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O conhecimento envolvido nas atividades industriais vem sendo abordado desde as primeiras teorias da administração, tanto pela teoria científica quanto pela linha das relações humanas, muito embora não legitimam a racionalidade funcional do conhecimento nas organizações industriais.

De acordo com essa visão destacam-se algumas contribuições do conhecimento nas teorias da administração, no quadro a seguir:

Quadro 3 – Conhecimento, na ótica das Teorias Administrativas

Teoria da Administração Científica: 1903, Estados Unidos.

Esforços são concentrados no método empírico e concreto, onde o conhecimento é alcançado pela evidência e não pela abstração. Torna-se evidente a influência do determinismo de Hume. Esta teoria aborda a empresa como um sistema fechado, desprezando as variáveis externas do ambiente.

Teoria Clássica da Administração: 1916, França.

Criando-se a hierarquia das funções, estruturação linear, o que valoriza os conceitos do racionalismo. O empirismo é substituído por técnicas racionais científicas. Há grande dificuldade de se adaptar a ambientes de mudança, surgem os excessos de burocracia e efeitos desumanizantes no trabalho.

Teoria das Relações Humanas: 1932, Estados Unidos.

Em oposição à teoria clássica, os fatores humanos desempenham um papel significativo no aumento da produtividade por meio da melhoria contínua do conhecimento prático detido pelos operários, tal como defendido por Kant.

Teoria da Burocracia: 1940, com Max Weber.

Baseada no racionalismo, voltada a garantir a máxima eficiência operacional para o alcance dos objetivos organizacionais. Internalização das regras e apreciação aos regulamentos, excesso de formalismo, resistência às mudanças, categorização como base do processo decisorial, superconformidade às rotinas e procedimentos, exibição de sinais de autoridade e dificuldades nos relacionamentos no ambiente interno e externo.

Teoria Estruturalista: final de 1950, Estados Unidos.

Adota o método analítico e comparativo do processo dialético de Sócrates, em busca da integração dos elementos numa totalidade: interdependência recíproca de todas as organizações e da conseqüente necessidade de integração. Surgem os métodos de otimização, de resolução de problemas, baseados em modelos quantitativos de pesquisa.

Teoria Behaviorista: 1947, Estados Unidos.

Ressurge a Teoria das Relações Humanas, voltada ao comportamento global da empresa. Apresenta uma antítese aos princípios da administração, ao conceito de autoridade formal e à posição rígida e mecanicista dos autores clássicos. Esta escola se guia por uma ciência indutiva, que focaliza o indivíduo e utiliza fundamentos teóricos de outras ciências.

Teoria de Sistemas: entre 1950 e 1968, Alemanha.

A empresa é tratada como um sistema aberto em contínua interação com o ambiente. Incorpora-se o princípio de que a observação e a geração de hipóteses são tão importantes para o avanço do conhecimento quanto a experimentação. Nesta escola o ponto de partida para o crescimento do conhecimento são a observação e a teoria.

Teoria Neoclássica: 1954, Estados Unidos.

A Escola Clássica reaparece, valorizando o princípio de Hume. Visa demonstrar uma relação de causa e efeito, buscando proporcionar um guia para tomada de ações. O conhecimento torna-se o recurso econômico central e passa a ser incorporado à produtividade do empregado, que dependerá de sua capacidade de operacionalizar conceitos, idéias, teorias, e não das habilidades adquiridas pela experiência.

Teoria da Contingência: final de 1970, Estados Unidos.

Organizações como um sistema orgânico. Ocorre a integração sistêmica das teorias mecanicistas e orgânicas, em que a discussão do relativismo de Platão e Sócrates é plenamente compatível com uma visão absolutista ou objetivista do conhecimento.

Teoria Neo-

Schumpeteriana: 1982.

Enfatiza o valor econômico dos processos de inovação. A tecnologia da informação passa a incorporar a necessidade da criação de um banco de dados para o armazenamento e compartilhamento das informações, a fim de facilitar a amplitude do conhecimento organizacional.

