NO SEGUIMENTO DA RESOLUÇÃO 1603 (XV), que mandatara o Subcomité de Angola a reportar as suas conclusões o mais rapidamente possível, a XVI AG inscreveria na agenda um item sobre o relatório apresentado pelo órgão. O debate teria lugar em reuniões plenárias (entre 15-30 de Janeiro de 1962), num ambiente de profunda desconfiança quanto à actuação e à utilidade das NU na vida internacional734. Crescentes críticas, de chefes de Estado, de meios de comunicação e da opinião pública de países como os EUA e o Reino Unido, indicariam existir um perigo de “excessos de anticolonialismo” da maioria afro-asiática. As preocupações quanto às manifestações de sentimentos anti-ocidentais resultariam em pressões sobre os afro-asiáticos para que moderassem as deliberações sobre questões coloniais. Os EUA, em particular, dariam a conhecer os receios de que, depois do apoio à União Indiana sobre Goa, se continuasse a encorajar o uso da força, o que pensavam que poderia conduzir à destruição da Organização735. Mesmo tendo continuado a afirmar a decisão inabalável de conseguir, de forma imediata, a libertação dos povos colonizados, haveria indicações de que o bloco afro-asiático adoptaria uma atitude cautelosa em relação a Angola, apesar dos incitamentos soviéticos a acções radicais736.
Sem que houvesse a perspectiva de uma solução para Angola, onde a actividade dos guerrilheiros da UPA e do MPLA, que entretanto tinham também iniciado acções
731 Cf. BÈGUE, Sandrine – Ob. Cit. Vol. II. p. 1172
732 Cf. ANTT,AOS/CO/NE-30B-5, Notas sobre a Política Externa Portuguesa, p. 25-28 733 Cf. TÍSCAR SANTIAGO, María José – Ob. Cit. p. 110
734 Cf. AHD, Fundo Missão Permanente de Portugal junto das Nações Unidas: 1980, Mç. ONU 66, Carta
da Embaixada de Portugal na Grã-Bretanha (?) para o MNE, datada de 17 de Janeiro de 1962, p. 1
735 Cf. POI 165, Proc. XM-1, Ano de 1962, Vol. V, Telegrama da Missão de Portugal na ONU para o
MNE, datado de 20 de Janeiro de 1962, p. 1
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armadas, estava a progredir lentamente, Portugal apresentar-se-ia no plenário com uma estratégia diferente das anteriores sessões737. Tendo optado por pedir a palavra no início da discussão, faria uma longa declaração, com a descrição dos acontecimentos no Norte de Angola, a refutação do relatório do Subcomité, a explicação das reformas promulgadas e a reafirmação da posição de princípio quanto à falta de competência da Assembleia para abordar a questão738. O relatório sobre Angola seria considerado, nos seus métodos e nas suas conclusões, como tendencioso, produzindo um resultado determinado à partida. Retirando-se da sala após a intervenção, a delegação portuguesa apresentaria mais observações sobre o relatório por escrito739. Um grupo de trabalho, constituído no Gabinete dos Negócios Políticos do Ministério do Ultramar e composto por cinco elementos, tinha sido encarregue de analisar e contestar o documento. Num veemente ataque à legalidade da investigação e à validade das conclusões do Subcomité de Angola, Portugal, que em alguns momentos distorceria as afirmações do relatório, contestaria sobretudo as fontes de informação utilizadas, indicando que tinham sido ignorados dados que poderiam comprovar a sua versão dos acontecimentos740. Como insistia que a situação em Angola era uma questão artificial seria indicado que dos refugiados que tinham fugido para o Congo (Leopoldville) cerca de 75 000 tinham regressado às suas povoações, o que confirmaria a normalização das condições de vida no território741.
