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1.3. KURAMSAL TEMELLER

1.3.3. Kültürel Peyzaj Tanımı ve Türleri

342 MACHADO, Arlindo. op.cit. p.40

Tabela 2_Temas fotografados

Temas Fotografados Recorrência

Localização 229 Tipologia Urbana 56 Acidentes Naturais/Paisagem 86 Infraestrutura/Serviços 114 Função Arquitetural 130 Personagem 150

Fonte: Acervo Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto

De um total de 309 fotografias, 46,6% têm a sua localização no centro da cidade e 10,8% nos bairros, compondo o conjunto por nós denominado Cenas da urbs (totalizando 57,4% das imagens identificadas).

Nelas foram retratados os novos traçados das ruas, o formato geométrico das praças e jardins públicos, os novos equipamentos urbanos, como pontes e postes de iluminação, o estilo arquitetônico dos prédios públicos e particulares e os novos ambientes de sociabilidade, como teatros, clubes e bosques.

39,7% das imagens referem-se ao ambiente rural, especialmente as grandes fazendas dedicadas à produção cafeeira, e compõem o grupo Economia Cafeeira. Este grupo representa as particularidades do processo de transformação da região do antigo oeste paulista, durante a predominância da cultura do café, e sua ligação com o ambiente urbano. Neste cenário, campo e cidade, rural e urbano entrelaçam-se e se complementam.

A predominância de imagens do centro da cidade nas publicações analisadas indica a importância de se promover as modificações em curso neste espaço, eleito como palco principal das mesmas. Os novos traçados e equipamentos do centro, inspirados nas cidades planejadas do período, é também o espaço que servirá de modelo para as intervenções nos bairros. Por outro lado, os locais selecionados e repetidos nas publicações, como ruas comerciais, praças, jardins, transeuntes e edifícios imponentes acabam por superdimensionar esta visualidade, como se ela abarcasse toda a cidade.

Os bairros aparecem associados a atividades de lazer ao ar livre, no Bosque Municipal e campo de futebol, e também a alguns serviços como hospital de isolamento e comércios.

A rua é a tipologia urbana mais representada, em 17, 2% das imagens, seguida das praças e jardins, que aparecem em 10,3% das imagens e as esquinas, em 6,5%. A recorrência destes elementos aponta para a importância da ideia de circulação urbana neste momento,

complementada pela presença de transeuntes em 12,5% das imagens e de automóveis, em 2,6% dos casos.

Quanto à abrangência espacial das imagens, que se relaciona ao grau de articulação com que se apresenta fotograficamente a cidade ou a zona rural, a maior incidência é das vistas parciais, detectadas em 52,2% dos casos, seguidas das vistas pontuais, em 35,3%, das vistas panorâmicas, em 9,5% e das vistas internas, em apenas 3,0% dos casos.

As vistas parciais permitem tomadas mais abrangentes, possibilitando a visualização de uma série de elementos além do motivo principal. Ao se distanciar da cena, o fotógrafo acaba por retratar também o entorno que cerca o objeto, promovendo assim sua contextualização. O recurso da câmera alta e o ponto de vista diagonal também foram bastante utilizados, especialmente em tomadas de ruas e esquinas. As vistas parciais também aparecem nas fotografias de plantações, terreiros de café e edificações rurais, onde partes da infraestrutura e do trabalho nas fazendas podem ser visualizados.

Nas vistas pontuais o motivo fotografado aparece descontextualizado, isolado de seu entorno. Nas fotografias de edifícios este recurso foi bastante utilizado, promovendo a valorização da edificação, que aparece no centro da imagem.

As vistas panorâmicas aparecem na quase totalidade nos casos das fotografias das fazendas e são caracterizadas por tomadas amplas, que permitem a visualização de grandes zonas de plantio ou do conjunto das edificações rurais.

Já as vistas internas são aquelas realizadas no interior dos ambientes e, neste trabalho, aparecem nas imagens de escolas e hospitais.

As intervenções na paisagem urbana e a presença da paisagem natural também foram controladas. Observamos na área urbana a presença de árvores em 10% e de jardins em 7,1% das imagens. Na área rural, as maiores incidências foram de cafezal em 3,9% e de matas em 1,8% das imagens. A arborização de ruas e praças e a construção de jardins públicos estão entre as iniciativas de melhoramento da cidade, propiciando, além do embelezamento, a convivência nestes novos espaços, também equipados com bancos e quiosques.

Em infraestrutura/serviços foram mapeados os melhoramentos como iluminação, pavimentação e transporte. A pavimentação aparece em maior número de imagens, 10,4% e a associação entre poste e pavimentação em 3,8%. Na área rural os conjuntos de edificações, como barracões, colônias, moinhos e tulhas aparecem em 7,8% das imagens. O trem e os trilhos aparecem mais na área rural, em 2,1% dos casos, reforçando as particularidades deste ambiente rural com forte presença da técnica.

