua defesa e também de ser julgado sem dilações indevidas somente sob o item que menciona a pessoa acusada de crime. Logo, pode-se inferir que tais garantias destinam-se ao processo penal.

Esse Pacto demonstrou um enorme avanço em relação à preocupação com a interferência do prazo na concretização dos direitos fundamentais, inserindo o princípio da duração razoável do processo no âmbito do direito internacional geral e o considerando como

50 Original: “Artículo 9. [...] 2. Toda persona detenida será informada, en el momento de su detención, de las razones de la misma, y notificada, sin demora, de la acusación formulada contra ella.

3. Toda persona detenida o presa a causa de una infracción penal será llevada sin demora ante un juez u otro funcionario autorizado por la ley para ejercer funciones judiciales, y tendrá derecho a ser juzgada dentro de un plazo razonable o a ser puesta en libertad. La prisión preventiva de las personas que hayan de ser juzgadas no debe ser la regla general, pero su libertad podrá estar subordinada a garantías que aseguren la comparecencia del acusado en el acto del juicio, o en cualquier momento de las diligencias procesales y, en su caso, para la ejecución del fallo.

4. Toda persona que sea privada de libertad en virtud de detención o prisión tendrá derecho a recurrir ante un tribunal, a fin de que éste decida a la brevedad posible sobre la legalidad de su prisión y ordene su libertad si la prisión fuera ilegal. [...].” NACIONES UNIDAS. Pacto Internacional de Derechos Civiles y Políticos.

1966. Disponível em: <http://www2.ohchr.org/spanish/law/ccpr.htm>. Acesso em: 23 dez. 2013. (grifo nosso).

51 “Articulo 10. [...] 2. [...] b) Los menores procesados estarán separados de los adultos y deberán ser llevados ante los tribunales de justicia con la mayor celeridad posible para su enjuiciamiento.”

direito humano, todavia, poderia ter ido mais além e estendido essa norma ao campo civil como fazem os sistemas regionais de proteção aos direitos humanos.

Benzer Belgeler