İLGİLİ ALAN YAZIN
2.1. Okuduğunu Anlama
2.2.1. Küçük Ölçekli Yapı
Fig. 57 Planeamento por Escalas, Miranda do Douro
No CIAM 8 os líderes tinham a ideia de núcleo como centro cívico e espaço central de Pólis. Para os mais jovens o foco da polémica não estava no centro cívico e nas formas modernas e urbanísticas que deveriam caracterizá-lo, mas na análise desses espaços urbanos como lugares, onde se desenvolvem as relações humanas, daí a importância dada às noções de comunidade e espaços públicos. Ainda foram propostos espaços públicos que ofereciam proteção e aconchego para a população. Com o conceito de Núcleo que admitia uma nova responsabilidade social, sugeriu-se como tema as relações humanas criadas, a partir dos espaços e debate-se a humanização do espaço urbano.
Também nos estudos de caso o espaço do quotidiano, que proporciona as relações sociais, e que a Carta de Atenas havia dispensado, foi desenvolvido como nova forma de pensar as atividades diárias necessárias. Logo, foi procurado constituir, um espaço urbano diverso, qualificado e resultante das relações criadas pelos edifícios. Como se constatou, pode-se definir os estudos de caso como síntese do conceito de cluster, definido pelo espaço construído, e as relações de vizinhança em que pequenas comunidades em transformação, e hierarquizadas, 2 clusters, fazem com que os próprios edifícios desenhem e sugiram espaços exteriores apropriáveis pelas comunidades. Os espaços para as relações humanas que se estabelecem na aproximação à mesma escala, no mesmo cluster, por assim dizer, na mesma rua, no mesmo centro comercial, nos espaços de lazer e religiosos, na apropriação de aproximação que o indivíduo faz do local.
A zona do centro comunitário, que inicialmente teria previstos vários equipamentos propícios às inter-relações entre toda a comunidade, como o cinema, gimnodesportivo e todos os enumerados da casa de recreio (não realizada), o Centro Comercial que integrava a padaria, mercearia, talho, peixaria, barbearia, tabacaria, perfumaria e os correios. Este local, onde também era pretendido por Nunes de Almeida, que o espaço tivesse potencialidades de constituir o centro comunitário, a intenção ao projetá-lo foi mesmo essa. Do mesmo modo, ocuparia uma posição central face a toda a comunidade e por isso facilmente acessível, o que convidaria à permanência, convívio e interação dos habitantes, não só pela utilização dos vários equipamentos, mas também pelo desenho do espaço público exterior que era propício à inter-relação dos utilizadores. O Centro Recreativo Cultural e Gimnodesportivo previsto entre a Escola e o centro Comercial não executado, mas que certamente, pelas instalações pretendidas, tais como: cinema, gimnodesportivo, sala de leitura e reuniões, cabine de som e bobinagem, e outra de projeção, sala de convívio, um bar, sala polivalente com plateia desmontável, salas de aula, parque infantil, campo de jogos, espaços para ténis de mesa e futebol de mesa, não esquecendo os espaços verdes exteriores que envolveriam esta intervenção e que indubitavelmente proporcionariam, bons mecanismos de interação social e comunitária entre toda a comunidade.
O método de projeto foi alterado a favor de um método mais empírico e subjetivo, analisou-se cada caso, inserindo-o no seu contexto próprio, em oposição à sistematização universal do Movimento Moderno e Carta de Atenas. Com efeito, manifesta-se aqui o ambiente e sentido arquitetónico e urbanístico, numa modernidade autêntica que não é regida por princípios estéticos ou funcionais, na sua primeira abordagem, mas sim éticos, pertença, identidade e humanidade. Contudo, num funcionalismo mais inclusivo.
Urb 2
CENTRO COMUNITÁRIO
(VS)
A Casa de Recreio do Pessoal Especializado, não foi projetada por nenhum dos 3 arquitetos, mas por Pádua Ramos, que também desenhou vários mobiliários e peças litúrgicas da capela. Este edifício de certa forma descontextualizado da linguagem da restante arquitetura, não fora construído, pois foi projetado com os seguintes programas de índole a aproximar a comunidade. Assim como: um auditório com 229 lugares, salão de recreio e dança, biblioteca e sala de reuniões, de forma a criar atividades recreativas de convívio entre toda a comunidade.
No entanto, destacam-se outros dois elementos importantes para a comunidade, um parque infantil, implantado próximo da zona de maior concentração residencial, e um posto de saúde, este mais próximo da zona das obras da barragem, pois era o local, onde ocorreriam em maior número os acidentes.
Também existem inclusões e derivações de ordem humanista e uma consciência da especificidade dos lugares, que seriam apropriados por todos.
No conceito de cluster a cidade não tem um centro, mas muitos, os polos de pressão populacional estão ligados à indústria e ao comércio, estes seriam os pontos próprios para que o utilizador da comunidade encontre a sua expressão.
Assim, tem-se o destaque de dois centros comunitários, o primeiro apenas acessível ao Pessoal dirigente, composto por piscina, ringue de patinagem, corte de ténis; e o segundo, para ambas as comunidades, ou seja, para os 2 clusters, com o Centro Comercial, igreja, escola, cinema, club com jogos e bar. Todas estas infraestruturas representam bem a variedade de atividades desportivas, de descanso e interação social existentes. Convém salientar, a importância que este tema possui na nova forma de vida, contemporânea à época para o centro comunitário.
