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Kalkınma Kavramının Evrimi

The Redefinition of Development Through Its Vertical and Horizontal Components

1. Kalkınma Kavramının Evrimi

Uma das mais novas incorporações na evolução do conceito de RSE é a sua associação com o desenvolvimento sustentável, refletindo e incorporando uma importante discussão da atualidade, a sustentabilidade, entendida no seu conceito mais amplo. A complexidade do tema obriga à interdisciplinaridade em sua abordagem, já que apenas uma disciplina não seria suficiente para a discussão dos aspectos sociais, econômicos e ambientais nele envolvidos.

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Desenvolvimento é um meta-conceito, que organiza os demais conceitos e os diferentes saberes, trazendo uma visão plural, de interface do social com o natural, numa ‘economia ecológica’, afirmou Sachs (informação verbal) em palestra realizada em São Paulo22. Esse conceito reintroduz a relação da sociedade

com a natureza, forçando os cientistas sociais a olharem o que acontece na natureza e tirando-os do posicionamento de objetivos e apolíticos. Ao longo de sua obra, o termo ecodesenvolvimento foi se transformando em desenvolvimento sustentável, incluindo as dimensões ética e social.

Os primeiros trabalhos sobre a necessidade de sustentabilidade foram em grande parte ignorados ou rejeitados (HENDERSON, 1998, p. 23) e o conceito de desenvolvimento sustentável vem sendo lapidado há mais de 30 anos, desde a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, 1972, reunindo representantes de 113 países, ONGs e organismos da ONU. A tônica nesta década era o controle para a defesa do meio ambiente, e a preocupação foi evoluindo nas décadas seguintes para o planejamento ambiental, gestão ambiental, ampliando-se, na primeira década metade do século XXI, o escopo para responsabilidade social e ambiental.

O conceito de desenvolvimento e meio ambiente, ou ecodesenvolvimento, vem sendo construído e ganhando consistência em termos mundiais a partir: a) do seminário internacional promovido em 1971 pela ONU em Founex, Suíça (como parte da preparação para Estocolmo, no ano seguinte), b) da Conferência das Nações Unidas sobre o meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, 1972; c) do Simpósio de Cocoyoc , México em 1974; d) do relatório Nosso Futuro Comum em 1987; e) da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento – ECO 92 – no Rio de Janeiro; f) da Cúpula de Desenvolvimento Social de Copenhagen em 1995; g) da Conferência sobre Assentamentos Humanos, Habitat II de Istambul em 1997; h) da Conferência de Johannesburgo em 2002. Essa cronologia indica que a discussão social foi precedida pela discussão da questão ambiental ao longo dos anos.

22 Evento de lançamento do livro Rumo à Ecossocioeconomia: teoria do desenvolvimento, de Ignacy Sachs, seguido de debate com o autor, realizado no dia 17/04/07 na livraria Cultura em São Paulo.

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Sachs (SACHS, 2007, p. 291) localiza a entrada do conceito de desenvolvimento na agenda internacional depois de 1945, por conta da necessidade de reparação das economias destruídas pela Segunda Guerra Mundial e pela preocupação de emancipação das antigas colônias. Nessa época, desenvolvimento era sinônimo de crescimento econômico pela popularidade da teoria da percolação e porque as economias dos países estavam arruinadas. Pensava-se, então, nesse contexto, que bastaria restaurar a economia para que seus efeitos positivos se espalhassem naturalmente por toda a pirâmide social, até a sua base. “Mas logo se tornou necessário explicitar outras dimensões do desenvolvimento: social, cultural, política e, depois de 1972, ambiental”.

A definição de desenvolvimento, pluridimensional em essência, foi agregando adjetivos por meio dos vários relatórios do PNUD e outros trabalhos, numa tentativa de reação ao centralismo da visão econômica, mecanicista e reducionista. Contribuindo com a ‘humanização’ da visão econômica dominante, incapaz de lidar com os desafios cruciais do desenvolvimento, Sachs23 sugere substituir todos os adjetivos pelo termo ‘integral’, que evoca uma abordagem sistêmica, considera todas as múltiplas facetas do desenvolvimento e faz referência ao desenvolvimento do homem integral e de todos os homens, citado por Perroux. Assim,

“o desenvolvimento pode ser compreendido como um processo intencional e autodirigido de transformação e gestão das estruturas socioeconômicas, direcionado no sentido de assegurar a todas as pessoas uma oportunidade de levarem uma vida plena e gratificante, provendo-as de meios de subsistência decentes e aprimorando continuamente seu bem-estar, seja qual for o conteúdo concreto atribuído a essas metas por diferentes sociedades em diferentes momentos históricos” (SACHS, 2007, p. 293).

