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5. TÜRKİYE’DE KALKINMA BANKACILIĞI VE SANAYİ İLİŞKİSİ

5.3. Kalkınma Bankacılığında Fon Kaynakları ve Teşvikler

5.3.2. Kalkınma Bankaları ve Teşvik Politikaları

Durante todo o período de 1930 a 1988 em que analisamos a posição e ação política das Assembleias de Deus, a referida denominação pentecostal foi constituída, em sua maioria, de pessoas subalternas da sociedade brasileira27. As denominações pentecostais preencheram um

vazio social e nelas homens e mulheres pobres buscaram dignidade. Veremos mais adiante que muitas das narrativas e crenças pentecostais são concebidas a partir de arquétipos políticos, ou seja, realidades e modelos mentais que se relacionam com determinadas doutrinas. Acreditamos também que expressões como os pentecostais eram/são apolíticos funcionam como semânticas que reforçam processos de invisibilidade e subalternidade.

Para a autora indiana de teorias do pós-colonialismo Gayatri Chakravorty Spivak (1988), o subalterno não é apenas uma palavra para definir o oprimido, mas representa aquelas e aqueles que não conseguem lugar num contexto excludente, de modo que os subalternos são todas e todos que não podem falar. Historicamente no Brasil, os grupos subalternos não tiveram voz nem representatividade em razão de seu status social. Desse modo, subalternidade está relacionada com processos de silenciamento e invisiblidade. Já se sabe que as Assembleias de Deus no Brasil cresceram a partir da adesão de pessoas cujos corpos eram, na maioria, pobres, negros e femininos.

Nos espaços pentecostais esses corpos subalternos podiam romper com processos de silenciamento, ao passo que conquistavam empoderamento discursivo. Por isso, questionamos a afirmação que os assembleianos eram apolíticos e desprezavam o mundo em razão de seu

27 Nos últimos anos parece haver um processo de ascensão social entre homens e mulheres de pertença pentecostal,

principalmente nos atributos renda e educação. Em recente pesquisa Gedeon Alencar (2014) analisou o crescimento do número de assembleianos nas universidades brasileiras e o impacto disso no modelo de ser pentecostal.

discurso escatológico. Essses corpos pentecostais subalternos eram marginalizados e silenciados. Estavam muito longe de conseguir protagonismo na esfera pública brasileira. Desse modo, as dimensões política e crítica dos pentecostais eram canalizadas e exteriorizadas a partir de suas narrativas, corpos, crenças, experiências e em práticas de culto da comunidade. O falar não depende da vontade do subalterno, pois ele não pode falar. Entretanto, na comunidade pentecostal todas e todos podiam de alguma maneira falar.

Spivak questiona se os subalternos podem falar numa sociedade em que esse direito lhes é suprimido. Acreditamos que a resposta para a pergunta da autora seja negativa, tendo em vista que os corpos subalternizados são colocados à margem do poder. A partir dessa constatação vemos com ressalvas a expressão que afirma que os pentecostais negavam o mundo, pois pensamos que essa semântica camufla processos de subalternidade e exclusão social em que homens e mulheres pentecostais estiveram envolvidas e envolvidos. Portanto, acreditamos que o discurso escatológico não negava o mundo, mas negava um tipo de mundo injusto e excludente. Nesse contexto, mediante as narrativas escatológicas os pentecostais adquiriram empoderamento discursivo para criticar e resistir a esse tipo de mundo.

No caso da mulher, por exemplo, como sujeito subalterno ela é colocada na sombra e como tal é silenciada. Nas ADs as mulheres encontraram um espaço de enunciação de modo que lhes foi garantido um lugar de discurso. Desde a década de 1930 que temas como o papel da mulher na Igreja bem como sua ordenação ministerial são discutidos nas ADs. Apesar das raras excessões, a consagração de pastoras sempre foi rejeitada nas reuniões convencionais. Entretanto, desde as origens do pentecostalismo no Brasil as mulheres têm seus espaços discursivos, ainda que com ambiguidades.

