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2.3. Kırsal Kalkınma

2.3.1. Kalkınma ve Kırsal Kalkınmanın Tanımı

3.1. PROCON-RJ

A dii culdade de encontrar dados especíi cos sobre sanções administrativas apli- cadas pelo PROCON-RJ nos obrigou a adaptar nossa técnica de coleta de da- dos e partimos para a realização de entrevistas.32 A advogada do PROCON-RJ

ai rmou que, desde 2008, nunca viu outra sanção ser utilizada que não fosse a multa, uma sanção pecuniária, como já se apresentou. Assim, quanto à vertente “PROCON-RJ” de nossa pesquisa, o que imaginávamos que seria uma busca por informações sobre as mais variadas sanções, objetivas, subjetivas e pecuniá- rias, tornou-se um estudo sobre uma única: a multa.

Apresentamos a seguir a descrição das percepções dos funcionários do PROCON-RJ entrevistados sobre a ei cácia das multas, que envolveram expli- cações sobre o processo administrativo que resulta na sua aplicação (vide íntegra das entrevistas nos ANEXO D e E).

3.1.1. Entrevistas: Percepções de funcionários do PROCON-RJ

O processo de aplicação da multa começa com a demanda do consumidor con- tra o fornecedor junto ao PROCON. O reclamado é notii cado para que apre- sente resposta no prazo determinado. Não ocorrendo a solução da controvérsia nesse momento inicial, é registrada a reclamação no cadastro das reclamações fundamentadas.33

Após o registro da reclamação no cadastro especii cado, marca-se uma au- diência, em que consumidor e fornecedor defenderão suas posições quanto à controvérsia apresentada. Caso haja acordo entre as partes, a reclamação fun- damentada é declarada atendida. Caso contrário, é chamada de não atendida.

As reclamações fundamentadas, ao serem declaradas não atendidas, re- cebem um número de processo administrativo e são levadas ao cartório, que aguarda os argumentos de defesa. Em seguida, o processo é levado para a pri- meira instância administrativa, que, após parecer do corpo jurídico, emite uma decisão. Essa decisão pode ser pelo cabimento da sanção, que é i xada imediata- mente, ou pelo não cabimento, que, neste segundo caso, leva ao arquivamento do processo. Segundo a advogada, sendo aplicada a multa, o fornecedor é noti- i cado para que a pague — ou para que possa recorrer.34

Se o fornecedor recorrer da decisão administrativa de primeira instância, o processo vai à instância superior, que analisa o caso e decide dando provimento ou não ao recurso. Caso não seja dado provimento, o fornecedor é novamente notii cado para que pague a multa, sob pena de inscrição na dívida ativa. Se o fornedor continua a discordar da multa caberá apenas o recurso à via judi- cial. Mas caso o fornecedor não pague a multa nem recorra ao Judiciário, o PROCON envia o débito para a Procuradoria Geral do Estado (PGE), que o

33 De acordo com o relatório do Cadastro Nacional de Reclamações Fundamentadas de 2011, do SINDEC, somente 15,3% dos atendimentos nos PROCONs integrantes do cadastro se transfor- mam de fato em reclamações fundamentadas. Disponível em http://portal.mj.gov.br/sindec/main. asp?ViewID={5E563276-03A5-4ED9-9750- F3BB71A31277}&params=itemID={FA6ADE21-3CB3- -4FF6-A3F5-85B546937838};&UIPartUID={2218FAF9-5230-431C-A9E3-E780D3E67DFE}. Aces- so em 11 novembro de 2012.

34 A advogada do PROCON-RJ utilizou os termos “cartório”, “juiz de primeira instância” e “juiz de segun- da instância” para se referir a elementos que pertencem ao próprio PROCON-RJ, e não à esfera judicial.

inscreve na dívida ativa do estado. Se ainda assim não houver o pagamento, o fornecedor i ca sujeito à execução i scal.

Em qualquer das etapas do processo administrativo, uma vez resolvido o problema do consumidor individual, o PROCON arquiva o caso. Segundo o diretor jurídico, a possibilidade de arquivamento serve como estímulo para que as empresas realizem acordos.

Caso o fornecedor, após a decisão administrativa de segunda instância, recorra ao Judiciário, ao i nal do processo judicial, pode ocorrer a coni rmação total ou parcial da multa ou o seu cancelamento. De acordo com o diretor jurí- dico do PROCON, é comum que a sanção não seja mantida nos valores deter- minados pela instância administrativa ou mesmo que haja anulação da sanção. Um dos motivos para o afastamento das sanções pela esfera judicial são vícios no trâmite do processo administrativo que podem levar à sua nulidade. No entanto, nosso entrevistado acrescentou que na sua percepção não há a deferência do Judiciário com relação à decisão do órgão administrativo, mesmo que este esteja em sua atividade típica e que tenha critérios rígidos para aplica- ção de sanções.

