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Esta seção discute as evidências teóricas relativas às limitações e inconsistências das teorias de avaliação de desempenho produtivo estudadas, à luz de uma melhor forma de atender às particularidades impostas pelas novas configurações produtivas ditadas pelos desafios relativos à importância da variável “conhecimento” nas organizações e sua influência na produtividade.

Desse modo, empregaram-se três modelos de avaliação de desempenho para estudar a variável “conhecimento” na determinação da produmetria em empresas industriais: o modelo clássico de Produtividade de Fator Total e os novos modelos de Son e SAPROV.

A produtividade de Fator Total - TFP constitui uma das medidas tradicionais de desempenho da manufatura, conhecidas como indicadores de produtividade, no entanto, vem

se tornando ineficaz para traduzir o nível de desempenho organizacional na atualidade, em face de estar vinculada a um sistema contábil que controla basicamente apenas os elementos tangíveis da estrutura de custos. Dessa forma, por ser uma medida que está ligada diretamente às informações contábeis, não retrata a realidade da mensuração, além disso, os resultados encontrados não são suficientes nem precisos.

Soma-se a essa questão a crítica sobre a insuficiência dos registros contábeis a respeito da mensuração do conhecimento como ativo intangível, que necessita ajustar-se à medição de ativos físicos e financeiros para a avaliação da produtividade. Pois, como os sistemas contábeis influenciam a maneira como é recompensado o desempenho, afetam o comportamento econômico dos gerentes e investidores no mercado.

De outra parte, essa medida, no tocante à avaliação dos novos parâmetros de desempenho da manufatura, tem sua base firmada sobre os fatores físicos da produção e custos operacionais desses fatores. Essa condição impõe certas limitações, como a necessidade de utilização de preços dos produtos e insumos e o não detalhamento das causas das mudanças dos fatores conjunturais da economia. Outra crítica se dá em relação à mensuração do preço de certos fatores, como terra, equipamentos e mão-de-obra. Seria mais fácil e correto trabalhar com quantidade desses fatores do que dimensionar o preço real destes.

Enfim, a análise baseada unicamente em preço como fator agregador é uma restrição importante, principalmente quando existe a necessidade de correção dos valores no tempo, pois variações monetárias podem representar erroneamente variações na produção. Este fato ainda é agravado quando se trata de uma análise temporal longa.

Entretanto, a literatura apresenta alguns estudos teóricos empíricos que utilizaram indicadores da TFP, como um valor agregado de insumos, tendo o fator preço como homogeneizador. Nesse caso, o ponto central de análises baseadas na produtividade de fator total foi o de quantificar as alterações da produtividade existentes ao longo do tempo e verificar sua evolução ou não.

Não obstante, existe convergência com foco na crítica da inadequação desse modelo relacionada ao tratamento dos problemas específicos de produtividade das novas configurações produtivas – Tecnologias Avançadas de Manufaturas em AMT’s, a exemplo dos valores agregados de qualidade e flexibilidade da produção, como também as unidades de valor dos hardwares e softwares incorporados nesses sistemas.

Essas observações sinalizaram para o entendimento nesta pesquisa sobre as dificuldades de ordem teórica e prática para mensurar o conhecimento que influencia a produtividade, uma vez que não traduz o desempenho organizacional; não retrata a realidade

da mensuração; apresenta insuficiência de registros contábeis relativos ao conhecimento organizacional; tem por base fatores físicos da produção e custos, e por fim, a impossibilidade de ser utilizado em AMT’s.

Os novos modelos de metrificação da produtividade, modelo de Son e SAPROV, envolvem um conjunto de medidas de avaliação de desempenho produtivo que utilizam indicadores de medidas tradicionais, relativas a bens físicos mensuráveis quantitativamente ou financeiramente.

Por conseguinte essas medidas não são usuais, necessitando do desenvolvimento de outras modalidades de indicadores, com possibilidades de captar os aspectos intangíveis que as medidas comuns não alcançam. Apesar de esses modelos incorporarem as dimensões de produtividade técnica, compreendendo os índices de Indução da Produtividade, da Flexibilidade, da Qualidade e da produtividade econômica, que envolve o Índice de Produtividade Vetorial e serem utilizadas em AMT’s, são insuficientes para a medição de intangíveis, especialmente o conhecimento nas organizações, haja vista depender da codificação do acervo do capital intelectual, que envolve habilidade, experiência, conhecimento e informação.

Além da ineficiência de aplicação dos novos modelos para mensurar a produtividade com base no conhecimento, considerando aqui que o valor de mercado compreende o valor contábil e o capital intelectual, o capital intelectual inclui o valor contábil representado pelo capital físico e o capital monetário. O capital intelectual compreende o capital humano e capital estrutural. O capital estrutural é composto pelos capitais: capital de inovação, capital de processos e capital de relações.

Essa taxonomia demonstrou que o capital intelectual não é formado apenas pela diferença do valor de mercado da empresa e seu respectivo valor contábil, e sim, por vários ativos intangíveis, tais como: marcas, patentes, principalmente. Esse é um dos aspectos limitantes que dificultam a mensuração dos ativos intangíveis e principalmente do conhecimento.

Nesse sentido, pesquisadores têm se pronunciado criticamente sobre a identificação e mensuração do capital intelectual em uma empresa, colocando inclusive os diversos modelos que buscam mensurá-lo, destacando a diferença entre o valor de mercado e o valor contábil (abordagem considerada nesta pesquisa), razão entre o valor de mercado e o valor contábil; “Q” de Tobin; Navegador do Capital; Modelo de Edvisson & Malone (O caso da Skandia) e o Modelo de Sveiby.

Esses modelos sinalizam para a preocupação dos pesquisadores no sentido de definir o caminho confiável e verdadeiro para avaliar o capital intelectual. Entretanto, questiona-se, o porquê da não inclusão do capital intelectual nas demonstrações financeiras e até mesmo nos sistemas de custos. Para Ferreira & Figueiredo (2006), os contadores precisam inicialmente identificar o capital intelectual para depois mensurá-lo, pensando que esses valores devam ser registrados em relação ao custo para a formação desse capital intelectual.

Na verdade, além de os modelos IMPM e SAPROV (novos modelos para metrificação da produtividade), não serem eficientes para a medição do conhecimento organizacional, um agravante é posto pela literatura, que é a dificuldade de definição e pela incerteza a respeito da mensuração de seus valores e de estimação de suas vidas úteis.

Portanto, com base nas críticas e limitações dos modelos discutidos, observou-se que para uma melhor evidenciação, nas demonstrações financeiras, a respeito dos métodos adotados para a mensuração do conhecimento nas organizações, entende-se que deverão existir notas explicativas para que os agentes internos e externos dessas possam obter informações no sentido de uma melhor tomada de decisão. Pois o conhecimento pode ser considerado um ativo da organização que proporciona vantagem competitiva.