3.6. Hizmet Baskın Mantık Çerçevesinde Verilerin Analizi
3.6.1. Aktörler ve Kaynak Bütünleme
3.6.1.1. Kültür ve Turizm Bakanlığı
A Fundação (1925-1926)
“Santarém foi sempre um alfobre de vocações artísticas, cultura da música, amante do teatro. Atesta-o a tradição dos seus afamados grupos cénicos e conjuntos orquestrais de valor. Mercê desse património artístico, Santarém viveu noites de inesquecível prazer espiritual. Não é, pois de estranhar, que destas realizações artísticas e culturais, Santarém conservasse, em potencial, o amor pela arte, em qualquer das suas manifestações, e que não deixasse perder essa tradição. E assim, surgiu em fins de 1925, o Orfeão Scalabitano.”1
“Falar do Orfeão Scalabitano é narrar a história de pequenos heroísmos ignorados, dedicações e entusiasmos, sacrifícios em que o amor à música e à obra a que se votaram é a única recompensa que recebem.”2
No início de 1925, foram várias as vozes escalabitanas que opinaram no sentido de se criar um Orfeão em Santarém. Na reflexão “Acerca da Música” publicada pelo jornal O Combate garantia-se a existência de dirigentes e executantes provenientes do Liceu, da Escola Primária Superior e até um grupo de militares que já se tinha apresentado publicamente. Assim, Santarém reunia os pré-requisitos para a constituição de um Orfeão à semelhança dos de Condeixa, Póvoa do Varzim e Fafe ou da Sociedade Promotora de Concertos em Tomar. Cedo ficaram definidas as regras de que o Orfeão tanto se viria a orgulhar: “Para cultura artística, disciplina de vontades, conjugação de esforços, realização duma pequena democracia de exemplar finalidade educativa, talvez não haja muito melhor do que o funcionamento de um orfeão (…) sem siglas de classes, marca de origem ou distintivo de grupo rival, diferentemente do que estamos habituados
1BMS - Programa de Sala, 31/5/1949 – 1/6/1949.
2 José Luís Nazareth Barbosa, “O Círculo Cultural Scalabitano – Um Sonho que é Hoje uma das
Melhores Realidades Culturais do País. Deus Quer, o Homem Sonha, a Obra Nasce” in Século de Domingo, coord. de Olavo d’Eça Leal, n.º 16, 9/11/1958, p. 1.
a ver em agrupamentos de outras naturezas, em política, em quase tudo?”3. A ideia amadureceu no seio do Grémio Literário Guilherme de Azevedo que acolheu, a 13 de Novembro de 1925, uma conferência do advogado Artur Proença Duarte, antecedida por “… uma audição musical de propaganda da ideia em marcha…”4. Perante a questão, “Por que não havíamos de ter um Orfeão em Santarém, terra de tantos amadores de música?”, uma numerosa assistência elegeu o orador como presidente da Comissão Organizadora do Orfeão coadjuvado por Teles Fazendeiro, José Avelino de Sousa, José Augusto Frazão, José Rodrigues Portela e José Coelho. A regência do grupo coral ficou a cargo do violoncelista do Quarteto do Teatro Rosa Damasceno, José Belo Marques que em entrevista ao jornal republicano O Debate defendeu o “espírito de realização dos escalabitanos”5. A eleição do primeiro corpo directivo do Orfeão procedeu-se na assembleia-geral de 19 de Dezembro de 1925. Artur Proença Duarte, José Coelho, Américo Passos e Manuel Teles Fazendeiro foram eleitos respectivamente presidente, tesoureiro e secretários enquanto os directores do Orfeão eram António Verediano Gomes, Seabra Coelho e os tenentes José Augusto Frazão, José Augusto da Cunha Belo e Afonso de Bívar Costa.6
No projecto inicial pensava-se integrar cem coralistas de ambos os sexos desfazendo “… a lenda de que em Santarém não vinga nenhuma iniciativa de alcance…”7. As inscrições surgiram nesse mesmo mês de Novembro, registando-se uma forte adesão das trinta mulheres, deitando por terra o mito que o “… meio santareno tem fama de refractário a cometimentos desta ordem”8. Na primeira audição de vozes, realizada a 23 de Novembro de 1925 no Grémio Literário Guilherme de Azevedo, foram apurados quarenta e dois orfeonistas pelo maestro Belo Marques que fez “… uma prelecção sobre canto coral, suas vantagens educativas e higiénicas, sendo ouvido com muito agrado. Aproveitou a oportunidade para prevenir todos os inscritos de que nada conseguiriam sem um trabalho aturado e aconselhou a riscarem-se desde já todos os que não sentissem em si as necessárias qualidades de persistência.”9. De entre os amadores reunidos no Grémio não se notaram “… preocupações de categorias ou classes. É animador. Ali, só a natureza das vozes separa os elementos do grupo coral: não há
3O Combate, n.º 8, 1/1/1925, p. 2. 4BMS – Programa de Sala, 13/11/1925. 5O Debate, 5/11/1925. 6Cf. O Combate, n.º 42, 25/12/1925, p. 5. 7Idem, n.º 38, 28/11/1925, p. 4. 8Idem. 9Idem.