A mensagem do Simpósio de Cocoyoc foi expressa no relatório What

Now?, datado de 1975, apontando os cinco pilares de ‘um outro desenvolvimento’:

autônomo, endógeno, voltado para a satisfação de necessidades básicas (e não

23 SACHS, Ignacy. Rumo à ecossocioeconomia: teoria e prática do desenvolvimento. São Paulo:

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para a demanda), em harmonia com a natureza e aberto à mudança institucional (Sachs, 2007, p. 289).

Paralelamente, pesquisadores vinculados ao Centro Internacional de Pesquisas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CIRED), na França, à Fundação Internacional para um outro Desenvolvimento (FIPAD), na Suíça, e à Fundação Dag Hammarskjold, na Suécia, tiveram uma extensa produção bibliográfica durante as décadas de 70 e 80 (VIEIRA, 2007). O termo ecossocioeconomia foi cunhado por Karl William Kapp (1987, apud VIEIRA, 2007), economista alemão inspirador da ecologia política dos anos 1970, buscando expressar a economia política do desenvolvimento integral, um conceito pluridimensional que envolve o econômico, social, político, cultural, humano, ambiental.

O conceito de desenvolvimento sustentável, que ganhou força e espaço na opinião pública a partir da Eco 92, havia sido apresentado pelo relatório Nosso Futuro Comum, em 1987, elaborado pela Comissão Brundtland. No relatório, desenvolvimento sustentável é “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades” (BRUNDTLAND, 1987). Adotado pelo governo brasileiro por ocasião da Eco 92, o conceito levava força à idéia de sustentabilidade das estratégias de desenvolvimento. No entanto, nos dias de hoje, encontramos ainda, apesar de progressos em termos de conscientização da opinião pública e do aperfeiçoamento de instrumentos de regulação jurídica e econômica, deficiências serias de capacitação técnico-científica, de eficiência operacional do governo e ainda de credibilidade em alguns segmentos da população (VIEIRA, in SACHS, 2007).

Ainda segundo Vieira24 essa investigação científica e mobilização da sociedade civil se afastou tanto da visão do crescimento a qualquer custo quanto da visão ecológica fundamentalista. Os estudos sistemáticos reconheceram a inviabilidade do não-crescimento sob risco de condenação à morte da base da pirâmide, ao mesmo tempo em que a dominância da visão economicista do desenvolvimento agravaria ainda mais a crise sócio-ambiental.

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Paul e Ann Ehrlich (1970, apud SACHS, 2007) sugerem que nossa ‘Espaçonave Terra’ é um sistema fechado com recursos escassos demais para que todas as nações se industrializem, o que levaria a ‘semidesenvolvimento’ do terceiro mundo e ao ‘des-desenvolvimento’ dos países superindustrializados. No outro extremo Sachs cita Max Nicholson (1970, apud SACHS, 2007), com suas conclusões de que os recursos da Terra são infinitamente variados e ainda pouco explorados. Conclui o autor que a gestão da qualidade ambiental e o desenvolvimento estão inevitavelmente ligados, mas não são conceitos antitéticos. O que Sachs25 propõe questionar é o caráter selvagem do desenvolvimento, e que este se baseie na lógica das necessidades sociais e não nas da produção, harmonizando os objetivos socioeconômicos com uma prudente gestão do ambiente.

Numa versão resumida do documento apresentado em Haia, 1971, Sachs (2007) apresenta as cinco dimensões do ecodesenvolvimento:

• sustentabilidade social, que reduziria a distância entre os padrões de vida dos ricos e dos pobres, por meio de uma outra lógica de crescimento, com mais equidade de distribuição de renda e de bens; • sustentabilidade econômica, por meio do gerenciamento eficiente de

recursos e de investimentos públicos e privados em fluxo constante. A eficiência econômica não seria avaliada macroeconomicamente, sobre a rentabilidade empresarial, mas em termos macrossociais;

• sustentabilidade ecológica, usando ferramentas de a) otimização de utilização de recursos dos diversos ecossistemas com baixo impacto danoso; b) substituição de combustíveis fósseis e outros recursos não- renováveis por recursos renováveis, abundantes e menos agressivos ao meio ambiente; c) reduzir resíduos e poluição, reciclando e conservando energia; d) auto-limitar o consumo material, especialmente pelos países ricos; e) intensificar pesquisa para tecnologia com menos resíduos e mais eficientes; f) definir normas para adequada proteção ambiental;

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• sustentabilidade espacial, melhorando a distribuição territorial rural – urbana e das atividades econômicas, por meio de redução da excessiva concentração nas áreas metropolitanas;

• sustentabilidade cultural, resguardando a continuidade cultural e a pluralidade de soluções ajustadas ao contexto sócio-ecológico.

