GLOBALIZATION, RELATIONS BETWEEN NATIONAL INNOVATION SYSTEMS AND ENVIRONMENT
1. KÜRESELLEŞME 1 Küreselleşme Kavramı
O Comitê do Setor Público ou Public Sector Committee (PSC) é uma comissão da Federação Internacional de Contadores ou Council of the International Federation of Accountants (IFAC) que foi instituída para desenvolver e rever normas, orientações e estudos sobre governança no setor público, orientando os gestores e a sociedade sobre princípios e práticas de boa governança.
A IFAC é uma organização internacional, fundada em 1977, que tem como objetivo principal servir ao interesse público, além de fortalecer a profissão contábil, aderindo a padrões de elevada qualidade profissional. Ela é responsável pela emissão das normas de padrão internacional de alto nível de contabilidade para o setor público chamado International Public Sector Accounting Standards (IPSAS).
O Estudo 13 – PSC/IFAC foca nas práticas de governança na gestão pública relacionadas à responsabilidade do grupo governante e da instituição controladora competente para acompanhar o setor público.
O setor público apresenta grande diversidade na sua forma organizacional e na estrutura legislativa. Isso implica na necessidade de elaborar modelos de governança exclusivos e diferenciados para serem aplicados em setores e países diferentes, conforme suas características.
O Estudo 13 – PSC/IFAC reflete os princípios fundamentais sobre governança corporativa elencados no Cadbury Report de 1992, adaptados para o setor público com base
no Nolan Report, publicado em 1995, pelo Comitê de Padrões na Vida Pública, órgão público não departamental consultivo do governo do Reino Unido.
O Cadbury Report, como mencionado anteriormente, definiu três princípios fundamentais da governança corporativa: transparência, integridade e responsabilidade em prestar contas. Estes princípios, da mesma forma, são relevantes para organizações do setor público, mas devem ser adaptados para refletir as principais características de cada uma delas.
O Comitê de Padrões na Vida Pública foi criado em outubro de 1994 pelo primeiro-ministro John Major, em resposta a denúncias de que a conduta de alguns políticos tinha sido antiética agindo em nome de empresas privadas. Na verdade, o governo não se preocupava apenas com os políticos, mas com todos os titulares de cargos públicos e com as pessoas que exerciam alguma função pública. O primeiro presidente do Comitê foi o juiz Michael Patrick Nolan.
O termo "função pública" incluía ministros, funcionários públicos, assessores, membros do parlamento, deputados do Parlamento Europeu no Reino Unido, altos funcionários de todos os órgãos públicos não departamentais e de organismos nacionais de serviços de saúde, altos funcionários de outros órgãos que recebiam financiamento público, e membros eleitos e oficiais superiores das autarquias locais.
O primeiro relatório do Comitê instituiu “Os Sete Princípios da Vida Pública” também conhecidos como os "Princípios de Nolan": princípios gerais de conduta que deveriam sustentar a vida pública, e recomendou que todas as entidades do setor público elaborassem seus próprios códigos de conduta incorporando esses princípios:
• Abnegação - Os detentores de cargos públicos deveriam agir apenas em termos de interesse público. Eles não deveriam fazê-lo a fim de obter benefícios financeiros ou outros para si, sua família ou seus amigos.
• Integridade - Os detentores de cargos públicos não deveriam receber qualquer ajuda financeira de indivíduos ou organizações que poderiam procurar influenciá-los no desempenho de suas funções oficiais.
• Objetividade - Na realização de negócios públicos, incluindo a tomada de compromissos públicos, celebração de contratos, ou recomendar pessoas para recompensas e benefícios, os detentores de cargos públicos deveriam fazer escolhas sobre o mérito.
• Responsabilidade - Os titulares de cargos públicos seriam responsáveis por suas decisões e ações para o público e deveriam submeter-se a qualquer escrutínio.
• Abertura - Os detentores de cargo público deveriam ser o mais aberto possível sobre todas as decisões e ações que tomassem. Eles deveriam fundamentar as suas decisões e restringir informações apenas quando o interesse público exigisse maior clareza. • Honestidade - Os titulares de cargos públicos teriam o dever de declarar quaisquer
interesses privados inerentes às suas funções públicas e de tomar medidas para resolver os conflitos que surgissem de forma que protegesse o interesse público. • Liderança - Os detentores de cargos públicos deveriam promover e apoiar estes
princípios pela liderança e exemplo.
Os três princípios identificados no Cadbury Report foram então redefinidos pelo IFAC levando-se em consideração os sete princípios do Nolan Report:
PRINCÍPIOS DE GOVERNANÇA NO CONTEXTO DO SETOR PÚBLICO
Transparência
É necessária para garantir que stakeholders possam ter confiança nas ações e nos processos de tomada de decisão, na gestão das atividades das entidades do setor público, sendo pública através de consulta e da comunicação com os stakeholders, devendo ser precisa e clara, levando a ação efetiva, pontual e tolerável ao exame necessário.