artistas nem oficiais do exército, não se pergunta se este é caixeiro ou se aquele é proprietário – há baixos, barítonos, tenores e sopranos. E este estabelecimento de novas
gerarquias é talvez o melhor condão da arte musical na sua modalidade do canto coral.”10.
O ensaio da canção russa “O Moinho” iniciou-se a partir de 24 de Novembro de 1925 no Grémio Literário Guilherme de Azevedo onde se reuniam cerca de duzentas pessoas, duas vezes por semana.11 Em Dezembro, o Orfeão também ensaiava as peças “A Lágrima” e uma “Rapsódia” (popular), enquanto em Janeiro de 1926 começaram os estudos do “Coro dos Punhais” dos “Huguenotes”12. No mês seguinte, trabalhava-se no hino do Orfeão com letra e música de Belo Marques13. O 27.º aniversário do maestro Belo Marques foi festejado no ensaio de 27 de Janeiro de 1926, transformando-se numa festa surpresa onde se cantou, dançou, recitou e se ouviram os solos de violoncelo executados pelo aniversariante.14 Este grupo empreendedor mostrava o seu empenho e crença na obra de constituir em Santarém um Orfeão, cumprindo a sua missão ao estabelecer uma obra educativa sem precedentes na cidade. Perante esta atitude, surgiram alguns boatos de que o Grupo Dramático dos Bombeiros Voluntários tinha pensado primeiro do que o Grémio Literário na constituição do Orfeão. A rivalidade entre as duas colectividades acabou por ser sanada com a publicação na imprensa de uma declaração da direcção dos Bombeiros que para “… desfazer boatos que ultimamente têm corrido na cidade, que nunca pensaram na organização de qualquer orfeão e que não as move a mínima animosidade contra o “Orfeon Scalabitano”, ou qualquer outra sociedade, a quem desejam as maiores prosperidades.”15.
A estreia do Orfeão Scalabitano decorreu nos dias 3 e 4 de Abril de 1926, sábado e domingo de Páscoa, no teatro Rosa Damasceno. A orquestra do Orfeão acompanhou o grupo coral durante a actuação sob a direcção de Belo Marques, enquanto Guilherme Pereira e José de Sousa Máximo, membros do grupo cénico do Grémio Literário Guilherme de Azevedo, recitaram as letras de algumas das canções interpretadas. A orquestra era composta por alguns dos músicos amadores da cidade, na sua maioria uma elite social composta entre outros por militares, proprietários,
10Idem.
11Cf. Idem, n.º 39, 5/12/1925, p. 5. 12Cf. Idem, n.º 45, 16/1/1926, p. 5. 13Cf. Idem, n.º 48, 6/2/1926, p. 8.
