De início, realizou-se uma síntese reflexiva introdutória sobre o sistema produtivo, sua definição, componentes e tipologia utilizando uma visão genérica. Um sistema de produção segundo Wild (1981) é a configuração de recursos combinados para a produção de bens ou a prestação de serviços e seus componentes integram um modelo teórico simplificado baseado nos seguintes parâmetros de sistema: entradas ou inputs processamento ou throughput, saídas ou outputs e feedback.
Os inputs ou insumos compreendem as entradas em um sistema de produção para que este possa funcionar, ou seja, qualquer recurso que alimenta o sistema. Ex: capital, trabalho, conhecimento, entre outros. Processamento ou throughput, significa a transformação dos recursos que entraram no sistema para proporcionar as saídas. Estas saídas ou outputs constituem o resultado do processo, ou seja, o que o sistema produziu, sendo devolvido para o
meio externo; Retroação, alimentação ou feedback representa a influência que as saídas exercem sobre as entradas no sentido de ajustá-las ou regulá-las ao funcionamento do sistema.
A figura a seguir apresenta o esquema de um sistema físico de produção: Figura 4 – Sistema Físico de Produção.
A combinação desses recursos constitui o sistema físico que integra as matérias primas, equipamentos, mão-de-obra e os produtos associados aos sistemas de produção. Sua configuração varia de acordo com o aporte tecnológico empregado, o produto elaborado e o tipo de processo utilizado (SEVERIANO FILHO, 1999).
No tocante a produtividade, ela pode ser definida como a relação da eficiência5 no uso dos recursos para fabricar os produtos com as operações do processo produtivo; e da eficácia6 no tocante ao alcance de resultados com a melhor utilização possível dos recursos, além da relação entre o que foi produzido e os insumos utilizados pelo processo produtivo num certo período de tempo.
A literatura especializada apresenta uma diversidade de definições e abordagens conceituais para o termo produtividade. Em parte, esses conceitos são apresentados através de terminologias diferentes, porém orientadas para a relação entre o que se obtém na saída e o que é consumido na entrada de um sistema de produção (SINK, 1993), tendo a eficiência como um modelo para a maioria das concepções sobre produtividade.
Nesse aspecto, foi possível estabelecer dois níveis de abordagens que serviram de referência para este exercício de definição teórica do significado da produtividade. Um relacionado com a administração da produção e sua relação com os níveis de produtividade, insumos e resultados; e o outro, na perspectiva da teoria econômica, onde o termo
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5 Eficiência: significa a utilização adequada dos recursos empresariais.
6 Eficácia: objetivos que a empresa pretende alcançar por meio de suas operações.
Output Throughput Input Sistema Operacional Bens e Serviços Atividades de Transformação Operações de Processamento Homens Conhecimento Materiais Equipamentos Energia Informação
produtividade está em estreita relação com o bem-estar individual e social, com o trabalho e sua organização.
Trata-se de um conjunto de significados que o termo incorpora para os mais variados fins que, se de um lado, isso espelha a sua importância em termos de definição, conceito, métodos, do outro dificulta seu entendimento. Esse é o caso da acepção que vem se generalizando, principalmente nos textos de administração, nas teorias econômicas e do conhecimento organizacional, bem como os diferentes entendimentos relacionados com a economia do conhecimento, no seu sentido mais amplo, levando inclusive à reanálise dos seus conceitos e aplicação de suas metodologias. Esse fato explica-se pela passagem da produtividade como elemento de aferição de resultados de mão-de-obra para condição de medida de eficiência gerencial das organizações. Desse modo, acontece a evolução do conceito de produtividade à medida que são criadas novas teorias gerenciais.
Os três sistemas podem ser observados no quadro a seguir:
Quadro 6 - Tipologia dos sistemas de produção: entradas e saídas
Subsistemas Almoxarifado de Matérias-Primas Produção Depósito de Produtos Acabados
Produção por Encomenda
Nenhum estoque prévio
O estoque é planejado somente após receber o pedido.
A produção é planejada somente após receber o pedido ou encomenda. Não há necessidade de controle de produtos acabados em cada encomenda. Produção em Lotes
O estoque é planejado em função de cada lote de produção.
