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Mediante o contexto apresentado e sob o prisma do nosso referencial teórico, produzimos nossa análise observando os seguintes elementos:

- As performances desempenhadas pelos produtores técnicos dos registros. Realizar a leitura de uma manifestação cultural, analisá-la e registrá-la também é uma performance;

- As informações emitidas pela própria celebração, captadas e descritas pelos autores do dossiê de registro. Um repertório registrado por um arquivo;

- A comparação da participação dos sujeitos envolvidos, o que envolve disparidades, semelhanças e possibilidades de hierarquização de uma atuação sobre a outra.

Lembramos que o dossiê foi estruturado de acordo com a Deliberação normativa nº 01, de 30 de junho de 2009, elaborada pelo CONEP (conselho vinculado ao IEPHA), que atua em conformidade com a Lei 18.030, e com base nessa determina o planejamento de política municipal de proteção do patrimônio cultural e estabelece os modelos de todos os trabalhos realizados para tal fim, inclusive a estrutura do dossiê de registro de patrimônio imaterial. O modelo encontra-se no Anexo VI.

O documento seguiu o modelo do IEPHA em todos os campos exigidos. Entretanto, especialmente no que diz respeito ao Reinado (contextualização, história e descrição), os autores do documento procuraram acrescentar novos elementos e abordagens. No Anexo X, mostramos a sua estruturação.

A captura de informações sobre uma determinada prática cultural – como o congado – assim como a inserção destes elementos em um produto escrito, enumerado em campos descritivos, foi uma demanda das sociedades contemporâneas, com o objetivo de atender critérios científicos e institucionais. Recordamos que instituições públicas e normas jurídicas precisam do registro escrito para sistematizar suas ações e definir parâmetros para o seu funcionamento, o que foi atestado por Maciel (2009) e Goody (1988), cujas percepções já foram apresentadas no nosso referencial, sobre o registro do congado. A propósito, a institucionalização da preservação do patrimônio cultural e do instituto do registro se deu por mecanismos legais, ponto de partida para as definições e seleções dos patrimônios, assim como de sua salvaguarda.

Lembramos Goody (1988) e Ong (1998), que demonstram possuir visões diferenciadas em relação ao registro escrito e institucionalizado: o primeiro afirma que a redução de uma cultura a um quadro escrito tende a integrar o que é percebido numa mesma ordem, provendo enquadramentos simplificados para os sistemas mais sutis de referência oral; já o segundo enxerga um distanciamento que a escrita realiza, pois afasta a prática cultural de um contexto existencialmente rico, de muitas enunciações orais. Diante de tais considerações, presumimos que o registro escrito é essencial para a transmissão da memória, e a inclusão de campos, no caso do dossiê analisado, facilita a compreensão do leitor a respeito do bem patrimonializado. Entretanto, trata-se de um produto limitado, visto que uma celebração como o Reinado compreende nuances nem sempre passíveis de serem sintetizadas em palavras ordenadas, o que será pontualmente apontado nesta análise.

Para melhor visualização a respeito do dossiê, apresentaremos cada item deste, contrapondo também as diretrizes do IEPHA apontadas pela deliberação nº01/09; porém, nos,

próximos tópicos, mostraremos com maior profundidade e análise os itens, do 4º ao 11º, que tratam diretamente do bem cultural – o Reinado (Anexo X).

Primeiramente, apesar de não constar no sumário, deparamo-nos com o item 1 exigido pelo IEPHA, conforme está escrito no anexo VI: capa, sumário, lei do registro do patrimônio imaterial. São citadas as leis betinenses que instituem a proteção do patrimônio cultural da cidade: a de nº 2.944, de 24 de setembro de 1996, que institui a proteção do patrimônio cultural de Betim; e o Decreto nº 16.389, de 26 de outubro de 2000, que regulamentou aquela lei67.

Na introdução, o IEPHA orienta que seja apresentado um texto introdutório referente à pesquisa/montagem do dossiê e ao objeto a ser registrado, historicizando: a motivação do registro/solicitação do registro; o contexto dentro da linha de atuação do Conselho Municipal; as visitas técnicas e elaboração do relatório de avaliação para registro.