14Cf. Idem, n.º 47, 30/1/1926, p. 8; Correio da Extremadura, 30/1/1926, p. 1. 15O Combate, n.º 46, 23/1/1926, p. 1.
advogados e médicos, que se uniu a orfeonistas formando uma relação de empregado e patrão de dia e colegas artistas à noite porque “…o Orfeão, a par de uma obra de arte, está realizando uma notável obra social, aproximando as diferentes classes do modo a que umas às outras melhor se conheçam para mais se estimarem.”16. Esta interpretou temas de Mozart, Bach, Grieg e Schubert. Durante o sarau, as variedades estiveram a cargo de Maria Isabel Pires Beato, José Cunha Belo, Álvaro de Oliveira, Camilo Bettencourt, António Seabra Coelho, José Avelino de Sousa, Manuel Justo e D. António de Atalaia. No entanto, um dos momentos altos do espectáculo foi o dueto de violoncelos entre D. José Zarco da Câmara e o maestro José Belo Marques.17 A imprensa de Lisboa elogiou a qualidade dos espectáculos que encheram o teatro com a melhor sociedade de Santarém.18 As receitas dos dois espectáculos foram de 7500$00, revertendo 2000$00 para instituições de beneficência da cidade: Misericórdia, Liga dos Combatentes, Asilo de Santo António e Refeitório dos Indigentes.19 Perante o êxito obtido, o Orfeão repetiu, a 10 de Abril, a apresentação do sarau no teatro Sá da Bandeira a preços populares. A 27 e 28 de Abril voltou a exibir-se no teatro Rosa Damasceno onde repetiu o sucesso e se afirmou perante o público da cidade.20
Os Primeiros Anos (1926-1932)
Os dirigentes do Orfeão Scalabitano, conscientes que a maioria dos componentes não conhecia o país nem tinha capacidade económica de viajar, decidiram organizar uma deslocação com componente lúdica e artística, facultando “… aos conterrâneos um instrumento de ilustração, nas viagens há sempre que aprender da natureza, dos costumes da língua, das tradições.”21. O projecto de deslocação a Viseu acabou por ser substituído pela primeira de várias viagens à Covilhã. Na madrugada de 20 de Maio de 1926, um comboio especial transportou uma vasta comitiva escalabitana que integrava representantes das forças políticas e das colectividades de Santarém.22 Na Covilhã
16Jornal de Santarém, n.º 57, 10/4/1926, p. 3. 17Cf. Idem; Correio da Extremadura, 10/4/1926, p. 2. 18Cf. O Século, 5/4/1926 e Diário de Notícias, 5/4/1926. 19Cf. Jornal de Santarém, n.º 60, 1/5/1926, p. 8.
20Cf. Idem, n.º 56, 3/4/1926, p. 1; n.º 57, 10/4/1926, p. 3; n.º 58, 17/4/1926, p. 2. 21Idem, n.º 61, 8/5/1926, p. 1.
22 A comitiva integrava representantes da Junta Geral do Distrito, do Governo Civil, da Câmara
Municipal, do Comando Militar, do Liceu, da Escola de Regentes Agrícolas, da Associação Comercial, da Associação de Futebol, do Grupo de Futebol os Empregados no Comércio, do Grémio Recreativo Operário, do Grémio Literário Guilherme de Azevedo, do Club de Santarém, dos Bombeiros Voluntários, do Sindicato Agrícola, da Caixa de Crédito Agrícola e do Sindicato de Construção Civil. O custo da viagem orçou em 60$00 por pessoa. Cf. Idem, n.º 62, 15/5/1926, p. 8; Correio da Extremadura, 8/5/1926, p. 3.
