Acerca dos estudos da depressão, Coutinho (2001/2005) assegura que a partir do abrupto crescimento das pesquisas nesta área surgem também diversos aportes teóricos para sustentarem a análise do construto, dentre estes uns que mais focalizam os aspectos orgânicos e outros que vislumbram os fatores psicológicos. Todavia, a complexidade da depressão escapa dos olhares desses estudiosos que, por exibir-se de forma densa e multifacetada, não poderia ser restringida ao prisma de uma ou outra teoria, tendo em vista a discordância que poderia ser encontrada ao se explicitar um problema tão plural por uma visão tão específica (Barros, Coutinho, Araújo e Castanha, 2006).
Para exemplificar, apresenta-se a seguir alguns estudos recentes embasados pela TRS cuja temática é a depressão na adolescência ou correlata a esta.
A partir de um enfoque psicossociológico Vieira, Saraiva e Coutinho (2010) investigaram através de multimétodo, a inter-relação entre a depressão e o suicídio, apreendendo e descrevendo a estrutura central e periférica das representações sociais de 233 estudantes de Psicologia de uma universidade pública do estado da Paraíba, acerca dessas temáticas. Os resultados obtidos mostraram a evocação do suicídio no seu sistema periférico, o que pareceu demonstrar uma estrutura representacional semelhante e interligada entre os fenômenos depressão e suicídio.
Para investigar as representações sociais da depressão elaboradas por crianças e adolescentes, sob um enfoque psicossociológico da Psicologia Social, Araújo, Pereira e
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Coutinho (2009) utilizaram o multimétodo com 52 participantes dos sexos masculino e feminino de escolares das cidades de João Pessoa, Natal e Teresina, com idades entre 9 e 14 anos. As representações sociais dos alunos de João Pessoa foram ancoradas em elementos psicossociais e objetivadas como mau humor, causado pelo estresse, que deixa a pessoa deprimida, magoada, desanimada e nervosa. Em Teresina, as representações sociais foram ancoradas em fatores de socialização, objetivando a depressão como elemento causador de solidão, que deixa infeliz o ser depressivo. Em Natal, as crianças e adolescentes ancoraram a depressão na esfera biopsicossocial, com objetivações da depressão como alusão ao ser deprimido; pessoa triste e nervosa.
Damião, Coutinho, Carolino e Ribeiro (2011) ao desenvolverem um pesquisa com abordagem multimétodo para estudar os fatores psicossociais que interferem na etiologia da depressão e apreender as RS da depressão em adolescentes inseridos no contexto do Ensino Médio da rede pública e privada das cidades de Teresina/Pi e Natal/RN, constataram um maior índice de sintomatologia na cidade de Teresina comparada à amostra da cidade de Natal. As diferenças referentes ao sexo foram estatisticamente relevantes, indicando que os sujeitos do sexo masculino apresentam traços depressivos mais relacionados a problemas de conduta e obediência, enquanto as meninas desenvolveriam traços mais subjetivos. Os autores averiguaram ainda uma inadequação do sujeito depressivo nas inter-relações psicoafetivas e psicossociais.
Coutinho e Ramos (2008), ao estudarem as representações sociais de crianças de 09 a 12 anos acerca da depressão através de uma abordagem transcultural, assinalaram uma prevalência da depressão em crianças brasileiras (11%) e portuguesas (14%), sendo que, consensualmente, a depressão surgiu como sinônimo de tristeza, doença e choro. A pessoa deprimida foi representada como angustiada, cabisbaixa, desanimada, sem amigo, com auto-imagem negativa (depreciativa) e que chora.