De forma explícita ou tácita, a quase totalidade dos participantes na discussão validariam, não obstante os seus alinhamentos políticos, o trabalho do Subcomité. Mesmo as delegações que não elogiariam o relatório apoiar-se-iam nas suas conclusões,
737 Numa breve introdução ao debate, Salamanca apresentou o relatório do Subcomité, explicando as
condições gerais em que o seu mandato foi desempenhado. De forma ambígua, indicou que tinha tentado colocar em execução a intenção de deslocar-se aos locais de conflito, mas que Portugal recusara o acesso a Angola, compensando a sua atitude negativa com o fornecimento de algumas informações de ordem geral. Cf. Nations Unies - A/PV.1088. Assemblée Générale. Seizième Session. 1088e Séance Plénière.
Lundi 15 Janvier 1962, à 15 heures. Nova Iorque: s.n., 1962. p. 1277
738 Cf. Idem. p. 1278-1286
739 Numa carta de 17 de Janeiro, Garin transmitiu um documento intitulado “Alguns comentários da
delegação portuguesa à XVI AG das NU sobre o Relatório do Subcomité de Angola” e a 27 de Janeiro enviaria os “Comentários pela delegação portuguesa ao debate da AG sobre a “Situação de Angola””. Ao analisar os comentários, o Subcomité concordou que Salamanca fizesse no plenário uma breve declaração, qualificada como de carácter não polémico, explicitando que a metodologia do Subcomité tinha-se baseado na comparação de fontes diversas, sem que tivesse havido a preferência por informações de uma determinada proveniência. Cf. UNARMS, Archives of Secretary-General U Thant, Simbol DAG- 4/4.2, Archive Group: Political and Security Council Affairs, Subgroup: Security Council and Political Committee Division, Series: Files of the Sub-Committee on the Situation in Angola, Box: 2, The Situation in Angola – Debate in the General Assembly during its 16th Session, p. 5
740 Cf. Ibidem 741 Cf. Ibidem
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que seriam entendidas como dificilmente podendo ser contestadas. Ainda assim, seriam dirigidas críticas a determinados detalhes, avaliados como contendo lacunas de forma e de fundo. Alguns membros, particularmente a Guiné, encontrariam a oportunidade para criticar a inclusão da informação transmitida por Portugal e as referências às reformas, consideradas como um gesto gratuito, que desmentia a política de igualdade, fraternidade e fusão de raças proclamada pelas autoridades portuguesas742. Os dados avançados serviriam de pretexto para que houvesse uma reafirmação da posição dos anticolonialistas quanto a Angola (e às colónias portuguesas em geral), refutando-se as afirmações de que a situação estaria normalizada e reconhecendo-se a existência de uma guerra que constituiria uma ameaça à paz e à segurança internacionais743. Com a tendência crescente para analisar o problema angolano num âmbito mais alargado, os membros da NATO voltariam a ser responsabilizados pela cumplicidade com Portugal e pela exploração económica de Angola. Quase todas as delegações pediriam com insistência a adopção de medidas, incluindo sanções, para impedir que o governo português continuasse a violar as decisões da Organização744.
Forçados a definir uma posição, algumas delegações tentariam tornar o relatório do Subcomité menos desfavorável para Portugal, realçando os aspectos positivos. Sem deixarem de manter o difícil equilíbrio entre o apoio a Portugal e a tentativa de impedir que os afro-asiáticos se rendessem ao assédio soviético, os países alinhados com o Ocidente aceitariam a validade da aplicação da autodeterminação às colónias portuguesas, atenuando contudo as afirmações com indicações de que o seu exercício não deveria ser imediato e nem ter necessariamente como resultado a independência745. Somente a Espanha, que interviria a pedido de Lisboa, e a África do Sul, questionando as acusações, apoiariam abertamente Portugal, negando a existência em Angola de uma ameaça à paz e à segurança internacionais746. Querendo demonstrar que a sua política
