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görevlileri sayısı, 2018 55 2.4 Civil servant by economic activity and sex, 2018

O assistente social está sendo chamado para atuar na Pass/Siass-Ufal enquanto parte da equipe multiprofissional, nos três eixos em que está dividida: perícia-oficial, nas ações de vigilância, e promoção de saúde e assistência social.

Da forma como estão sendo implantadas as unidades Siass, nos estados brasileiros, a ênfase tem sido dada nas ações das perícias oficiais, o que vem demonstrando a preocupação do Estado em controlar e minimizar as despesas com as licenças, afastamentos e aposentadorias dos servidores, e as demais ações de promoção à saúde do servidor vem acontecendo de forma mais lenta do que almejam as equipes de saúde e as necessidades dos servidores.

As atribuições estabelecidas pela Pass-Siass aos profissionais de Serviço Social, assim como as dos outros profissionais, estão também na proposta. Aqui nos deteremos às referentes à dimensão social, enquanto um dos determinantes socioeconômico, cultural e político que podem intervir nas condições de trabalho e na saúde do trabalhador.

Conforme análise dos autores pesquisados, as ações do Serviço Social na saúde, desde a sua gênese até hoje, podem contribuir para legitimação das políticas sociais do Estado e do seu projeto de incentivo ao capital, como contribuir para fortalecimento dos projetos dos trabalhadores e das classes populares, em busca da garantia dos direitos sociais e do seu protagonismo na construção da política de atenção integral à saúde dos trabalhadores no serviço público, entre outros.

Assim, o assistente social, ao realizar estudos sociais para elaboração do parecer social, colaborando para a decisão dos peritos em saúde, poderá excluir os servidores da concretização do direito ao qual estão solicitando, os serviços de saúde, especificamente a perícia em saúde ou contribuindo para a garantia de direitos.

Ao analisar os determinantes sociais, que fundamentarão os argumentos teórico e técnico, com base nas relações sociais no trabalho e na realidade social do servidor, o profissional de Serviço Social deverá fazê-lo considerando o compromisso ético-político com a saúde do trabalhador, numa perspectiva integral

da saúde, que extrapola a relação saúde-doença-ambiente do trabalho e seus riscos.

Na análise do assistente social crítico, as situações vulneráveis às quais estão expostos os trabalhadores, antecedem e extrapolam os muros/ambientes de trabalho. Um estudo social com base no contexto social, onde o servidor público se insere, pode desvendar uma realidade social rica em múltiplas determinações. A compreensão sócio-histórica-econômica e política da saúde trará a contribuição do trabalhador no conhecimento da dimensão social das suas condições de saúde e vida, especificamente do servidor público.

A saúde do trabalhador, na perspectiva do coletivo, não está centrada no indivíduo, se assim o for, continuará culpabilizando exclusivamente o trabalhador por suas doenças, afastamentos, riscos e acidentes de trabalho.

Ao atender as atividades legais institucionais, o assistente social poderá nela incluir os interesses e as necessidades do servidor público, criando espaços democráticos de controle social na efetividade de políticas sociais e da saúde.

O desafio está em trazer o protagonismo do servidor público na construção de canais institucionais de participação social para que se efetive a Pass-Siass-Ufal, na sua integralidade, promoção, prevenção e controle social, se não corre-se o risco de endossar mecanismo de controle do Estado sobre o servidor.

O assistente social, na intervenção profissional, requer um posicionamento que possua habilidades e competências técnica, teórica e política para o atendimento das demandas, tanto a institucional como as dos usuários, trabalhadores e da população.

3.6. Considerações gerais

Este capítulo vislumbrou mostrar e analisar a proposta de implantação/implementação da unidade de referência Siass-Ufal e que se encontra no MPOG/Cogss para homologação do acordo de cooperação técnica com a Ufal onde se instalou uma unidade Siass para atender a todos os três campi: Maceió, Arapiraca, Santana de Ipanema, em Alagoas.

Vale salientar que, apesar da falta da homologação da unidade Siass-Ufal, pelo MPOG, está funcionando conforme demonstrado nos depoimentos colhidos, e

vem trabalhando de forma precária, desde a falta de profissionais, equipe de apoio, espaço físico, equipamentos, até falhas de funcionamento do Siapenet-Saúde, sistema nacional de processamento dos dados epidemiológicos e dos afastamentos e licenças médicas no nível nacional.

