2.2. Türkiye'de Kömür
2.2.4. Kömür Üretim Yöntemi ve Teknolojileri
A “doutrina crítica” enxerga o princípio da supremacia do interesse público como uma “regra de preferência”, que, em conflitos hipotéticos entre interesses públicos e privados,
382 ÁVILA, Humberto. Repensando o Princípio da Supremacia do Interesse Público sobre o Particular, cit., p.
174.
383 Ibidem, p. 173.
384 SARMENTO, Daniel. Interesses públicos vs. interesses privados na perspectiva da teoria e da filosofia
constitucional, cit., p. 23.
385 BINENBOJM, Gustavo. Da Supremacia do Interesse Público ao Dever de Proporcionalidade: um novo
paradigma para o Direito Administrativo, cit., p. 129.
386 ARAGÃO, Alexandre Santos de. A “Supremacia do Interesse Público” no Advento do Estado de Direito e na
Hermenêutica do Direito Público Contemporâneo, cit., p. 01-22.
387 SCHIER, Paulo Ricardo. Ensaio sobre a supremacia do interesse público sobre o privado e o regime jurídico
constituiria óbice à realização de direitos subjetivos individuais388. Todavia, essa ilação não é verdadeira; ou pelo menos não corresponde à noção de interesse público manifestada pelo Professor Celso Antônio Bandeira de Mello389.
Sob essa noção de interesse público390, não há, conforme leciona Romeu Felipe Bacellar Filho “qualquer dificuldade de se sustentar a supremacia do interesse público”391. E isso precisamente porque, nessa perspectiva, o interesse público identifica-se com a juridicidade, com o cumprimento dos enunciados prescritivos que compõem o ordenamento jurídico-positivo, pelo que a sua realização pressupõe, sempre, a fruição dos direitos subjetivos conferidos aos indivíduos pelas leis e pela Constituição392.
Ao ensejo, Bandeira de Mello leciona que “quando a Constituição estabelece que a desapropriação depende de justa indenização do desapropriado, o que está em pauta, afora o interesse individual do desapropriado, é o interesse público”393. De igual modo, “quando a Constituição estabelece o princípio pelo qual o Estado responderá pelos danos que causar a terceiros, é óbvio que qualificou como sendo de interesse público o direito do lesado a ser indenizado pelo Estado, de fora parte o interesse estritamente individual do agravado em obter a cabível recomposição de seu patrimônio”394. Em tais hipóteses “não estão em choque interesses individuais e interesse público”395, porque os interesses individuais aventados
388 A propósito, cfr.: (ÁVILA, Humberto. Repensando o Princípio da Supremacia do Interesse Público sobre o
Particular, cit., p. 173-174); (ARAGÃO, Alexandre Santos de. A “Supremacia do Interesse Público” no Advento do Estado de Direito e na Hermenêutica do Direito Público Contemporâneo, cit., p. 05); (SARMENTO, Daniel. Interesses públicos vs. interesses privados na perspectiva da teoria e da filosofia constitucional, cit., p. 100); (BINENBOJM, Gustavo. Da Supremacia do Interesse Público ao Dever de Proporcionalidade: um novo paradigma para o Direito Administrativo, cit., p. 140 e 149); e (SCHIER, Paulo Ricardo. Ensaio sobre a supremacia do interesse público sobre o privado e o regime jurídico dos direitos fundamentais, cit., p. 236).
389 Ao ensejo, Adriana da Costa Ricardo Schier leciona que “as premissas epistemológicas que fundam tal
concepção não permitirão interpretar tal princípio como uma cláusula geral de restrição dos direitos fundamentais, nem admitir qualquer resolução prima facie em favor do princípio da supremacia do interesse público em eventual colisão com qualquer outro princípio da Carta Constitucional” (SCHIER, Adriana da Costa Ricardo. O princípio da supremacia do interesse público sobre o privado e o direito de greve de servidores públicos, cit., p. 387).
390 À qual, pelas razões dantes expostas, encontra-se vinculada a crítica formulada por Ávila, Aragão, Sarmento,
Binenbojm e Schier.
391 BACELLAR FILHO, Romeu Felipe. A noção jurídica de interesse público no Direito Administrativo
Brasileiro, cit., p. 112.
