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Fonte: Arquivo da Casa de Cultura de Resende Costa/Foto Sylla – com dedicatória: “Ao Sr. Quinzinho ofereço recordando o seu tempo de regente da Banda de Música de Resende Costa”. Sylla Reis.

Outra banda, a “Corporação Oeste de Minas”, também de relativa importância em seu tempo,

foi organizada pelos operários das oficinas da Ferrovia Oeste de Minas em 1905.505 Antes de ser extinta, a banda se somou a outras agremiações para tocar no enterro de Ribeiro Bastos, que faleceu em 8 de dezembro de 1912.

Em Coronel Xavier Chaves, vila de Prados até a década de 1960, existiu uma pequena orquestra que foi organizada e dirigida pelo músico Telésphoro de Mendonça, da cidade

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REZENDE, José Augusto de. Livro de pállidas reminiscências da antiga Lage, p. 44. Trata-se do maestro Francisco Rangel, também professor e presidente da Irmandade de São Vicente de Paulo. Há divergências de datas, pois o autor o apresenta como presidente eleito da Irmandade em 1905.

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SOBRINHO, Antônio Gaio. Bandas Musicais em São João del-Rei e a Banda Teodoro de Faria. Revista do IHG – Instituto Histórico de São João del-Rei, São João del-Rei, v. 10, 2002, p. 12-23. (citação na p. 16). Segundo o historiador, a Theodoro de Faria somente conseguiu confeccionar seu uniforme com apoio da comunidade, em 1954, época em que foi elaborado estatuto, com incentivo do Pároco do Pilar, Monsenhor Almir de Resende Aquino.

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Típica banda do interior de Minas Gerais nas primeiras décadas do século XX. Em termos numéricos, ela pouco se diferença das bandas criadas no Brasil a partir de 1808. Na foto, foram acrescentados, não sabemos se pelo próprio fotógrafo, a data 21/12, que parece ser de 1941.

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vizinha de Ritápolis. Do grupo, não restou quase nada; do maestro que se transferiu para Belo Horizonte em virtude de uma doença de seu filho, somente a valsa Suspiro da Alma que os xavierenses apreciam muito.

As causas que contribuíam para o aprimoramento ou mesmo o enfraquecimento de grupos musicais estavam condicionadas às rivalidades entre regentes e os conjuntos que dirigiam. Muitas vezes, aos vencidos em disputas, não restavam opções a não ser o encerramento dos trabalhos, da forma como aconteceu em Prados, onde houve duas bandas, sendo a segunda constituída sob a liderança de Afonso Reginaldo da Silva, músico que figurou na lista da Lira

em 1895. “Dizem que havia certa rivalidade entre elas”,506

que durou pouco tempo, não tendo a banda dissidente sobrevivido, caindo em completo esquecimento.

A Banda Theodoro de Faria de São João del-Rei, conjunto importante do município, somente foi criada no princípio do século XX. Um desentendimento entre componentes motivou uma cisão na Banda de Música do Ribeiro Bastos, e entre eles estava Augusto Theodoro de Faria, que, liderando os dissidentes, fundou uma nova banda. Tudo aconteceu em 1902, quando

assumiu o segundo regente do grupo, “o músico José Francisco Borges, vulgarmente

conhecido como Zé Ximba. Em 1917, então com nome do seu fundador, a direção da banda ficou definitivamente para o músico Teófilo Inácio Rodrigues, que dela cuidou até 1973,

quando faleceu”. 507

Provida de bons músicos e solicitada para abrilhantar as festas são-joanenses, a banda ganhou fama e prestígio na região, tornando-se portadora de precioso arquivo musical que veio se avolumando desde meados do século XIX, herdado da antiga banda que tinha a Orquestra Ribeiro Bastos.508 Durante longo tempo, seus ensaios e aulas aconteceram na residência do maestro, pois somente em 1967 deu-se a construção da sede própria, localizada na Rua Santo Antônio, nº 289, mesma via que abriga as sedes das antigas Lira Sanjoanense e Orquestra Ribeiro Bastos. Assim, a história dessas bandas de música está repleta de exemplos de descontinuidades que afetaram, sobremaneira, a composição do repertório desses conjuntos.

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VALE, Dario Cardoso. Memória histórica de Prados. Belo Horizonte, 1985, p. 211. (Edição do autor). 507

SOBRINHO, Antônio Gaio. Bandas Musicais em São João del-Rei e a Banda Teodoro de Faria, p. 12-23. 508

O professor José Maria Neves dá como certo o início dos trabalhos da banda em 1755. Porém, somente em 1840, sob a direção de Ribeiro Bastos, a banda conseguiu notoriedade e expressão. Cf. NEVES, José Maria. Orquestra Ribeiro Bastos e a Vida Musical em São João del-Rei, p. 152. Por sua vez, a Lira Sanjoanense teve sua própria banda de música, extinta em 1935, conforme relato do maestro Aluízio José Viegas.

