3. ARAġTIRMA BULGULARI VE TARTIġMA
3.3. Isıl Özellikler
3.3.1. Jelatinizasyon özellikleri
Na busca por compreender a emoção religiosa procurou-se subsídios nos escritos de Max Weber. Nessa perspectiva, para entender o pensamento desse autor, é de suma importância avaliar primeiramente o conceito de ação social. Este, em linhas gerais, diz respeito a intersubjetividade, isto é, a atividade relacional entre indivíduos que trazem consigo marcas subjetivas. Assim sendo, nesta relação ocorrem as trocas, as criações, os consensos, os dissensos, entre outras coisas, porquanto os movimentos dos atores sociais permitem ou não ações (Weber, 1974: 7-111). A subjetividade, aspecto individual intrínseco da ação social, se configura a partir da somatória de estados afetivos, assimilações tradicionais, condutas valorizadoras e anseios racionais. Em suma, os estados afetivos são motivados pelos sentimentos; as assimilações tradicionais são arraigadas por costumes; as condutas valorizadoras, ou racionais visando valores,
15 Esta contribuição maussiana do elemento simbólico acaba por influenciar várias escolas sociológicas e antropológicas que estudam não somente as religiões, mas todo o tipo de troca realizada por indivíduos em sociedade. Por outro lado, “Mauss enfraquece a dicotomia símbolo/morfologia presente na obra de Durkheim”, pois ele mostrava que “a morfologia social também é um fato simbólico” (LANNA, 2000: 188).
são determinadas por valores éticos, religiosos, estéticos etc.; e os anseios racionais se dão em consonância com interesses e objetivos claros visando finalidades específicas (Weber, 1992: 20-21).
Antes de prosseguir, é importante ressaltar que todos esses elementos integrantes do aspecto subjetivo não são tão facilmente identificados numa análise qualquer, pois os mesmos se encontram entrelaçados. Desta forma, ao se pretender salientar qual a motivação para que um indivíduo aja de uma maneira ou de outra, possivelmente o resultado desta será a constatação do envolvimento de rudimentos variados numa mesma ação. Em outros termos, na perspectiva weberiana, toda ação é multicausal (Weber, 1999: 51). Nota-se, portanto, que os construtos sociais são produções edificadas a partir de condutas humanas com significados subjetivos. Nesta interação de indivíduos estão presentes as tensões e os conflitos, também como as manifestações emocionais. Por exemplo, um indivíduo que exerce uma conduta legítima para um determinado grupo obtém a aprovação resultando em sensações prazerosas para si. Entretanto, se esta mesma pessoa age de modo deslegitimo possivelmente receberá uma reprimenda ou será expulsa da coligação, e as emoções vivenciadas não causaram deleite a ela.
Uma vez entendido que as ações sociais se concretizam nas interações humanas, cabe ressaltar que as primeiras também são frutos de procedimentos racionais e irracionais. Na ótica de Weber, uma ação racional é aquela que se realiza de maneira premeditada e planejada, já a ação irracional é motivada primordialmente por condicionamentos afetivos e emocionais. Todavia, independente da racionalidade16 ou irracionalidade, as ações são também produções e produtos de emoções variadas. Outra peculiaridade da ação social é que ela se constrói na reação de um indivíduo em resposta ao ato de alguém, também como, na recusa por reagir. Destarte, tanto uma quanto a outra são portadoras de sentidos subjetivos e influenciarão diretamente outras relações. De tal forma, a subseqüência do que se realizou anteriormente implicará em transformações de cunho afetivo, profissional ou institucional nas interações entre indivíduos. Seguindo este raciocínio, para exemplificar, um dado interessante é que as recusas em atuar, ou as ações frustradas, são capazes de gerar sentimentos e/ou
16 É proposital o uso do termo racionalidade neste trabalho, no entanto, a idéia transmitida por Weber é de algo dinâmico que poderia ser melhor traduzido como “racionalização”.
ressentimentos diversos comprometendo significativamente toda a existência do indivíduo ou da coletividade. Em outros termos, estas ocorrências poderão dissimular todas as trocas humanas que se derem posteriormente.
Com as assertivas supraditas, torna-se compreensível que as emoções se encontram intimamente relacionadas às atividades sociais. Por outro lado, estas últimas sempre se referem a anseios individuais ou coletivos que se apresentam como projetos17
e projeções, objetiváveis ou objetificadas, para outrem. Posto isto, há como supor que a emoção, juntamente com outros elementos subjetivos, possibilita desígnios prováveis para as concepções sociais. (Weber, 1971: 309-346). É no processo de construção social, produto das interações humanas, que a história se forma e a consciência humana é estabelecida. Conseqüentemente, as elaborações e as ações estão submetidas aos processos formadores dos agentes da ação, a saber, àquilo que se configura como sua subjetividade em tensão com as trocas políticas, econômicas, simbólicas, ideológicas e culturais. Uma vez que os projetos individuais se afinam e equiparam, os laços afetivos entre indivíduos tornam-se mais consistentes, consensos vão sendo estabelecidos, ordens e estruturas de poder são edificadas e verdades sociais se constituem. Por conseqüência, a legitimidade da ação social se concretiza na medida em que se constroem acordos e afinidades entre os indivíduos. Weber assinala, mais precisamente, que a ordem legítima é garantida por variadas razões, ou seja, pela entrega sentimental, pelos valores comuns, pela crença religiosa e pelos interesses. E à medida que esta gama de acontecimentos se formam, sejam por coações físicas e/ou psíquicas, as convenções e os direitos são estabelecidos (Weber, 1992: 27-31).
Ao concluir este tópico é válido mencionar que nos trabalhos de Weber há como perceber a constatação de pelo menos duas características sociais modernas distintas, se comparadas àquelas que eram marcantes na maioria das sociedades tradicionais, a saber, a desvalorização da afetividade e a valorização da individualidade. No entanto, as reflexões weberianas apontam que, por mais que a maioria dos indivíduos modernos ressaltem o valor central da racionalidade, o elemento subjetivo não está ausente. Valendo-se das elucubrações weberianas supramencionadas, a resposta para as manifestações emocionais não estarem tão evidentes em seu contexto,
17 Com o termo “projeto” pretende-se apontar os meios mentalizados, buscados e estabelecidos para a objetificação racional dos anseios de agentes individuais e/ou coletivos.
ou serem disfarçadas por determinados atores sociais, encontra-se no modo como os indivíduos se relacionam, isto é, em suas práticas hegemônicas ou não, em seus objetivos e em como suas produções interferem no complexo social específico e geral. Cabe ressaltar que a história acontece no processo relacional, logo não há uma significação de origem, de destino e de finalidade. Com a sua categoria analítica intitulada “ação social”, Weber torna explícito que os conflitos e tensões entre indivíduos e grupos, subjetividade e racionalidade, são indicativos da presença variável do elemento emocional nos relacionamentos interpessoais. De tal forma, isso fica mais evidente quando tratam das ações individuais como unidades analíticas essenciais para o estudo sociológico, mas considerando os condicionamentos relacionais sofridos por cada pessoa. Por fim, as proposições weberianas concernentes à ação social e à emoção, até então observadas, mostram-se profícuas para a discussão que será tratada em seqüência.