No Dossiê do Reinado, os seus autores procuraram seguir tais recomendações. Apontaram, para justificar a necessidade do registro, o tempo de ocorrência da celebração e a sua vinculação com o Poder Público Municipal, além de terem mencionado elementos que dificultam a vitalidade da manifestação. Os autores do dossiê abordaram a atuação do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Betim, registrada em atas de reuniões ordinárias ocorridas durante 2009, para discussão das ações e propostas em prol da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, e ressaltaram que o conselho aprovou o registro provisório do bem, acompanhando todo o processo de elaboração do dossiê. Assinalaram a metodologia de pesquisa adotada pela equipe, responsável pelos estudos técnicos que subsidiaram o registro, composta pelas historiadoras integrantes do Departamento de Planejamento e Pesquisa da FUNARBE. Para tanto, salientaram que foram direcionadas para este fim as reuniões periódicas que a FUNARBE realiza com a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, para a formação continuada e para se discutir a gestão dos bens culturais associados à Irmandade.

Assim, percebemos que os autores do dossiê procuraram se adequar ao que foi solicitado pelo IEPHA, e apresentaram informações que deveriam corresponder às expectativas daquele instituto. Sobre as reuniões com o Conselho e a Irmandade, o que implica em uma inter-relação dos diferentes atores envolvidos, pouco foi abordado sobre o conteúdo e em que medida ocorreu a participação de cada um desses atores.

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Menciona-se também que o conjunto de peças legais foi avaliado, e reconhecido como válido, pelo responsável pela Gerência de Cooperação Intermunicipal, do IEPHA, em 23 de novembro de 2009.

O outro campo exigido se trata da denominada contextualização histórica/sociológica/antropológica, no qual se pede um texto com as informações históricas referentes ao município e local do bem imaterial. É um campo necessário, para a compreensão da inserção do bem registrado na história e cultura local.

No dossiê sobre o Reinado, foi apresentado um texto que trata da história do congado e dos reinados, desde a sua origem no século XVIII, tentando mostrar variadas explicações para o surgimento das celebrações. Os autores do dossiê explicam também a formação e o desenvolvimento da manifestação em Minas Gerais, apontam a versão do mito de Nossa Senhora do Rosário, e mostram as ramificações das guardas de congado – congo, moçambique, vilão, marujo, catopé, candombe, caboclo e São Jorge – explicando brevemente a origem de cada um deles. O histórico foi baseado em consultas a fontes teóricas, produzidas por acadêmicos das Ciências Sociais, História e Letras: Suzel Reily (2001)68, André Antonil (1963)69, Caio Katrib (2004)70, Geraldo Fonseca (1975)71, Vanda Nery (2007)72, Saul Martins (1991)73.

Recordamos que a explicação das origens míticas do congado é fundamental para a compreensão dos rituais que sempre relembram esse passado, o que vai ao encontro da assertiva de Le Goff (1990), quando afirma que a memória coletiva se fundamenta em mitos de origem, transmitidos de uma geração para a outra pelo saber técnico e fórmulas práticas. Nesse sentido, foi acertada a postura dos autores do dossiê em tentar compreender mais a fundo sobre os mitos e origens dos congados.

Os autores do dossiê procuraram conferir uma abordagem antropológica ao histórico, ao buscar em Reily (2001)74 a explicação para a existência das narrativas de origem, que, segundo ela, remetem a origem do congado à África, aos antigos, ou a explicam como uma dança dos escravos ou uma dança para lembrar a escravidão. As explicações da autora, ressaltadas no dossiê, trouxeram elementos a respeito da origem mítica da manifestação:

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REILY, Suzel Ana. To Remember Captivity: The Congados of Southern Minas Gerais. Latin American Music

Review, Volume 22, Number 1, Spring/Summer 2001, University of Texas Press, P.O.

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ANTONIL, André João. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas. Rio de Janeiro: IBGE / conselho nacional de geografia. Edição da Divisão Cultural, 1963.

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KATRIB, Cairo Mohamad Ibrahim. Nos mistérios do Rosário: as múltiplas vivências da festa em louvor a Nossa Senhora do Rosário. 2004. Dissertação (Mestrado em História). Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia.

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FONSECA, Geraldo. Origens da nova força de Minas: Betim sua história 1711-1975. Betim: Prefeitura Municipal, 1975. 366 p.

