BÖLÜM 2: KAMU İŞLETMELERİ
2.4. Kamu İşletmeleri Tebliği
Muitos economistas e formuladores de políticas há séculos têm buscado respostas às seguintes indagações: por quais razões algumas nações se desenvolvem mais rapidamente do que outras? Por que algumas nações têm êxito e outras fracassam na competição internacional? Para tentar respondê- las, vários estudiosos da ciência econômica apresentaram algumas teorias que procuram explicar o crescimento econômico de países ou regiões.
PD&I na visão schumpeteriana e neoschumpeteriana
Um dos primeiros trabalhos a considerar a inovação tecnológica como força central do dinamismo no sistema capitalista foi realizado por Schumpeter. Conforme ressalta Igliori (2000, apud ZUCOLOTO, 2004, p. 8), na abordagem teórica elaborada por Schumpeter, a inovação tecnológica assume um papel central na explicação do crescimento econômico, sendo um fator de diferenciação competitiva entre as empresas e o elemento principal da dinâmica capitalista. Ele parte do modelo de luxo circular do sistema econômico, no qual uma economia estacionária se reproduz sem que ocorram alterações substanciais. O desenvolvimento caracterizar-se-ia pela ruptura deste luxo circular, através de grandes inovações tecnológicas que ocorrem descontinuamente ao longo do tempo. Estas inovações podem ocorrer pelo
surgimento ou aprimoramento de novos produtos ou processos, novas fontes de matéria-prima e/ou novos setores de atividade econômica. O empresário é o agente responsável por trazer para a esfera produtiva as invenções ocorridas nos campos da ciência e da técnica, assim como pela geração e disseminação das inovações, que apareceriam em pontos localizados, espalhando-se em forma de ondas pelo sistema econômico.
O pensamento de Schumpeter ganhou mais força com os economistas neoschumpeterianos, os quais passaram a defender que a inovação constitui o determinante principal do processo dinâmico da economia e, ao mesmo tempo, fundamental para deinir os paradigmas de competitividade econômica, especialmente no atual contexto de acirrada competição em nível regional e global. Para os neoschumpeterianos, de um modo geral, a inovação é o único caminho de sobrevivência nos mercados, tanto de processos quanto de produtos novos, cada vez mais competitivos. Portanto, empresas e setores da economia, incluindo o Estado, que não procuram investir em tecnologia para poder inovar, acompanhada de um aparato institucional mais eiciente, estão condenados a desaparecer nos referidos mercados, isto é, a perder espaço para aquelas empresas que visualizam a inovação como meio de diferenciação. Deste modo, no pensamento neoschumpeteriano, o mercado constitui uma instituição de seleção cada vez mais eiciente, determinando ‘morte’ para as empresas consideradas incapazes (TAVARES et al., p. 1).
Para os neoschumpeterianos, as diferenças internacionais nos níveis tecnológicos e na capacidade inovadora são consideradas um fator fundamental na explicação das desigualdades nos níveis e tendências das exportações, importações e renda de cada região. Eles destacam que a tecnologia não é considerada um bem livre, que pode ser facilmente reproduzido e se encontra disponível sem custos para as empresas. Como consequência, as irmas de países menos desenvolvidos, por exemplo, não podem se apropriar gratuitamente das inovações geradas em nações mais avançadas, alcançando performance similar sem arcar com os custos do desenvolvimento tecnológico. Neste contexto, para que a absorção tecnológica seja efetivada, diversos tipos de investimentos precisam ser implementados (ZUCOLOTO, 2004, p.11).
Como Schumpeter, os autores neoschumpeterianos veem o progresso tecnológico como o motor central na promoção do desenvolvimento econômico. Entretanto, estes também realçam a importância das inovações incrementais como fator de diferenciação entre as empresas. As inovações
incrementais ocorrem com maior frequência e, ao contrário das radicais, provocam modiicações marginais no funcionamento econômico (ZUCOLOTO, 2004, p.10).