viveram-se experiências únicas de amizade e companheirismo. A laboração das fábricas de fiação parou para receber Santarém ficando apenas uma das maiores fábricas a trabalhar “… para que nos seja dado, a nós, gente de ocupações tão diferentes das dos seus habitantes uma ideia da vida característica da nossa Manchester.”23. À tarde, decorreu uma partida de futebol entre alguns orfeonistas e uma equipa da Covilhã. Após o jantar oficial entre as entidades e convidados e o jantar convívio entre todos os outros, decorreu uma récita no Teatro Covilhanense onde actuou o grupo coral e a orquestra do Orfeão que executaram temas de Schubert, Mozart, Bach, Boudelier, Albeniz e Braams. Durante o espectáculo foram declamadas poesias por Américo Passos, José Avelino de Sousa e pelo “menino” Humberto Lopes, todos dirigentes ou futuros dirigentes do Grémio Literário Guilherme de Azevedo e com papel activo no associativismo escalabitano. Pela primeira vez, surgiu a figura da “madrinha” com a homenagem na Covilhã a Maria de Aguilar Ribeiro que representava o Orfeão naquela cidade. A colectividade criou uma rede de madrinhas em Santarém e nas principais localidades por onde actuou, todas escolhidas entre famílias das elites locais. Após a récita, os excursionistas reuniram-se no Club União da Covilhã onde dançaram e cearam até à hora do comboio que regressou a Santarém na madrugada de 21 de Maio.24 Desta viagem resultou uma aliança de amizade e convívio entre as duas cidades em que os seus habitantes se visitavam com frequência firmando os seus contactos. A partir desta viagem e seguindo o exemplo escalabitano, foi fundado um Orfeão na Covilhã. A imprensa regional, como o Correio da Extremadura25, o Jornal de Santarém, o Notícias
da Covilhã, A Mocidade Portuguesa, publicou artigos ou números dedicados às duas cidades.
O maestro Belo Marques deixou a direcção artística do Orfeão em 1927 que passou a ser regido pelo jovem violoncelista Tiago Alcobia e Silva26. Este procedeu a uma reorganização do coro e ao reforço do número de elementos que integravam a orquestra. Dos cerca de cento e cinquenta componentes do coro e da orquestra salientava-se o número reduzido de mulheres, apenas vinte e uma, sendo na sua maioria familiares directas de outros orfeonistas ou de dirigentes e pertencentes a estratos
23Jornal da Covilhã, Abril de 1945, p. 1. 24Cf. Correio da Extremadura, 15/5/1926, p. 1.
25 Sobre esta deslocação João Arruda publicou o artigo “O Orfeão Scalabitano em Peregrinação à
Covilhã. Impressões e Comentários” in Correio da Extremadura, 29/5/1926, p. 2; 19/6/1926, p. 2; 26/6/1926, p. 3; 3/7/1926, p. 3.
26O maestro Tiago Alcobia e Silva faleceu num acidente de automóvel na Cúria em Agosto de 1927. O
sociais elevados.27 A orquestra era exclusivamente masculina e também aí se verificava a presença de uma elite social em relação aos elementos que integravam o coro.28 O reportório ensaiado pelo novo regente passou por temas de Alfredo Keil, Salazar Antunes, A. Rolland, Meyerbeer, Mendelssohn, Puccini, Gounod, A. Menano e A. Thomas. Do reportório dirigido por Belo Marques apenas se manteve o seu hino do Orfeão. Em 1927, o coro interpretava e divulgava temas de sucesso de algumas óperas como “Madame Buterfly” e “Huguenotes”. A nova composição do Orfeão apresentou- se ao público no teatro Rosa Damasceno a 2 e 3 de Abril durante a inauguração da lápide comemorativa do seu primeiro concerto, oferecida pelo Club de Santarém.29 O produto dos espectáculos e da venda do programa de sala reverteu a favor da Cantina Escolar de Santarém. Segundo o oficial do exército e jornalista Areosa Feio (-1936), o Orfeão “…além da bela tentativa de arte que vem realizando, dá-nos uma esplêndida lição de perseverança e um exemplar salutar de disciplina; os elementos que o formam impõem-se pelo seu labor, obscuro de meses e meses, como dos melhores factores de
