13 São João del-Rei Banda de Música do 11º BIMth488 1888/1920
14 São Tiago Lira Imaculada Conceição 1963
15 Tiradentes Orquestra e Banda Ramalho 1860
Quadro 5 – As três bandas de música criadas após o ano de 1965. 1 Coronel Xavier Chaves Banda de Música Santa Cecília 1984 2 Santa Cruz de Minas Corporação Musical São Sebastião 1997 3 São João del-Rei 489 Banda de Música Santa Cecília 1968
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As primeiras bandas de música das polícias militares brasileiras são de meados do século XIX. A mais antiga delas é de Minas Gerais, precisamente a do 4º Corpo Militar, hoje 3º Batalhão de Polícia Militar sediado em Diamantina, fundada em 1835. Seguiram o feito mineiro o Rio de Janeiro (1839), Bahia (1850) e São Paulo (1857). Em agosto de 2011, a Polícia Militar de Minas Gerais possuía 19 bandas de música, além de outras em fase de implantação, como a de Poços de Caldas. Deve ser observado que essas bandas, além dos serviços diários nos respectivos Batalhões, atendem a solicitações de prefeituras municipais, escolas, clubes e paróquias, sendo muito comum ouvi-las em cortejos fúnebres e procissões da Semana Santa, contribuindo decisivamente para a integração social e o desenvolvimento cultural nas regiões onde estão instaladas. Cf. <www.pmmg.mg.gov.br>. Acesso em: 15 jul. 2012.
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Não se sabe ao certo a data de fundação da banda de música, mas é correto dizer que ela foi atuante na segunda metade do século XIX em função das partituras do conjunto que restaram daquela época.
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Algumas bandas de música foram extintas, a saber: Corporação Oeste de Minas (1905), Banda do Asilo São Francisco de Assis (1894) e Lira São Francisco de Assis (1920). A Lira Piedense, de Piedade do Rio Grande, ativa em outros tempos, encontra-se desativada desde o ano de 2008. Segundo Lúcio Carmo Faria, seu presidente, o repertório da banda e seu arquivo não estão, desde essa data, em condições de serem consultados. 488
Segundo informações oferecidas pelo Regimento Tiradentes, ela foi, em 1888, Banda de Música do 28º BI, naquela época, coadjuvada pela regência do maestro Martiniano Ribeiro Bastos. Foi reorganizada em 1920, desde a criação do 11º RI.
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Ao longo da sua história, em São João del-Rei, o nome “Santa Cecília” serviu para nomear duas bandas de música. A primeira, já extinta, segundo o historiador Antônio Gaio Sobrinho, foi criada em 1934 por Joaquim Quintino dos Reis, também conhecido por Joaquim Laurindo. A segunda nasceu em 1968, com salário dos instrumentistas pagos pela prefeitura municipal da cidade, ganhou o status de semiprofissional por iniciativa do ex-prefeito Milton Resende Viegas. É a única banda de música da microrregião de São João que conseguiu tal feito. Ainda em atividade, ela se junta à história das demais como exemplo do rico momento musical que viveu e ainda vive a cidade de São João. Dirigida por José Antônio da Costa há mais de 30 anos e com função na Semana Santa, tem em seu repertório mais reduzido (seis marchas), que repete outras tocadas pelas bandas do Exército e Theodoro de Faria. Segundo os músicos mais antigos e seu regente, a banda atual não tem vínculo algum com aquela nascida na década de 1930. A única semelhança reside no nome da banda, que é o mesmo. (Depoimento que me concederam na manhã de sábado do dia 16/3/2013 no Campus CTAN da UFSJ em São João del-Rei).
Foto 8 – Banda do 11º BIMth de são João del-Rei (década de 1960). Fonte: Acervo da Banda de Música do 11º BIMth, sem autor.490
Foto 9 – Banda Theodoro de Faria, nos primeiros anos da década de 1960, participando de procissão em São João del-Rei (sem autor e data).491
Fonte: Arquivo particular do Maestro Teófilo Helvécio Rodrigues.
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A banda em desfile de 7 de Setembro na Av. Rui Barbosa em São João del-Rei, antes de 1963, quando o calçamento foi trocado de paralelepípedo para bloquete.
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O menino, terceiro na fila da esquerda, é Teófilo Helvécio Rodrigues, que divide atualmente a regência da banda com o seu irmão Tadeu Nicolau Rodrigues.
Foto 10 – Lira Ceciliana de Prados, século XIX. Fonte: Lira Ceciliana de Prados sem autor e data.
Não devemos deixar passar despercebido o fato de várias delas terem sido batizadas com o nome de Santa Cecília. A religiosidade do povo – incluem-se aí os músicos – fez com que o nome da mártir fosse amplamente lembrado no momento de identificação dos conjuntos. Ante tantas Bandas Santa Cecília, foi necessário lhes acrescentar o nome da cidade de forma a facilitar a identificação. Invocações marianas foram lembradas como a do Rosário e a das Dores, tornando-se titulares de lugares, devoções patronímicas, eleitas padroeiras de arraiais, vilas e cidades em todo o Brasil.492
As datas de fundação de bandas de música são imprecisas, resultado de encontros e ajuntamentos informais de instrumentistas para servir com música eventos de toda ordem que aconteciam nos arraiais e vilas. Somente a partir do século XX, começou a existir certo cuidado de deixar anotadas datas de criação, nomes de músicos e de documentos (estatutos), testemunho de um trabalho mais organizado de registro das ações desses grupos musicais.