Integridade
Compreende tanto as operações simples como as complexas. Ela é baseada na honestidade, objetividade, normas de propriedade, probidade na gestão dos fundos e recursos públicos e na gestão dos negócios da entidade. É dependente da efetividade no sistema de controle, nos padrões pessoais e profissionalismo dos indivíduos da entidade. É refletida tanto na tomada de decisão da entidade como na qualidade dos relatórios financeiros e de desempenho da entidade.
Accountability
É o processo pelo qual as entidades do setor público e seus indivíduos são responsáveis por suas decisões e ações, incluindo a gestão de fundos públicos e todos os aspectos de desempenho, e submetem-se ao escrutínio externo apropriado. É alcançado por todas as partes que têm uma compreensão clara das responsabilidades, e que têm papéis claramente definidos através de uma estrutura robusta. Na verdade, é a obrigação de responder por uma responsabilidade conferida.
Quadro 2 - Princípios de governança no contexto do setor público segundo o IFAC. Fonte: SLOMSKY, 2008.
Esses princípios fundamentais estão refletidos em cada uma das recomendações de governança das entidades do setor público presentes no Estudo 13 – PSC/IFAC:
• Padrões de comportamento: como corpo governante da organização exerce a liderança na determinação dos valores e das normas da organização, na
definição da cultura da organização e do comportamento de todos que estão envolvidos com ela;
• Estruturas e processos organizacionais: como o corpo governante das organizações é nomeado e organizado; de que maneira suas responsabilidades são definidas e asseguradas; de que forma ele é responsabilizado;
• Controle: um sistema de controle estabelecido pelo corpo governante da organização para apoiá-lo na realização dos objetivos da entidade, a efetividade e eficiência das operações, a confiabilidade dos relatórios internos e externos, e a conformidade com as leis e regulamentos aplicáveis e políticas internas; • Relatórios externos: como o corpo governante da organização demonstra a
responsabilidade financeira pela gestão dos recursos públicos e o desempenho no uso dos recursos.
Para melhor visualização:
Padrões de comportamento ∗ Liderança
∗ Códigos de conduta • probidade e propriedade
• objetividade, integridade e honestidade • relacionamentos
Estruturas e processos organizacionais Controle Relatórios externos
∗Responsabilidade em prestar conta
estatutária
∗Responsabilidade em prestar conta pelo dinheiro público
∗Comunicação com as partes interessadas ∗Papéis e responsabilidades
• Equilíbrio de poder e autoridade • O grupo governante
• O presidente
• Membros do grupo governante não executivo • Administração executiva • Política de remuneração ∗ Gestão de risco ∗ Auditoria interna ∗ Comitês de auditoria ∗ Controle interno ∗ Orçamento ∗ Administração financeira ∗ Treinamento de pessoal ∗ Relatórios anuais ∗ Uso de normas contábeis apropriadas ∗ Medidas de desempenho ∗ Auditoria externa
Quadro 3 – Recomendações do Estudo 13 – PSC/IFAC sobre governança no setor público. Fonte: Slomsky, 2008.
As recomendações de governança no setor público apresentadas no quadro anterior merecem explicações mais detalhadas:
A. Padrões de comportamento. Os padrões de comportamento adotados por uma instituição pública interferem na sua reputação. A maneira como os padrões serão seguidos e a necessidade de proteção devem ser apresentadas a todos os seus membros para que se comprometam com o alto padrão de comportamento pessoal e mantenham um relacionamento aberto e honesto com todos, dentro e fora da instituição (SLOMSKI, 2008).
i. Liderança. O grupo governante precisa exercer a liderança para se conduzir de acordo com os altos padrões de comportamento, servindo de referência para os demais membros da entidade. Esse grupo geralmente é responsável por determinar os valores e padrões que definem a cultura da instituição e dirigem o comportamento de seus integrantes. Isso reforça a necessidade de políticas adequadas de recursos humanos, incluindo os processos de recrutamento, seguidas de indução e consciência de treinamento contínuo, para garantir que os membros tenham uma boa compreensão de suas responsabilidades e dos padrões de comportamento que se esperam deles.
