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Kamu görevlileri sendikaları ve üye sayıları, 2018 (devam) Unionization statistics of civil servants, 2018 (continued)

Kamu görevlisi sayısı (*) Number of total civil servants

2.7 Kamu görevlileri sendikaları ve üye sayıları, 2018 (devam) Unionization statistics of civil servants, 2018 (continued)

A Tabela 2.7 apresenta os dados relativos às licenças dos docentes pelos distritos da cidade de São Paulo, que concentraram o maior número, no período de 2006 a 2012

Tabela 2.7 Distribuição dos dez distritos com maiores números de licenças médicas na cidade de São Paulo, no período de 2008 a 2012 Distritos Cidade Tiraden tes Índice Sapo Pemb a Índice Campo limpo Índice Itaim Pau Lista Índice Capão Redon Do Índice Vila

Curuçá Índice Lândia Brasi Índice Jacuí Índice Vila Miguel Índice Grajaú Índice Total São

2008 1.547 100 1.699 100 1.513 100 1.259 100 1.206 100 1.132 100 1.002 100 1.016 100 1.137 100 1.036 100 12.547 2009 1.844 119 1.856 109 1.585 105 1.353 107 1.167 97 1.081 95 1.360 136 1.016 100 1.174 103 1.076 100 13.512 2010 2.089 135 2.050 121 1.692 112 1.353 107 1.350 112 1.264 112 1.326 132 1.333 132 1.175 103 1.174 113 15.208 2011 2.550 165 2.190 129 2.109 139 1.755 139 1.587 131 1.605 142 1.584 158 1.528 150 1.366 120 1.235 119 17.717 2012 2.649 171 2.200 129 2.078 137 1.963 156 1.458 121 1.672 148 1.422 142 1.653 163 1.527 134 1.358 131 18.261 Total 10.679 9.995 8.977 8.574 6.768 6.754 6.694 6.546 6.379 5.879 70.699

O que é perceptível na tabela 2.7 é que não há um distrito sequer que se situe no chamado “centro expandido de São Paulo”. Ao contrário dos 10 distritos que registraram mais licenças médicas de professores que lecionam em suas escolas, seis se situam no extremo leste na Zona Leste: Cidade Tiradentes, Sapopemba, Itaim Paulista, Vila Curuçá, Vila Jacuí, São Miguel; outros três distritos situam-se no extremo sul da zona sul (Grajaú, Campo Limpo e Capão Redondo) e o último, Vila Brasilândia, fica na Zona Norte, com mais de 250 mil habitantes e reconhecidamente um distrito habitado pelas camadas populares.

Parece, portanto, não haver dúvidas sobre a relação entre a incidência de licenças médicas e a localização da escola iniciada com os dados da tabela 2.6, na medida em que todos os distritos aqui incluídos são muito vulneráveis socialmente, com grande índice de pobreza populacional.

Embora em números totais do período o índice de licenças médicas seja expressivo em todos os distritos, nos quatro em que a incidência superou a casa das oito mil (Cidade Tiradentes, Sapopemba, Campo Limpo e Itaim Paulista), três se situam na Zona Leste e um na Zona Sul, perfazendo um total de 38.225 licenças, ou seja 54% do total.

A curva tendencial nos dez distritos selecionados, com exceção de pequeno decréscimo no ano de 2009 da licenças de professores que atuam em escolas do Capão Redondo e Vila Curuçá e de estagnação, no mesmo ano na Vila Jacuí, observa-se que os números de licenças foram aumentando significativamente a cada ano, com incremento percentual mais elevado no período nos distritos de Cidade Tiradentes (71%) e Vila Jacuí (163%).

Os dados descritos e analisados são indícios do entrelaçamento entre condições objetivas de trabalho e os indicadores ambientais urbanos da cidade de São Paulo, que podem ter contribuído com o afastamento dos professores da rede municipal de São Paulo da função docente, no período 2006 a 2012.

Para concluir nossa análise no tópico abaixo procuramos levantar e analisar as licenças segundo os diagnósticos firmados.

2.1.3 As licenças médicas por diagnósticos

A distribuição das licenças médicas pelos diagnósticos estabelecidos está apresentada na Tabela 2.8.

