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13. Köpeklerde Leishmaniasis (Canine leishmaniasis)
A qualidade do relacionamento familiar é avaliada com base no conforto ou desconforto existente no relacionamento que os membros da família estabelecem uns com os outros. Duas opções podem ser identificadas (pontuadas), uma vez que pode aparecer na história a idéia de que existem membros aliados e membros estressores. Dessa forma, a qualidade do relacionamento pode ser classificada como:
Confortável: O(s) membro(s) da família é(são) percebido(s) como unido(s), ligado(s), com
afinidade para uma ação comum, como fonte de compreensão, suporte e educação, para qualquer outro membro do grupo familiar. Os membros têm uma relação boa e confortável.
Exemplo:
Este pai e esta filha têm uma relação muito boa, eles sempre foram próximos um do outro. Ele gosta muito da filha e está perto dela, perguntando se ela está se sentindo mal, se está com febre. A filha fica alegre com o apoio que tem do pai. (L.13, menina, 10 anos)
Desconfortável: O(s) membro(s) da família é(são) percebido(s) como um estressor (agente de
perturbação) para qualquer outro membro do grupo familiar, estabelecendo relações marcadas pelo estresse ou pelo desconforto.
Exemplo:
O pai desta família estava indo viajar. Todos estavam alegres com isso, porque ele vai ficar uma semana fora, e assim, eles vão ter um pouco de paz em casa. O pai é muito nervoso e irritado, e briga com todo mundo, mesmo com quem não fez nada. (L.21, menino, 15 anos)
Para que possa ser realizada uma avaliação detalhada da família, é necessário que se tenha informações sobre a qualidade das relações estabelecidas dentro dela (Sotile et al., 1991). Cada vez mais tem-se apontado o apoio que o indivíduo encontra no seio de sua família como um fator determinante para sua adequada estruturação psíquica. Walsh (2005), em seus estudos sobre a resiliência, salienta que esta é tecida na rede de relacionamentos e experiências vividas ao longo da vida, e o suporte oferecido pelos membros familiares exerce papel-chave neste processo. A autora utiliza a expressão conexão para se referir ao apoio mútuo, à proteção e à orientação, padrões organizacionais que costumam estar presentes em famílias mais integradas e resilientes.
Olson (2000), por sua vez, faz menção a eventos semelhantes quando aborda a coesão familiar, que tem seu foco em como a família equilibra a separação e a proximidade de seus membros, e pode ser representada pelo vínculo emocional estabelecido entre eles.
O ideal é que os familiares encontrem o apoio necessário para o enfrentamento das dificuldades, vivendo em um nível de coesão nem excessivamente baixo e desengajado, nem excessivamente alto e emaranhado. Com estes apontamentos, toma sentido a investigação, no FAT, da qualidade do relacionamento estabelecido entre os indivíduos, que pode ser baseada no conforto ou no desconforto que sentem na relação.
Quadro 8. Definições operacionais da Categoria Fronteiras
CATEGORIA 5: FRONTEIRAS
As fronteiras ou os limites de um sistema ou subsistema familiar são as divisórias entre os territórios, físicos e psíquicos, determinados pelas regras que presidem o estabelecimento das relações entre os familiares. As fronteiras têm uma função de distinção interior-exterior, de proteção e diferenciação de subsistemas, bem como de intercâmbio com os subsistemas e com outros sistemas que rodeiam o indivíduo, caracterizando a proximidade ou a distância com que os membros de uma família se relacionam. As fronteiras podem ser classificadas como:
Nítidas: Há flexibilidade nas relações, de acordo com as regras: há proximidade entre os
familiares, quando necessário, e distanciamento, quando necessário. Os membros da família respeitam mutuamente seus espaços.
Exemplo:
Isso aqui são os pais ensinando à menina o dever de casa, porque ela tira nota ruim no colégio. Aí, agora eles estão vendo todo dia se ela está fazendo o dever de casa certo, e ficam na cola dela. A menina está satisfeita com isso, porque já começou a melhorar na escola, desde que os pais a acompanham de perto. (L.12, menino, 12 anos)
Difusas: Os membros da família invadem um o espaço do outro. Os familiares estão tão
próximos uns dos outros que não se percebe a fronteira entre os membros, ficando dispersa a delimitação dos espaços e das divisórias entre cada um.
Exemplo:
Aqui é uma mãe e uma filha que estão se arrumando para ir numa boate. Elas são como amigas, e como a mãe é separada ela também sai com a turma da filha e namora os mesmos caras que a filha. A filha considera a mãe como uma irmã, não como mãe, mas às vezes ela sente falta de ter uma mãe. (L.17, menina, 13 anos)
Rígidas: Cada membro está tão separado dos demais que não cultiva um sentimento de
pertencimento a uma unidade familiar. As divisórias entre os membros e subsistemas da família, e destes com outras pessoas são rigidamente definidas. As fronteiras rígidas impedem trocas, como, por exemplo, a entrada e a saída de integrantes no sistema familiar.
