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A exemplo da Carta de 1824, também a Constituição de 1891 silenciava a respeito dos partidos. Nem mesmo a primeira norma republicana destinada a regulamentar as eleições gerais ordinárias fazia menção à tais agremiações. Destarte, o art. 29 da Lei nº 35, de 26 de janeiro de 1892, não estabelecia a filiação partidária como condição de elegibilidade.

Qualquer apreço ou credibilidade que o sistema de partidos imperial possa ter ostentado enquanto durou o regime implodido pelo 15 de novembro – se é que, de fato, em algum momento ostentou -, não chegou intacto à República. Contra ele “se levantavam os políticos, os militares, os positivistas e grandes camadas da opinião pensante” 52.

A ojeriza aos partidos de então pode ser explicada por diversos fatores, todos eles oriundos, entretanto, da forma com que eram travadas as batalhas por espaço político durante o reinado.

Como primeiro argumento é possível alinhar a já descrita homogeneidade de origem e de práticas dos liberais e conservadores no campo da disputa pelo poder político. A lógica da atuação de uns e de outros não eram tão distintas quanto bradavam seus programas. Esta confusão foi agravada durante o processo de abolição da escravatura, quando integrantes de ambos os partidos dividiam-se acerca da medida.

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49 Consoante asseverado no item anterior, a oportunidade de se comandar o Gabinete Ministerial não emergia dos resultados eleitorais, mas da vontade do Imperador, que, usando as prerrogativas de titular do Poder Moderador, substituía os partidos que o auxiliavam na condução do governo sempre que entendesse conveniente. Diante desta incerteza, os parlamentares ocasionalmente no poder – tanto conservadores quanto liberais - tratavam de aniquilar a oposição e dificultar ao máximo a substituição do Gabinete. Daí a eleição de tantas Câmaras unânimes (ou quase) durante o período. Daí também as seguidas reformas da legislação eleitoral (Lei do Terço, Leis dos Círculos de 1 e de 3, etc.), supostamente voltadas a assegurar a representação das minorias. Havia uma certa compreensão - que, na maioria das vezes, não passava para o plano prático - de que o sistema de aniquilação das oposições não era favorável a nenhum dos grupos políticos então existentes, já que era a vontade do Imperador e não as urnas a responsável pela alternância no poder.

Ademais, ainda que as urnas fossem a verdadeira força motriz da alternância no poder durante o reinado, é necessário reconhecer que as inúmeras limitações ao exercício do direito de voto impostas no período faziam com que apenas uma parcela ínfima da população do país participasse efetivamente da operação eleitoral (cerca de 1% nas últimas eleições imperiais, como visto mais acima). Conseqüentemente, não se pode reconhecer ao poder até então exercido pelos partidos e parlamentares imperiais qualquer suporte eleitoral popular.

Desta forma, como muito bem destacado por Vamireh Chacon, “todos os êxitos partidários do Império de nada lhe valeriam” 53, pois o prolongamento e o agravamento das disputas por espaço e as constantes intervenções régias acima descritas corroeram as estruturas, idéias, princípios e teses ostentadas pelos partidos da época “até que, atiradas ao despenhadeiro da mais senil decadência, não restaram daquelas bandeiras rotas senão os farrapos que a cavalaria de Deodoro recolheu, no Campo de Santana, ao ensejo do golpe de Estado republicano de 15 de novembro de 1889” 54.

53História dos partidos brasileiros – discurso e praxis dos seus programas... op. cit., p. 57. 54

50 Assim, tão logo o Decreto do Governo Provisório nº 6, de 19 de novembro de 1889, extinguiu as exigências censitárias para o exercício do direito de voto considerou eleitores todos os cidadãos brasileiros, no gozo dos seus direitos civis e políticos, que soubessem ler e escrever, um grande número de cidadãos entrou na cena política republicana. Como não participavam do jogo político durante o ato anterior, não tinham qualquer apreço pelas instituições partidárias da época.