27O coro do Orfeão era composto por: Maria Leonor Carreira, Deolinda Valente, Judite Frutuoso, Maria
Clara Brito Carvalho, Maria do Carmo Rodrigues, Maria Emília Portugal, Maria Emília Nobre, Maria Olívia Santos, Maria Martins Ferreira, Albertina Melo (sopranos); Alice Carreira, Adélia Portela, Clotilde Carreira, Deolinda Costa, Georgete Vieira, Maria Júlia Neto, Maria Portela, Prudência Neto, Virgínia Portela, Maria da Piedade Frutuoso, Alice Portela (contraltos); António Neto, António de Seabra Coelho, Bernardino Bernardes da Silva, Eduardo Proa, Fernando Resende, Hugo Ferreira, João Casquilho Faria, João Ferreira, José Farinha, José Brito Carvalho, Manuel Vieira, Manuel dos Santos Justo, D. António Xavier Manuel, Manuel Carreira, Pedro Freire, Paulo Peste, Pedro Beja Santos, Vital da Silva Fialho, João Marques Fernandes, Constâncio António Fernandes, Henrique Carvalho Pais, António Marques Fernandes, António Miranda, António Venceslau Moraes, José António Frutuoso, Pedro Nunes, João Tavares de Campos, Joaquim Lopes (1.º tenores); Manuel José Machado, tenente Maximino M. das Neves, Romão Neto, Virgílio Patriarca, José Bernardes Vidigal, David Pinheiro, Eduardo Melo, Eurico Peste, Eduardo Vieira, Gil Viana, Henrique Gonçalves, Joaquim Coelho, Joaquim dos Santos, João da Silva Santos, Luís Medeiros, Manuel Maurício, António Ruivo, Armando da Silva, António Frutuoso, Ângelo dos Santos, António Henriques, José Maria da Gama, José Prado, Alfredo Lopes, Francisco Seabra, Manuel Ribeiro, Henrique Ferreira, João Ferreira, Ramiro Fernão Pires, António Faustino (2.º tenores); José Avelino de Sousa, Agostinho Mariano, António Guimarães, Alfredo Pinheiro, Augusto Isaac, António José de Almeida, António Fumaças, Custódio Branco dos Santos, Manuel Simões dos S. Justo, João Luís, José Máximo, José Rodrigues Portela, Manuel Filipe, Manuel António de Oliveira, Manuel Raimundo Godinho, Manuel Maria da Costa, Rafael Pais Calado, Carlos Mariano, Francisco Rosado Prado, António Duarte, Júlio Dias, Fernando Neves (barítonos); José Coelho, tenente José da Cunha Belo, Américo de Passos, tenente António de Bivar, tenente Álvaro de Oliveira, António Verediano Gomes, José Azevedo, Joaquim Marques, Francisco Formigo, Manuel Simões Ribeiro, Guilherme Pereira, Joaquim Alhandra, José Augusto Ferreira, Adelino Ferreira, Adelino de Almeida Portugal, Júlio Maria da Costa, Augusto José da Silva, Dionísio da Silva Valeriano, António Ribeiro da Costa, Jorge Martins (baixos). Cf. BMS – Programa de Sala, 2/4/1927.
28A orquestra do Orfeão era composta por: João Maria da Costa, D. José Zarco da Câmara, António de
Almeida Costa, José A. de Carvalho, Joaquim Mendes Pedroso da Costa, capitão Adriano Garcez Pereira Caldas, José Garcez Pereira Caldas, António Gonçalves, António Saúde, Joaquim Carvalho, António Brás Ruivo, João Ferreira, Francisco Neto, Francisco Freire Gameiro, Eurico Ferreira, Manuel José Coutinho, Alfredo Ferreira, Francisco Bastos da Silveira, Jaime Nunes, Manuel Flores, Júlio Maria da Costa, Virgílio Venceslau, António Morais, Manuel Maria da Costa, António H. Correia, Fortunato de Carvalho, José Vicente Flores, António Victorino, Joaquim Mata, Rogério Gomes, João Rodrigues Ferreira, José da Conceição Jordão, Augusto Barata Júnior. Cf. BMS – Programa de Sala, 2/4/1927.