Exemplo:
A menina foi numa loja para comprar um vestido para a formatura dela. Queria muito que a mãe tivesse vindo ajudá-la, mas a mãe não quis e ainda falou: vai te virar sozinha! A menina se sentia muito isolada na família dela, ninguém ligava para ninguém, era sempre cada um por si. (L.4, menina, 12 anos)
As fronteiras estabelecidas pelas famílias constituem outro tópico fundamental para que se compreenda seu funcionamento, uma vez que são, em grande parte, responsáveis pela forma com que uma família funciona e, justamente por isso, também são analisadas
através do FAT. O que diferencia as famílias são os subsistemas de membros que as compõem, determinados por geração, gênero ou interesses comuns. Cada membro participa e desempenha papéis distintos em cada um dos subsistemas dos quais faz parte, podendo haver, dentro de uma família, díades, tríades e outras alianças e coalizões. O que regula o contato que cada indivíduo ou membro vai ter com o outro, nestes agrupamentos, são as fronteiras, cuja função é proteger a autonomia da família e dos subsistemas, definindo proximidades e hierarquias (Minuchin, 1982; Nichols & Schwartz, 2007).
A qualidade das fronteiras estabelecidas por uma família e por seus subsistemas é determinada pelo padrão de interação entre seus membros, ou seja, por comportamentos padronizados, “governados por regras que definem quem participa em cada subsistema e de que maneira se dá essa participação” (Calil, 1987, p. 34). Em algumas famílias a distância entre os membros é muito tênue, caracterizando a presença de fronteiras difusas. Fronteiras difusas geram pouca diferenciação entre os membros da família, o que oportuniza a excessiva intromissão de uns membros da família no espaço psicológico dos outros, às custas da independência e da autonomia dos indivíduos. Outras famílias têm fronteiras tão rigidamente definidas, que seus membros pouco se comunicam ou relacionam, funcionando de maneira autônoma e desengajada. O distanciamento entre os membros é tão expressivo que estas famílias precisam estar sob intenso estresse para que se mobilizem em apoio mútuo (Minuchin, 1982; Calil, 1987; Minuchin & Fishman, 1990; Nichols & Schwartz, 2007). Dessa forma, para que haja um desenvolvimento familiar normal, é preciso haver uma estrutura familiar funcional, e isso implica, necessariamente, um estabelecimento adequado das fronteiras que separam cada um de seus membros, e que limites sejam definidos e impostos de maneira apropriada.
Quadro 9. Definições operacionais da Categoria Coalizão
CATEGORIA 6: COALIZÃO
A coalizão (acordo, coligação, fusão para um fim comum) é uma propriedade fundamental das tríades e consiste na aliança de duas pessoas ou unidades sociais, contra uma terceira. As alianças baseiam-se no estabelecimento de um acordo (positivo ou negativo) entre dois dos membros de uma tríade, enquanto o terceiro encontra-se em uma situação de desacordo. A coalizão em uma família pode ser classificada da seguinte forma:
Presente:Numa relação triangular, dois membros da tríade estão unidos contra um terceiro, seja
protegendo-se deste ou tiranizando-o. Exemplos:
A mãe e a filha sempre foram muito amigas, mas o pai brigava muito com elas. Ele dizia que elas eram fúteis, que gastavam muito dinheiro, que se preocupavam só com bobagens. E elas eram tão unidas que, às vezes, quando o pai brigava só com a mãe ou só com a filha, querendo até bater nelas, uma sempre defendia a outra. (L.12, menina, 8 anos)
O filho e a mãe se dão muito bem. Mas eles não se dão bem como o pai, e por isso o pai nunca está com eles. A mãe sempre diz para o filho que o pai é um inútil, que não serve para nada, e o filho concorda com ela e também fala sempre isso para o pai. (L.8, menino, 10 anos)
Ausente: Ausência de coalizões na família.
Exemplo:
Nesta família, que está indo viajar, todos se dão bem e estão felizes. (L.21, menina, 13 anos)
A coalizão representa o estabelecimento de uma aliança de pelo menos dois membros de uma família, contra um terceiro. Entretanto, uma aliança pressupõe cooperação entre duas partes, algo que não existe na coalizão, caracterizada por arranjos de dois, às custas de um terceiro. Nas famílias sintomáticas, geralmente as coalizões são “geracionais cruzadas”, ou seja, um dos pais une-se a um filho, contra o outro pai (Nichols & Schwartz, 2007). Quando coalizões estão presentes, há que se avaliar a inadequação das fronteiras estabelecidas na família, que por algum motivo não definem de maneira clara e adequada o papel de cada um na dinâmica e estrutura familiares (Minuchin, 1982). Assim como outras categorias de análise, a presença ou ausência de coalizões auxilia na compreensão dos padrões de funcionamento e relacionamento adotados pela família, informação útil para sua compreensão e, quando for o caso, para nortear uma intervenção.
Quadro 10. Definições operacionais da Categoria Relações Abusivas