É claro que esta aparente abertura não transformou completamente o sistema então vigente, conferindo-lhe um alto grau de inclusão, conforme podemos notar da tabela abaixo, que demonstra os resultados das eleições presidenciais realizadas durante a Primeira República e a porcentagem da população que delas efetivamente participou:

Tabela – Competitividade e participação popular nas eleições presidenciais da Primeira República 55

Ano Candidato vencedor % dos votos válidos

Votantes (% da população total) 1889 Deodoro da Fonseca 1 - - 1891 Floriano Peixoto 2 - - 1894 Prudente de Morais 84,3 2,21 1898 Campos Salles 90,9 2,7 1902 Rodrigues Alves 91,7 3,44 1906 Afonso Pena 97,9 1,44 1909 Nilo Peçanha 3 - - 1910 Hermes da Fonseca 57,1 3,19 1914 Wenceslau Braz 91,6 2,4 1918 Rodrigues Alves 99,1 1,48 1919 Delfim Moreira 4 - - 1919 Epitácio Pessoa 71 1,5 1922 Arthur Bernardes 56 2,9 1926 Washington Luís 98 2,27 1930 Júlio Prestes 5 57,7 5,65 1930 Getúlio Vargas - -

1 – Alçado à chefia do governo provisório em 1889 após a proclamação da República. Torna-se presidente constitucional, eleito pelo Congresso, em fevereiro de 1891.

2 – Assume a presidência em novembro de 1891 em função da renúncia de Deodoro da Fonseca e a exerce até o final do mandato.

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3 – Assume a presidência em junho de 1909 em função da morte de Afonso Pena e a exerce até o final do mandato.

4 - Assume a presidência em função da morte, antes da posse, de Rodrigues Alves e a exerce até que um novo presidente (Epitácio Pessoa) escolhido por novas eleições realizadas em 1919 assumisse o cargo. 5 – Vencedor nas eleições e impedido de tomar posse pelo movimento revolucionário chefiado por Getúlio Vargas.

De fato, tal qual ocorreu no Império, durante todo o período assinalado, a participação popular nas eleições presidenciais continuou muito limitada.

Outro relevante fator – também decorrente da dinâmica das batalhas por espaço político durante o reinado acima exposta e muito mais influente que o anterior – que contribuiu para a completa ruína dos partidos imperiais na aurora da República e para a moldagem do sistema partidário que se seguiu era a forma com a qual as lideranças locais eram tratadas durante o citado processo de aniquilação das oposições tão comum no período que se encerrava. Não raro, quando no comando do Gabinete e procurando conservar-se à frente dele, os Partidos Conservador e Liberal tratavam de impor a todo custo sua própria vontade sobre as das lideranças locais, de modo a reverter em cadeiras parlamentares sua influência ministerial, aumentando, assim, o custo político da alternância.

Ademais, não se pode olvidar que as oligarquias regionais – especialmente a paulista, a mineira e a gaucha -, já bastante fortalecidas no cenário político imperial, encontraram no federalismo a arma adequada para combater eficazmente o centralismo monárquico até então dominante.

Isto não significa que não houve tentativas de formação de legendas nacionais. Vamireh Chacon cita como exemplo a tentativa de Francisco Glicério, um dos mais entusiastas participantes da Convenção de Itu de 1870, logo convertido em chefe do Partido Republicano Paulista, de organizar o Partido Republicano Federal, fundado sobre um ideal de conjunção harmônica entre partido e Estado que se refletisse em centralização político-partidária e descentralização administrativa federalista. Entretanto, como conta a história, sua tese não vingou diante da “política dos governadores” que acabou se firmando até que Vargas rompesse à força o sistema de revezamento criado. O último ato do Partido Republicano Federal foi o lançamento da candidatura presidencial – derrotada - de Lauro Sodré, decorrente de desentendimentos

52 do organizador da legenda com o então Presidente Prudente de Morais, que decidiu lançar – com sucesso - Campos Sales à sua sucessão 56.

Anota-se, ainda, a tentativa de formação do Partido Democrático Nacional, a partir dos Estados paulista e mineiro, mas que, nos dizeres de Afonso Arinos, “pela sua estrutura e composição, exprimia apenas os anseios da reforma política, no sentido mais formal da expressão. Não se aprofundava até as necessidades de reforma social” 57.

De qualquer modo, “neste contexto de início da experiência republicana, caracterizado por grande desconfiança às instituições nacionais, não havia ambiente propício à formação de partidos nacionais” 58. Os grupos republicanos formados de forma fragmentada na fase final do Império – especialmente depois de 1870 – tenderam a formar núcleos autônomos de poder que, com o tempo, converteram-se nos fortes Partidos Republicanos estaduais, dominados a pulso firme pelas oligarquias de cada ente federativo, dentre os quais se destacaram os de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba.