742 Cf. Nations Unies - A/PV.1089. Assemblée Générale. Seizième Session. 1089e Séance Plénière. Mardi
16 Janvier 1962, à 15 heures. Nova Iorque: s.n., 1962. p. 1296
743 Cf. Nations Unies - A/PV.1096. Assemblée Générale. Seizième Session. 1096e Séance Plénière. Jeudi
25 Janvier 1962, à 10h30. Nova Iorque: s.n., 1962. p. 1375
744 Cf. Nations Unies - A/PV.1089. Assemblée Générale. Seizième Session. 1089e Séance Plénière…
p. 1289
745 Entre os exemplos que podem ser apontados temos o da Austrália. Cf. Nations Unies - A/PV.1091.
Assemblée Générale. Seizième Session. 1091e Séance Plénière. Jeudi 18 Janvier 1962, à 15 heures. Nova
Iorque: s.n., 1962. p. 1320-1323
746 Cf. Nations Unies - A/PV.1094. Assemblée Générale. Seizième Session. 1094e Séance Plénière. Mardi
23 Janvier 1962, à 15 heures. Nova Iorque: s.n., 1962. p. 1354-1357; Nations Unies - A/PV.1102. Assemblée Générale. Seizième Session. 1102e Séance Plénière. Mardi 30 Janvier 1962, à 15 heures.
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anticolonialista estava isenta de dúvidas e hesitações, o Brasil – numa intervenção considerada pelo adido militar português no Rio de Janeiro como motivada pelos interesses brasileiros em África, pelas aspirações a uma posição de liderança relativamente aos países africanos e por preocupações eleitorais – lançaria um apelo, seguido pela Austrália, a Portugal para que permitisse a transformação de Angola num país independente747. Os EUA, como de resto o Reino Unido e a China, insistiriam no carácter positivo das reformas portuguesas, aconselhando soluções pacíficas e que não fossem exercidas pressões demasiado radicais sobre Portugal748. A França, que reservaria a sua intervenção para o fim, manifestaria o entendimento de que Angola tratar-se-ia de uma questão interna, sem deixar de afirmar que o desejo de terminar com o sofrimento da população era compreensível749.
Uma nítida distinção de opiniões no campo anticolonial, evidente desde o início, entre os que desejavam uma solução rápida e radical do problema e os que defendiam a moderação, marcaria o debate. A controvérsia determinaria a apresentação de dois projectos de resolução, assentes na afirmação de ideias opostas. Considerando que não bastava a adopção de princípios gerais para a liquidação do colonialismo e que tinha chegado o momento de aprovar medidas precisas e decisivas, a Polónia e a Bulgária proporiam um projecto de resolução com quatro eixos fundamentais. O texto faria a reafirmação solene do direito sagrado do povo angolano à autodeterminação e à independência, solicitando ao Comité de Descolonização que atribuísse absoluta prioridade à questão, enviando representantes a Angola, e fizesse um relatório para a XVII AG750. Numa medida radical, se avançaria que Portugal fosse condenado pela guerra colonial e convidado a colocar termo a todas as medidas repressivas e a libertar de imediato os prisioneiros políticos. A todos os estados, numa medida considerada precisa e justificada, pretender-se-ia recomendar que recusassem ao governo português qualquer apoio e assistência, nomeadamente sob a forma de armas, de material de guerra e de exportações de natureza militar. Até que as decisões das NU fossem implementadas, o projecto de resolução proporia, numa decisão radical, a adopção de
747 Cf. Nations Unies - A/PV.1088. Assemblée Générale. Seizième Session. 1088e Séance Plénière…
p. 1287
748 Cf. Nations Unies - A/PV.1097. Assemblée Générale. Seizième Session. 1097e Séance Plénière. Jeudi
25 Janvier 1962, à 15 heures. Nova Iorque: Assembleia-Geral, 1962. p. 1388
749 Cf. Nations Unies - A/PV.1102. Assemblée Générale. Seizième Session. 1102e Séance Plénière…
p. 1453
750 Cf. Nations Unies - A/PV.1089. Assemblée Générale. Seizième Session. 1089e Séance Plénière…
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sanções contra Portugal, em aplicação das disposições da Carta que definiam acções para situações em que a paz estivesse comprometida751.