PD&I na teoria neoclássica e do crescimento endógeno
A teoria neoclássica do crescimento econômico se baseia na acumulação de capital físico como o fator chave por trás do crescimento numa economia perfeitamente competitiva com retornos constantes em escala e com uma taxa exógena de poupança que se pressupunha ser uma fração constante da renda nacional total. A dinâmica da economia na teoria neoclássica na ausência de progresso tecnológico começa com uma razão capital/mão-de-obra baixa. Capital novo (líquido ou de depreciação) é pago a partir de poupanças agregadas. Devido a retornos marginais de capital decrescentes, à medida que aumenta a razão capital/mão-de-obra, o produto marginal do capital cai, e também cai o incentivo para investir em capital novo. Portanto, cada unidade adicional de capital gera menos retorno e menos poupança, o que por sua vez signiica que menos renda estará disponível para acumulação de capital. Em longo prazo, a razão capital/mão-de-obra atinge um nível no qual o retorno do capital é igual à sua depreciação – a poupança é suiciente apenas para pagar pela depreciação física do capital, não existindo incentivo à inversão em capital novo. A acumulação de capital e o crescimento cessam e a economia entra num equilíbrio estável de longo prazo (CANADA, 2000, p. 259-260).
O progresso tecnológico entra na teoria neoclássica do crescimento como um fator exógeno que cresce a uma taxa constante e que é essencial para o crescimento econômico em longo prazo. O avanço tecnológico aumenta a produtividade da mão-de-obra de modo que o produto marginal do capital não declina à medida que cresce a razão capital/mão-de-obra. Em longo prazo, como não há limite superior ao crescimento da tecnologia e, portanto, ao crescimento da produtividade da mão-de-obra, a taxa de crescimento da renda real per capita não diminui até zero. O crescimento econômico é, portanto, sustentável e a taxa de crescimento em longo prazo é igual à taxa constante presumida de progresso tecnológico (CANADA, 2000, p. 260).
Já a teoria do crescimento endógeno pressupõe que o avanço tecnológico seja o resultado das atividades de pesquisa e desenvolvimento empreendidas
por empresas desejosas de maximizar seus lucros. As atividades de pesquisa e desenvolvimento entram no processo produtivo como um fator de produção, e são usadas em conjunção com outros insumos. Como ocorre com qualquer decisão sobre investimento, as atividades de pesquisa e desenvolvimento não são empreendidas a menos que haja uma oportunidade de lucro (CANADA, 2000, p. 260).
Em ambos os modelos (neoclássico e endógeno), o crescimento econômico em longo prazo é conduzido pela acumulação de fatores de produção
baseados no conhecimento, tais como o capital humano, o aprender fazendo, as atividades de pesquisa e desenvolvimento e a inovação. Em longo prazo, é a acumulação desses fatores que faz com que a produtividade dos fatores continue a aumentar e evitar que o retorno marginal de capital caia abaixo de níveis lucrativos (CANADA, 2000, p. 262).
PD&I e a teoria da vantagem competitiva
Insatisfeito com as teorias das vantagens comparativas para explicar o
crescimento e o sucesso internacional diferenciados entre nações, Porter (1993, p. 21) enfatiza que “uma nova teoria deve fazer da melhoria e inovação em métodos e tecnologia um elemento central.” Ele considera que uma nova teoria deve partir da premissa de que a competição é dinâmica e evolui, diferentemente do pensamento tradicional, que tinha uma visão essencialmente estática, focalizando a eiciência de custos provocados pelas vantagens de fatores ou de escala.
Ainda de acordo com Porter (1993), cada localidade, região ou país deveria preferencialmente focar seus investimentos em pesquisa, tecnologia, recursos humanos e inanceiros em setores econômicos que desfrutassem de vantagens competitivas, quer naturais quer criadas pelo homem. O sucesso nesses setores selecionados desencadearia a necessidade de outros bens e serviços, gerando, por conseguinte, o desenvolvimento de outros setores, favorecendo o crescimento do bem-estar da sociedade como um todo. Portanto, as potencialidades de uma determinada localidade, região ou país, se exploradas convenientemente, podem transformar-se em vantagens competitivas, gerando, por conseguinte, atratividade para a realização de investimentos produtivos, imprescindíveis ao crescimento econômico.