O total das licenças médicas da Tabela 2.8 (285.430) difere do total da Tabela 2.1 (343.071), no período 2006 a 2012, devido à exclusão de alguns itens que compunham a tabela original do DESS, porque apresentavam diagnósticos pouco precisos para a análise das licenças médicas que afastaram os professores da sala de aula. Os itens excluídos do presente trabalho foram: malformação - 151 LM; sinais e sintomas - 11.098 LM; lesões - 17.664 LM; causas externas - 36.672 LM; convalescência - 28.927 LM; perinatal - 12 LM; não disponíveis - 22 LM. Total de LM não contabilizado no período 2006 a 2012: 94.546 LM.

Tabela 2.8 -Distribuição das licenças médicas aos professores, por diagnóstico, no período de 2006 a 2012

2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Total

Nº Índice Nº Índice Nº Índice Nº Índice Nº Índice Índice Índice

CAPÍTULO DA CID 1 - Transtornos Mentais 12.880 100 12.344 96 12.861 100 14.110 109 15.874 123 15.172 118 16.124 125 99.365 2 – Osteomuscular 8.801 100 8.017 91 7.555 86 7.360 84 8.852 100 9.329 106 10.944 124 60.858 3 - Aparelho Respiratório 4.080 100 3.709 91 3.1.37 77 4.841 119 4.535 111 5.375 132 5.225 128 30.902 4 - Olho e anexos 2.185 100. 2.591 118 2.109 96 1.942 89 2.431 111 6.314 289 3.409 156 20.981 5 - Aparelho digestivo 1.195 100 1.264 106 1.224 102 1.484 124 1.840 154 2.378 199 3.095 259 12.480 6 - Aparelho circulatório 1.579 100 1.567 99 1.362 86 1.474 93 1.668 106 1.558 99 1.756 111 10.964 7 - Gravidez, parto 1.469 100. 1.316 89 1.354 92 1.413 96 1.301 88 1.201 82 1.589 108 9.643 8 - Aparelho geniturinário 964 100 1.183 123 1.066 110 1.050 109 1.378 143 1.578 164 1.867 194 9.086 9 – Infecciosas 917 100 1.055 115 810 88 815 89 1.199 131 1.350 147 1.642 179 7.788 10 - Sistema nervoso 759 100. 770 101 762 100 899 118 907 119 1.007 133 1.091 144 6.195 11 – Neoplasias 699 100 738 105 860 123 935 134 1.074 154 1.070 75 1.068 153 6.444 12 - Ouvido e hipófise 698 100 670 96 516 74 653 93 736 105 700 100 818 117 4.791 13 - Doenças da pele 404 100. 326 81 378 93 316 78 371 92 438 108 463 115 2.696 14 - Doenças endócrinas 354 100 319 90 383 108 380 107 386 109 362 102 442 125 2.626 15 - Doenças do sangue 87 100 105 121 88 101 76 87 83 95 90 103 82 94 611

Total de Licenças Médicas 37.071 35.974 34.465 37.748 42.635 47.922 49.615 285.430

Do total de afastamentos por diagnósticos no período de 2006 a 2012, um primeiro grupo, com totais de licença no período entre trinta e cem mil, é formado pelos transtornos mentais, que ocuparam o primeiro lugar, seguido pelas doenças do sistema osteomuscular, com as doenças do aparelho respiratório ocupando o terceiro posto, sendo que o total das três espécies de enfermidades representa 67% do total dos afastamentos.

Um segundo grupo, com totais de afastamento acima de dez mil cada no período é composto pelas doenças de olhos e anexos, e dos aparelhos digestivo e circulatório, perfazendo 16% do total.

Excetuando-se as licenças por gestação, as demais enfermidades (do aparelho geniturinário, infecciosas, do sistema nervoso, neoplasias, do ouvido e hipófise, da pele, endócrinas e do sangue) totalizam 14% do total dos afastamentos.

Aqui vale a pena ressaltar o preocupante crescimento das neoplasias, os cânceres, que começaram a ter um crescimento considerável em 2008, mas cujo número se estabilizou, apesar de bastante alto nos últimos três anos do período. No entanto, a incidência dessas enfermidades parece ser comum a todo e qualquer cidadão que vive na cidade moderna.