Em 1930, quando ocorreu a primeira Convenção Geral das Assembleias de Deus a missionária Frida Vingren recebeu uma série de restrições ao seu ministério. Há tempos que ela já exercia trabalhos ministeriais. Seu marido Gunnar Vingren relatou que “durante a minha enfermidade, a minha esposa, junto com os obreiros da Igreja, tem assumido a responsabilidade pela obra” (VINGREN, 1982, p. 56). Mesmo depois da reunião da Convenção ela continuou sua atuação como redatora do jornal Mensageiro da Paz e usou aquele espaço para se manifestar contra as decisões que restringiam o ministério feminino. Cinco meses depois da primeira Convenção Geral, Frida escreveu um texto “Chamado de Deus” mobilizando suas tropas:

Despertemo-nos, para atender o chamado do Rei, alistando-nos nas suas fileiras. As irmãs das “assembleias de Deus”, que igualmente, como os irmãos têm recebido o Espírito Santo, e portanto, possuem a mesma responsabilidade de levar a mensagem aos pecadores precisam convencer-se que precisam fazer

mais do que tratar dos deveres domésticos. Sim, podem também, quando chamadas pelo Espírito Santo, sair e anunciar o Evangelho. Em todas as partes do mundo, e especialmente no trabalho pentecostal, as irmãs tomam grande parte na evangelização. Na Suécia, pais pequeno com cerca de 7 milhões de habitantes, existem um grande número de irmãs evangelistas, que saem por toda parte anunciando o Evangelho, entrando em lugares novos e trabalhando exclusivamente no Evangelho. Dirigem cultos, testificam e falam da palavra do Senhor, aonde há uma porta aberta. (Os que estiveram na convenção em Natal e ouviram o pastor Lewi Pethrus falar desse assunto sabem que é verdade). Por qual razão, as irmãs brasileiras hão de ficar atrasadas? Será, que o campo não chega, ou que Deus não quer? Creio que não. Será falta de coragem? Na “parada das tropas” a qual teve lugar aqui no Rio, depois da revolução, tomou também parte, um batalhão de moças do estado de Minas Gerais, as quais tinha se alistado para a luta (MP, 1º de fevereiro de 1931, p. 6).

O percurso de Frida e de outras mulheres pentecostais migrantes poderia se enquadrar em metanarrativas como é o caso da personagem Macabéa de Clarisse Lispector em A Hora da

Estrela. Como se sabe, Macabéa migrou do Nordeste com destino ao Rio de Janeiro, tendo ido

morar no bairro de São Cristóvão; seu objetivo era o de fugir da miséria e alcançar melhores condições de vida. Após atravessar uma série de dificuldades, Macabéa morreu atropelada por um automóvel Mercedes e naquele momento virou o centro das atenções e conheceu sua hora da estrela. Naquele momento ela deixou de ser invisível, mesmo sendo uma experiência ambígua e de morte. As mulheres pentecostais também experenciaram seus momentos de a

hora da estrela. Quando seus corpos entravam em experiências de êxtase ou usavam a palavra

para testemunhar ou pregar elas rompiam por um momento os processos de invisibilidade. Eram vistas e notadas como alguém, pois ali, naquele espaço pentecostal, a subalterna falava.

O corpo negro-africano também encontrou no pentecostalismo um espaço de superação dos processos de invisibilidade e subalternidade. A sociedade brasileira é hierarquizada e racializada, de modo que

significante chave da diferença cultural e racial no estereótipo é o mais visível dos fetiches, reconhecido como conhecimento geral de uma série de discursos culturais, históricos e políticos, e representa um papel público no drama racial que é encenado todos os dias nas sociedades coloniais (BHABA, 1998, p. 121).

Frantz Fanon (2008) em Pele negra, máscaras brancas analisou como um negro se comporta no mundo dos brancos, na medida em que ele se vê obrigado a assumir características da branquitude. Quando os muitos negros e negras do Brasil fizeram opção pelo pentecostalismo eles viram no movimento um espaço onde poderiam vivenciar dimensões de

sua negritude? Acreditamos que sim. Essa identidade negra foi vivenciada na dimensão corporal, seja através das experiências de êxtase ou das expressões musicais. Além disso, a oportunidade que tiveram de usar a palavra também lhes deu empoderamendo discursivo. Desse modo, acreditamos que os corpos pentecostais rompiam processos de silenciamento e invisibilidade e vimos nessas experiências dimensões políticas.

O discurso de que pentecostais eram apolíticos parte do pressuposto de que eles não

quiseram participar dos processos políticos, mas não de que eles não puderam. O assembleiano

Manoel da Conceição Santos é um dos muitos exemplos de pentecostais que quiseram falar, mas como sujeitos subalternos não podiam e por isso foram silenciados e invisibilizados nos processos sociais. Além de subalterno, como já visto em nosso trabalho, Manoel também falou a partir de espaços marginais. Faremos essa análise a seguir.