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MESLEK GRUBU KÜRÜM PETROL TİCARET LİMİTED ŞİRKETİ ORHANGAZİ ŞUBESİ MURADİYE MAH.MESLEK LİSESİYANIORHANGAZİ MESLEK GRUBU

Outro problema relacionado, de suma importância para análise da constituição e da natureza da realidade no interior da teoria do aparelho psíquico, é posto pelas diferenças entre os traços de realidade e a memória do pensar. O pensamento, de acordo com os desenvolvimentos anteriores, passa a representar tudo aquilo que, enquanto trabalho, se interpõe entre o surgimento do desejo e sua realização. Trata-se de um processo psi que, por meio do controle e direcionamento inibitório, provoca uma alteração da compulsão a

associar, em que o curso psi originário passa a ser percorrido por quantidades menores, o que

permite uma atenção e um juízo sobre a realidade. Porém, as facilitações são concebidas por Freud como traços de realidade ( Spuren der Realität ) deixados pelas vivências de dor e satisfação, e enquanto tais, não podem ser alterados pelo pensamento. Para tanto, é preciso supor que o pensar também constitua traços, isto permitiria representar uma memória para os pensamentos, separando-os dos traços de realidade. (FREUD, 1988h, p.380)

Que o pensar também deixe atrás de si facilitações como traços é algo que, segundo Freud, a observação psicológica torna evidente, como na aprendizagem: um determinado processo de pensamento, quando percorrido inúmeras vezes, ou apenas uma única muito intensamente, nas futuras recorrências oferece menos resistências e se realiza com maior facilidade.

Do ponto de vista metapsicológico, estrutural, a realidade externa se faz representar no

de phi; são alterações permanentes em psi que permitem que os processos possam ser reproduzidos. As facilitações somente se constituem enquanto traços de realidade em função da freqüência e da magnitude das impressões.

A questão que começa a ser formulada é: por quais dispositivos as facilitações formadas pelas influências experimentadas em psi desde os processos de pensamento (desejo), se tornariam psiquicamente aproveitáveis, ou seja, capazes de despertarem a atenção consciente, assim como os processos de percepção o fazem? (FREUD, 1988h, p.412). É uma questão fundamental, porque se isso for concebível, os processos de pensamento se tornariam equiparáveis, em termos de realidade, aos processos perceptivos.

Tendo como referência os processos de percepção, em que a atenção psi é biologicamente condicionada a seguir curso indicado pelos signos de descarga sensorial, na mesma orientação sensório-motora, pensamentos e recordações, a princípio inconscientes, tornam-se susceptíveis de atenção e rememoração psi na medida em que se associam com

representações sonoras e imagens motoras lingüísticas. Eis o processo:

Da imagem sonora, a excitação alcança sempre a imagem-palavra, e dessa a descarga. Por conseguinte, se as imagens mnêmicas são de tal índole que uma corrente parcial pode ir desde elas até as imagens sonoras e imagens motoras da palavra, a ocupação das imagens mnêmicas é acompanhada de notícias de descarga que serão signos de qualidade, e por isto também signos de consciência da recordação. (FREUD, 1988h, p.413).

Estes signos de descarga lingüística (Sprachabfuhrzeichen) que se desprendem da palavra falada no momento em que se associam às imagens mnêmicas equivalem, em importância e função, aos signos qualitativos perceptuais, atraem a atenção consciente e “equiparam os processos do pensar aos processos perceptivos, proporcionam a eles uma

realidade [Realität] e possibilitam sua memória.” (FREUD, 1988h, p.414, grifo do autor).

Assim se efetua a separação entre os traços de realidade deixados pelas vivências primárias e os traços do pensar. “Os signos de descarga lingüísticos são, em certo sentido, também signos

de realidade, da realidade do pensar (Denkrealität), mas não da realidade externa.”

(FREUD, 1988h, p.421).

Freud não deixa dúvidas, algo somente pode ser indexado pelo aparelho enquanto

Realität se for:

1. Uma ocupação de percepção susceptível de atenção e de representação em psi. 2. Uma ocupação psi (processos de pensamento-desejo) suscetível de associação

com as representações verbais, o que as torna conscientes e passíveis de

rememoração.

Isso revela muito da concepção e natureza da realidade com que Freud lida em sua

teoria e técnica neste momento de sua obra (1895). Como bem observa DAYAN (1985a,

p.50), em ambos os casos, do ponto de vista de alguém que dispõe de tal aparelho, a realidade se faz representar por descargas sensoriais:

Uma das idéias originais que é exposta neste ensaio consiste em reconstituir o entorno do aparelho nervoso – este que tem o valor de “mundo” – ao olhar de um indivíduo que dispõe de tal aparelho – a partir dos índices de qualidade ou de realidade. (Realitätzeichen) Contudo, as mesmas descargas sensoriais que permitem indexar [...] a realidade do mundo exterior, porque elas requerem um maior investimento – essa é a lei biológica da atenção – as mesmas descargas que se efetuam, na ausência de toda ação motriz sobre o meio ambiente, para as emissões de palavras, servem para indexar uma “realidade de pensamento” (Denkrealität) bem distinta da realidade exterior.

Segundo esses desenvolvimentos, o fundamental que decide o estatuto de realidade destes processos mentais é essa característica memorável que lhes é conferida pelos índices de descarga verbal. (DAYAN, 1985, p.50). Estes processos de pensamento, cujo curso deixa atrás de si facilitações como traços, em si mesmos, não são passíveis de memória no sentido psicológico, são inconscientes, de suas facilitações permanecem somente os efeitos, e não

lembranças. (FREUD, 1988h, p.414). Esse enlace com as associações lingüísticas é o que lhes confere uma existência subjetiva, ou seja, consciência e rememoração. Assim, os processos psíquicos – enquanto inconscientes – não participam deste domínio subjetivo; por mais que tenham sua existência e eficácia conferida no plano econômico e representacional (enquanto estrutura e não qualidade), nesse trabalho, Freud ainda não lhes confere o estatuto de realidade psíquica. A realidade dos eventos externos mantém o foco das considerações, isto por razões que já discutimos a respeito da defesa por parte de Freud da importância e da significação dos fatores adquiridos na etiologia das neuroses.

Capitulo 5

Psicopatologia e os processos primários póstumos

5.1 Os sonhos: desejo e alucinação onírica

Quanto ao aparelho assim consolidado, cujas facilitações e processos se organizam em ordem crescente de complexidade exigindo um ajustamento permanente de suas funções secundárias, é preciso ponderar o fato de que: mesmo tendo sido inibido pelo desenvolvimento de psi, o processo primário segue sendo capaz, sob certas condições, de voltar a influenciar o decurso dos processos tal como era efetivo antes da consolidação do eu e dos processos secundários. Um dos fenômenos que exibem as condições propícias ao retorno deste modo de operação é o sonho, um processo normal; outro é o sintoma, um processo psicopatológico, ambos concebidos enquanto processos primários póstumos, ou seja,

Benzer Belgeler