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Kamu İhale Bültenine ilişkin genel esaslar

A justiça social no campo é uma prerrogativa para a efetividade do desenvolvimento rural onde a resistência dos agricultores seja transformada em oportunidades para exercer as mudanças no meio rural, dentre elas as práticas de manejo agroecológico.

O resultado das constantes invasões culturais ao longo da história do povo brasileiro analisadas pelo sociólogo Darcy Ribeiro (1995), revela que as faces do Brasil rústico se plasmaram como produtos exógenos da expansão europeia, que instituiu uma sociedade agrário-mercantil-escravista, bipartidas em implantes citadinos e contextos rurais mutuamente complementares, estratificadas em classes sociais antagônicas, ainda que também funcionalmente integradas.

Segundo Sauer (2010), as lutas pela terra e pela reforma agrária se inserem em um contexto de transformações sociais, econômicas, políticas e culturais da modernidade ocidental. Essas transformações são exacerbadas pelo que, mais recentemente, se tem denominado de globalização que tem como característica a mobilidade social e geográfica. A luta pela terra torna-se também uma luta por um lugar que contrasta com os processos constantes de mobilidade geográfica e identitária, dando novos significados ao local.

A organização dos agricultores rurais, dentre eles os sem terra, tem um ensinamento sobre a importância de posicionar-se frente ao projeto de desenvolvimento defendido e garantia de reconhecimento da sociedade ao máximo. Ao longo da história do MST, como Medeiros (2001) analisa, buscou-

se trazer a questão da terra para um público mais amplo, de forma a poder mobilizar apoios e fortalecer suas demandas e os benefícios para a sociedade de uma política de reforma agrária, buscando ampliar seu campo de alianças.

Com o amplo alcance do MST, pode-se afirmar ter havido mudanças estruturais nas esferas de poder, inclusive influenciando e pressionando o surgimento de políticas públicas que reconhecessem o papel da agricultura familiar. Conforme Medeiros (2001), algumas pesquisas têm demonstrado que os assentamentos tendem a promover um rearranjo do processo produtivo nas regiões onde se instalam, no geral caracterizada por uma agricultura com baixo dinamismo em que a diversificação da produção agrícola, a introdução de novos produtos e atividades, mudanças tecnológicas refletem na composição da receita dos assentados, afetando o comércio local, a geração de impostos, a movimentação bancária, com efeitos sobre a capacidade do assentamento se firmar politicamente como um interlocutor no plano local/regional.

Tendo em vista a reforma agrária para além da dívida histórica aos trabalhadores rurais, ela é, sem dúvida, o caminho para trazer a discussão da função social da propriedade. A disseminação de assentamentos, segundo Wanderley (2001), na medida em que se tornam uma “sementeira” de agricultores familiares, permitem recuperar as forças sociais para o desenvolvimento, que existem na agricultura familiar, até então desperdiçadas.

A garantia do trabalho na terra abre caminhos para o desenvolvimento local e amplia as relações entre os sujeitos, pois, segundo Van der Ploeg (2014), é a propriedade familiar o lugar onde se acumula a experiência e onde se tem a aprendizagem e entrega do conhecimento à seguinte geração de uma maneira sutil, mas forte. Muitas vezes, a propriedade familiar é um nó em redes mais amplas que fazem circular as novas ideias, práticas, sementes e etc.

Contudo, na atual conjuntura, Balem e Silveira (2005) afirmam haver uma progressiva desvinculação da agricultura familiar com os cultivos de subsistência, o que fere diretamente o “ser agricultor”, ou seja, a essência de agricultor familiar. Observa-se que nos assentamentos de reforma agrária, muitos agricultores vivenciam o que chamamos de Erosão Cultural Alimentar, pois perderam a cultura de subsistência, o que pode ser notado mais

acentuadamente quando se fala de produtos processados artesanalmente. Cardoso et al. (2011) também afirma que com a erosão cultural, muitas das variedades de plantas estão profundamente ligadas a festas, rituais, religiões e também a culinária local de diversas comunidades pelo mundo afora, concluindo que o desaparecimento afeta o repasse destes conhecimentos para as gerações futuras.

Tratando-se de vulnerabilidade, Martins (2013) alerta para os verdadeiros causadores da erosão do nosso patrimônio genético, já que considera que os campesinos se comportam como sujeitos plurais guardiões da agrobiodiversidade e apresentam posturas econômicas, políticas e ideológicas contrárias à artificialização da agricultura. É somente por pressão das empresas capitalistas relacionadas com o agronegócio, pressão essa reforçada pelas políticas públicas, que os camponeses tendem a se comportarem tal qual uma pequena burguesia agrária, quando então estabelecem uma relação homem-natureza de caráter espoliativa.

As experiências de organização e luta são reconhecidas ao surgirem neste cenário como resistência às contradições no campo. A Via Campesina, entidade que congrega mais de 100 organizações de camponeses pelo mundo, dentre elas o Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST, acredita que a agricultura camponesa agroecológica enquanto prática em defesa e recuperação dos territórios faz parte da construção da soberania alimentar e é a primeira linha na defesa da Mãe Terra. A Via Campesina defende que, dentre os princípios biológicos fundamentais para as práticas agroecológicas, estão (La Vía Campesina, 2013):

 Melhorar a reciclagem de biomassa e otimizar a disponibilidade de nutrientes e o equilíbrio do fluxo de nutrientes;

 Assegurar condições de solo favorável para o crescimento das plantas, em particular mediante o manejo da matéria orgânica, as coberturas e a melhora da atividade biótica do solo;

 Reduzir ao mínimo as perdas de energia solar, ar e água através manejo do microclima, captação de água e manejo do solo, mediante o aumento da cobertura do solo;

 Diversificação de espécies e genética do agroecossistema, no tempo e espaço;

 Otimizar as interações biológicas e sinergismos benéficos entre os componentes da diversidade biológica agrícola, para promover os processos ecológicos chave

2.6. Conservação da agrobiodiversidade na prática: experiências que