Com a intenção de evitar o extremismo, a maioria dos estados membros afastar- se-ia das considerações entendidas como podendo agravar, mais do que aliviar, a situação. Não querendo que motivações relacionadas com a Guerra Fria fossem determinantes, os afro-asiáticos avançariam com um projecto de resolução, que seria revisto para a introdução de algumas modificações. Apresentado como “Impregnado de
Realismo e de Moderação”, tocando no centro do problema, o texto proporia que se demonstrasse satisfação pelo trabalho realizado pelo Subcomité de Angola e se chamasse a atenção do governo português para a implementação das observações, constatações e conclusões do seu relatório752. Com a reafirmação do direito do povo angolano à autodeterminação e à independência, os autores do projecto de resolução entenderiam recomendar à AG que reprovasse vivamente as medidas de repressão e as acções armadas, bem como a negação dos direitos humanos e das liberdades fundamentais em Angola. Num conjunto de apelos, dirigidos sob a forma de convites ao governo português, se pretenderia o fim imediato das medidas de repressão, a libertação dos presos políticos e a implementação de vastas reformas, em particular a criação de instituições livremente eleitas e representativas, com vista à transferência dos poderes para a população753.
Para que continuasse a desempenhar o seu mandato, o Subcomité de Angola deveria ser mantido em funções, prevendo o projecto de resolução que adicionalmente estudasse os meios para assegurar a execução da decisão que fosse adoptada e reportasse à AG e ao CS por intermédio do Comité de Descolonização. Num sinal da importância que se pretenderia atribuir ao órgão, tornando-o no principal mecanismo para a tomada de decisões em questões coloniais, o documento avançaria que o Comité de Descolonização fosse encarregue de examinar a situação em Angola com urgência, de forma a que o povo angolano pudesse rapidamente aceder à independência754. Por se reconhecer o papel que determinados países poderiam desempenhar na solução do problema, aos estados membros se proporia solicitar que usassem a sua influência para
751 Cf. Ibidem
752 Cf. Nations Unies – A/5201. Supplement nº 1. Rapport Annuel du Secretaire General sur l’Activite de
l’Organisation. 16 juin 1961-15 juin 1962. Nova Iorque: s.n., 1962. p. 53
753 Cf. Idem. p. 53-54 754 Cf. Idem. p. 54
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que o governo português implementasse a decisão da Assembleia e que, juntamente com as agências especializadas, negassem todo o apoio e assistência que pudessem ser empregues na repressão da população angolana. Com algum optimismo, os autores do projecto, que tinham procurado evitar uma linguagem e medidas extremistas, recomendariam que se pedisse a Portugal que apresentasse na sessão seguinte da AG um relatório sobre as medidas adoptadas em aplicação da resolução que fosse aprovada. Numa nota de realismo, dado o historial da intransigência portuguesa, ficaria porém estabelecido que se recomendasse ao CS que acompanhasse a situação em Angola755. Pressões ocidentais seriam exercidas sobre os afro-asiáticos, para se conseguir um texto suficientemente moderado que permitisse um voto favorável. O Brasil, os EUA, a França e o Reino Unido, com o conhecimento de Portugal, formulariam objecções, considerando que a AG deveria se abster de propor medidas, como a libertação de presos políticos, que no momento não poderiam ser aceites pelo governo português756. Contestando-se a linguagem empregue, as referências a “medidas de repressão” seriam consideradas como demasiado categóricas e empregues injustificadamente. Outros parágrafos seriam entendidos como não tendo reconhecido os actos de violência cometidos pelos que lutavam contra Portugal ou como redigidos em termos genéricos757. A pedido de Salamanca – que sabia que tinha sido acordado entre os norte-americanos e os britânicos que o Subcomité de Angola deveria ser reconduzido, mas que não queria ficar na dependência do Comité de Descolonização – seria sugerido pelos EUA a supressão da alínea que pretendia que as conclusões fossem reportadas através do órgão758. Como afirmariam que não se deveria condicionar as escolhas da população angolana, os norte-americanos considerariam a omissão da palavra “autodeterminação” como grave, propondo a sua introdução antes da “independência”759. Declarando que o objectivo final a alcançar seria a independência, várias delegações se oporiam às propostas norte-americanas, que, por não terem sido