Supomos que a perda de boa parte do repertório de que dispunham acompanhou o encerramento de grupos musicais

Ao analisarmos o mapa da microrregião de São João del-Rei e observarmos os repertórios das bandas de música, notamos que aqueles municípios que têm suas sedes mais distantes de São João, Tiradentes, Prados e Dores de Campos constituíram um conjunto de partituras formado por menos músicas e, também, diferentes daquelas mais comuns às outras cidades. A distância maior dificultou as trocas de material e a assistência de músicos entre uma localidade e outra. Por isso, Santana de Garambéu, Piedade do Rio Grande e São Tiago têm, juntas, uma quantidade de marchas fúnebres inferior ao de outras cidades e bastante diferente na sua composição.509

3.6 Compositores da microrregião de São João del-Rei

Sepulcro é a marcha mais difícil que nós temos, as partes estão incompletas e, por isso, foi afastada do repertório, pois somente dois músicos estavam dando conta de tocá-la. Eu sei, assim me contou meu pai, que meu avô foi visitar um antigo regente da banda que estava muito doente. Ele, no mesmo dia, antes de morrer – no leito de morte – solfejou a marcha, cantou para meu avô que a transcreveu. Como era uma música que estava somente na memória do moribundo, este não quis morrer e deixar sem que a mesma caísse no esquecimento.510

Atualmente, podemos escutar uma marcha fúnebre acompanhando uma procissão, apreciá-la ouvindo alguma gravação, presenciando um ensaio de grupo musical ou, o que nos interessa, de forma particular, as partituras, informações sobre os compositores, os grupos musicais e a maneira como a música se situa nessa teia de articulações sociais, e como podemos acessá-la por meio dos diversos “materiais da memória [que] podem apresentar-se sob duas formas

principais: os monumentos, herança do passado, e os documentos, escolha do historiador”.511

E os materiais que nos fornecem informações são fotografias, partituras musicais, depoimentos, notícias de jornais, literatura, gravações e registro de eventos.

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O total de marchas fúnebres que tem as bandas das três cidades é de 23 marchas, mesma quantidade que tem, sozinha, a Lira Lagoense. Cf. a tabela completa nos anexos.

510

Aílton Deiviston da Fonseca Almeida, regente da Corporação Musical Lira Santanense, de Santana do Garambéu, em depoimento a mim concedido no dia 23 de abril de 2013.

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Faltou-nos uma cultura arquivística como aquela nascida em países europeus nos séculos XVIII e XIX. Na França, “um decreto de 7 de setembro de 1790 criou os primeiros arquivos nacionais franceses, e um outro, de 25 de julho de 1794, ordenou a publicidade dos

mesmos”.512

Volume considerável dos nossos papéis de música foram destruídos e com eles parte da memória musical. A angústia do pesquisador em música reside, por vezes, na inexistência de fontes primárias, os manuscritos originais que poderiam identificar o momento, o lugar e o autor da composição. Por isso, dá-se importância ao arquivo, que

“designa ao mesmo tempo „começo‟ e „comando‟, isto é, coordena tanto o princípio da natureza e da história, o começo das coisas”.513

Mesmo nos poucos e organizados arquivos musicais, colocar-se à procura dos documentos originais é, sem dúvida, uma das mais árduas tarefas do pesquisador musical.514 Sua indisponibilidade só aumenta as dificuldades impostas à pesquisa, que tem de se valer das cópias ou dos depoimentos, da memória passada de geração em geração ou por aqueles que, de alguma maneira, presenciaram feitos desses artistas.

Porém, se não temos documentos musicais originais, valemo-nos de outras informações, que são os trabalhos dos copistas; dos bens patrimoniais das instituições, que são a sua própria história. Elas estão à nossa disposição nas residências dos maestros ou em suas sedes – locais de ensaios e aulas – repletas de fotografias, avisos, recortes de jornal, programas de festas, uniformes, instrumentos musicais, tudo lembranças do passado que nos dão pistas de como organizaram o repertório de que fazem uso regularmente.

Nas sedes das orquestras, quantidade relevante de música de igreja ficou de alguma maneira preservada, garantindo certo sucesso aos que se dedicam à pesquisa em música destinada à

liturgia ou outros ofícios. “A produção musicológica brasileira sobre o período colonial,

particularmente no que se refere à música destinada ao uso religioso, já se apresenta rica e variada, trazendo informação significativa no plano quantitativo e qualitativo”.515 Entretanto,

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Outros países, Itália, Polônia, Rússia e Inglaterra, p. ex., criaram seus depósitos centrais de arquivo. LE GOFF, Jacques. Documento/Monumento. In: História e memória, p. 444.

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DERRIDA, Jacques apud O que é um arquivo. In:SILVA, Marisa Ribeiro. História, memória e poder, p. 15. Arquivo em grego: arkhê. Para Jacques Derrida, o sentido de arquivo vem de arkeîon, isto é, a casa, o endereço, domicílio dos magistrados superiores.

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Em Minas Gerais, alguns arquivos se revestem de grande valor, pois conseguem manter preservados muitos documentos musicais de séculos passados. Destacam-se os das orquestras Lira Sanjoanense e Ribeiro Bastos de São João, o da Lira Ceciliana de Prados, o do Museu da Música de Mariana e o do Centro de Pesquisas da Escola de Música da UEMG.

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o mesmo não se aplica à música instrumental, especialmente a das bandas de música, que, apesar de existirem em bom número, poucos são os estudos sobre elas.

Partitura 2 – Marcha Fúnebre de José Esteves (José Estevão Marques da Costa).

Benzer Belgeler