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4. BULGULAR ve TARTIŞMA

4.2. Köklenme Oranı

O tratamento dos aspectos locais não pode ser realizado antes que se considerem dois aspectos fundamentais para o desenvolvimento: as noções de globalização e de sustentabilidade. A globalização integra diferentes territórios à socioeconomia global, seja de forma subordinada ou parcialmente autônoma, repondo o problema da utilização das potencialidades locais para assegurar função da competitividade econômica. A sustentabilidade impõe restrições à busca da competitividade, levantando questões pertinentes à justiça socioambiental e à conservação dos estoques de recursos naturais e serviços

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ambientais. O problema para os empreendimentos locais é como serem competitivos num mercado global, beneficiando-se das particularidades do local, sem degradar os recursos naturais – pelo contrário, valorizando-os e absorvendo os ganhos em eficiência econômica para assegurar a efetividade dos sistemas produtivos e o bem-estar social.

Barquero (2001b) apresenta as injunções da globalização sobre as economias locais:

[...] La globalización es un proceso vinculado al territorio, no sólo porque afecta a las naciones y países, sino, sobre todo, porque la dinámica económica y el ajuste productivo dependen de las decisiones de inversión y de localización de los actores económicos y de los factores de atracción de cada territorio. El proceso de globalización, por lo tanto, es una cuestión que condiciona la dinámica económica de las ciudades y regiones y que, a su vez, se ve afectada por el comportamiento de los actores locales. (BARQUERO, 2001b, p. 2-3).

Destacam-se nessa definição de Barquero (2001b) os aspectos relativos ao protagonismo dos territórios e sua capacidade competitiva na nova divisão internacional do trabalho. A globalização atua com o condicionante da dinâmica econômica local, mas é a reação dos atores locais a essas injunções que interessa à TDE. Pressupõe-se que o território concentre uma capacidade institucional e sociocultural que torna sua reação peculiar, permitindo-lhe auto-organizar sua estrutura na direção da competitividade e da sustentabilidade.

A sustentabilidade, conforme Costa (2006), tem pautado a discussão sobre o desenvolvimento, integrando a eficiência econômica, a equidade social e a prudência ecológica. Entretanto, nenhuma realidade reflete estes aspectos o que tornaria, de pronto, a noção de desenvolvimento sustentável um ideário, objeto da especulação filosófica. Porém, a ciência pode desvelar os mecanismos do desenvolvimento e verificar os riscos que eles trazem para a sustentabilidade. Assim, estaria contribuindo para a criação de arranjos institucionais para minimizar estes riscos.

Santos (2003) percebe o desenvolvimento sustentável inscrito no cruzamento de diversas tradições intelectuais e normativas. Essa situação tem favorecido aproximações intelectuais, recomposições teóricas e reorganizações institucionais, revelando os vários aspectos dos problemas inerentes à conciliação entre as dimensões econômica, social, cultural, institucional e ecológica do desenvolvimento econômico. Assim, a noção de sustentabilidade passou a orientar a elaboração de conceitos, doutrinas e regras que embasam as decisões econômicas e jurídicas e as inovações institucionais.

Castro (2005) discutiu os impactos dos processos sobre os ecossistemas amazônicos, enfocando o desmatamento e associando suas causas às injunções da globalização sobre as estratégias produtivas que se realizam na Amazônia.

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Impulsionadas pela concorrência, as empresas trabalham em direção aos seus limites de crescimento, o que exige uma redefinição das suas estratégias no mercado e pressiona os custos, embora as empresas busquem uma maior produtividade do trabalho e do capital. Em consequência, observa-se um reforço no processo de concentração e centralização de capital. Assim, empresas e grupos multinacionais que se associaram como estratégia de crescimento conseguem também maior controle no mercado mundial. A tendência é causar impactos e pressionar o padrão de governabilidade vigente, tanto na esfera local e nacional, quanto na esfera global. Por isso, também a dinâmica econômica globalizada acaba por impelir os Estados e as instâncias públicas a definir os instrumentos de regulação. Os efeitos deste processo, mais uma vez, reflexivamente, são sentidos de forma imediata no âmbito local (CASTRO, 2005, p. 8).

A autora percebe um vínculo causal entre os novos padrões de acumulação de capital não apenas quanto aos impactos ambientais decorrentes das mudanças e avanços das atividades produtivas intensivas em recursos naturais, mas também aos instrumentos de regulação criados pelo Estado. De fato, na Amazônia, as políticas públicas parecem buscar o incremento da produtividade incentivando e induzindo a sofisticação tecnológica com restrições ambientais importantes, porém, na sua essência tais políticas centram-se num modelo regulatório preocupado em estimular o capital sem coagir efetivamente atividades predatórias.

Castro (2005) atribui este processo ao padrão histórico de ocupação da região o que reforça a ideia de um path dependence que tende a gerar retornos crescentes para atividades econômicas deletérias no sentido ambiental. A estratégia de regulação, no sentido da TDE, é o estabelecimento de sistemas de governança que sejam eficazes na mitigação dos impactos, constrangendo as atividades econômicas degradadoras. Por outro lado, é interessante induzir atividades econômicas de natureza menos impactante do ponto de vista socioambiental e mais associadas às potencialidades do território.