A importância da PD&I para o crescimento econômico na visão de outros autores
De forma similar à abordagem realizada por Porter, o livro Estudo da competitividade da indústria brasileira (ECIB), elaborado sob a coordenação de Coutinho e Ferraz (1995), enfoca a questão do desenvolvimento econômico tendo por base a competitividade de empresas e setores industriais no País e no mercado internacional. Nesta obra, eles airmam (ibid, 1995, p. 52) que “sem uma mudança radical das estratégias privadas, de forma a internalizar a inovação técnica e a capacitação como atividades empresariais permanentes e estruturadas, não será possível enfrentar o desaio da competitividade”, e consequentemente do desenvolvimento econômico.
Lastres e Cassiolato (2005, p. 237) enaltecem que “entre os poucos consensos estabelecidos no intenso debate que procura entender o atual processo de globalização, encontra-se o fato de que inovação e conhecimento são os principais fatores que deinem a competitividade e o desenvolvimento de nações, regiões, setores, empresas e até indivíduos.”
Tigre (2006, p. vii), por sua vez, enfatiza que a inovação tecnológica constitui uma ferramenta essencial para aumentar a produtividade e a competitividade das organizações, assim como para impulsionar o desenvolvimento econômico de regiões e países. Segundo esse autor, o desenvolvimento não deriva de um mero crescimento das atividades econômicas existentes, mas reside fundamentalmente em um processo qualitativo de transformação da estrutura produtiva no sentido de incorporar novos produtos e processos e agregar valor à produção por meio da
intensiicação do uso da informação e do conhecimento.
Tigre (1998, p. 79) também ressalta a importância da difusão no processo de desenvolvimento, salientando que do ponto de vista econômico, a inovação em si, ou seja, a primeira aplicação comercial de uma invenção, pode não representar impactos signiicativos. Muito mais importante é a velocidade e abrangência da difusão destas inovações na economia. A difusão de inovações depende de um conjunto de fatores condicionantes favoráveis, incluindo inovações complementares, criação de infraestrutura apropriada, quebra de resistência de empresários e consumidores, mudanças na legislação e aprendizado na produção e uso de novas tecnologias. Assim, embora a inovação
abra oportunidades para empresas crescerem, criarem mercados e exercerem o poder monopolístico temporário, somente sua difusão ampla tem impacto macroeconômico.
A importância da PD&I para o crescimento econômico é também evidenciada no trabalho realizado por Nicolsky (2001), através do qual ele procura mostrar a existência de uma forte correlação entre taxas de crescimento do PIB e investimentos em P&D no setor produtivo em diversos países. Para este autor (ibid, 2001, p. 102), a principal causa do fraco resultado em inovações do sistema brasileiro de fomento à pesquisa provém da adoção, por razões históricas e culturais, de um modelo reducionista de desenvolvimento tecnológico, ou seja, do modelo linear. Neste modelo, não se reconhece um item fundamental: a intrínseca diferença do processo de pesquisa cientíica, um ato tipicamente acadêmico, realizado no ambiente universitário, que visa à formação de recursos humanos e a geração de novos conhecimentos, da pesquisa de inovação tecnológica, uma ação econômica por essência, realizada no ambiente industrial da produção, que visa fundamentalmente competitividade, ampliação de mercado e, inalmente, lucro.