392 Ibidem, p. 95.
393 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. A noção jurídica de “interesse público”, cit., p. 183. 394 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. A noção jurídica de “interesse público”, cit., p. 183-184. 395 Ibidem, p. 184.
restaram contemplados pelo ordenamento jurídico-positivo, o que faz com que a sua fruição por particulares corresponda ao interesse do Estado e da sociedade na observância da ordem jurídica estabelecida396. Somente se fosse possível admitir o contrário, isto é, se fosse possível depreender, em concreto, à luz da noção de interesse público formulada por Bandeira de Mello397, a existência de efetivo conflito entre o interesse público e interesses particulares contemplados pelo ordenamento jurídico-positivo (que são os únicos capazes de induzir direitos subjetivos individuais) é que se poderia afirmar, como fizeram os autores que compõem a “doutrina crítica”, que, para o caso, a supremacia do interesse público sobre o privado deve dar lugar à realização do interesse privado398.
Sendo assim, a afirmação, pela “doutrina crítica”, de que o princípio da supremacia do interesse público deve ser abandonado, porque embaraça a realização de direitos subjetivos individuais, ou se funda na ignorância dessa noção de interesse público manifestada por Bandeira de Mello399, ou, talvez, como prefiro acreditar, na sua simples desconsideração, como premissa teórica. Disso resulta relevante vício de formulação na crítica manifestada, vez que, como exposto, seus artífices não impugnaram essa noção jurídica, limitando-se, quanto ao particular, a argumentar que o princípio analisado encerra espécie de “regra de preferência”400.
396 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo, cit., p. 72.
397 À qual, reitere-se, encontra-se vinculada essa crítica formulada por Ávila, Aragão, Sarmento, Binenbojm e
Schier.
398 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. A noção jurídica de “interesse público”, cit., p. 184.
399 Em suas próprias palavras, “só mesmo não tendo a menor idéia do que significa “interesse público” é que se
poderia sustentar uma erronia de tal calibre” (Ibidem, p. 184).
400 Escapa às finalidades deste estudo especificar, para além dessa conclusão, se a supremacia do interesse
público sobre o privado qualifica-se, de fato, como um princípio, ou se deve ser designado como postulado normativo (ou meta-norma), nos moldes sustentados por Humberto Ávila quando discorreu sobre o modus operandi da incidência da razoabilidade e da proporcionalidade no campo da aplicação do Direito. Como expus anteriormente, Ávila distingue princípios e postulados, dispondo, a propósito, que essa distinção se justifica na medida em que os postulados normativos situam-se num plano distinto daquele em que se encontram as normas cuja aplicação estruturam, sejam elas regras ou princípios. Sua função seria, então, a de estruturar (ou conformar) a aplicação das normas jurídicas, de modo que só elipticamente os postulados normativos poderiam ser desatendidos, pois, a rigor, devem ser consideradas violadas, não esses postulados, mas as normas (regras ou princípios) que não forem escorreitamente aplicadas no contexto dessa estruturação. Daí a sua designação, por Ávila, como “metanormas, ou normas de segundo grau” (cfr.: ÁVILA, Humberto. Teoria dos princípios: da definição à aplicação dos princípios jurídicos, cit., p. 87-88). Esse tema, pela sua complexidade, comporta enfrentamento em trabalho autônomo, no qual deverão ser minudenciadas as sutilezas e as funcionalidades dessa distinção teórica, sobretudo quando consideradas frente à constatação de que se consolidou na dogmática jurídica a designação da razoabilidade e da proporcionalidade (a propósito, cfr., por todos: BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e aplicação da Constituição. 6ª ed. São Paulo: Saraiva, 2004. p. 218-246, passim), bem como da supremacia do interesse público sobre o privado (a propósito, cfr., por todos: MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo, cit., p. 96-99, passim) simplesmente como princípios.
Mas há mais. Se a realização do interesse público, tal como descrito por Bandeira de Mello, não impede a fruição de direitos subjetivos individuais, constituindo-se, ao contrário, em importante instrumento assegurador da sua garantia frente a pretensões circunstanciais do poder público (qualificadas por Renato Alessi como “interesses secundários”401 e adiante designadas por Bandeira de Mello como interesse particulares do Estado402)403, é claramente imprópria a caracterização da sua supremacia sobre o interesse privado como uma “regra de preferência”, nos moldes sustentados pela “doutrina crítica”.
2.2.3.3. O direcionamento da crítica à operacionalização prática do princípio analisado e a