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No século III, especificamente no ano 230, segundo consta, Santa Cecília, teria sido queimada viva enquanto cantava hinos religiosos. Foi no século XV, depois de tornada santa, que Santa Cecília foi declarada protetora da música. É geralmente representada tocando algum instrumento (a lira). O poeta inglês John Dryden escreveu poesias intituladas Odes a Santa Cecília, que mais tarde foram musicadas por dois importantes compositores, Henry Purcell e George Frideric Haendel. O dia de Santa Cecília é 22 de novembro, o mesmo em que foi morta queimada.
Ao que parece, o mesmo ocorreu em Portugal, país que nos forneceu os primeiros modelos de organização desses conjuntos. O site da Banda Amizade da cidade de Aveiro – importante centro musical daquele país – deixa claro que pouco se sabe acerca da origem da mesma. Lá, foi na primeira metade do Oitocentos, possivelmente em 1834, que o citado grupo musical principiou suas atividades.493
Não devemos confundir o movimento em torno das bandas com a criação das antigas orquestras, liras com coro, nascidas em tempo mais antigo. A Lira Sanjoanense,494 de 1776, organizada por José Joaquim de Miranda, foi a primeira sociedade criada em Minas regida por estatutos e denominada “Companhia de Muzicos”; a segunda foi a Orquestra Ribeiro Bastos de 1860.495 Outras orquestras famosas são a Lira Ceciliana de Prados de 1858 e a Orquestra Ramalho de Tiradentes, esta iniciada em data incerta em meados do século XIX. Essas quatro corporações são as únicas que restaram de tempos antigos e que guardam em seus arquivos parte significativa da música sacra produzida em Minas Gerais nos séculos XVIII e XIX. Do seio desses conjuntos, nasceram as primeiras bandas de música sendo que algumas se mantêm e outras, como a do Ribeiro Bastos, se dissolveram para dar vida a novas corporações.
Agremiados em irmandades e ordens terceiras criadas em meados do século XVIII em Minas Gerais contratavam ou tinham seus próprios grupos encarregados da música nas festas religiosas, mostrando-se como orquestras ou bandas de música. A Lira Sanjoanense hoje se apresenta apenas como orquestra e divide as funções musicais nas igrejas de São João com a Orquestra Ribeiro Bastos. No entanto, em Prados, a Lira Ceciliana mantém-se como orquestra, coro, banda e escola de música, responsabilizando-se pela música em eventos
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Atualmente, eles têm uma Banda Sinfônica. Conferir: <www.bandaamizade.com>. Acesso em: 4 ago. 2011. 494
A Lira Sanjoanense mantém importante arquivo de música, cuja organização teve início no período colonial, fonte de pesquisas para musicólogos e historiadores de Brasil e do exterior.
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Há controvérsias quanto à data de fundação da Orquestra Ribeiro Bastos. Ao analisar livros de despesas de Ordens e Irmandades de São João, o professor José Maria Neves constatou que, em 1755, foram efetuados pagamentos ao grupo musical (futura Ribeiro Bastos), que tinha como diretores Manoel Inácio Custódio de Almeida e Inácio da Silva. Outros nove regentes estiveram à frente do grupo antes de Martiniano Ribeiro Bastos, a quem coube a função de organizá-la com base em estatutos no ano de 1860 e dirigi-la até o ano de sua morte em 1912 e nela deixar gravado seu nome. Respeitada pelos relevantes trabalhos prestados à comunidade, deve-se também a ela, guardiã de parte considerável de manuscritos musicais de compositores mineiros dos séculos XVIII e XIX, principalmente as devidas considerações pelos serviços que presta à história e memória musical brasileira. É desse grupo que surgiu em 1902 a Banda Theodoro de Faria. Cf. em NEVES, José Maria. A Orquestra Ribeiro Bastos e a Vida Musical em São João del Rei, p. 147-198.
litúrgicos e paralitúrgicos da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, além de outros de interesse público.496
Noutros lugares, cito aqui especificamente o caso de Dores de Campos, a organização musical teve início no seio de uma família – bastante parecido ao ocorrido em Prados – mas neste caso sem, ao que consta, aproximação efetiva a qualquer irmandade ou ordem terceira que possa ter havido na vila. Em Dores de Campos:
O jovem Agostinho Silva, inteligente, esforçado e de larga visão, aprendeu música em Prados com o mestre Lau e o professor Francisco Fonseca e aqui instalou uma aula, organizando banda e orquestra, o que abriu nova perspectiva à vida social. Em 1875, Agostinho Silva (11/7/1821-30/12/1929) – por longos anos, também farmacêutico do lugar – fundou a primeira banda de música local [Lira Nossa Senhora das Dores]. Era toda ela formada por membros da sua família Silva; irmãos, tios, sobrinhos e primos, um grupo de 15 músicos.497