ii. Códigos de Conduta. É preciso adotar um código formal de conduta no qual sejam definidos os padrões de comportamento para que os membros do grupo governante e os demais funcionários da instituição possam se comprometer a seguir. O código de conduta deve nortear o comportamento esperado dos funcionários. É necessário também o comprometimento da entidade com os padrões de comportamento. Para criar uma cultura institucional o ideal é que o código seja desenvolvido de forma detalhada e com a colaboração de todas as partes interessadas (SLOMSKI, 2008). a. Probidade e propriedade. Todos os membros do setor público precisam ter
conduta condizente com os latos padrões de comportamento e devem ser confiáveis, uma vez que, de certa maneira, controlam os fundos públicos. Devem também proteger e cuidar das propriedades, ativos e informações confidenciais, evitar gastos excessivos e desnecessários, e não usar os recursos públicos para interesses particulares (SLOMSKI, 2008).
b. Integridade, objetividade e honestidade. É necessário estabelecer mecanismos adequados para assegurar que os membros do grupo governante e empregados das instituições do setor público não sejam influenciados por preconceitos e conflitos de interesses. Eles não devem usar suas funções de agentes públicos para obter vantagens pessoais.
c. Relacionamento. O relacionamento entre os agentes públicos e os stakeholders, especialmente o público em geral, deve ser cordial, eficiente e justo. Sempre tratar a todos com respeito e imparcialidade, sem discriminação ou abuso.
B. Estruturas e processos organizacionais. As estruturas e os processos organizacionais são importantes para assegurar que a instituição cumpra sua responsabilidade estatutária, caso contrário irá ser responsabilizada pelo mau uso dos recursos públicos e por não atingir os resultados esperados pela sociedade.
i. Responsabilização estatutária. O grupo governante precisa estabelecer mecanismos efetivos para garantir o cumprimento de todos os estatutos e regulamentos aplicáveis, e outras declarações relevantes de melhores práticas.
ii. Responsabilidade pelo dinheiro público. O grupo governante precisa estabelecer mecanismos adequados para garantir que os fundos e recursos públicos sejam devidamente protegidos e que sejam utilizados economicamente, eficientemente, efetivamente, com a devida propriedade, e de acordo com o estatuto ou outros normativos que controlam seu uso.
iii. Comunicação com as Partes Interessadas. O grupo governante precisa estabelecer bons canais de comunicação com suas partes interessadas para informar sobre missão, papéis, objetivos, desempenho da instituição e adotar procedimentos adequados para garantir que esses canais funcionem efetivamente. O estabelecimento e a publicação de indicadores de desempenho e de relatórios verdadeiros, a disponibilização de informações sobre seus contratos e o estabelecimento de formas para receber e resolver reclamações ajudam a criar uma relação de confiança entre as instituições públicas e seus stakeholders. O grupo governante precisa ter um compromisso explícito de abertura e transparência relativo às suas atividades, exceto quando há necessidade de preservar a confidencialidade. E deve relatar publicamente o processo de nomeação da alta cúpula e tornar disponíveis os nomes de todos, juntamente com sua relevância e outros interesses.
iv. Papéis e Responsabilidades.
a. Equilíbrio de poder e responsabilidade. É preciso haver uma divisão claramente definida de responsabilidades dos principais cargos da instituição pública para garantir um equilíbrio de poder e autoridade.
b. Grupo governante. Cada instituição pública deve ser dirigida por um grupo governante efetivo para conduzi-la e controlá-la, além de monitorar seus gestores executivos. Esses precisam receber treinamento inicial adequado, na ocasião da
nomeação e, posteriormente, quando for necessário. O grupo governante precisa estabelecer mecanismos adequados para garantir que tenha acesso a todas as informações relevantes, aos avisos e recursos para que possam ajudar a cumprir seus papéis de forma efetiva. Para garantir a direção e controle da entidade, o grupo governante precisa estabelecer e manter uma estrutura moderna de reserva ou delegação de poderes, que inclua um programa formal das matérias especificamente reservadas para as decisões coletivas do grupo. Para apoiá-lo no exercício de seus deveres, o grupo governante precisa compreender os processos administrativos para o desenvolvimento, implementação e revisão política, tomada de decisões, acompanhamento, controle e elaboração de relatórios, processos formais e regulamentos financeiros. Para que os processos de nomeações sejam considerados formais e transparentes, devem seguir critérios especificados e se basear no mérito e na habilidade individual.
c. Presidente do grupo governante. O papel do presidente precisa ser definido formalmente, por escrito, incluindo sua responsabilidade de exercer a liderança estratégica e efetiva do grupo e para garantir sua exoneração quando não defender mais os interesses da instituição.
d. Membros não executivos do grupo governante. Os membros não executivos do setor público precisam fazer um julgamento independente das questões estratégicas, do desempenho, dos recursos e das normas de conduta. Além dos salários de diretores que podem receber, é conveniente que sejam independentes da gestão e livre de quaisquer outros relacionamentos capazes de interferir no desempenho de seus papéis. Suas atribuições, remuneração e revisão de mandatos devem ser definidas claramente.