Sachs (2007) mostra a ambigüidade do termo ‘desenvolvimento sustentável’, colocando a possibilidade da interpretação estritamente ecológica da sustentabilidade, de um lado, e a noção que considera aspectos técnicos, sociais e econômicos (entre outros ) de outro lado.

Kothari (1990 apud SACHS, 2007) identifica dois elementos em conflito no conceito de desenvolvimento sustentável, sendo um o ideal econômico restrito, que justifica a manutenção de privilégios e ameaça a natureza e o futuro (desenvolvimento), e outro, o ideal ético de preservação da vida na Terra (sustentável). Sachs considera utópico imaginar que as minorias ricas do hemisfério norte aceitem facilmente recomendações de limitações de suas ambições, com uma demanda chamada por Kothari de ecologicamente suicida e social e economicamente exclusivista.

Sachs26 coloca as duas opções para lidar com o desafio da relação homem e natureza:

“ou continua acreditando cegamente na capacidade da ciência e da tecnologia de oferecer a tempo soluções aos problemas que resultam dos seus próprios avanços, mantendo assim o rumo atual e deixando que a barra do leme guie sua mão: o cientificismo é fundamentalmente otimista e tende, portanto, a minimizar os riscos de catástrofe social e ecológica. Ou então procura se esforçar para manter o controle do navio e domesticar a ciência e a tecnologia, a fim de realizar um tipo de desenvolvimento social subordinado aos critérios de equidade social, de prudência ecológica e de eficácia econômica”.

A busca de novos paradigmas de desenvolvimento encontra dificuldades de vários níveis e amplitudes, sendo uma das mais críticas a superação do economicismo, ainda hoje, segundo o mesmo autor, a corrente dominante.

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Aceita-se, implícita ou explicitamente, a teoria da percolação (trickle down) que coloca a economia no comando, bastando garantir os controles macroeconômicos que permitam o crescimento para que este irradie benefícios sociais até a base da pirâmide. Muitos governos continuam apoiando esta teoria e os neoliberais mais radicais fazem sua defesa abertamente.

Sachs (2007) propõe serem chamados de desenvolvimento apenas os casos de resultado ‘ganha-ganha’ na relação social x crescimento econômico, combinada com resultado ‘ganha-ganha’ na relação meio ambiente x crescimento econômico, considerando os demais casos mau desenvolvimento ou desenvolvimento desequilibrado. A proposta é de um jogo com a natureza e não contra ela, em que se torna inaceitável, por exemplo, o crescimento econômico à custa da manutenção ou do crescimento da desigualdade social, mesmo que os impactos ecológicos tenham sido minimizados. O quadro abaixo representa o ‘desenvolvimento no sentido forte da palavra’.

QUADRO 14 – TIPOS DE CRESCIMENTO

Crescimento Econômico Social Ecológico

Selvagem + - -

Socialmente benigno + + -

Estável + - +

Desenvolvimento + + +

Fonte: Sachs (2007, p. 269).

Para avançar rumo a esta situação idealizada, uma ecossocioeconomia de relação ‘ganha-ganha’ entre meio ambiente e crescimento econômico, Sachs27

propõe três pontos de partida para uma agenda de desenvolvimento integral:

• aumento de investimentos no setor produtivo, gerando oportunidades de emprego e auto-emprego, além da divisão mais eqüitativa do tempo de trabalho;

• adoção de estilos de vida sustentáveis, mais racionais em termos de utilização de recursos;

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• regulamentação internacional efetiva da globalização financeira e comercial, especialmente.

Ao longo de seu trabalho, Sachs (2007) vem afirmando que o crescimento econômico ainda é uma condição necessária em função do tremendo déficit social, mas não suficiente para o desenvolvimento, já que se torna fundamental incluir a dimensão ética, social, política, ecológica, territorial e cultural, todos inter-relacionados e numa perspectiva de sustentabilidade. Ou seja, crescimento econômico não é inimigo do desenvolvimento, mas um de seus pilares. Da mesma maneira em que crescimento econômico não deve ser uma idéia oposta à de desenvolvimento social, mas sim um conceito costurado pela política democrática, num projeto em que técnicos, acadêmicos e leigos voltados para a melhoria da condição humana acima de qualquer interesse de outra esfera. Lembrando a Declaração de Cocoyoc, o autor enfatiza que a raiz do problema de sustentabilidade não é a escassez de recursos, mas a sua má distribuição28.