No núcleo central, o Cluster 1, os equipamentos assumiam um papel importante, na articulação dos modelos que se estruturariam, a partir deste sem perda de sequência. Com os edifícios culturais e cívicos, definiu-se, uma praça central, procurou-se repensar um novo modo de fazer Cidade, ao encontro do léxico da cidade tradicional, e importa dos seus elementos estruturantes, a Rua e a Praça numa tentativa de criar uma estrutura urbana homogénea, mas diversificada que pudesse ser apropriada e identificada pelo utilizador.
Entre os dois clusters, separados pela via principal, localiza-se o centro comunitário acessível a ambos, e tem um peso importante em termos sociais, pois tem como objetivo a criação de interações entre os utilizadores dos diferentes clusters, criando para isso um Centro Comercial com padaria, peixaria, barbearia, correios, mercearia, uma capela, a escola, um cinema, motivando por isso a existência de um lugar de reunião e convívio entre os habitantes, nota-se assim um pensamento moderno, critico à Carta de Atenas, que os arquitetos tinham em relação à interação e relações entre a comunidade.
Por conseguinte, decidem que a forma de se estruturar o espaço urbano não é mais através das 4 funções da arquitetura funcionalista, mas em direção à teoria humana baseada, na associação de pessoas umas com as outras e com seus trabalhos, estabelecendo uma nova hierarquia de ambientes urbanos.
Todo este Centro Comunitário ocupa uma posição fulcral, pois ele é envolvido pelos 2 clusters, onde a circulação rodoviária e pedonal está pensada em função deste centro, contíguos ao mesmo.
Existem edificações que foram implantadas umas perto das outras. A proximidade aos lugares pondera-se também pela situação das deslocações automóvel ou a pé, dependendo da escala de associação, são as construções definitivas que fariam o centro comunitário, a situarem-se, por questões programáticas e funcionais, o mais próximo da via principal e consequentemente dos equipamentos comuns, acedidos a pé desde o Bairro do pessoal Especializado. Esta proximidade intencional está presente na contiguidade do mesmo e das habitações em relação à escola, ao Centro Comercial, à capela e à zona de recreio do Pessoal Especializado (não realizada).
A reinterpretação e reinvenção dos modelos básicos das associações humanas e de relações de pertença de identidade, é, retratada na atenção que é dada ao quotidiano e às suas emoções e sentimentos, à Rua e às apropriações da população à mesma e às relações entre vizinhos que refletem a identidade que é criada e associada pelos utilizadores dos Clusters. Para estes, é procurada, a manifestação de valores e de espaços Sociopsicológicos, que pretende que se mantenha um quotidiano cheio de significados culturais.
A intencionalidade entre proximidades está igualmente presente, no planeamento da zona do Pessoal Dirigente e seu espaço recreativo, que possui percursos quase privados até à piscina e corte de ténis, este percurso também pode ser realizado a pé. Esta proximidade de lugares dentro de cada cluster, depende da condição social, como já foi referido, mas também, a exclusividade que este cluster tem em relação ao seu próprio centro comunitário. Neste caso funciona ao contrário do anterior, pelo afastamento e isolamento entre as construções residenciais e as mesmas, provendo maior capacidade de descanso e retiro inerente ao Pessoal Dirigente, pois estes tinham transporte particular para as deslocações, o seu trabalho não era suscetível a permanência constante no estaleiro ou obra, as construções estão mais em retiro.
O conceito de Habitat, incorporado nas questões da variedade cultural humana, pois, alguns edifícios estabelecem rutura com os princípios dos CIAM, pela conceção formal dos mesmos, essa rutura, dava-se no sentido, de estabelecer uma nova relação entre arquitetura e urbanismo, através da consolidação de uma linguagem arquitetónica superada em referência à cidade existente/tradicional, pelo uso de formas que dialogassem com o entorno, como a torre Valesca, ou o Mercado de Fernando Távora. A relação com a cidade foi criada através do desenho específico para cada lote e a adaptação às condições culturais locais e incorporar os padrões de vida da população.
Neste centro comunitário dá-se notoriedade a certos equipamentos públicos, a capela, de caráter religioso, que está presente em qualquer comunidade proporcionada a esta a prática e ensino de religião, é o primeiro elemento visível à chegada ao bairro, sinaliza a presença de toda a comunidadeà poràseàtrataràdeàu à edifício com presença bem marcada, escolheu-se para sua implantação um local que, valorizando-o, se encontra no centro de gravidade das zonas a servir e dispõem deàa essosàf eis (Almeida, 1957, p. 7).
Nos estudos de caso foi levada mais longe a crítica ao urbanismo racionalista, propondo a introdução de praças, ruas, pátios, como espaços causadores e não divisores, assim como a introdução de outras funções alternativas à habitação, numa tentativa de causar dinamismo e dar sentido ao espaço público.
Neste contexto, vai-se fazendo a revisão metodológica, mais do que ideológica, da doutrina funcionalista e ortodoxa, marcando uma nova época nesta geração, apoiada numa compreensão mais humanizada do fenómeno social e uma visão mais crítica dos modelos de referência.
Apesar de alguns equipamentos não chegarem a ter presença física no terreno, ficando registado em projeto a intenção de os criar, mostram bem, o pensamento teórico e reflexivo dos arquitetos em relação ao Centro Comunitário e as inter- relações sociais criadas a partir do mesmo. Como se pode constatar, manifestaram as mesmas preocupações que se debatiam internacionalmente, pois depreende-se que seria literalmente o Movimento Moderno que se pretendia para esta comunidade moderna.