Sem mencionar todos os fatores sociais e econômicos que também influíram para este processo de pulverização do poder político no período, a organização partidária regionalizada na Primeira República foi favorecida por duas outras relevantes causas constitucionais Por um lado, o federalismo republicano, instituído pelo Decreto nº 1/1889 e confirmado - antes mesmo do texto promulgado em 1891 - pela “Constituição” outorgada pelo Governo Provisório por meio do Decreto nº 510, de 22 de junho de 1890, removeu a figura imperial que se estabeleceu como o epicentro das decisões políticas do Império e permitiu, assim, uma descentralização geográfica acentuada da vida política Por outro, nenhuma das leis e regulamentos do período fazia qualquer referência expressa aos partidos: nem o Decreto 200-A, de 8 de fevereiro de 1890 (“Regulamento Lobo”), posteriormente substituído pelo Decreto 511, de 23 de junho do mesmo ano (“Regulamento Alvim”), nem a Lei nº 35, de 26 de janeiro de 1892, ou o Decreto nº 1.688, de 7 de fevereiro de 1894, ou a Lei nº 1.269, de 15 de novembro

56História dos partidos brasileiros – discurso e praxis dos seus programas... op. cit., pp. 69/72. 57História e teoria dos partidos políticos brasileiros... op. cit., pp. 61/62.

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53 de 1904 (“Lei Rosa e Silva”), ou a Lei nº 3.208, de 27 de dezembro de 1916, ou qualquer outro dos muitos regulamentos eleitorais da Primeira República.

Conseqüentemente, não foi criado o ambiente adequado para o fortalecimento institucional dos partidos no início do período republicano. As legendas então formadas estavam estreitamente ligadas aos interesses particulares das oligarquias regionais e se mostraram incapazes de

“passar da etapa dos ‘Clubes Republicanos’ para a de partidos propriamente ditos. Em vez disso, seu clubismo equivaleria, isto sim, às facções de antes dos Partidos Liberal e Conservador do Império. O federalismo, traduzido pelo mandonismo local como sua consagração, impedia a reestruturação de partidos nacionais” 59.

O “Regulamento Alvim”, por exemplo, que definiu as regras para as eleições para o preenchimento das vagas do primeiro Congresso Nacional republicano, estabelecia simplesmente que:

“Art. 1º - São condições de elegibilidade para o Congresso Nacional:

1º - Estar na posse dos direitos de eleitor;

2º - Para a Câmara, ter mais de sete anos de cidadão brasileiro;

3º - Para o Senado, ser maior de 35 anos e ter mais de nove de cidadão brasileiro.”

Entretanto, é importante ressaltar que a derrocada dos partidos imperiais não implicou a da maioria de seus líderes. E nem poderia ser diferente. Como a

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CHACON, Vamireh. História dos partidos brasileiros – discurso e praxis dos seus programas... op. cit., pp. 68/69.

54 passagem de um regime para outro foi uma “operação simples” 60 que ocorreu sem verdadeiras fraturas revolucionárias que deixam cicatrizes sociais, a estrutura de dominação política não foi alterada em sua essência, conquanto, por óbvio, tenha se verificado um realinhamento mais ou menos horizontal das forças dominantes. O cenário político admitiu alguns novos atores (como os militares), expurgou alguns outros mais inflamados e converteu outros tantos que foram capazes de se ajustar às novas conjunturas. Nada muito além. Na prática, o que houve foi

“um revezamento do primeiro escalão imperial pelo segundo, os barões e viscondes pelos conselheiros e ex- presidentes de província: em lugar de Ouro Preto e Penedo, Rui Barbosa e Prudente de Morais, Campos Sales e Rosa e Silva. Em alguns casos, substituição do pai visconde pelo filho barão: os dois Rio Branco” 61.

Com efeito, para se ter uma idéia da falta de impacto e de significado prático que acompanhou o 15 de novembro, basta constatar que, de certa forma, a federação era mais aguardada por setores importantes de nossa elite política do que a própria república 62. Tanto assim que o próprio Joaquim Nabuco apresentou o Projeto de reforma constitucional nº 65 de 1888, que objetivava implantar o regime federativo ainda durante o Império 63, pois, conforme bradava o Manifesto Republicano de 3 de dezembro de 1870, “no Brasil, antes ainda da idéia democrática, encarregou-se a

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LAMOUNIER, Bolivar. Da independência a Lula: dois séculos de política brasileira... op. cit., p. 97.

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CHACON, Vamireh. História dos partidos brasileiros – discurso e praxis dos seus programas... op. cit., p. 58.