755 Cf. Ibidem
756 Cf. Nations Unies - A/PV.1099. Assemblée Générale. Seizième Session. 1099e Séance Plénière.
Vendredi 26 Janvier 1962, à 15 heures. Nova Iorque: s.n., 1962. p. 1419
757 Cf. Nations Unies - A/PV.1102. Assemblée Générale. Seizième Session. 1102e Séance Plénière…
p. 1453
758 Cf. AHD, Fundo POI, Mç. 165, Proc. XM-1, Ano de 1962, Vol. V, Telegrama da Missão de Portugal
na ONU para o MNE, datado de 30 de Janeiro de 1962, p. 1
759 Cf. Nations Unies - A/PV.1102. Assemblée Générale. Seizième Session. 1102e Séance Plénière…
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aceites pelos autores do projecto de resolução, seriam objecto de pedidos de votação separada.
Portugal tentaria especialmente que os EUA, com o argumento de que o projecto era inaceitável, o Reino Unido, a França e o Brasil, votassem contra o texto afro- asiático760. Como as poucas intenções de voto formuladas durante o debate tinham antecipado, a proposta polaco-búlgara, que quase não fora debatida, seria rejeitada. Sem desistir dos esforços moderadores, os EUA se envolveriam com os afro-asiáticos numa breve discussão sobre a votação separada do parágrafo que pretenderia que o povo angolano acedesse rapidamente à independência761. Afirmando que tinha sido conseguido um equilíbrio frágil, os países afro-asiáticos solicitariam aos EUA que não insistissem no pedido, permitindo que o texto fosse adoptado por unanimidade762. Sem atender aos apelos, os norte-americanos insistiriam na votação separada, o que permitiria a rejeição, por não terem obtido os votos necessários, dos parágrafos que continham referências ao papel de intermediário que o Comité de Descolonização deveria desempenhar em relação ao Subcomité de Angola e à independência763. Com as modificações introduzidas, que fragilizariam o texto, o projecto de resolução acabaria por ser adoptado por quase-unanimidade, contando unicamente com os votos contra da África do Sul e da Espanha, ao que se juntaria a abstenção da França. A atitude intransigente do governo português impediria demonstrações de solidariedade com a sua política colonial, resultando a aprovação da resolução num isolamento virtual do país, existindo poucas dúvidas de que poderia ser confrontado com ataques mais veementes e que as potências coloniais teriam dificuldades em exercer uma influência
760 Cf. AHD, Fundo POI, Mç. 165, Proc. XM-1, Ano de 1962, Vol. V, Telegrama da Missão de Portugal
na ONU para o MNE, datado de 23 de Janeiro de 1962, p. 2
761 Uma moção de ordem do Iraque, em nome da maioria dos autores, solicitou aos EUA que
modificassem a sua posição, não insistindo na votação separada do § 7º, que se referia somente à possibilidade de independência. O Madagáscar, um dos co-autores do projecto de resolução e que mantinha contactos amistosos com Portugal, garantiu no entanto não se opor a uma votação por divisão, pois considerava que existia um interesse primordial em adoptar o texto por uma grande maioria. Sem desistir dos seus esforços moderadores, os EUA afirmavam que poderiam retirar o pedido caso fosse introduzida uma emenda que inserisse a palavra “autodeterminação” antes de “independência”. Entendendo a proposta como inaceitável, o Afeganistão pediu que os EUA aceitassem uma subemenda ao parágrafo, que passaria a prever que o povo angolano chegasse “rapidamente à independência com base na autodeterminação”. Um último apelo foi lançado pela Guiné, acabando os EUA por retirar a sua emenda, embora insistisse na votação separada do § 7º. Cf. Nations Unies - A/PV.1102. Assemblée Générale. Seizième Session. 1102e Séance Plénière. p. 1454-1461
762 Cf. Idem. p.1459 763 Cf. Idem. p. 1462
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moderadora764. Tornando-se na resolução 1742 (XVI), de 30 de Janeiro de 1962, o texto afro-asiático poderá ser interpretado como resultante de um compromisso sobre questões de princípio, não obstante as considerações políticas particulares de determinados países. Não tendo os afro-asiáticos conseguido fazer vingar a sua interpretação, a resolução integraria uma concepção maximalista da ideia de autodeterminação suficientemente ampla para permitir o consenso.