e. Administração executiva. O chefe do executivo precisa ter responsabilidade sobre todos os aspectos de administração executiva, seja membro do corpo governante ou não. Ele é responsável pelo desempenho final da instituição e pela implementação de suas políticas. Um diretor financeiro, seja um membro do corpo governante ou não, deve ser responsável por garantir que conselhos adequados sejam dados ao grupo, e deve manter contas financeiras e registros próprios, e precisa manter um sistema efetivo de controle financeiro interno. Um alto executivo, seja um membro do corpo governante ou não, precisa ser responsável por garantir que os procedimentos do grupo sejam seguidos, que todas as leis e regulamentos sejam aplicados, e que boas práticas de gestão sejam adotadas.
f. Política de Remuneração. Os valores de remuneração dos membros do grupo governante precisam ser suficientes para atraí-los e mantê-los administrando a instituição com sucesso. É preciso estabelecer um procedimento formal e transparente para o desenvolvimento de políticas de remuneração. É conveniente que nenhum membro esteja envolvido na decisão de sua própria remuneração. O relatório anual da instituição precisa conter uma declaração sobre a política de remuneração e detalhes da remuneração dos membros. A divulgação apoia-se nos princípios de governança, transparência e integridade, principalmente se os membros têm a capacidade de definir sua própria remuneração.
C. Controle. É o mecanismo estabelecido para apoiar o alcance dos objetivos da entidade, da efetividade e eficiência das operações, da confiança dos relatórios internos e externos, da complacência com as leis aplicáveis, regulamentações e políticas internas.
i. Gestão de Risco. O grupo governante deve assegurar que sistemas efetivos de gestão de risco sejam estabelecidos como parte da estrutura de controle. Os sistemas devem incluir a compreensão dos objetivos organizacionais, a identificação e avaliação dos riscos, desenvolvimento e implementação de procedimentos para se dirigir os riscos identificados, o monitoramento e avaliação desses procedimentos.
ii. Auditoria interna. O grupo governante precisa garantir que uma atividade de auditoria interna efetiva seja estabelecida como parte da sua estrutura de controle para assegurar “a revisão sistemática, a avaliação e os relatórios da adequação dos sistemas gerenciais, financeiros, operacionais e controles orçamentários” (SLOMSKI, 2008). iii. Comitês de auditoria. O grupo governante precisa estabelecer um comitê de
auditoria, composto por membros não executivos, com a responsabilidade de realizar uma revisão independente das estruturas de controle e dos processos de auditoria externa.
iv. Controle interno. O grupo governante precisa garantir que uma estrutura de controle interno seja estabelecida, que funcione na prática e que inclua no relatório anual uma declaração sobre sua efetividade.
v. Gestão de orçamento, financeira e treinamento de pessoal. O grupo governante precisa garantir e fiscalizar os procedimentos relacionados à gestão orçamentária e financeira para alcançar seus objetivos de maneira efetiva e eficiente. Também precisa garantir a execução de programas de treinamento para formar funcionários capazes de executar suas tarefas.
D. Relatórios externos. – Demonstra a prestação de contas do dinheiro público e o desempenho da instituição no uso dos recursos.
i. Relatório Anual. O grupo governante precisa publicar um relatório anual objetivo, equilibrado e compreensível, logo após o fim do ano financeiro. Deverá conter avaliação das atividades, suas realizações, sua posição financeira, seu desempenho e suas perspectivas de desempenho. Precisa incluir também uma declaração explicando, no mínimo, que o grupo têm a responsabilidade de aprovar o orçamento ou plano financeiro para autorizar a aquisição ou uso de recursos financeiros, elaborar demonstrações financeiras que apresentem de forma clara a situação da instituição e os resultados de suas operações, manter uma estrutura efetiva de controle, garantir o uso consistente de políticas contábeis apropriadas, e garantir o apoio à aplicabilidade das normas contábeis. O grupo governante deve incluir em seu relatório anual uma declaração sobre as adaptações a normas e códigos de governança.
ii. Uso das normas contábeis apropriadas. O grupo governante deve assegurar que as demonstrações financeiras contidas no relatório anual foram preparadas de acordo com as normas internacionais de contabilidade pública ou outras normas contábeis reconhecidas e aceitas, além de seguir a legislação aplicável.
iii. Medidas de Desempenho. O grupo governante precisa estabelecer e divulgar as medidas de desempenho relevantes para assegurar e demonstrar que todos os recursos foram obtidos com economicidade e se foram utilizados de forma eficiente e efetiva. iv. Auditoria Externa. O governo precisa garantir a existência de uma relação
profissional e objetiva com os auditores externos.