Em relação ao setor agropecuário, Hurtienne (2005, p. 21) é enfático quanto às políticas reguladoras do uso da terra:

O redirecionamento das políticas públicas voltadas para os sistemas de uso da terra na Amazônia é uma tarefa fundamental para qualquer projeto de desenvolvimento sustentável na região. Para isso é importante dispor de uma visão abrangente e sistemática dos fatores condicionantes, da complexidade e da interdependência destes sistemas de uso da terra.

Este autor, é importante perceber, ressalta a urgência na construção de conhecimentos sobre as formas de uso dos recursos naturais, a terra em especial, como condição sine qua non para que se tenham sistemas regulatórios eficazes no sentido ambiental.

Simonian (2007) analisou a trajetória histórica dos problemas socioambientais na Amazônia e constatou que, desde o início da colonização europeia na região, iniciou-se um manejo negativo dos recursos naturais que nem as políticas de conservação da natureza têm

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conseguido frear. O desenvolvimento em bases sustentáveis tem esbarrado nos conflitos envolvendo as populações tradicionais e indígenas em disputas pela posse de terras cobiçadas por indivíduos e organizações que visam à exploração predatória dos recursos florestais para, em seguida, implantarem plantios de soja ou a criação de gado. Ao longo deste processo, o desmatamento avançou consideravelmente, seguido pela depredação da fauna silvestre, pela ação antrópica generalizada, seja por grandes ou pequenos produtores rurais, especialmente por atividades ilegais.

O Estado, as ONG e alguns segmentos da população têm implementado políticas públicas, realizado ações de combate através de denúncias e criado projetos de intervenção para a formação de capital social associados a práticas de valorização e conservação de elementos vitais do ecossistema – florestas, rios etc. Entretanto, não se obteve os resultados esperados, fato sobre o qual (SIMONIAN, 2007, p. 33) sugere causas e efeitos.

[...] apesar de muitas propostas e tentativas de efetivação quanto à sustentabilidade nos processos de desenvolvimentos, quer do Estado, quer das instituições, das ONG e da sociedade civil, os sucessos têm sido limitados, notadamente na Amazônia e entre as populações tradicionais e segmentos sociais excluídos das periferias das cidades. [...] Os investimentos em infraestrutura feitos são meramente residuais para não dizer inexistentes, e ainda os mais baixos do país, o que por certo inviabiliza qualquer perspectiva quanto ao desenvolvimento sustentável. (SIMONIAN, 2007, p. 33).

Não obstante a visão crítica, a autora cita uma série de experiências locais as quais indicam possibilidades concretas para a sustentabilidade. Contudo, o sucesso e a disseminação destes experimentos dependem de decisões e atitudes de outros atores como o Estado, os grupos empresariais e políticos, cujas ações indicam pouco ou nenhum compromisso com a sustentabilidade.

As contribuições destes autores sugerem uma possível coordenação de interesses para a reorganização das estruturas institucionais, especialmente, de ciência e tecnologia, em função da necessidade de se conhecer os aspectos da dinâmica socioeconômica e propor diretrizes no sentido da sustentabilidade. Essa coordenação deve ser entendida como resultante do processo sócio-histórico onde os atores sociais são habituados pelas instituições, mas interagem com elas e recriam-nas num processo de reconstituição contínua (Hodgson, 2004b, 2007). Este aprendizado, na acepção da economia da governança de Williamson (2002), pode conduzir ao ordenamento dos sistemas produtivos, em princípio, objetivando os interesses das organizações em reduzir custos de transação e usufruir os resultados das economias externas. Entretanto, a noção de governança, se a considerarmos condicionada pelos aspectos do capital social de Putnam (1996), pode ser estendida às esferas dos contratos,

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dos programas socioambientais, de ciência e tecnologia e elevação dos níveis de competitividade dentro dos parâmetros da sustentabilidade.

Ao final destas considerações, podem-se sistematizar os elementos mais importantes, cabíveis à ciência, para se pensar a sustentabilidade no âmbito da globalização: i) a economia global é um processo sistêmico onde os lugares se opõem e se complementam, ou seja, tem-se uma rede de lugares num ambiente competitivo, onde o diferencial são as habilidades e competências inerentes ao território; ii) trata-se de um processo de integração dos diversos territórios num sistema global, onde o critério de seleção é dado pela competitividade, isto é, a capacidade de adaptar-se às exigências do sistema, construindo conhecimento e aplicando-o em inovações tecnológicas; iii) certas restrições ao uso dos recursos naturais e sociais para fins de competitividade são postos pela exigência de sustentabilidade, o que exige a construção negociada de arranjos institucionais capazes de viabilizar a elevação da produtividade do sistema, assegurar a distribuição equitativa dos resultados e a conservação dos recursos naturais. Em suma, a eficiência econômica do sistema torna-se uma variável dependente das estruturas institucionais, das particularidades biofísicas do ecossistema e dos aspectos socioculturais.

Benzer Belgeler