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Küresel Kültür ve Toplum Kuramına Bir Bakış

I. BÖLÜM

4. Küresel Kültür ve Toplum Kuramına Bir Bakış

A responsabilidade social das empresas, além de incentivar a gestão cuidadosa dos relacionamentos, acaba por incentivar também a construção de parcerias que aumentem o raio de ação de práticas sociais e ambientais. Para tanto, Zadek et al. (2003) apresentam a importância do conceito de clusters, defendendo a ideia de que as ações sociais e ambientais realizadas pelas empresas individualmente não representam efeitos visíveis no nível mais amplo ou, ainda, não geram impactos significativos na vantagem competitiva das regiões e na sustentabilidade global (SANTOS et al., 2005).

Entretanto, vale ressaltar que, mesmo não afetando consideravelmente no nível macro, as ações realizadas têm efeitos positivos que devem ser considerados, mas na concepção dos autores estas poderiam ser mais e melhor aproveitadas e eficientes se fossem realizadas conjuntamente com outras organizações que compõem o campo organizacional. Dessa forma, para Zadek et al. (2003), as ações e os impactos positivos podem ser consideravelmente aumentados se houver uma articulação entre empresas, sociedade civil e setor público. Os clusters seriam, portanto, os arranjos empresariais concentrados setorialmente e geograficamente (BISPO, SILVA e SCHLEMM, 2008).

Partindo da consideração de que as empresas não possuem todas as informações e competências necessárias para a eficiente gestão de todas as suas atividades, especialmente quando se trata da responsabilidade social, faz-se necessário o desenvolvimento de estratégias que procurem sanar suas carências, o que, segundo Ishmael (2008), pode ser amenizado com os agrupamentos organizacionais. Esses agrupamentos se caracterizam como um importante meio de gestão baseado na complementaridade via rede e inter-relacionamentos estabelecidos, compartilhamento de competências, infraestruturas, conhecimento e sinergias.

Os clusters podem ser observados de duas perspectivas distintas: (i) sua formação, podendo ser deliberados ou endógenos; e (ii) sua configuração, podendo ser verticais ou horizontais. Os clusters deliberados são os constituídos pela ação racional e planejada, podendo acontecer via iniciativa privada ou como resultado de políticas públicas visando promover o crescimento e/ou desenvolvimento regional, especialmente de pequenas empresas (PEREIRA, 1998). Os clusters endógenos são aglomerações de empresas que são constituídas pela tradição (vocação) de determinada região, que acabam por configurar a economia local, conforme ressaltado nos trabalhos de Marshall (1982). Quanto à sua configuração, os clusters verticais são constituídos por empresas que mantêm interdependência no decorrer da cadeia produtiva, podendo restringir-se a dois elos ou se

espalhar a mais elos, como é o caso da empresa de grande porte, que geralmente é alimentada por várias outras de menor porte (BISPO, SILVA e SCHLEMM, 2008). Já os clusters horizontais são entendidos como aglomerações de empresas que pertencem ao mesmo elo da cadeia produtiva, ou seja, configuram-se como concorrentes, mas acabam por tirar vantagens desta cooperação (BISPO, SILVA e SCHLEMM, 2008).

Neste sentido, os clusters de responsabilidade social empresarial são constituídos a partir de aglomerações de empresas localizadas num mesmo território que estabelecem interações entre si e com outros atores locais para dinamizar e aperfeiçoar práticas conjuntas de responsabilidade social e ambiental, buscando o desenvolvimento sustentado de sua região, numa perspectiva integrada e ampla (SANTOS, 2010). A diferença entre cluster (agrupamentos competitivos) e cluster de RSE, segundo Santos (2010) e Swift e Zadek (2002), se dá em virtude de o segundo incluir outros atores locais (organizações do terceiro setor, instituições de ensino e/ou pesquisa, associações empresariais, entre outros), bem como pelo fato de a parceria constituída entre as organizações procurar atingir vantagem competitiva para um determinado setor ou região, integrando estratégia de responsabilidade social e sustentabilidade.

A ideia que permeia o cluster de responsabilidade social empresarial está voltada para a cooperação entre seus membros, visando alcançar melhorias sociais e ambientais, levando em consideração que a ação isolada certamente não atingirá o mesmo resultado. No entanto, o grande desafio se materializa quando da efetivação das parcerias entre organizações de diferentes ramos. A ligação entre entidades públicas, empresas e demais organizações da sociedade civil (universidades, ONGs, etc.) pode ser prejudicada pela diferença de atuação de cada uma, ou seja, a articulação onde cada organização, na sua esfera de atuação e com suas competências específicas, possa atuar em conjunto, na tentativa de consolidar ações que associem benefícios sociais e ambientais como requisito indispensável à construção de vantagens competitivas que levem uma dada sociedade (nação) a patamares significativos de desenvolvimento sustentável.

É importante ressaltar, porém, que a efetiva ação do cluster de RSE somente ocorrerá se os participantes reconhecerem a importância da ação cooperativa e trabalharem no sentido de mantê-la. Entretanto, apesar dos interesses em comum, os clusters podem ser espaço de disputas e conflitos, exigindo um maior nível de confiança e articulação conjunta entre os membros. Para Zadek et al. (2003), os clusters só efetivamente funcionarão se preservarem o diálogo e a parceria, pois serão necessárias trocas constantes de conhecimentos e competências, bem como abertura para o desenvolvimento de novas estratégias aos seus

membros. Neste sentido, Porter e Kramer (2006) chamam atenção também para o fato de que se faz necessário modificar o modo como as empresas se veem, pois existe a possibilidade de enxergarem a responsabilidade social e ambiental de forma integrada, o que pode trazer maiores retornos não somente para as empresas, mas para toda uma nação.

Zadek et al. (2003) também chamam atenção para a importância das políticas públicas neste contexto. Estas podem servir de instrumento para a criação de parcerias entre empresas, sociedade civil e o próprio governo, pois, segundo Moon e Vogel (2006), a efetiva responsabilidade social empresarial não requer políticas de ação que se desenvolvam à revelia da regulamentação governamental, uma vez que sua efetiva participação é de extrema importância para a potencialidade das ações sociais e ambientais. Neste caso, os governantes têm papel relevante no contexto e sucesso dos clusters.

Os vários desafios postos atualmente à sociedade, tanto na ordem econômica quanto política, social e ambiental, requerem ações inovadoras que favoreçam a relação harmoniosa entre empresas, governo e sociedade civil (SANTOS, 2010), e, para tal, a responsabilidade social das empresas é resultado desta busca, bem como representa uma importante parcela para a sustentabilidade que vem se institucionalizando.

A seguir serão descritas as considerações mais importantes do novo institucionalismo e da RSE, que serviram de base para a elaboração de duas estruturas conceituais que permitissem avaliar o processo de institucionalização da RSE no nível micro- organizacional.