Paralelamente, temos a proposição de economistas que se denominam futuristas, como Henderson (1998, p. 24), indicando a ‘falência da economia tradicional’, com muitas de suas estruturas, políticas e teorias tornadas obsoletas pelas aceleradas mudanças ocorridas na economia mundial. Henderson identifica os os seguintes processos de globalizações: “a) do industrialismo e da tecnologia; b) do trabalho e da migração; c) das finanças; d) dos efeitos humanos na biosfera; e) do militarismo e do tráfico de armas; e f) das comunicações e da cultura planetária”, provocando quebra de paradigmas, aceleração de tendências e produzindo cada vez mais interdependência global e interatividade.

Um forte sinal de que o antigo modelo estava sendo questionado foi o relatório ‘Rumo a uma Nova Arquitetura Financeira Internacional’, publicado em 1999 pelo Comitê Executivo das Nações Unidas para a Economia e Assuntos Sociais, que declara:

“os eventos mundiais a partir de meados de 1997 e nos anos 1980 e 1990 deixaram claro que o atual sistema financeiro internacional não é capaz de salvaguardar a economia mundial das crises financeiras

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muito intensas e freqüentes e de efeitos reais devastadores” (HENDERSON, 2004, p. 78).

Assim, abre-se caminho para uma ‘Nova Economia’ global, colocada numa perspectiva multidisciplinar e abordada de forma sistêmica. Nas palavras de Henderson (2004, p. 71), “lidar com as tarefas de reestruturação da economia global requer múltiplas disciplinas e métricas que vão além do dinheiro”.

Mais uma vez encontramos a proposta de ‘subordinação’ da economia ao desenvolvimento humano e social, segundo esta autora, em três planos:

QUADRO 15 – MUDANÇA DE FOCO DA "NOVA ECONOMIA"

Mudança de foco de: Para:

- metas de políticas macroeconômicas

- mecanismos de governança em nível Global

- economia de especulação financeira

- metas de políticas de

desenvolvimento humano e social - governança de nível local,

nacional e regional - economia produtiva real

Fonte: Henderson (2004)

Remodelar a economia global requer atuação inter-relacionada em sete níveis: global, o ecossistema planetário, além das fronteiras das nações; internacional, tratados e acordos entre nações; nacional, soberania e domínio econômico interno; corporativo, contratos sociais das corporações, governança; governos locais, pequenos negócios, organizações comunitárias; sociedade civil, voluntários, ONGs; e a família/indivÍduo, padrões de cultura, organização e planejamento, incluindo a ampla participação de cidadãos e grupos marginalizados (HENDERSON, 2004).

Alguns relatórios internacionais ganharam, nos anos de 2006 e 2007, uma evidência na mídia representativa da força que a discussão do tema ‘sustentabilidade’ vem ganhando. Em outubro de 2006, Nicholas Stern (2006)

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apresentou o relatório “A Economia das Mudanças Climáticas”, patrocinado pelo governo da Grã-Bretanha, confirmando que há provas científicas suficientes para consideramos as alterações climáticas uma grave ameaça mundial, e a necessidade de uma resposta global urgente. Resumindo suas principais conclusões, têm-se:

• as alterações climáticas poderão ter impactos muito graves sobre o crescimento e o desenvolvimento;

• os custos da estabilização do clima são consideráveis, mas viáveis; a demora para ação seria perigosa e muito mais dispendiosa;

• impõe-se uma ação contra as alterações climáticas, em nível de todos os países, a qual não necessita de limitar as aspirações ao crescimento por parte dos países ricos ou pobres;

• existe um leque de opções para a redução das emissões; é necessária uma ação de política forte e deliberada para motivar a sua aceitação;

• as alterações climáticas exigem uma resposta internacional, baseada numa compreensão partilhada dos objetivos a atingir a longo prazo e num acordo sobre os quadros de ação. (STERN, 2006)

Stern advoga a urgência da criação de uma visão internacional partilhada de objetivos a atingir no longo prazo, não bastando a ação isolada de alguns países. Sugere, ainda, que se inclua a apreciação dos seguintes elementos- chave: a) comércio de emissões de carbono; b) cooperação tecnológica, especialmente em matéria de normas dos produtos para eficácia energética; c) ação rápida para reduzir a desarborização; e d) adaptação das políticas de desenvolvimento e de financiamentos.