As questões mencionadas são justificadas, pelo ministério que coordena as ações de saúde, como ajuste de compassos entre o próprio e as unidades, e da natureza da implementação do sistema, que requer identificar falhas, corrigi-las e aprimorá-las para seu funcionamento eficaz.

Os técnicos e gestores reconhecem esses limites e dificuldades no processo de implantação, mas são unânimes em indicar que a iniciativa da criação de uma política de atenção à saúde do servidor e de um sistema que administrará as unidades de referência nos estados brasileiros é inédita. Essa decisão política por parte do governo brasileiro trará à tona a saúde do trabalhador nas relações e processos de trabalho no serviço público.

Pela primeira vez, essa política torna-se de Estado e voltada para seus trabalhadores públicos, mas que enfrentam desafios para que “saia do papel”, conforme dizem seus gestores, profissionais que nela trabalham, e realmente transformar-se em ações de promoção, prevenção e assistência à saúde na sua integralidade.

Essa fase de implementação, como se viu na proposta, não está ainda integralmente efetuada, principalmente as ações de promoção, vigilância e do controle social, como a criação da Cissp. As ações que vêm merecendo investimento e prioridade para o MPOG/Cogss são as pertinentes às atividades da Perícia Oficial de Saúde (POS).

O investimento tem sido feito na criação dos sistemas Siapenet-Saúde e na capacitação das equipes de profissionais que atuarão com esses sistemas. Mesmo assim, ainda não tem sido satisfatório, segundo os entrevistados.

Outro aspecto avaliado é a desarticulação das PNSST e Pass, assemelhando-se com os princípios, diretrizes, ações propostas, mas que não são articuladas em benefício do conjunto dos trabalhadores, fragmentando-os, fragilizando, assim, as ações coletivas e criando políticas semelhantes paralelas para atender ao trabalhador da rede pública federal e da privada.

A fala do coordenador do MPOG, para justificar tal falta, entre outros aspectos, diz respeito à não identidade do servidor com o trabalhador e como ficaria

a relação e o processo fiscalizador das delegacias com o seu próprio empregador, o Estado.

São questões postas e que precisam ser enfrentadas, pois, conforme as alterações possíveis no modelo de administração, a serem implantadas através das OSs nos HUs, inicialmente, e em outros serviços públicos, voltam os trabalhadores públicos regidos pela CLT, o que implica dizer que as fiscalizações vão acontecer, as precárias condições de trabalho e as situações vulneráveis a que poderão estar expostos esses trabalhadores serão denunciadas, as entidades serão multadas e tornam-se passíveis até de serem fechados seus serviços.

Esse é um dos pontos críticos a se enfrentar e construir respostas, pois existirá uma dualidade de políticas de saúde do trabalhador operando no espaço público de trabalho. A PNSST, para os servidores regidos pela CLT; a PASS, para os trabalhadores do RJU. Como fazer? Serão dois serviços de saúde: as redes Renast-Cerest-Cist para as da CLT; e as redes Siass-Siapenet-Saúde-Cissp para as do RJU?

Assim, os sistemas tornar-se-ão complexos, confusos, burocráticos e poderão ficar inviáveis, sobrepostos e inoperantes, ou, ao contrário, cooperativos, intersetoriais, interdisciplinares e transversais a todo sistema de saúde.

Outro elemento fundamental e que está timidamente representado, segundo os dados bibliográficos e as entrevistas, é a participação dos trabalhadores públicos na construção e no controle social das ações políticas do trabalhador.

O sujeito central da política de atenção à saúde do trabalhador é o próprio trabalhador, opinando, construindo, dirigindo as ações e controlando o investimento dos programas e favorecendo as condições de trabalho. Sem essa participação, não se tem saúde do trabalhador; pode ser saúde ocupacional, medicina e segurança no trabalho, o que diferirá da proposta da Pass, é o protagonismo dos trabalhadores.

O Serviço Social é chamado a participar da equipe multiprofissional na efetivação da Pass e tem dado seu contributo nos diversos âmbitos e eixos: planejamento, gestão, assistência e em vários desafios, como o controle social, pois reconhecidamente, pelos demais profissionais, tem a ver com o assistente social a participação social, por ser uma prática política, que envolve habilidades e competências técnicas e o profissional de Serviço Social vem enfrentando esse desafio em tempos de Estado mínimo, de recessão a políticas sociais, e de retração dos movimentos sociais e sindicais.