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NERY, Vanda Cunha Albieri. Dançadores da Fé: processos comunicacionais e simbologias no Reinado de Nossa Senhora do Rosário. Intercom. Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. XXX

Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Santos: 29 de agosto a 2 de setembro de 2007.

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MARTINS, Saul. Folclore em Minas Gerais. Belo Horizonte, ed. UFMG, 1991.

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Algumas variantes destas histórias integram elementos de intervenção divina, estabelecendo assim o caráter sagrado da dança e a proveniência divina das verdades que encarna. Reily (op. cit.) encontrou congadeiros que explicam os instrumentos do grupo como fruto de um milagre de Nossa Senhora do Rosário, que transformou instrumentos simples em instrumentos fortes; outro congadeiro explica o surgimento do congo como um milagre de ressurreição feito por são Benedito ao bater a sua caixa; ao ressuscitar a filha de um rei com o som de sua caixa, São Benedito teria mostrado o poder que tem a caixa no congado. Ou ainda, Nossa Sra. do Rosário e São Benedito, representados como protetores dos escravos, teriam tirado comida das casas-grandes para alimentar os escravos à noite (FUNARBE; MIGUILIM; PREFEITURA DE BETIM, 2009, p. 18)

Algumas narrativas da origem do congado se referem à própria experiência da escravidão, e não à relação com a divindade (a Santa). Em São Gonçalo, Minas Gerais, um congadeiro assim narrou o surgimento das congadas: quando a Princesa Isabel libertou os escravos, estes sabiam que o rei era mau e que a atuação dele perpetuara a escravidão. Não podendo atacar o palácio, para matá-lo, o que era a vontade dos negros, estes foram juntos para a porta do palácio e tocaram seus tambores, até enlouquecê-lo (FUNARBE; MIGUILIM; PREFEITURA DE BETIM, 2009, p. 18).

Mostramos essas reflexões, na íntegra, porque apontaram outras explicações míticas – São Benedito e a abolição – para narrar a origem do congado. No nosso capítulo teórico, sobre os congados, mostramos as histórias de Chico Rei e Nossa Senhora do Rosário, além da abordagem historicista que trabalha a relação entre o congado e Dom Afonso. Porém, segundo as autoras do dossiê do Reinado de Betim, os congadeiros de Betim conhecem e representam o mito de Nossa Senhora do Rosário.

Outro ponto importante a ser assinalado foi o fato de os autores do dossiê terem apontado a existência da dança como forma de lembrar a escravidão. Foi explicado que a dança compreende uma performance, acarretando, sob nossa percepção, comportamentos restaurados para lembrar um trauma, como diz Taylor (2002, p. 38):

O recontar e o representar, entretanto, colocam-nos várias questões sobre a legitimidade [...] as performances problematizam a narrativa histórica. O que é tempo sem progressão? O que é o espaço sem demarcação? O que acontece à concepção de história de um povo quando os traços são poucos, ou conhecidos apenas por meio da repetição performática? [...] No trauma, o passado é reapresentado no presente, como um sistema de angústia (como nos flashbacks), e como parte de um processo de cura (pelo reviver da experiência).

Em seguida, os autores do dossiê produziram um tópico que trata sobre o reinado interpretado pelas Ciências Sociais. Primeiramente, mostram que os congados foram inseridos em várias categorias para subsidiar a construção de uma perspectiva teórica sobre cultura e identidade: identidade nacional (NERY, 2007)75; folclore, conceito este criticado por Michel

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de Certeau (2002)76; cultura popular (BOLLÈME, 1988)77; culturas locais originárias (UNESCO, 2005)78.

Também apontaram estudos recentes sobre o congado em Minas Gerais: essas manifestações, consideradas por estes estudos como processos comunicacionais, podem ser analisadas pelos elementos – memória, formato, conteúdo e mediações. No dossiê, cita-se Reily (2001)79, que, conforme assinalado anteriormente, adota a ideia de que o congado inscreve corporalmente a memória social dos grupos que o praticam, e o corpo seria um substrato cultural básico. Ele traz também o conceito de performance, que seria o melhor veículo para memória social alternativa, pois a música e a dança conteriam mecanismos adequados para expressar, no caso dos congadeiros, a existência de uma postura de submissão, devido ao passado escravista dos negros no Brasil.