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“Já vinha, de mais de uma dezena de anos, a propaganda republicana, mais ou menos generalizada nas diferentes províncias do Império. Mas a dizer a verdade do fato, - nem mesmo nela havia muitos espíritos esclarecidos, capazes de bem apreciar o complicado da sua constituição, e de demonstrar, competentemente, as vantagens da União Federal. Em geral, sabia-se da prosperidade da Nação Norte Americana, governada por esse sistema; admirava-se aqui os seus progressos, a sua grandeza, em confronto com outras nações do velho e do novo-mundo; - e daí o sincero empenho dos bons patriotas brasileiros de transplantar para o Brasil regime idêntico, na fé ou convicção, que do mesmo também havia de resultar a grandeza de nossa pátria”. CAVALCANTI, Amaro. Regime federativo e a república brasileira. Brasília: Universidade de Brasília, 1983, pp. 124-125.

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Referido projeto já havia sido apresentado na Câmara dos Deputados pelo mesmo Joaquim Nabuco 3 anos antes, em 14 de setembro de 1885, além de um primeiro, de conteúdo semelhante, apresentado na sessão de 14 de outubro de 1831.

55 natureza de estabelecer o princípio federativo” 64.

Prova disso, ainda, é que

“a República proclamada no dia 15 de novembro no Rio de Janeiro demorou vários meses a ser conhecida nas províncias, que passaram a se chamar Estados (...) Com exceção de algumas revoltas monarquistas, a população – surpresa e confusa – observou a mudança de regime com grande passividade” 65.

Assim, a formação das novas agremiações regionais da Primeira República, a despeito de adaptada, não substituiu completamente e desde o início as lideranças políticas imperiais.

Toda esta pulverização geográfica do poder político refletiu-se – como era de se esperar – na formação um sistema político sensivelmente instável, baseado em um parlamento também altamente pulverizado, sem interlocutores partidários capazes de formar maiorias sólidas que dessem sustentação aos governos que, ademais, não podiam dispor dos apoios necessários para suprimir as revoltas que pipocavam por toda a Republica, tais como a Revolta da Armada (1891), a Revolução Federalista, no Rio Grande do Sul (1892) Guerra de Canudos, na Bahia (1893-1897), a Revolta da Vacina, no Rio de Janeiro (1904), a Revolta da Chibata, também no Rio de Janeiro (1910), o Conflito do Juazeiro, no Ceará (1911), a Guerra do Contestado (1912-1916) e, principalmente, o movimento tenentista, que teve seu auge no “18 do Forte”, no Rio de Janeiro (1922), a Rebelião Paulista de 1924 (também conhecida como a “Revolução Esquecida”) e a Coluna Prestes, que atravessou o país entre 1924 e 1927.

Diante deste quadro, o governo Campos Salles ficou marcado pela instituição de um pacto entre os governos federal e os dos Estados mais influentes, consistente na oferta de apoio político e condições de governabilidade ao Presidente da

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BRASILIENSE, Américo. Os programas dos partidos e o Segundo Império... op. cit., p. 75.

65

D’AVILA, Luiz Felipe. A federação brasileira. In BASTOS, Celso Ribeiro (Coordenador). Por uma nova federação. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1995, pp. 54/55.

56 República que, em troca, no comando da comissão eleitoral da Câmara Federal, incumbida de reconhecer e validar as eleições dos deputados, comprometia-se a excluir da disputa eleitoral os políticos que desagradassem as oligarquias estaduais, que ficariam, desta forma, livres para esmagar suas oposições dentro de seus próprios domínios.

As armas preferidas utilizadas pelas oligarquias ficaram conhecidas como “bico de pena” e “degola”. A primeira delas, nada estranha ao período anterior, conforme relata Francisco Belisário, consistia em dar um verniz de legalidade às disputas que, na prática, eram realizadas sob os maiores desmandos das oligarquias. Nas palavras do aludido autor:

“Em regra geral, as eleições assim feitas, a bico de pena, como se diz, são as mais regulares, segundo as atas: não há nelas uma só formalidade preterida, tudo se fez a horas e com os preceitos das leis, regulamentos e avisos do governo; é difícil que ofereçam brecha para nulidades” (grifo do autor) 66.

A segunda, também chamada de “terceiro escrutínio”, consistia na última ferramenta forjada para aniquilar as oposições: depois dos alistamentos falsificados, das pressões e violências exercidas sobre os votantes, dos vícios e fraudes da apuração dos votos depositados, as comissões de reconhecimento das eleições constituídas perante as Casas Legislativas simplesmente diplomavam no lugar dos candidatos mais votados que a opinião pública julgava eleitos, outros que agradassem mais as oligarquias locais 67.

Estava, portanto, criada a “política do café-com-leite” ou “dos governadores” e decretada a morte de toda e qualquer tentativa de estabelecimento de partidos políticos nacionais enquanto vigorasse este arranjo.

66O sistema eleitoral no Império... op. cit. p. 33. 67

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Benzer Belgeler