O Estado brasileiro vem demonstrando também essa resistência quanto à participação social do servidor público, e, com uma dualidade retórica, propõe a criação da Cissp, mas não a homologa desde 2009. O assistente social pode usar os mecanismos legais existentes: o Sintufal, a Adufal, e a lei do SUS, que prevê a participação e o controle social na saúde, entre outros.

Percebe-se também a ausência de uma proposta do Serviço Social para a saúde do trabalhador. O que estão postas são as necessidades institucionais, embora contemplem as especificidades do Serviço Social. Os assistentes sociais envolvidos nos programas e unidades Siass precisam elaborar o seu plano com as necessidades e interesses do servidor público na garantia dos direitos sociais que contemple as diretrizes do projeto ético-político, pautando-se nos princípios da democracia, justiça social, que se traduzam em relações e processos de trabalho dos servidores, mais humanos, democráticos, criativos e participativos, em todas as ações.

 A questão do fundo, no que diz respeito ao financiamento de ações realizadas nas unidades de referência do Siass, ainda é muito nebuloso, sigiloso, na discussão coletiva sobre o quanto/quando e como, e em que investir.

 Os fundos disponíveis no MPOG/Cogss, mesmo que alocado no próprio ministério, como a ele se refere, sua origem, ou seja, a fonte de arrecadação, é o servidor, a população que paga os impostos, entre outras taxas e tributos. Como em toda relação de trabalho, o patrão e/ou o empregador também contribui; no caso do serviço público, esse é um nó, não se sabe se o Estado tem sua coparticipação e como se dá. Portanto, não há recurso próprio, há recursos dos servidores, da população em geral, e da parte do Estado não se tem clareza, visibilidade.

 A participação dos servidores e representantes no controle social, na forma aqui concebida e defendida, passará necessariamente pelo controle do orçamento e fundo de despesas com a saúde do servidor público. Na proposta de criação da unidade Siass-Ufal, não esta visível a Cissp, que poderia compor o organograma como comissão participativa da Pass-Siass-Ufal.

 Sabe-se que esse é um desafio, visto que não é pelo fato de essas relações serem dentro do Estado que há mais facilidade na participação democrática em decisões, ações e despesas da Pass. Ao contrário, o Estado tem mecanismos

burocráticos e técnico-burocráticos que são barreiras ao desenvolvimento e distribuição desses fundos e na participação decisória.

 O assistente social, ao fazer parte da equipe, está inserido em todos os três eixos da unidade Siass – perícia oficial na garantia de direitos sociais e do tratamento de saúde mediante análise e parecer com base na realidade social do servidor e no contexto em que está inserido no trabalho e nas condições de sua vida. Na promoção e prevenção, desenvolvendo ações educativas de esclarecimentos e informações de direitos, socializando o saber coletivamente construído na área da saúde do trabalhador.

Por fim, também pode exercer atividades de assessoria, planejamento e gestão, no caso em tela, na condução da política social; E junto com os trabalhadores organizados, introduzindo seu saber construído com suas experiências, trazendo processos de trabalhos e situações vulneráveis, analisando- os, opinando e definindo ações e política de saúde integral direcionadas ao interesse e à necessidade do servidor público.

CAPÍTULO IV

4. SUBJETIVIDADE DA SAÚDE DO SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL DO EXECUTIVO: AUXILIARES E TÉCNICOS DE ENFERMAGEM

Nos três primeiros capítulos, consta um aporte teórico sobre as categorias fundantes para os estudos da saúde do trabalhador: o trabalho na perspectiva marxista, analisando os processos; a organização e as relações sociais do trabalho, seguidas de uma análise sobre a categoria do trabalhador na modalidade servidor público, discutindo o significado do seu trabalho e a prestação dos serviços públicos à sociedade civil que dela necessitar, por meio da execução das políticas sociais do Estado brasileiro.

Também foi abordado, para facilitar a compreensão do Estado enquanto espaço democrático, onde está a correlação de forças das classes dominante e dominada, em defesa dos interesses antagônicos postos nessa área, em busca de efetivação de direitos sociais de ambas as classes, embora opostos. Estado democrático este que, sobre o jugo do neoliberalismo, vem reduzindo as conquistas e os interesses dos trabalhadores, por meio das políticas sociais e de saúde, no caso específico deste estudo.