O diretor jurídico do PROCON-RJ diz que a legislação35 impõe a multa

em critérios de quantii cação rígidos, seguidos pelo PROCON. O Judiciário “não tem a percepção” disso.36 Nos recursos judiciais, as empresas alegam irra-

zoabilidade da multa e há reduções de até 60% da sanção pecuniária, de acordo com o convencimento do magistrado.

Segundo o diretor jurídico do PROCON, enquanto for matematicamente vantajoso para os fornecedores lesar o consumidor, aqueles continuarão prati- cando infrações. Como no Judiciário são altas as chances de redução ou anu- lação da multa, nas palavras do diretor, “o ilícito ainda está compensando”.37

Perguntado sobre a existência de algum convênio ou parceria com a ANA- TEL, o diretor respondeu que não existe nenhum.

3.1.2. Análise da eficácia das sanções administrativas

Passamos a discutir três tópicos apresentados na entrevista que são relevantes para a análise da ei cácia das multas. Eles são três variáveis utilizadas para a mensuração dessa ei cácia, quais sejam: variação do número de reclamações fundamentadas, recursos ao Judiciário e inscrições na dívida ativa do estado.

35 Lei Estadual do Rio de Janeiro 3.906/2002.

36 Palavras do diretor jurídico do PROCON-RJ, em entrevista realizada em 31/10/2012. 37 Palavras do diretor jurídico do PROCON-RJ em 31/10/2012.

3.1.2.1. Reclamações fundamentadas

As multas serão ei cazes quando, uma vez pagas, promoverem melhoria nos produtos e na prestação de serviços ao consumidor, o que tem efeito direto no número de reclamações registradas no PROCON.38 Assim, a variação no

número de reclamações de um ano para o outro pode permitir que se faça infe- rência sobre a ei cácia das multas.

O PROCON-RJ disponibilizou por e-mail, no dia 11 de outubro de 2012, a pedido do grupo, uma tabela de reclamações fundamentadas, que continha, se- gundo informado, todas as reclamações dos anos de 2010 e 2011. O número total foi de 3.631 reclamações. No entanto, os dados de 2010 e 2011 estão juntos, não havendo como identii car quais se referem a qual período. Há referência à aplica- ção de sanção, tendo em vista a existência de uma coluna no documento intitulada “SANÇÃO BASEADA CDC/LEGISLAÇÃO”. No entanto, não é apresentada a sanção que foi aplicada em cada caso. Além disso, esses dados tabelados diferem dos que são apresentados nos relatórios de reclamações fundamentadas de 2010 e 2011 disponibilizados no site do PROCON-RJ, segundo os quais o número total de reclamações referentes a empresas de telefonia móvel nesses períodos foi igual a 3.437 (vide tabela no ANEXO E). Destaca-se ainda que há um período de tempo que nenhum dos relatórios cobre, de setembro a dezembro de 2010.39

3.1.2.2. Recursos ao Judiciário

O estudo dos processos administrativos que resultaram em multa e que geraram recursos judiciais é importante na medida em que mostra em quantos casos não houve cumprimento da decisão da esfera administrativa, ou seja, em quantos casos a multa não foi ei caz no âmbito de aplicação. Se o fornecedor recorre ao Poder Judiciário e consegue a revisão ou anulação da sanção, podemos concluir que não há ei cácia da medida sancionatória. Ou seja, se o Judiciário não con- i rma a sanção aplicada, essa ei cácia i ca fadada a não existir.

O PROCON disponibilizou três diferentes listas40 com processos judiciais

decorrentes de decisão i nal na esfera administrativa, cada uma com uma quan-

38 Segundo o Relatório de Reclamações Fundamentadas 2011, elaborado pelo Sistema Nacional de Infor- mações de Defesa do Consumidor (SINDEC), Reclamação é o nome que se dá ao processo administra- tivo, quando não se obtém êxito em tentativas preliminares de solução de conl ito.

39 Relatório de 2011 disponível em http://www.procon.rj.gov.br/ranking.pdf - acesso em 11/11/12.Relató- rio de 2010 disponível em http://www.procon.rj.gov.br/arquivos/rel_reclamacao_fundamentada_setem- bro%202009%20a%20agosto%202010.pdf — acesso em 11/11/12.

40 A primeira lista é composta por 24 resumos de processos judiciais, relativos à telefonia móvel, desde 2001 até 2010. Segundo informa o PROCON-RJ, essa lista foi originalmente trazida da Procu- radoria Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) e o objetivo era que todos os processos adminis-