As profissionais técnicas que produziram o registro mostraram a sua posição em relação ao congado e à metodologia adotada por elas para elaborar o documento. Elas reconhecem que o congado ou o reinado é uma manifestação presente no território municipal, dotada da mesma dignidade que outras práticas culturais, preferindo se abdicar de classificações reducionistas.

E entende que seu registro como patrimônio cultural intangível do município justifica-se por razões políticas e sócio-históricas: é uma manifestação profundamente enraizada no tempo, residual e ameaçada de desaparecimento, fortemente vinculada a um grupo étnico cujas manifestações foram historicamente apagadas da trama cultural brasileiro e, especialmente, rica, complexa, dinâmica, atual e multifacetada, como qualquer cultura (FUNARBE; MIGUILIM; PREFEITURA DE BETIM, 2009, p. 20).

Observamos, nesse sentido, uma postura ideológica por parte da equipe técnica que elaborou o dossiê, em se adequar ao contexto atual em que os direitos à memória e à identidade das culturas locais têm sido buscados e defendidos.

A equipe também presta referência às formas como Nery (2007)80 e Reily (2001)81 interpretam o Reinado de Nossa Senhora do Rosário. Esses autores, conforme assinalado no documento, orientaram a abordagem teórica e metodológica para a sua elaboração.

Parece-nos que a equipe técnica da FUNARBE procurou, neste sentido, avançar na concepção metodológica do dossiê, buscando autores que trabalham com conceitos até então pouco utilizados nas diretrizes elaboradas pelo IEPHA. Inferimos que a própria formação dos

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CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano, 1: artes de fazer, 10ª Ed. Petrópolis: Vozes, 2004.

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BOLLEME. Geneviéve. O povo por escrito. Trad. Antonio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

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Não há a referência no dossiê.

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REILY, Suzel Ana. Op cit.

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NERY, Vanda Cunha. Op cit.

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membros da equipe, e o já elaborado inventário do patrimônio de Betim, norteado pelas concepções do NEAD (o que já foi abordado no capítulo anterior) influenciaram essa nova perspectiva adotada pela FUNARBE, ainda que esta ainda siga, por questões burocráticas, legislativas e, principalmente, financeiras, os parâmetros do IEPHA.

Na contextualização, a deliberação do IEPHA também pede o histórico do município e do local onde ocorre a manifestação. No dossiê do Reinado, a equipe técnica seguiu a orientação, produzindo um histórico de Betim, desde sua ocupação – no início do século XVIII – considerando os elementos discriminados no capítulo 3, de acordo com a estrutura assinalada no Anexo X.

Foram buscadas referências teóricas na obra do viajante James Wells (1995)82, Fonseca (1975)83, Lucília Machado (1979)84 e em fontes bibliográficas, como a Revista Tendência (1973)85 e outra editada pela PMB86.

Destacamos, neste campo, o fato de os autores do dossiê terem apontado as ações da Prefeitura Municipal no sentido de desenvolver políticas públicas na área de cultura, tais como a criação da FUNARBE, em um momento em que a cidade crescia demograficamente e diferentes manifestações culturais ganhavam visibilidade. Mostra ser uma tentativa de se relacionar, no contexto histórico, as ações da FUNARBE com a proteção das práticas vinculadas ao Reinado, já que esta é uma das manifestações mais antigas, praticadas na cidade.

Quando é feita a descrição do epicentro do Reinado, os autores do dossiê apresentam um breve histórico do bairro Angola, onde está implantada a Capela de Nossa Senhora do Rosário. Também apresentam informações sobre a construção desse templo, visto que ele foi e continua sendo o núcleo da manifestação. Porém, essa abordagem de parte da história do Reinado é aprofundada no capítulo 4 do dossiê (vide Anexo X), que trata especificamente deste tema.

O item seguinte, deliberado pelo IEPHA, trata de informações sobre o objeto, conforme está assinalado no modelo do anexo VI (especificamente o item 4). No dossiê do Reinado, esta temática é tratada nos itens 4 a 11 (Anexo X). Este conteúdo do documento, entretanto, por tratar diretamente do bem cultural, será analisado com mais profundidade nos

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WELLS, James W. Explorando e viajando três milhas através do Brasil: do Rio de Janeiro ao Maranhão. ÁVILA, Myriam (Trad.). Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, Centro de Estudos Históricos e Culturais, 1995.