Com base nos fundamentos teóricos, analisou-se historicamente a trajetória das políticas sociais e sua origem no início do século 20, com o populismo da década pós-guerra até o recuo dos Estados do bem-estar social nos países europeus e nos EUA, e seu rebatimento nas décadas de 1970/1980, no Brasil, que culminou com a CF de 88, denominada Constituição Cidadã.

Conforme a trajetória das políticas sociais no Estado brasileiro, e da conjuntura internacional com o neoliberalismo, a estrutura econômica na financeirização da economia e da lógica mercadológica estabelecida nas relações globalizadas com os países (principalmente os do Primeiro Mundo, liderados pelos sete mais “ricos”: Itália, França, Inglaterra, Alemanha, EUA, Japão e Espanha) vive- se no momento a efervescência de uma crise financeira e social, do desemprego e das perdas de direitos sociais, e que tem sérias consequências socioeconômicas também nos países de economia periférica, como é o caso do Brasil.

O momento de crise econômica culmina, em nosso país, em uma série de redução de direitos sociais, muitos ainda não efetivados pela CF-88, na retração de políticas sociais não consolidadas, em sua maioria, como é o caso das políticas sociais voltadas para atender a saúde do trabalhador em geral e do servidor, especificamente a categoria objeto do nosso estudo.

Busca-se analisar a participação social do trabalhador no controle dos espaços democráticos, na garantia de suas conquistas e na concretização da política de saúde, que encontrará adversidades, em uma conjuntura econômica desfavorável e de desestruturação das economias consolidadas nos países do Primeiro Mundo, fato que rebate em nosso país.

Mas a história mostra que os avanços nas políticas sociais estão diretamente relacionados aos movimentos sociais e ao dos trabalhadores, em diversas épocas e sociedade, sob a égide do capitalismo.

Prosseguindo, a análise da política de saúde do servidor público, em sua dimensão social, além de suas estruturas organizativas nos serviços públicos, traz outros determinantes sociais contidos na subjetividade dos sujeitos, que são os trabalhadores da saúde do Hupaa, local da nossa pesquisa empírica. Estes trazem à tona a realidade social na qual estão inseridos facilitando a compreensão do contexto, da saúde e do trabalho que rebatem na relação saúde-trabalho e nas condições sociais de sua vida.

Neste capítulo, analisam-se os determinantes sociais desses trabalhadores e as possíveis ações de promoção, prevenção e controle da saúde, observando as relações e os processos de trabalho, os contextos social e institucional e a realidade social dos protagonistas dessa história na construção da saúde do trabalhador.

Protagonismos nem sempre expressados na dimensão da prática social por melhores condições de vida, nos espaços democráticos da construção política de saúde, em que, conforme depoimentos colhidos, a própria representação sindical tem pouco participado.

Mas, diante das adversidades socioeconômicas e políticas, na desarticulação e desmobilização dos movimentos sociais, as políticas focais, fragmentadas, dividindo os trabalhadores, individualizando-os, os consideramos sujeitos de suas próprias histórias e trajetórias na conquista de seu trabalho e condições de vida.

Marx, sabiamente, diz que a história é feita por homens e mulheres, não há salvador da pátria, heróis construtores no cotidiano; temos trabalhadores que

realizam suas atividades contribuindo assim para a efetivação das políticas sociais de saúde no âmbito do serviço público, dentro do espaço do Estado, que nem sempre favorece o desempenho profissional, com o máximo de qualidade para a sociedade que dele necessita e por eles pagam com os impostos.

Neste capítulo, reproduz-se os depoimentos dos sujeitos entrevistados, auxiliares e técnicos de enfermagem, sobre o que fazem, como fazem, se gostam do que fazem, como vivem, como trabalham, etc. Enfim, ficaram à vontade para expressar as relações do trabalho, a vida e seus sentimentos e sentidos sobre a própria vida, o trabalho, a saúde, a partir de suas experiências e participação coletiva.

Os sujeitos desta pesquisa sobre a saúde do servidor público federal desenvolvem suas atividades no HU da Ufal. Todos os auxiliares e técnicos de enfermagem entrevistados pertencem ao quadro permanente e são regidos pelo RJU, portanto, são servidores públicos federais, da carreira dos Técnicos Administrativos da Educação Superior (Taes).

Inicialmente, localizamos a instituição onde estão desenvolvendo seu trabalho, fazendo uma retrospectiva histórica e apresentando os serviços que prestam à comunidade alagoana e circunvizinhas que buscam atendimento hospitalar público gratuito e de qualidade.

4.1. Histórico e estrutura do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes