4. TÜRKİYE'DE KAMU DENETÇİLİĞİ KURUMU
4.3. Türkiye'de Kamu Denetçiliğini Kurma Çabaları
4.3.5. Kamu Yönetimi Temel İlkeleri ve Yeniden Yapılandırılması Kanunu…
Dia 04/09/2007, dia do terceiro Festival da Canção, chego ao TB e o clima é de festa, muitas presas arrumadas com cabelos penteados, maquiadas e muitos enfeites, brincos e colares... Entro na sala do Serviço Social e encontro uma presa desarrumada com uma camiseta velha, mas com a foto de seu filho estampada nela. Pergunto então se ela não vai se arrumar, se preparar para festa, e ela me responde:
Eu não vou na festa não, tô pensando nos meus filhos. Vem um monte de gente da V.E.P.112 aí e se vê a gente arrumada vão pensar que a gente tá muito bem aqui na prisão.
Fiquei muito impressionada com aquele depoimento, mas era uma resistência solitária, pois toda a cadeia estava em festa. Havia um grande movimento de repórteres e fotógrafos chegando, era um clima totalmente atípico.
As canções que concorriam ao festival, anteriormente, tinham passado pelo crivo da censura da direção, pois alguns funks faziam apologia ao crime, esses tiveram que ser modificados, restando apenas as canções que não traziam nenhum comprometimento para a instituição, pois aquele evento era presenciado por diversas autoridades e personalidades famosas no mundo da música que, inclusive, fariam parte do júri, entre elas o cantor Tico Santa Cruz que naquele ambiente se mostrava acessível a todas as presas, conversando, tirando fotos, tratando-as apenas como fãs.
Figura 10 Cantor Tico Santa Cruz com sua fã presa Fonte: Acervo pessoal
Tive oportunidade de copiar todas as letras do Festival da Cançãoque eram compostas e interpretadas pelas próprias presas e entre elas estava um funk que foi censurado:
Lado Certo
Fala quem quiser, sou do anexo o Zé Mane Esse é o funk do amigo Paulinho
O clima aqui é humildade
Muita paz e liberdade para todos amigos O sofrimento aqui é dolorido
Mais com fé em Jesus Cristo A liberdade vai chegar
Eu peço a paz para todos que é nós
Eu hoje to detido mais eu nunca vou te negar voz Somos do lado certo
Não fechamos com mancada Se o papo não for reto Lamento tu vai pra vala113
Se liga nessa amigo sangue bom O Talavera não é mole não Aqui tem sempre muita disciplina
É só falar que é nós, minha grande família
O paradoxo dessa letra que ao mesmo tem “fé em Jesus Cristo”, mas também manda pra “vala” retrata a situação de muitas presas, sua socialização, a banalização da violência em contraponto a esperança, a crença e a obediência. O salão reservado para a realização do concurso estava todo decorado com cartazes, bolas, enfeites prateados, todos com um apelo primário e infantil.
Figura 11 Concorrentes do Festival da Canção Fonte: Acervo pessoal
A abertura do concurso é iniciada pelo discurso do diretor do presídio e posteriormente é realizada uma apresentação do coro das evangélicas.
Figura 12 Coro das evangélicas Fonte: Acervo pessoal
Ao todo foram quatorze canções para serem avaliadas pela comissão julgadora que era composta por autoridades do sistema penal e cantores, sendo alguns reconhecidos nacionalmente. Das quatorze canções, três eram gospel, quatro eram românticas, duas eram críticas sociais e cinco eram sobre liberdade. Essa expressão através da música revela o desejo reiterado das presas pela liberdade.
Rap da liberdade
Quem voando pelo mundo que não tem futuro O meu amor pra mim é tudo
Por isso que eu vivo atrás dos muros Meu destino é inseguro
Peço a Deus pra me ajudar a mudar Dói dentro de mim, me bate uma dor Me sinto infeliz
Chega o dia de visita é tão triste sim Meu amor chorando vem me visitar
Senhor Juiz se o senhor me libertasse agora E desse a liberdade pra ir de mundão Eu jogaria toda essa vida fora
É triste ver todas irem embora e eu ficar aqui Minha medida está nas mãos do Juiz sim E ainda sonho a liberdade conquistar
No final do festival o grupo dos jurados resolveu premiar uma música romântica, escrita por uma presa, conhecida por Maria Argentina, mas que nasceu na fronteira entre Brasil e Bolívia e possuía dupla nacionalidade.