Pouco tempo depois, mais de 2.500 especialistas em clima de 130 nações produziram estudos sobre as mudanças climáticas e elaboraram uma série de relatórios pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, IPCC. O primeiro deles, apresentado em 02 de fevereiro de 2007, em Paris, França, apresentou a relação das atividades humanas, em especial a utilização dos combustíveis fósseis, com o aquecimento global e suas conseqüências nos próximos 50 anos. O segundo, apresentado em Bruxelas, Bélgica, em 06 de abril do mesmo ano, detalhou os impactos das mudanças climáticas e apresentou formas de combate ao aquecimento. O terceiro, apresentado em Bancoc, Tailândia, no dia 04

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de maio de 2007, detalhou essas medidas e opções para diminuir as emissões de gases do efeito estufa. Algumas das propostas apresentadas, em relação ao fornecimento de energia, transportes, habitação, agricultura e manejo de resíduos são:

• reduzir o uso de combustíveis fosseis; • maior emprego da energia nuclear; • uso de biocombustíveis;

• captura de CO2;

• fabricação de veículos híbridos; • maior uso do gás natural; • proteção de florestas;

• limites para indústrias para controle de poluentes.

O relatório síntese sobre o estado do clima no planeta foi apresentado em Valência, Espanha, em 16 de novembro de 2007 e, somando as descobertas e conclusões, alerta para a possibilidade de impactos abruptos e irreversíveis no clima, resultantes da atividade humana (IPCC, 2007).

A divulgação dos relatórios do IPCC provocou sensibilização da opinião pública, inclusive no Brasil, e houve proliferação de iniciativas de empresas e outras instituições para neutralização de emissões de gases de efeito estufa. Nas palavras de Ricardo e Rocha (2007), “carbono neutro” tornou-se uma grife concorrida. Naturalmente que é indispensável a adoção, por parte de indivíduos, empresas, outras instituições e governo, de práticas sustentáveis para reduzir as emissões, mas os autores identificam, neste momento, um “marketing fácil” nas falsas afirmações daqueles que dizem estar neutralizando suas emissões com plantio de árvores. Para que o plantio seja efetivo na compensação das emissões, um ciclo a longo prazo precisa ser cumprido, que inclui o monitoramento do crescimento das árvores e o fato de que o plantio gere uma floresta capaz de se reproduzir naturalmente. Por mais positivas que sejam as iniciativas que contribuam para

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atenuar a crise climática, “a eventual publicidade enganosa que afirme uma ‘neutralização’ de emissões não ocorrida prestará um desserviço à causa”29.

Esta resposta imediata das empresas, mas de pouca efetividade, pode ser entendida como uma estratégia de marketing ‘cosmética’30 ou pragmatismo

pouco fundamentado. Também pode ser vista apenas como um sinalizador do longo caminho que falta percorrer no sentido de ações comprometidas com resultados de longo prazo, que sejam fruto de parcerias construídas com outros agentes da sociedade, compartilhando o conhecimento necessário para fazer frente aos desafios colocados. Apenas como exemplo, uma multinacional como a Unilever, que emite por ano 3,6 milhões de toneladas de CO2, precisaria plantar 20 milhões de árvores ao ano – o suficiente para preencher nada menos que 26.666 campos de futebol (GREEN INICIATIVE, s.d. apud FELDMANN, 2007). E isto para reparar apenas uma parte do seu impacto ambiental, aquele relacionado à emissão de carbono.

A atividade empresarial tem, claramente, forte impacto sobre os problemas que estamos vivendo e é necessário seu reposicionamento em todos os ciclos produtivos. O nível corporativo, foco de nosso estudo sobre RSE, não pode ser recortado deste quadro e examinado separadamente, já que todos os outros níveis exercem influência na administração das empresas, muitas vezes, de forma direta. A ampliação do conceito de RSE com a sustentabilidade ecossocial, a pressão dos consumidores e da sociedade civil e a força dos tratados e acordos internacionais são fatores de influência na governança corporativa, com maior ou menor intensidade. A administração voltada à maximização do lucro e atendimento dos acionistas precisa passar a incluir também o atendimento de outros

stakeholders, ou grupos de interesse: clientes, fornecedores, empregados,

comunidade e meio ambiente. Essa relação mais equilibrada com os stakeholders e a preocupação com estratégias de mais longo prazo tem sido impulsionadas, segundo Henderson (2004), nos EUA, pelas organizações da sociedade civil e pelo

29 Ricardo e Rocha, 2007.

30 Consideramos “cosmética” uma mudança inócua, aparente, que melhora o aspecto externo mas

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setor de investimentos socialmente responsáveis, com seus fundos éticos mútuos e acompanhada por auditorias sociais, éticas e ambientais.