A ideia de considerar a organização como um grupo de amplos recursos surgiu em 1959 (WERNERFELT, 1984; PENROSE, 1959). O foco dessa teoria está na estratégia baseada em um conjunto de recursos intra-organizacionais, que podem gerar e manter as vantagens competitivas, garantindo rentabilidade por períodos de tempo prolongados.
Para Wernerfelt (1984), os recursos de uma empresa podem ser tangíveis ou intangíveis como: capacidade de produção, liderança em custos, marcas, tecnologia, know-
how tecnológico, indivíduos com conhecimento especializado, recursos financeiros, contatos
comerciais, competência em processos, entre outros.
De acordo com Teece et al (1997), uma forma útil de identificar os principais recursos da empresa é por meio de uma análise de seus pontos fortes e fracos. Este tipo de análise é amplamente utilizado por empresas que procuram identificar quais são os recursos determinantes no mercado, a fim de adaptá-los à sua realidade empresarial.
A proposição central desta escola de pensamento, conhecida como a teoria de recursos (resource base view – RBV), é que a fonte da vantagem competitiva encontra-se principalmente nos recursos e capacidades desenvolvidas pelas empresas e apenas secundariamente na estrutura das indústrias em que estão situadas.
Desse modo, as empresas são consideradas como unidades de recursos e capacidades (PRAHALAD e HAMEL, 1990). Esses recursos e capacidades são vistos como elementos raros, difíceis, caros de serem imitados e substituídos no âmbito de uma organização privada (BARNEY, 1991, 1997). O conceito de recursos inclui não apenas os recursos físicos e financeiros, mas também recursos intangíveis (HALL, 1992).
A origem da teoria dos recursos é geralmente associada com o trabalho de Wernerfelt (1984). No entanto, outras antigas contribuições teóricas pavimentaram o caminho para a constituição da teoria dos recursos. Penrose (1959) enfatiza os processos de expansão das
empresas que são caracterizadas tanto pelas oportunidades externas quanto internas em relação ao conjunto de recursos da empresa. Penrose (1959) também realça as limitações e as possibilidades de recursos internos para a expansão das empresas.
A noção de vantagem competitiva foi encontrada em um dos primeiros trabalhos de Barney (1986a), em que ele abordou a questão da cultura organizacional e sua relação com melhor desempenho financeiro. Para que a cultura organizacional possa proporcionar um melhor desempenho, seria necessário que ela fosse capaz de criar valor econômico e também fosse difícil de ser imitada. Sob estas condições, a cultura foi definida como um componente de vantagem competitiva empresarial.
Barney (1986b) afirma que as empresas com desempenho financeiro superior (sustentado) normalmente são caracterizadas por possuírem um forte conjunto de valores estruturantes de gestão que definem sua forma de fazer negócios. Estes valores estruturantes são definidos pela forma como as empresas tratam funcionários, clientes, fornecedores e outros. São esses valores que promovem a inovação e flexibilidade nas empresas e, em conjunto com os controles gerenciais, provavelmente, proporcionam às empresas um desempenho financeiro superior sustentado.
Nesse sentido, a cultura tem um efeito envolvente em uma empresa porque ela não apenas define quem são os stakeholder relevantes (funcionários, clientes, fornecedores e concorrentes), mas também define a forma como a empresa vai interagir com esses importantes atores (BARNEY, 1986b).
Por essa linha de raciocínio, Barney (1991) define o que irá tornar-se um argumento central da teoria de recursos em termos de vantagem competitiva:
Diz-se que uma empresa tem uma vantagem competitiva quando está implementando uma estratégia de criação de valor que não está sendo simultaneamente implementada por seus concorrentes ou potenciais
concorrentes e esses são incapazes de repetir os benefícios desta estratégia (BARNEY, 1991, p.102).
A ideia de que as diferenças qualitativas das empresas podem ser atribuídas a recursos específicos também representa uma ruptura com as teorias que se concentram na estrutura da indústria, que atribuem a diferença entre as empresas a fatores externos, tais como o seu posicionamento dentro da indústria.
Desta hipótese, derivam-se duas importantes implicações. Em primeiro lugar, para justificar as diferenças de desempenho, os recursos devem ser capazes de gerar produtos ou serviços que podem ser comercializados (COLLIS, 1991). Não é suficiente para as firmas possuírem diferentes recursos. Na realidade, o que diferencia os recursos é a sua capacidade de gerar valor para os clientes (HAMEL, 1995), ou a sua capacidade para permitir a implementação de estratégias diferenciadas (BARNEY, 1997).
Em segundo lugar, esse raciocínio leva a uma mudança fundamental na visão sobre a natureza da competição: ao invés de haver uma competição entre produtos, torna-se uma competição entre os recursos e as capacidades (SANCHEZ e HEENE, 1996; HAMEL, 1994).
A partir dessas hipóteses básicas, os estudos sobre teoria dos recursos exploram alguns temas comuns.
Primeiro, a vantagem competitiva pressupõe que a dotação dos recursos das empresas é heterogênea. Como resultado dessa heterogeneidade de recursos, as empresas diferem em desempenho econômico, algumas com baixa rentabilidade e outras com uma rentabilidade excepcionalmente elevada em comparação à média do mercado.
Segundo, o controle, por algumas empresas, dos recursos capazes de gerar um maior desempenho pressupõe que a oferta desses recursos é limitada. A escassez desses recursos é difícil de imitar ou por razões estruturais (limites legais, físicos, naturais, tempo), ou devido a razões relacionadas com o comportamento das empresas pela sua capacidade de desenvolver recursos únicos a partir de matérias-primas indiferenciadas disponível no mercado.
Terceiro, essa abordagem ajuda a compreender por que as empresas copiam produtos de outras identificando os recursos subjacentes aos produtos. Mas a excessiva preocupação dessa abordagem com a acumulação de recursos, ou com o estabelecimento de estoques de recursos acaba por criar uma perspectiva estática, segundo Barney (1986). Assim, um enfoque mais dinâmico da vantagem competitiva será abordado na próxima seção.