2.“Garota TB”
A questão da beleza na prisão é altamente valorizada reproduzindo os parâmetros de cuidados no mundo livre. Já foi citado a existência do salão de beleza, como também anúncios de tratamentos de beleza. É comum se ver pela prisão mulheres maquiadas, com unhas pintadas e tudo mais que se vê na sociedade livre.
No jornal Só Isso!,114 a cada número é selecionada a garota do mês, com sua
fotografia e um rol de suas preferências, inclusive o artigo do delito a qual foi condenada.
Nome: Luísa Maria de Oliveira Idade: 24 anos
Altura: 1,55 Peso: 57 Kg
Estado Civil: Solteira
Naturalidade: Rio de Janeiro Religião: Católica
Hobby: Danças Esporte: Natação Música: Charme
Prato predileto: Ovos com fritas Sonho: Simplesmente ser feliz Artigo 157115
Nome: Lesiane Stefanes
114 Jornal Só Isso! Ano 3 – nº 8 – Janeiro 2006 – Rio de Janeiro – p.10. 115 Subtrair para si ou para outrem coisa alheia móvel, mediante ameaça ou violência.
Idade: 21 anos Altura: 1,67 Cor: Branca
Estado civil: Solteira Religião: Jesus Cristo Hobby: Viajar
Prato preferido: Comida italiana e arepa (prato típico da Colômbia) Artigo: 12 e 18116
O concurso de miss no Talavera Bruce é chamado de “Garota TB” e é organizado por iniciativa das próprias presas, ressaltando que há o apoio das autoridades. É composto por duas etapas, uma primeira etapa onde é feita uma seleção das mais belas presidiárias para concorrer a final do “Garota TB”.
Figura 13 Fonte: Acervo Pessoal
Nessa primeira etapa, muitas candidatas desfilam, cerca de trinta mulheres não atendendo exatamente aos padrões de beleza convencionais existentes.
Qualquer mulher pode concorrer, mas as evangélicas não desfilam, apesar de não terem uma explicação religiosa para isso, apenas dizem que preferem não desfilar. Elas apóiam o evento, inclusive na abertura do evento é feita uma apresentação do coro das evangélicas.
Figura 14 Coro da tribo Leão de Judá Fonte: Acervo pessoal
Esse evento é também de grande importância para as presas, pois a prisão aqui supera a condição de satélite doméstico. Ela se torna palco de uma oportunidade jamais alcançada fora dela, pois essas mulheres, principalmente na primeira fase do concurso, jamais seriam candidatas a qualquer concurso de miss.
Figura 15 Candidatas da 1ª eliminatória do Garota TB Fonte: Acervo Pessoal
Essa primeira eliminatória do concurso é uma festa menor, a ornamentação desta festa também é mais simples, mas também utilizando bolas e cartazes, tendo como convidados externos, pessoas que já frequentam a prisão, como voluntários que dão aulas na prisão, o fotógrafo que fez um trabalho sobre as
presas entre outros. Esses fizeram parte do júri que elegeu as doze candidatas para a final do Garota TB.
Figura 16 Jurados da 1ª eliminatória do Garota TB Fonte: Acervo Pessoal
Na abertura do concurso há o discurso do diretor que inicia dizendo: “Todo menino sonha em quando crescer ser médico ou engenheiro, mas toda menina sonha em ser miss”.
Observa-se neste discurso uma discriminação de gênero, pois as aspirações femininas, na visão do diretor, é bem simplória comparada às aspirações masculinas.
A maioria das presas presencia a festa, somente as que estão na “tranca” é que não podem participar.
Final do “Garota TB”
A final do “Garota TB” é, sem dúvida, a maior festa realizada no Talavera Bruce. O ambiente da prisão fica transformado com a presença de vários repórteres entrevistando as candidatas, elas se sentem verdadeiras modelos.
Figura 17 Salão onde é realizado o ‘Garota TB” Fonte: Acervo pessoal
Para essa ocasião são convidados cabeleireiros que vêm à prisão gratuitamente para preparar as candidatas.
Figura 17 Candidata se preparando para o concurso de miss Fonte: Acervo pessoal