O incremento das licenças por transtornos mentais, responsáveis por mais de um terço do total de licenças médicas registradas (99.365 sobre 285.430, ou seja, 34,8%), praticamente estável nos três primeiros anos do período, apresenta uma curva ascendente a partir de 2009, alcançando no último ano um percentual de 25% de aumento em relação ao ano base. Embora não se possam descartar os embates de relações sociais relacionados ao exercício da docência, as condições de vida numa megalópole como São Paulo (trânsito intenso e caótico que redunda em excesso de número de horas para acesso aos locais de trabalho, índices elevados de violência, etc.) também precisam ser considerados como possíveis fatores de risco.

O segundo tipo de doenças que mais afastam os professores, com percentagem de 21,3%, é o das enfermidades osteomusculares, que teve uma considerável redução até 2009, mas, surpreendentemente, cresceu muito nos anos de 2011 e 2012 (vinte e quatro por cento em apenas dois anos). Essa doença refere-se a dores nos ossos e nos músculos e nela estão inclusas as LER

(lesões por esforço repetitivo), fato comum na atividade educacional, quando não bem prevenida. Aqui também, como na primeira, além de fatores de ordem ocupacional, a relação com o ambiente social deve ser considerada, como o tempo gasto em transportes coletivos em condições desfavoráveis, a falta de espaços sociais para atividades físicas, o sedentarismo da vida moderna, etc., pois podem também ter exercido influência nesse aumento das doenças osteomusculares, entre os professores estudados.

Em seguida, em terceiro lugar, aparecem as doenças do aparelho respiratório, com 10,8%, com pico de dados registrado em 2011 (5.375 licenças). Esse tópico apresenta enorme variação, em relação aos dois já analisados, pois as doenças respiratórias, como bronquites, enfisemas, pneumonias, DPOC (doenças obstrutivas pulmonares crônicas), entre outras parecem guardar, em média, uma mesma incidência entre os professores em relação ao conjunto da população. Aqui, mais do que nas anteriores, a relação com o meio ambiente parece ser mais evidente, pelos índices de poluição da cidade de São Paulo, acima do padrão de 10 microgramas por metro cúbico estabelecido como limite pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Em 2011, a média da capital paulista foi de 22,17 MG/m³ de MP 2,5, mais que o dobro do índice de salubridade estabelecido pela OMS.

As doenças do segundo grupo (de olhos e anexos e dos aparelhos digestivo e circulatório) podem ser relacionadas quase que unicamente pelo estilo de vida das grandes metrópoles, seja pela poluição do ar e pelo uso intenso da visão (não somente nas atividades laborais, mas em outras atividades como assistir TV, usas computador, celulares, tablets, etc.) e pelo consumo cada vez mais intenso de alimentos processados industrialmente (em especial pelos trabalhadores de baixa renda, como os professores) e pela vida sedentária.

No que se refere às curvas tendenciais, cabe destacar o grande crescimento das licenças por doenças do aparelho digestivo que aumentaram em duas vezes e meio em seis anos (de 1.195 em 2006 para 3.095 em 2012), significando o maior aumento comparativo entre as 15 doenças estudadas.

Em seguida vêm as doenças do aparelho geniturinário, com aumento de 94% no período e as infecciosas, com incremento de 79%, as de olhos e anexos (56%), neoplasias (53%) e do sistema nervoso (44%). As demais doenças apresentam curvas semelhantes com incremento entre 8 a 28%, e as do sangue,

que além de ser a menos incidentes entre todas elas, apresentaram redução de 6% entre o ano base e 2012

Com exceção das licenças por doenças do aparelho nervoso, pode-se verificar que nenhuma delas pode ser automaticamente relacionada às atividades docentes, ou seja, esse crescimento tendencial parece indicar que se devem outras intercorrências, entre ela, com certeza, os problemas ambientais e sociais mais gerais.

Na medida em que este não se configura como um estudo epidemiológico, mas um estudo exploratório que procura ampliar a perspectiva de análise do adoecimento docente para além das causas laborais, apresentamos como última tabela a que relaciona as licenças devidas a doenças do aparelho respiratório com a idade dos docentes, por considerar um bom exemplo para essa ampliação, já que ela tem muito mais a ver com as condições do ar e do clima da cidade do que pelo exercício profissional.

Tabela 2.9 – Licenças médicas por doenças do aparelho respiratório e faixa etária dos docentes

Faixa etária Ano

21 a 30 anos 31 a 40 anos 41 a 50 anos 51 a 60 anos 61 a 70 anos TOTAL Nº Índice Nº Índice Nº Índice Nº Índice Nº Índice Nº

2006 900 100 2.768 100 2.090 100 3.912 100 2.034 100 11.704 2007 965 107 2.653 96 1.850 88 3.502 89 3.230 159 12.200 2008 972 108 2.646 95 1.626 78 3.043 78 1.326 65 9.613 2009 1.436 160 3.872 140 2.413 115 4.407 113 1.865 92 13.993 2010 1.289 143 3.372 122 1.959 94 3.627 93 1.502 74 11.749 2011 1.097 122 3.486 126 2.185 104 4.005 102 1.648 81 12.421 2012 996 110 3.172 114 3.779 181 3.780 97 1.331 65 13.058 TOTAL 7.655 - 21.969 15.902 26.276 12.936 84.738

A primeira consideração a fazer refere-se à irregularidade de praticamente das curvas tendenciais em todas as faixas etárias, pois em nenhuma delas verifica-se tendência ascendente ou descendente.

Ao contrário, verifica-se grande instabilidade, como, por exemplo o crescimento dessas enfermidades, na faixa etária de 21 a 30 anos, nos anos de 2009 a 2011, com uma queda abrupta no ano seguinte, que volta aos patamares dos três primeiros anos do período. De forma distinta, na faixa etária de 41 a 50 anos, verifica-se tendência de queda nos anos de 2006 a 2008, com incremento em 2009, pequeno recuo em 2010, e crescimento nos dois últimos anos, sendo que o pico de incidência ocorre exatamente em 2012, ano em que na faixa etária anterior, ocorreu uma das menores incidências do período. Na faixa etária de 31 a 40 anos pode-se constatar a menor variação da incidência, entre pouco mais de 3.800 em 2009 e 2.600 em 2008, assim como na de 51 a 60 anos, mas com incidência anual muito superior à da anterior. A mesma variação irregular ocorreu na faixa etária dos 61 a 70 anos, sendo que o seu pico ocorreu em 2007, com incidência quase três vezes das ocorridas exatamente no ano seguinte.

Por outro lado, se compararmos as incidências por faixa etária, soa estranho a regularidade das curvas nas faixas etárias de 31/40 e 51/60 anos e da tendência de queda da de 61 a 70 anos, em princípio muito mais suscetível ao adoecimento do que as gerações mais jovens.

Esses dados parecem indicar que esse tipo de adoecimento tem muito mais a ver com condições ambientais da cidade e suas abruptas variações, abruptas do clima e com os índices de poluição do que relacionadas ao exercício docente.

Com esta última tabela, procuramos ilustrar com maior detalhe a relação entre as condições sociais e ambientais do município e a intercorrências de doenças que levaram a número significativo de docentes a terem que se licenciar do trabalho.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo proposto buscou, de forma exploratória, levantar e analisar fatores multicausais que poderiam ocasionar o adoecimento dos professores da rede municipal de São Paulo, no período 2006 a 2012, afastando-os da docência e correlacionando-os com a qualidade de vida, expressa pelas condições sociais e ambientais do meio urbano da cidade de São Paulo.

A decisão de levantar e analisar esse possíveis fatores multicausais foi tomada tendo em vista que a totalidade das pesquisas, encontradas no levantamento bibliográfico, se caracterizava por investigar a relação entre o adoecimento docente e as condições e problemas do exercício profissional docente, aspecto importante a ser investigado, mas que apresentava seus limites.

Ou seja, boa parte dos professores que atuam numa megalópole de mais de 10 milhões de habitantes, pela baixa remuneração, assumem longas jornadas de trabalho em diferentes escolas distribuídas nas cinco regiões da cidade, permanecem longo período nas vias congestionadas, sob a pressão da responsabilidade e do horário a cumprir, com exposição à poluição, tensão causada pelo intenso trânsito se usam transporte individual ou pela falta de conforto se utilizam transporte coletivo.

Para desenvolvimento da pesquisa nos valemos dos dados do Departamento de Saúde do Servidor Municipal de São Paulo (DESS) que colocou à disposição da pesquisadora o banco de dados, em uma série histórica datada do final da década de 1990, precisamente 1999 a 2012, já informatizado. Optamos por analisar os dados, nesta pesquisa, referente ao período 2006 a 2012 para as variáveis: faixa etária, sexo, nível de ensino, tempo de trabalho e diagnóstico conforme a CID (Classificação Internacional de Doenças), região e distritos do município de São Paulo, pois, foi verificado uma grande diferença nos valores encontrados na distribuição das licenças médicas, concedidas aos professores, anteriores ao ano 2006. Tal diferença deveu-se à descentralização ocorrida no período entre 2001 e 2005, no qual os equipamentos da Prefeitura Municipal de São Paulo (escolas, bibliotecas, clubes, postos de saúde etc.) estavam sob as administrações das Subprefeituras.

Entre os principais achados com a leitura analítica das tabelas 2.1 a 2.5, pode-se destacar o progressivo aumento das licenças médicas muito mais intensamente que o número total de professores registrados na rede pública municipal de ensino, revelando que um mesmo professor pode ter sido afastado mais de uma vez no período analisado, razão pela qual o número de licenças (379.976) supera o de professores em exercício (379.696).

O docente mais suscetível, no período analisado (2006 a 2012), a pedir licenças médicas por acometimento de doenças foram as professoras de meia idade (entre 41 e 50) que ministram aulas em educação infantil (Creches/EMEI) e no primeiro ciclo do ensino fundamental (EMEF/ do primeiro ao nono ano) e que dá aula em escolas da Zona Leste de São Paulo, especialmente em bairros carentes.

Percebe-se que quanto mais tempo de docência, maior permanência na realidade de precarização do trabalho, que vão desde as condições objetivas de trabalho nas escolas - carga horária elevada; baixa remuneração; precariedade de instalações (especialmente nas escolas da periferia), realidades sociais das comunidades até as ambientais e urbanas da cidade de São Paulo: transporte coletivo ou individual utilizado para chegar à escolas distantes distribuídas nas cinco regiões da cidade de São Paulo, poluição, violência, exposição a riscos de acidentes nas vias urbanas).

Entre o conjunto de doenças que levaram os professores ao afastamento da função docente: os transtornos mentais ocuparam o primeiro lugar (34,8% %) entre os diagnósticos que provocaram os afastamentos; em segundo lugar apareceram as doenças do sistema osteomuscular (21,3%) e em terceiro, as doenças do aparelho respiratório (10,8%).

Com relação a esta última enfermidade, vale a pena destacar que a análise realizada, por meio do cruzamento entre doenças do aparelho respiratório e faixa etária dos docentes oferece indícios fortes da relação entre as condições sociais e ambientais da cidade e o seu aparecimento e disseminação entre os docentes.

Embora os dados de afastamentos desses profissionais da educação da rede municipal de São Paulo não indiquem a causa definida dos afastamentos, os indicadores - condições de trabalho, transporte e poluição urbana – podem ser tomados como pistas sobre questões que merecem maior aprofundamento e análise.

Nesse sentido, parece não ser exagerado afirmar que boa parcela do adoecimento docente poderia ser prevenida, tanto pela melhoria das condições de trabalho, mas que deveria se considerar, também, aquelas que são consequências do processo histórico caótico de urbanização da cidade e que, na verdade, afeta a toda a população, especialmente trabalhadores com condições de vida pouco adequadas, entre eles, os professores.

Por fim, este estudo exploratório, sem a pretensão de desqualificar os estudos sobre doenças ocupacionais de professores, indica possibilidades ampliadas, não só para investigações sobre o adoecimento de docentes, mas de outras categorias profissionais cujas atividades estão categorizadas como “trabalho limpo”13, e que têm sido muito menos investigadas do que as denominadas

profissões de risco, na medida em que procurou aliar, em suas análises preliminares, as condições de trabalho às condições ambientais e sociais de uma megalópole que se desenvolveu de forma desordenada e caótica.

13 Para Mattos (2012), o aspecto distintivo do trabalho sujo não é inerente ao trabalho em si, antes disso, está relacionado à ordem social que o define como tal, (...) o limpo está simbolicamente associado à pureza, assim como o sujo ao perigo, conferindo, desta feita, carga moral ao par limpo/sujo.

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