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Monteiro, Coutinho e Araújo (2007) ao buscar apreender as representações sociais (RS) da depressão de adolescentes com e sem sintomatologia depressiva no contexto do Ensino Médio em escolas públicas e privadas da cidade de João Pessoa – PB, através de multimétodo, obtiveram como resultado que as RS elaboradas pelos estudantes sem sintomatologia ancoraram a depressão na morte e na dor enquanto que os adolescentes com sintomatologia depressiva basearam-se na solidão e na droga. Os autores deste estudo acreditam que tais resultados indicam que a depressão pode interferir negativamente no cotidiano, nas atividades escolares, na auto-estima e na sociabilidade na adolescência.
Araújo, Vieira e Coutinho (2010) ao investigarem a apreensão das representações sociais da ideação suicida elaboradas por 90 adolescentes do Ensino Médio, por multimétodo, encontraram um índice de 22,2% de adolescentes com ideação suicida, com diferenciações entre as representações elaboradas pelos grupos com e sem ideação suicida. Os achados revelaram que adolescentes com ideação se autorrepresentaram como pessoas sozinhas, associando a ideação a sentimentos de desesperança e solidão, mas também expressaram um pedido de ajuda diante de seu sofrimento. Os resultados obtidos destacaram a importância dos fatores sinalizadores, que possibilitam uma melhor compreensão sobre a problemática do suicídio.
Mais uma pesquisa com o construto da depressão em adolescentes, esta realizada por Ribeiro, Coutinho e Nascimento (2010), buscou apreender as representações sociais da depressão de 276 adolescentes de ambos os sexos com idade entre 14 e 17 anos, do Ensino Médio de uma escola da cidade de João Pessoa-PB. Os resultados obtidos com o multimétodo indicaram que a depressão está associada a quatro aspectos: psicoafetivos, com as subcategorias depressão como sinônimo de tristeza e desilusão amorosa;
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tais associações resultam das vivências dos adolescentes e de informações e representações vinculadas ao seu grupo de pertença. Assim como a maioria dos estudos, a referida pesquisa também aponta a necessidade de práticas preventivas e educacionais nas instituições de ensino.
Com o intuito de apreender as representações sociais (RS) de 222 adolescentes do Ensino Médio de ambos os sexos, com idades entre 14 e 19 anos, Aragão, Coutinho, Araújo e Castanha (2009) utilizando o multimétodo constataram a ancoragem das RS da depressão como sinônimo de dor, mágoa, infelicidade, ódio, morte, desânimo, angústia, solidão e choro. As RS elaboradas pelos participantes deste estudo apontaram uma similitude com a concepção/descrição, tal como descreve a nosologia psiquiátrica. Os autores acreditam que, com estes resultados, é possível compreender o sofrimento provocado pela sintomatologia depressiva, além de poder contribuir para uma melhor qualidade de vida desses adolescentes.
Em suma, Coutinho (2001) salienta que, para o convívio com as inquietudes da depressão, os adolescentes constroem representações sociais que os auxiliam na atribuição de sentido para orientar seus comportamentos no transcurso da experiência com a doença.
No artigo intitulado Os rituais de passagem segundo adolescentes, Bretas, Moreno, Eugenio, Sala, Vieira, e Bruno (2008), com o objetivo de identificar as impressões de adolescentes acerca do que poderia representar um ritual de passagem, concluíram que estes relacionam-se diretamente com a mudança corporal, produto do adolescer, sendo ocorrências marcantes e significativas na vida do indivíduo.
Destarte, como asseveram estudiosos da Teoria das Representações Sociais – e a revisão da literatura apontou – assim como o uso do álcool, a depressão também é um
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sofrimento psíquico dinamicamente idealizado e reproduzido, que se apresenta como um transtorno de humor multifacetado e abrange diferentes sintomas inter-relacionados (Coutinho, 2001/2005; Saraiva, 2007), podendo, igualmente, o abuso de o álcool tornar- se um problema de saúde mental se não na fase da adolescência provavelmente no futuro próximo da vida adulta.
130 CAPÍTULO VI - MÉTODO
131 6.1 Tipo de estudo
A presente pesquisa consiste em um estudo de campo, descritivo com uma abordagem de cunho quantitativo e qualitativo.