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FONSECA, Geraldo. Op cit.

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MACHADO, Lucília Regina de Souza. Escola Técnica e divisão social do trabalho. Belo Horizonte, Universidade Federal de Minas Gerais, 1979 (dissertação de mestrado).

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Por que a Fiat se instalou em Minas Gerais. Revista Tendência, ago 1973, n° 0, p. 50.

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próximos tópicos. Os itens 5 ao 16 do modelo de dossiê de registro (anexo VI) foram seguidos pela equipe técnica da FUNARBE.

O inventário contempla: a identificação, a descrição e a função do bem imaterial que está sendo registrado, assim como dos bens culturais tangíveis que compõem tal bem. Ele segue o modelo formatado para o Inventário de Proteção ao Acervo Cultural (IPAC), que se trata de um procedimento administrativo, através do qual o poder público identifica e cadastra os bens culturais do município, com o objetivo de subsidiar as ações administrativas e legais de preservação. Nele são inventariados bens materiais (móveis, imóveis e arquivísticos) e imateriais, cada um desses tipos com um modelo próprio de formulário, que deve ser mais adequado à natureza do bem. Devemos lembrar que o inventário – criado por instituições governamentais – é um instrumento que tem sido sistematicamente utilizado para a identificação dos bens culturais de interesse de preservação, com o objetivo de propiciar a sua proteção e estudo. Entretanto, esse material funciona como uma catalogação de bens culturais;

sendo assim, no inventário consta uma relação de “nomes e coisas” associados ao patrimônio

cultural. Presumimos que Goody (1988) perceberia o inventário como um documento fundamental para se ter acesso às informações produzidas no Reinado, pois é um processo estimulado pela visão, e esta possui vantagens de memorização em relação à audição. O primeiro sentido, necessário para a leitura de um documento escrito; o segundo, para ouvir os sons emitidos pela manifestação, o que gera uma fluidez da informação memorizada pelo espectador.

No Dossiê de Registro do Reinado, foi inventariada a própria celebração, de acordo com o modelo próprio (ver Anexo V). Percebemos essa ficha como um dossiê de registro mais sintético. Porém, em relação ao modelo, a equipe técnica da FUNARBE acrescentou alguns dados a mais, como análise da vitalidade da manifestação, fatores de degradação e medidas de conservação. Pela data do documento, esta ficha foi constituída por ocasião da elaboração do dossiê, em 2009.

Os autores do dossiê buscaram contextualizar a manifestação, retomando sua origem nos séculos XVI e XVIII, apontando os fatores principais, como o culto a Nossa Senhora do Rosário, a formação das irmandades e a experiência da escravidão. O histórico em Betim foi bastante resumido, mas abordou-se a existência da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, surgida no século XIX, e a atuação de Joaquim Nicolau, considerado patriarca da celebração na cidade. A descrição, entretanto, pareceu-nos desatualizada, por apresentar informações que não condizem com a descrição feita no Dossiê, mais aprofundada. Na ficha de inventário, mostrou-se uma sequência de atividades, desde o hasteamento da bandeira de aviso até o

ritual de arriamento das bandeiras dos santos de devoção. As três fotos, tiradas em agosto de 2009, retratam cenas dos cortejos. Foi feita uma análise da vitalidade da manifestação, e considerou-se que algumas mudanças são constituintes do seu contexto, tais como deslocar-se de ônibus a bairros distantes em relação ao centro da cidade (quando esse deslocamento antes era feito a pé), e considerou-se que o Reinado parece capaz de se perpetuar por tempo indeterminado, em função do diálogo entre a tradição e a contemporaneidade. O principal fator de degradação apontado é a relação entre o Reinado e o Poder Público como fonte de financiamento, e foram propostas medidas de conservação: formação contínua da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, relativização das atuais formas de financiamento público da celebração, formação e potencialização do público para a celebração e fortalecimento dos vínculos entre a Irmandade e seus bens materiais. Foi citado o inventário como proteção legal existente, e o registro como proteção legal proposta. As referências são obras que tratam da história de Minas Gerais e de assuntos relacionados à cultura popular, à vida religiosa em Betim, e às próprias celebrações dos reinados. É mencionada, também, uma fonte primária, o Dossiê de Tombamento da Capela de Nossa Senhora do Rosário, realizado em parceria entre