Tratando-se de PD&I, um aspecto importante deve ser ressaltado, conforme salientado enfaticamente por Nicolsky (2008): o processo de inovação deve decorrer fundamentalmente da ação empresarial com vistas a se tornar mais eicaz na geração de riquezas. Mesmo tendo isto em mente, convém ressaltar que este trabalho não teve por objetivo questionar a eiciência do sistema de PD&I nas regiões brasileiras. De fato, o seu foco principal consistiu em avaliar se a ação do Governo Federal na distribuição dos recursos destinados à PD&I tem favorecido, nas últimas três décadas, as regiões menos desenvolvidas do País, particularmente o Nordeste. E, neste contexto, contribuído para diminuir as disparidades inter-regionais, considerando o pressuposto de que PD&I é fundamental para promover o crescimento da economia no longo prazo, conforme defendido pelos autores supracitados. Desta maneira, o estudo admitiu que a eiciência na alocação dos recursos fosse a mesma em todas as regiões. Considerando este aspecto e dada a importância de uma análise mais abrangente, que considere também, além das questões relacionadas à eiciência nos resultados das ações empreendidas em PD&I, os investimentos privados, das estatais e dos governos estaduais, sugere-se a realização de futuros trabalhos que contemplem essas outras variáveis.
Das percepções acima expostas, observa-se haver consenso entre alguns dos principais pensadores e pesquisadores atuais da ciência econômica acerca da imprescindibilidade da PD&I no processo de crescimento sustentado de países ou regiões. Mais ainda, é grande a convergência de autores que acreditam que o processo de inovação deva ser eminentemente endógeno às atividades empresariais para que o conhecimento seja efetivamente transformado em novos produtos e processos e, desta maneira, transforme-se em novas oportunidades de investimento, responsável em grande parte pelo crescimento econômico.
Isto posto, ao se evidenciar a aplicação dos recursos federais em PD&I nas grandes regiões brasileiras, conforme proposto neste artigo, pretende- se averiguar se o Governo Federal está contribuindo para a diminuição das disparidades inter-regionais, haja vista o pressuposto adotado de que pesquisa e inovação são essenciais à promoção do desenvolvimento no longo prazo, conforme defendido pelos autores mencionados neste tópico.
2 – METODOLOGIA
O estudo consistiu na análise, a partir de 1975, dos investimentos per capita realizados em pesquisa e inovação pelas agências subordinadas ao MCT (FINEP e CNPq). Para o desenvolvimento do trabalho, foram utilizados números-índice, calculados tomando-se como base a média nacional para a variável “investimentos
per capita do Governo Federal em PD&I (Brasil = 100), permitindo uma melhor
análise comparativa da alocação dos recursos entre as regiões.
A variável “investimentos per capita em PD&I” foi tomada para indicar se o esforço do Governo Central tem contribuído para a diminuição das desigualdades inter-regionais pelo fato de ser o homem (e não as atividades econômicas) o principal foco da análise para dimensionar o desenvolvimento.
Por outro lado, o foco do trabalho é a diminuição das disparidades inter- regionais, observada sob o ponto de vista do investimento em PD&I. Assim, a exemplo dos parâmetros da Tabela 19, cujos indicadores referem-se todos à população (inclusive o de renda), considera-se o investimento per capita em PD&I a variável mais consistente para mensurar os desníveis da ação do Governo Federal na alocação desses recursos entre as regiões. Dessa maneira, optou-se por não considerar neste artigo a variável “investimento em PD&I do Governo Federal em relação ao PIB”.
A amostra analisada neste trabalho compreende, em cada período estudado, a principal fonte de recursos do Governo Federal de fomento às atividades de PD&I: o FNDCT/PADCT (1975-1994) e os Fundos Setoriais (1999- 2006). Diante disso, considera-se que a amostra trabalhada, neste artigo, seja representativa do esforço do Governo Federal no desenvolvimento da PD&I em cada região brasileira, podendo-se, assim, inferir se as regiões mais deprimidas, economicamente, estão sendo beneiciadas ou negligenciadas na sua política tecnológica, pilar essencial para o crescimento econômico no longo prazo.
Ressalte-se que sendo os dados tratados de forma agregada, não foi possível mensurar isoladamente os investimentos em pesquisa (salvo os do CNPq), em desenvolvimento tecnológico e em inovação. Assim, assumiu-se que os investimentos tratados neste artigo tenham contemplado essas três esferas do processo de inovação, identiicadas aqui pelo termo PD&I.