aperfeiçoamento moral e social.”30, enquanto o médico e reitor do Liceu de Santarém, Silva Pereira, considerava-o uma “… excelente organização para a cultura da inteligência e do sentimento; belo motivo de confraternização social; poética distracção, educativa e moralizadora, que tanto aperfeiçoa os que estão ouvindo, como os que se fazem ouvir…”31 dando destaque às “brilhantes manifestações de arte”32. A 5 de Maio de 1927, o Orfeão deslocou-se de camioneta a Leiria para repetir o espectáculo. Durante a viagem, os orfeonistas cantaram no Mosteiro da Batalha, junto ao túmulo do Soldado Desconhecido.33
Em Junho de 1927, Tiago Alcobia e Silva fixou residência em Lisboa e deixou a regência do Orfeão. Numa festa de homenagem ao jovem violinista, o Orfeão cantou “Ave-Maria”, “Fado Patriótico” e “Fausto” e Adriano Caldas apresentou “películas animatográficas” das deslocações a Leiria e à Batalha.34 Para além dos registos fotográficos das viagens começavam a surgir outros suportes que pretendiam preservar a memória de momentos únicos do Orfeão.35 Carlos Franco regia provisoriamente o Orfeão quando este se apresentou durante uma conferência realizada no Grémio Literário Guilherme de Azevedo, a 19 de Outubro de 1927.36 O maestro, violinista e professor de canto coral no Liceu de Santarém, Luís Silveira, passou a dirigir artisticamente o Orfeão, em 1928, adaptando-o aos temas que compunha e à voz da nova vocalista, a sua mulher Ema Silveira. Nos saraus realizados a 7 e 8 de Abril no teatro Rosa Damasceno, o maestro abdicou do hino composto por Belo Marques e do reportório escolhido pelo regente Tiago Alcobia e Silva pois apenas manteve “Serrana” (coro dos pastores), de Alfredo Keil. Em contrapartida, apresentou as suas peças “Hino ao Sol”, “Cantigas do Arraial” e “Ode ao Soldado Desconhecido”, poema coral de Alberto Cardoso dos Santos. O coro cantou ainda peças de F. Moutinho, Mendelssohn e “Saragaço”, uma canção alentejana com estilização do maestro enquanto a orquestra executou temas de Weber, Charles Hubans, Gillet e Tchaikowsky. No acto de variedades participaram José Avelino de Sousa que recitou, Francisco Duarte que cantou “A Média Luz” ao som de piano e D. António Atalaia que interpretou uma
30BMS – Programa de Sala, 2/4/1927. 31Idem.
32Idem.
33Sobre a deslocação do Orfeão a Leiria cf. Correio da Extremadura, 30/4/1927, p. 3 e 21/5/1927, p. 2. 34Cf. Idem, 25/6/1927, p. 2.
35Muitas destas fotografias ainda existem em álbuns que pertencem ao Círculo Cultural Scalabitano ou
em colecções particulares. Dos filmes não existe memória onde possam estar guardados se é que não se encontram totalmente perdidos.
canção brasileira. Finalmente, foi apresentada a madrinha do Orfeão, Maria de Lourdes Nobre da Veiga Holbeche Trigoso, que iniciou um longo percurso na associação, mantendo-se madrinha, leccionando aulas de música e de piano e integrando os corpos gerentes.37A 24 de Maio de 1928, o Orfeão deslocou-se de camioneta a Tomar a fim de fortalecer a união das duas cidades ligadas pela lenda da Santa Iria. A recebê-los encontraram foguetes e a música da Filarmónica Nabantina e da Tuna Comercial juntamente com uma multidão entusiástica e os dirigentes políticos da cidade. À tarde decorreu um jogo de futebol entre amadores das duas cidades, enquanto outros escalabitanos preferiram passear ao longo do Nabão, visitar o parque do Mouchão ou subir a ladeira em busca do Convento de Cristo. À noite, o teatro tomarense encheu-se para a audição do Orfeão e de apontamentos de variedades. Sempre guiado pelos apresentadores e animadores do espectáculo, Maria de Lourdes Trigoso, Mário Cambezes e Francisco Pereira, o público ficou a conhecer a madrinha do Orfeão em Tomar, Maria Carlota Gouveia.38Na reabertura dos trabalhos do Orfeão, em Outubro de 1928, o maestro Silveira na sua palestra referiu a importância do novo desafio: “Trabalhe-se com alma e com estoicismo por alguma coisa de grande, por qualquer coisa que seja alguma coisa. Não estou disposto a mover uma palha pela banalidade. Eu pretendo ensaiar o “Messias” de Haendel e pretendo fazê-lo ouvir pela primeira vez em Portugal. Só as sociedades artísticas assentes em bases absolutamente sólidas e de carácter absolutamente artísticas conseguem ensaiar partituras deste fôlego. Os
orfeonzecos, armados em organizações excursionistas, esses não poderão aspirar além do Ai, ó linda do rebola a bola, e outras maravilhas da biblioteca orfeónica