4. BÖLÜM: KÜRESELLEŞME OLGUSUNA FELSEFÎ BAKIŞ
4.5. Küreselleşmede Devlet ve Hukuk Sorunu
As decisões proferidas pela Corte que extinguem o processo, mas não analisam o mérito da questão acerca da constitucionalidade de uma norma, em regra, se apresentam sob a forma de ordenança.
Ocorre, porém, muitas vezes, um uso indiscriminado da sentença e da ordenança, pois não poucas decisões terminativas do processo, isto é, que não enfrentam o mérito da discussão, adotam um caráter substancialmente decisório e tendem a encerrar o julgamento do mérito da questão de legitimidade constitucional numa pronúncia equivalente a de rejeição de inconstitucionalidade, mitigando-se, assim, a regra da norma insculpida no artigo 18, da Lei Nº 87/1953, redigida nos termos que seguem abaixo:
Artigo 18. A Corte julga em via definitiva com sentença. Todos os outros provimentos de
sua competência são adotados por meio de ordenança. Os provimentos do Presidente são
adotados por meio de decreto. As sentenças são pronunciadas em nome do povo italiano e devem conter, além dos motivos de fato e de direito, o dispositivo, a data da decisão e a assinatura dos juízes e do chanceler. As ordenanças são suscintamente motivadas. 28(grifei) É o que acontece, por exemplo, de acordo com os ensinamentos de Crisafulli (1984, p. 377), nas seguintes hipóteses infra transcritas:
a) Quando, em via incidental e de ação, através de ordenança de manifesta
infondatezza29 a Corte põe fim ao processo ao confirmar uma precedente pronúncia de
infondatezza proferida em anterior julgamento ou, quando apesar da discussão trazer questão
28 Art. 18, Lei N 87/1953: 18. La corte giudica in via definitiva con sentenza. Tutti gli altri provvedimenti di sua competenza sono adottati con ordinanza. I provvedimenti del Presidente sono adottati con decreto. Le sentenze sono pronunciate in nome Del popolo italiano e debbono contenere, oltre alla indicazione dei motivi di fatto e di diritto, il dispositivo, La data della decisione e la sottoscrizione dei giudici e del cancelliere. Le ordinanze sono succintamente motivate.
29 As decisões de manifesta infondatezza confirmam a rejeição ou acolhimento de questão idêntica ou análoga já decidida anteriormente. RUGGERI, 2001, p. 182.
nova, essa é idêntica ou análoga a outra anteriormente decidida, no mesmo sentido da sua não fundamentação (artigo 29, Lei nº 87/195330);
b) Quando através de ordenança de manifesta infondatezza, de conteúdo meramente terminativo, a Corte extingue o processo, em via de ação e incidental, porque as questões trazidas para sua apreciação são as mesmas relacionadas às normas já anteriormente declaradas ilegítimas pelo órgão jurisdicional constitucional;
c) Ou, ainda, quando através de ordenança proferida em via incidental pela Corte, são restituídos os atos praticados pelo juiz a quo que remeteram questão acerca da legitimidade constitucional de uma lei ou ato normativo, para um novo e mais completo exame acerca da relevância dessa questão, pelo próprio juiz a quo. Este processo é encerrado porque ainda que a mesma questão seja reproposta será iniciado um novo processo.
Mas, além disto, a Corte pronuncia, em algumas ocasiões, sob a forma de sentença, as decisões de inadmissibilidade do processo quando faltarem os pressupostos necessários para o conhecimento e julgamento do mérito da questão, estabelecendo uma análise meramente instrumental31 ou, ainda, quando não estiverem presentes as condições preliminares do próprio mérito gerando a preclusão da análise da questão proposta, nas situações que segundo (BIN; PITRUZZELLA, 2005, p. 428–429; ONIDA; D´AMICO, 1998, p. 267–268), abaixo seguem:
i) Quando faltarem os requisitos subjetivos e objetivos para legitimar a remessa da questão de constitucionalidade, ou seja, quando esta não tenha sido remetida pelo juízo competente para processá-la e julgá-la;
ii) Quando o ato impugnado não conste naquele rol indicado no artigo 134 da Constituição Italiana , supra mencionado. Este defeito pode ser evidente e questionado em
limine litis; nestes casos, a manifesta inadmissibilidade será decidida a portas fechadas pelos
30 Artigo 29, Lei N 87/1953: 29. La sentenza con la quale la Corte si pronunzia sLopez Ulla questione di illegittimità costituzionale di una legge o di un atto avente forza di legge o l’ordinanza con la quale è dichiarata la manifesta infondatezza dell’eccezione di incostituzionalità, vengono trasmesse, entro due giorni dal loro deposito in Cancelleria, unitamente agli atti, all’autorità giurisdizionale, che ha promosso il giudizio, a cura del cancelliere della Corte.
31Cerri afirma que “mentre le decisioni di accoglimento sono adottate sempre con sentenza, le decisioni di rigetto e d´inammissibilità sono adottate con sentenza solo quando la ragione che le sostiene no sia così <<palese>> da non poter essere motivata succintamente... ma da esigere motivazione diffusa‖. (CERRI, 1997, p. 110).