A produção é planejada em função de cada lote de produção
O estoque é planejado em função de cada lote de produção
Produção Contínua O estoque é planejado e programado
para o período mensal ou anual.
A produção é planejada e programada para o período mensal ou anual
O estoque é planejado e
programado para o
período mensal ou anual Fonte: Russomano, 1990.
Essa tipologia está sendo utilizada de forma associada, uma vez que o avanço da tecnologia e do conhecimento em geral, está proporcionando novos conceitos em administração da produção.
Os sistemas de produção estão se tornando avançados em recursos tecnológicos modernos de manufatura, considerados por Son Young (1991) de (AMT’s – Advanced Manufacturing Technologias), por compreenderem as tecnologias de hardwares e softwares avançadas de produção, as quais não são utilizadas pelos sistemas convencionais de fabricação (SEVERIANO FILHO, 1999).
Para o autor acima um sistema de manufatura avançada constitui a configuração de recursos combinados com densidade e competência tecnológicas incorporadas, para a produção de bens com elevado grau de desempenho.
Na sua tese de doutorado, o autor considerou densidade e competência tecnológica como elementos característicos das ATM’s, por suas técnicas serem aplicadas tanto no gerenciamento dos sistemas, como no gerenciamento tecnológico e no gerenciamento de pessoal. Isso ocorre porque a maior parte dessas técnicas faz uso intensivo de tecnologias relacionadas com computadores na gestão da produção e das operações. O CAD (Computer- Aided Design) auxilia no desenho e projeto de produtos, o CAM (Computer-Aided Manufaturing) auxilia no planejamento, execução e controle das operações. O CAD e o CAM constituem a Manufatura Integrada por Computador CIM.
O MRP (Manufacturing Resources Planning) - planejamento dos recursos de manufatura constitui um sistema de planejamento e controle da produção que é usado com a ajuda do computador. É mais indicado para ambientes de produção sob encomenda e em pequenos lotes, quando a produção não é repetitiva. Trata-se da utilização de softwares sofisticados que se apóiam num plano de abastecimento externo e interno de materiais a partir de uma visão estática e pouco mutável.
O MRP II (Material Requirement Planinning) corresponde ao planejamento dos recursos de manufatura. Tem como base um plano mestre que envolve estoques de materiais e componentes, restrições de pessoal, disponibilidade de equipamentos para gerar ordens de compras dos itens fornecidos por terceiros e as ordens de produção para os itens de fabricação própria (CHIVANATO, 2005).
Os processos de EDI (Electronic Data Interchange) permitem enviar de forma automática os pedidos, orientar e monitorar todo o processo produtivo em relação a cada pedido do cliente.
Essa tecnologia de produção com base no computador e em equipamentos de automação robótica está proporcionando sistemas flexíveis de manufatura – FMS na base do tempo real, favorecendo mecanismos rápidos de tomada de decisão, graças a sistemas de apoio e suporte de decisão. Tal fato faz com que as pessoas devam ser qualificadas e capacitadas para lidar com dados.
Dessa maneira, a exigência por trabalhadores do conhecimento, ou seja, que executam atividades intelectuais como ler, registrar, calcular, pensar, mudar, melhorar, implementar e decidir, é condição necessária para a execução das atividades da manufatura com tecnologias avançadas de produção. Esses tipos de conhecimento envolvem métodos,
processos, procedimentos, rotinas, regras e regulamentos, planos e programas de trabalho e são comumente denominados de softwares.
Quanto ao resultado prático do conhecimento aplicado, envolvendo máquinas, equipamentos, instalações, circuitos, enfim, elementos resultantes do desenvolvimento tecnológico, são utilizados os hardwares.
Essa discussão inicial consistiu em auxiliar no entendimento de que a configuração tecnológica dos modernos sistemas de produção vem impondo novos níveis de conhecimento alicerçados nos princípios de maximização e melhoramentos da produtividade, organizacional como fonte de crescimento, rentabilidade das empresas e de competitividade das economias além de desempenho organizacional. (SEVERIANO FILHO, 1999).
Dessa forma, sumariaram-se alguns recortes teóricos relativos aos estudos sobre sistema de produção como suporte a discussão sobre a produtividade, suas diferentes abordagens e concepções, reafirmando os conceitos já expostos e realçando os modelos clássicos e recentes de avaliação da produtividade.