Controles de capitais são instrumentos nos quais um determinado país intervém na mobilidade de capitais. Segundo Carvalho (2004), durante o pós-guerra os países europeus passaram a abandonar as formas de controles de capitais de maneira assimétrica, no entanto, estas eram reintroduzidas em momentos de fragilidade externa. Isto revela que a atitude do governo da Malásia de impor controles de capitais durante a crise asiática em 1997 não foi um recurso originado naquele momento.
Estes controles podem ser de cunho extensivo, temporário, ou seletivo. China e Índia são exemplos de países que adotaram controles extensivos considerados mais severos, enquanto o Chile, por exemplo, adotou uma estratégia mais amena, a qual induziu mudanças na composição de luxos, desencorajando capitais de curto prazo durante a década de 1990. Os controles também se diferenciam quanto aos movimentos de capitais (entrada/saída) e quanto aos instrumentos utilizados.
Scherer e Pudwell (2005) apontam ainda uma classiicação estática e dinâmica. O controle estático propõe uma posição ixa quanto à tomada de inanciamento no mercado de forma proibitiva ou não. Por outro lado, o controle dinâmico se refere a uma política passível de mudanças segundo os objetivos de regulação da entrada e/ou saída de capitais por determinado período.
Segundo Paula, Oreiro e Silva (2003), o controle sobre entrada de capitais assume um caráter preventivo, enquanto o controle de saídas visa evitar uma possível distorção entre as taxas de juros doméstica e as taxas internacionais, além de reduzir a velocidade da saída de capitais.
Os países geralmente impõem restrições à entrada de capitais, no entanto, alguns adotam tais restrições em relação às saídas de capitais, como ocorreu na Malásia em setembro de 1998. Terra e Soihet argumentam que:
O controle de saída de capitais é o mais controverso e tem dois efeitos: por um lado estancam as saídas de capital, em um momento de crise aguda até que as autoridades tomem uma ação corretiva, mas, por outro lado, podem tirar a
coniança do mercado e atrasar os ajustes necessários, como enfatizados nos modelos de ataques especulativos de segunda geração. (TERA; SOIHET, 2006, p.724)
Quanto aos instrumentos utilizados, os controles podem assumir um caráter de mercado ou direto. Controles de mercado ocorrem quando há algum incentivo econômico aos luxos de recursos, enquanto os controles diretos são adotados independentemente da disposição de pagamentos de taxas. Estes controles impedem taxativamente os movimentos de capitais.
O termo “controles de capital” tem sido utilizado para descrever a suspensão temporária ou permanente, de direitos anteriormente concedidos de converter moeda doméstica em estrangeira. [...] O termo caracteriza o uso do poder normativo do Banco Central sobre as transações na conta e capital ou na conta- corrente visando de forma direta ou indireta, afetar a formação do preço de mercado sa moeda estrangeira (ARIDA, 2004, p. 3).
O poder normativo sobre essas transações de acordo com Arida (2004), pode ocorrer por procedimentos administrativos, restrições quantitativas (quarentena sobre a entrada de capitais, por exemplo) ou por meios de impostos ou recolhimentos compulsórios especíicos. As restrições quantitativas podem se dar diretamente a determinados luxos de capital segundo suas origens, destino ou tempo de maturação. Carvalho (2004), aponta como alternativa de controle os instrumentos de regulação inanceira: limites sobre pposições cambiais em aberto nos bancos, por exemplo, ou restrições sobre a capacidade de endividamento externo de empresas.
Segundo Stiglitz (2002), capitais de curto prazo, conhecidos como hot
money devem ser desencorajados. No entanto, deve-se evitar também uma
interrupção brusca do movimento de capitais conhecido como sudden stops. Os controles surgem como forma de evitar tal efeito, de acordo com Arioshi et. al. (2000, apud TERA; SOIHET, 2006), os controles devem ser utilizados enquanto o país implementa reformas econômicas amenizando os efeitos dos capitais voláteis.
Medidas de controle de capitais na visão de Oreiro (2004) devem ser incentivadas diante dos seguintes motivos: i) redução da autonomia dos governos; ii) aumento da fragilidade externa da economia e crises cambiais; e
iii) apreciação do câmbio real e desequilíbrio em transações correntes.
A crise asiática demonstrou que uma crise inanceira pode ser desencadeada por rumores baseados em eventos não fundamentais (sunspots) formando um “consenso pessimista” acompanhado de reversão súbita nos luxos de capitais de curto prazo. De acordo com Oreiro (2004), controles de caráter permanente sobre a entrada e saídas de capitais são adotados quando os objetivos incidirem sobre a redução da fragilidade externa da economia e/ ou aumento da autonomia da política econômica. O endividamento externo de curto prazo associado a profecias autorrealizáveis é suiciente para suscitar uma crise no balanço de pagamentos. Nesse contexto, controles seletivos que desencorajem a entrada de capitais de curto prazo são defendidos como forma de minimizar a fragilidade externa. No segundo caso, mudanças na taxa de juros não implicariam em mudanças no luxo de capitais e consequentemente sobre o nível de reservas e na taxa de câmbio nominal.
Once one recognizes that short-term capital lows can give rise to economic isntability, there is a compelling economic case for intervention: the instability associated with short-term capital movements results in there being a marked discrepancy between private and social returns and risks. he capital lows impose a huge negative externality. Indeed, it should be obvious that the crisis that resulted from these volatile lows has afected many others besides the borrowers and lenders – workers who saw their incomes plummet and small businesses that were forced into bankruptcy as a result of the soaring interest rates. Ironically, the design of the policy response probably increased the magnitude of the externalit. (STIGLITZ, 2000, p.1081)
Dentre as medidas de controle de capitais capazes de evitar a especulação e garantir a autonomia política está a taxa de Tobin, concebida pelo Nobel de Economia James Tobin em 1980. A proposta inicial era de adoção em escala mundial sobre as operações de câmbio, evitando os problemas de lutuações indesejadas na taxa cambial, e no outro extremo dos riscos da rigidez cambial.
De acordo com Jetin (2005), uma Taxa sobre Transações de Câmbio (TC), inspirada na proposta de Tobin apresenta-se sobre dois aspectos: i) uma taxa ordinária aplicada dentro dos limites da lutuação do câmbio; e ii) uma taxa proibitiva incidindo sobre a diferença entre o valor da taxa de câmbio fora da banda e o limite da mesma. O percentual da taxa paga pelos bancos e o percentual pago por seus clientes (fundos de pensão, seguradoras, etc) seria
deinida simplesmente pela concorrência no mercado bancário. Sugere-se que para moedas fortes como o euro, uma taxa ordinária de 0,1%, considerando uma banda de 2,5% seria suiciente. Por outro lado, países como o Brasil, essas taxas chegariam a 0,5% e 5,0%, respectivamente. ( JETIN, 2005).
Apesar das críticas sobre a viabilidade deste mecanismo, Jetin (2005) argumenta que os resultados de pesquisas recentes apontaram uma viabilidade técnica da taxa no âmbito regional (como na União Europeia) e nacional de modo preliminar até sua adoção em escala mundial.