Ou, em outras palavras, se a Corte entende que a questão é manifestamente infundada, essa decisão é formalizada sob a estrutura de ordenança, enquanto que adotará a forma de sentença de mérito proferida pela rejeição da inconstitucionalidade normativa quando a questão de ilegitimidade não for fundamentada, simplesmente. (ONIDA, 1998, p 272).
juízes constitucionais, sem o procedimento da audiência pública, e declarada com uma
ordinanza. Em outros casos, a falta de força de lei pode ser a conclusão de uma difícil valoração e constituir o objeto de uma discussão estabelecida em uma audiência pública como, por exemplo, a questão de impugnação dos regulamentos parlamentares, devendo ser, nestes casos, diretamente inaplicados pelo juiz. Nestas situações, a inadmissibilidade será declarada com sentença;
iii) Quando faltar o requisito da relevância, nas situações em que carece de motivação a questão levantada sobre a existência do vício de inconstitucionalidade normativa – que pode ser sanado após a restituição do ato ao juiz quo –, ou então, quando a norma objeto de questionamento quanto à sua legitimidade constitucional não mais faz parte do ordenamento jurídico, em razão de ter sido revogada por outra lei, após a propositura da questão perante a Corte; ou quando faltar, por exemplo, o interesse para recorrer, numa impugnação direta perante a Corte, de uma Região, porque a lei que se questiona não a atinge sob qualquer aspecto;
iv) Quando a ordinanza di remissione – ato do juiz a quo que encaminha a questão sobre o vício da inconstitucionalidade normativa perante a Corte, em sede de via incidental – ou o recurso, na via de ação, carecer de indicações suficientes e unívocas para definir o thema
decidendum; quando não indicadas claramente, por exemplo, as normas impugnadas ou aquelas constitucionais que servem de parâmetro de juízo, ou, ainda, quando no julgamento sobre ofensa ao princípio da igualdade não venha indicado o tertium comparationis;
v) Quando verificados erros meramente procedimentais, como quando as partes do processo principal não são notificadas da ordenança;
vi) Quando a questão submetida à Corte comporta uma valoração de natureza política ou um juízo sobre a atuação dos parlamentares, explicitamente excluídos do controle da Corte (artigo 28 da Lei 87/195332). Obviamente, que esta hipótese é a mais delicada, enquanto remetida ao julgamento discricionário da Corte a valoração da subsistência destas condições. A Corte, então, recorre à decisão de inadmissibilidade para não enfrentar – porque não é sua atribuição – casos de conotação política ou nos quais a complexa gama de interesses em questão rende impossível uma intervenção, se não do legislador.
32 Artigo 28, Lei 87/1953: 28. Il controllo di legittimità della Corte costituzionale su una legge o un atto avente forza di legge esclude ogni valutazione di natura politica e ogni sindacato sull‘uso del potere discrezionale del Parlamento.
Este foi o caso que ocorreu, por exemplo, quando a Corte, com uma ordenança de manifesta inadmissibilidade, deixou de julgar no mérito a lei sobre aborto, que não reconhece relevância à vontade do pai na decisão sobre a interrupção da gravidez, por ser esse fruto da escolha político-legislativa – não julgada pela Corte – de deixar à mulher a decisão de interromper a gravidez (ord. 389/1988). 33
O que se pode depreender da análise das situações acima expostas é que, ainda que teoricamente fosse razoável, torna-se difícil invocar uma distinção nítida e precisa entre as decisões de caráter meramente processual, que se definem como pronúncias de inadmissibilidade (sentenças ou ordenanças), daquelas que se configuram como simples devoluções dos atos ao juiz a quo (ordenança).
Por intermédio das pronúncias de inadmissibilidade, a Corte julgaria definitivamente a existência de um vício insanável, como a falta de força normativa do ato impugnado, ou ainda, idêntica questão de legitimidade constitucional remetida pelo mesmo juiz e no mesmo processo; enquanto que pela restituição dos atos ao juízo a quo, a Corte enfrentaria um vício procedimental, como a falta de notificação da ordenança de remissão ou, então, falta de relevância da discussão sobre a norma impugnada, em razão do jus superveniens decorrente de uma mudança legislativa que extinguiu o vício de ilegitimidade que se questionava perante a Corte.
Ocorre, porém, que as pronúncias de inadmissibilidade em substituição às ordenanças de restituição – que são decisões da Corte que simplesmente devolvem ao juiz a quo a questão que lhe foi submetida para que seja sanado um vício de notificação, por exemplo – tem crescido consideravelmente de modo que se tornou obsoleta a deliberação acerca da distinção entre esses dois atos decisórios. (RUGGERI, SPADARO, 2001, p. 181–184)
Em verdade, não se pode pretender esgotar nesse estudo, a reflexão acerca das decisões constitucionais de caráter terminativo, sobre as quais, como bem asseveram Ruggeri e Spadaro (2001) é difícil exprimir um juízo definitivo, pois, por mais de uma vez, a Corte abusou desse instrumento, cuja abrangência é diretamente proporcional ao aumento do poder discricionário deste órgão de justiça constitucional, exatamente para não afrontar os casos
33 Na Ordenança nº 389, a Corte Constitucional Italiana declarou a manifesta inadmissibilidade da questão de legitimidade constitucional proposta pelo Pretor de San Donà di Piave em relação a Lei nº 194, 22 de maio de 1978, norma que regulamenta a tutela social da maternidade e a interrupção da gravidez, no curso de um julgamento por ressarcimento de danos decorrente de lesão ao direito de paternidade, no qual era autor Giampeiero Boso, e ré Ornella Bassi. Considerou a Corte que a norma impugnada era fruto de uma escolha político-legislativa da mulher grávida, decidir interromper sua gravidez; não sendo este objeto apreciável pela Corte.
mais delicados e incertos sobre a questão de legitimidade constitucional, talvez mesmo em razão da instabilidade das suas orientações jurisprudenciais.