De acordo com essas abordagens teóricas e em conformidade com uma breve revisão de literatura relacionada à ciência da administração, algumas contribuições foram observadas sobre a influência do conhecimento filosófico nas Teorias Neoclássica, Contingencial e Neo- Schumpeteriana, porém nenhum pensador dessas correntes articulou a possibilidade de o ser humano criar conhecimento no sentido de mudar as estratégias organizacionais.

Na Teoria Neoclássica destaca-se a denominada administração por objetivos (APO) proposta por Drucker (1968), que trata sobre o planejamento estratégico e o ambiente organizacional como fonte de informações que permitem a análise crítica e reflexão acerca dos pontos fortes e fracos e também das ameaças e oportunidades como elementos essenciais para o alcance dos objetivos da organização.

A Teoria Contingencial aborda termos como “flexibilidade” “inovação” “empowerment” e “equipes multidisciplinares”, expressões usadas na literatura atual sobre conhecimento organizacional, o que sinaliza para uma tendência orientada às práticas do conhecimento organizacional.

No entanto, foi na Teoria Neo-Schumpeteriana que ocorreu maior ênfase aos processos de inovação e às tecnologias de informação e comunicação, ressaltando a necessidade de desenvolvimento de novas formas de geração, tratamento e distribuição da informação, principalmente por tratar-se de transição da era industrial para a era da informação e do conhecimento. Esse fato instigou reflexão sobre a emergência de um novo paradígma “tececonômico” (PTE) defendida por alguns estudiosos do assunto com base na inovação, informação e conhecimento.

Na verdade, em consonância com Silva (2004), o conhecimento envolvido nas atividades industriais vem sendo abordado desde as primeiras teorias da administração. Tanto pelas teorias científicas quanto pela linha das relações humanas. Todavia, foi a partir de 1982 que o conhecimento começou a ser contextualizado no cenário histórico-político-econômico e vem consolidando-se com a evolução para a nova economia onde o valor dos produtos e serviços depende do percentual de inovação, tecnologia e conhecimento a eles incorporados (CAVALCANTE & GOMES, 2001)

Sinais dessa nova economia começaram a aparecer a partir da análise das estatísticas que relacionam o conhecimento à produção. Ela foi responsável pelo deslocamento do eixo da riqueza dos setores industriais tradicionais intensivos dos fatores de produção, mão-de-obra, capital e matéria-prima para os setores onde os produtos, processos e serviços são intensivos em tecnologia e conhecimento nos modernos ambientes organizacionais caracterizados como de tecnologias avançadas.

A nova economia acelerou o processo de mudanças impondo novas concepções e conquistando espaço. No entendimento de Leuch (2006), tal fato conduz ao repensamento das estruturas, ao papel dos funcionários e dos gerentes nas organizações e conduz a nova reconfiguração, diminuição das hierarquias e surgimento dos valores intangíveis como aspectos decisivos para a competitividade, expansão da tecnologia e da informação e outras mudanças que ocorrem com vistas a uma possível caracterização das organizações como organizações do conhecimento.

Na perspectiva de se adaptar a esta emergente realidade, as organizações voltam as atenções para o valor do conhecimento. Com isso vêm se conscientizando de sua importância e a busca de estratégias de criação, aquisição, transferência, difusão, apropriação e gestão.

Para que esse processo ocorra é necessário que o foco das estratégias de conhecimento esteja voltado para saber como funciona a empresa, quem sabe o que e que conhecimentos são essenciais e críticos às estratégias da empresa (SVEIBY 2000).

Von Krog et al (2001) trataram do papel do conhecimento como estratégia que devem ser valioso, difícil de imitar, difícil de substituir, exclusivo ou público e apresenta uma capacidade de transferência às vezes mais importante do que o conteúdo e novos conhecimentos para a inovação dos processos ou produtos assim como transferíveis.

Zack (2002) defendeu que um corpo de conhecimento pode ser utilizado para criar ou sustentar vantagem competitiva, permitindo a organização formular e executar melhor sua estratégia competitiva. Porém estudos mostram que nem todo conhecimento tem valor estratégico mesmo o conhecimento sendo fonte de vantagem competitiva, visto que as estratégias de uma empresa dependem para sua realização eficaz de conhecimentos e capacidades para desenvolver e transformar os objetivos estratégicos em ações. Embora as abordagens sobre o conhecimento como estratégia e vantagem competitiva sejam complementares.