As funções arquiteturais mapearam os usos dos edifícios. Os edifícios públicos aparecem em primeiro lugar, em 17,8% do total (55 fotografias); em seguida, temos as edificações rurais em 10% das imagens, sendo 5,5% imagens de residências rurais (17 imagens) e 4,5% (14 imagens) de edificações gerais; os edifícios comerciais surgem em 8,8% (26 fotografias) e os edifícios residenciais em 5,2 % (16 imagens). O grande número de edificações públicas nas fotografias aponta para a construção de uma imagem oficial da cidade, reafirmando a presença do poder público. O efeito frontalidade aparece com mais frequência nestas vistas, especialmente, no Almanaque de 1913.

Os únicos monumentos encontrados foram a Herma de Rui Barbosa, que aparece em contraste com o edifício da Prefeitura ao fundo e o obelisco em homenagem ao centenário da Independência, retratado isoladamente.

A presença de pessoas foi detectada em 51,5% das imagens, sendo os fazendeiros o grupo mais retratado, em 11,3% delas. Os políticos (que muitas vezes também são fazendeiros) aparecem em 6,5% das imagens, seguidos de alunos e colonos, ambos em 3,9% das imagens. A presença de pessoas exclusivamente no espaço urbano foi detectada em 18,5% das imagens. Além de transeuntes, temos comerciantes, estudantes e pequenas aglomerações. O efeito repouso é predominante em todos os casos. A figura masculina também predomina; já a figura feminina aparece nas imagens relacionadas à educação e famílias de fazendeiros. Duas fazendeiras são exceções neste grupo.

Quanto ao tratamento formal da imagem, foram mapeadas as variáveis associadas ao tamanho, enquadramento, arranjo e direção das mesmas. Embora sejam apresentados de forma individual, estes elementos combinam-se no momento da apreensão da imagem.

Os tamanhos foram diferenciados entre grande, quando a fotografia ocupa metade da página ou a página inteira , sendo este o caso de 37,9% das imagens; médio, quando a imagem ocupa aproximadamente 1/4 da página, totalizando 42,7 % das imagens; e pequeno, quando as imagens ocupam aproximadamente 1/8 da página, encontrados em 19,4% do total de imagens.

Os formatos das fotografias variam entre o quadrado, o retangular e o oval. O formato retangular aparece em maior número, totalizando 55% das imagens; o quadrado vem em seguida, com 30,4 % e o oval em 14,2% dos casos.A prevalência do formato retangular, em combinação com as vistas parciais, é bastante comum nas tomadas de ruas e esquinas, permitindo a visualização das edificações e do traçado das ruas, bem como de outros elementos como postes, transeuntes, carroças e jardins. Já o formato oval é utilizado, na maioria das vezes, nos retratos.

Em enquadramento, observou-se o ponto de vista do fotógrafo, ou seja, sua posição de tomada da cena e o recurso da câmera alta. O enquadramento vincula-se ao arranjo formal e aos efeitos de dinamismo ou estabilidade e à abrangência espacial da imagem. As variações de enquadramentos nas publicações são importantes para a percepção do grau de dinamismo da sequência fotográfica343. O enquadramento mais utilizado foi o diagonal, detectado em

48,3% dos casos; este número aumenta quando somados os casos de enquadramento diagonal com câmera alta, observado em 16,4% (totalizando 64,7%). O enquadramento central aparece em 34,9% dos casos.

O arranjo indica a forma de organização dos elementos na imagem. Neste estudo foram identificados os seguintes atributos: repouso em 61,45% das imagens (metade deste percentual refere-se aos retratos), caracterizado por fornecer estabilidade ao motivo fotografado. A cadência, presente em 18,4% das imagens, é caracterizada pela repetição regular de um mesmo elemento. Este recurso foi bastante utilizado nas tomadas de ruas, destacando o alinhamento de árvores, postes ou fachadas, conferindo um sentido de ordenação e estabilidade A profusão foi observada em 15,5% das imagens;com a finalidade de ressaltar a abundância; ele aparece em imagens de aglomerações humanas e também em vistas gerais das propriedades rurais. Já a sobreposição está presente em 2,6 % das imagens, provocando uma descontinuidade visual.

As direções identificadas foram a horizontal em 31,7% dos casos, a vertical em 28,5% e diagonal em 8,7% dos casos. Estes atributos orientam o ordenamento dos elementos na imagem (articulação dos planos) e podem ser apreendidas pela direção dos automóveis ou dos transeuntes e das fachadas dos edifícios. Nas imagens das fazendas prevalece a direção horizontal. A direção diagonal é encontrada nas tomadas de rua e edifícios feitas nas esquinas.